Capítulo 22
Capítulo 22 。 ₊°༺❤︎༻°₊ 。
— Não sei como uma coincidência dessas pôde acontecer.
Shin Taeon olhou para Yeoul com um sorriso de canto.
Então, tomou de uma vez o iced americano que estava à sua frente.
Yeoul também bebeu o suco de maçã em seu copo, tentando acalmar o ardor que queimava por dentro.
Depois de se encontrarem por acaso na rua, Shin Taeon havia arrastado Yeoul até uma cafeteria em um beco próximo.
Então, de repente, entregou um maço de dinheiro ao dono do estabelecimento e sussurrou alguma coisa em seu ouvido.
No mesmo instante, os olhos do proprietário se arregalaram de surpresa.
Ele então informou aos clientes que a cafeteria fecharia mais cedo naquele dia por motivos pessoais e pediu que todos fossem embora.
Pelo visto, ele havia feito todo aquele esforço porque queria conversar com Yeoul a sós.
Assim, Yeoul se viu sozinho diante de Shin Taeon naquela cafeteria relativamente espaçosa.
— Recebi a informação de que um devedorzinho tinha fugido para este bairro, sabe? Eu estava saindo depois de pegar aquele rato e cobrar os juros dele quando vi você com uma senhora idosa.
— …
— Você também fugiu de Eun Sajun sem saber qual é o seu lugar?
— Não.
Yeoul balançou a cabeça com firmeza.
Não havia como agir por conta própria deixando Yeojin para trás.
— É mesmo?
Shin Taeon, que observava Yeoul de lado, colocou um cigarro entre os lábios.
Então o acendeu com um isqueiro Zippo.
A cafeteria, onde era proibido fumar, logo se encheu de uma fumaça nebulosa.
O rosto do dono do estabelecimento, atrás do balcão, ficou tomado pela perplexidade.
Mas, talvez por causa do dinheiro que havia recebido de Shin Taeon, ele não ousou impedi-lo.
Em vez disso, trouxe um cinzeiro com lenços umedecidos e o colocou sobre a mesa antes de se afastar.
— Então por que você está andando por aí fazendo essa confusão?
— Bem… Eu precisei mudar minhas informações de contato de repente.
Yeoul explicou que Eun Sajun havia lhe dado um celular novo e que, por causa disso, seria difícil entrar em contato com ele como antes.
— Então eu estava tentando avisar você disso usando um telefone público. Foi quando nos encontramos.
— …
Shin Taeon permaneceu em silêncio por alguns instantes.
Então encarou Yeoul intensamente.
Yeoul sentiu aquela intensidade assustadoramente afiada, como uma sovela perfurando sua pele.
— Você não está mentindo, está?
— Não! E por que eu mentiria sobre uma coisa dessas?
— Bem, se tivesse algum bom senso, você não agiria de forma tão imprudente.
Ele ergueu os cantos dos lábios em um sorriso de escárnio e apagou o cigarro no cinzeiro.
— Mas, quando Eun Sajun trocou seu celular, ele teria transferido os contatos. Nesse processo, ele não viu meu contato ou nossas mensagens?
— Isso não vai acontecer. Meu celular quebrou pouco antes de eu trocar de aparelho, então todos os dados foram perdidos.
— É mesmo?
— Sim.
Yeoul não conseguiu dizer que havia destruído o celular com uma pedra.
Era uma atitude extrema demais, e ele não queria revelar aquela fraqueza violenta para Shin Taeon.
— Você teve sorte. Então está tudo bem.
— Parece que vai ser difícil entrar em contato com você daqui para frente.
Mesmo enquanto falava, Yeoul esperava que Shin Taeon desse uma resposta irresponsável, como “Isso é problema seu. Dê seu jeito.”
Mas não foi isso que aconteceu.
— Na verdade, também não tenho tempo para entrar em contato com você por qualquer coisinha. Então, a partir de agora, vamos nos encontrar aqui toda quinta-feira, às oito da noite. Você vai me contar como passou a semana tentando descobrir o código de Eun Sajun.
— Ah… Então, mesmo que eu descubra o código, terei que continuar naquela mansão até quinta-feira?
— Claro.
Eu quero sair de lá nem que seja um dia antes…
Yeoul estava consumido pela ansiedade.
Por outro lado, a preocupação de ter que proteger o celular para impedir que descobrissem seu contato com Shin Taeon havia desaparecido.
Ele teria que sair toda quinta-feira…
Mas tudo bem, já que poderia fazer isso como naquele dia.
— Então, até onde você conseguiu descobrir sobre o código?
— Só descobri que os primeiros números são 20.
A voz de Yeoul tremeu, pois sentia que havia descoberto pouco demais considerando o tempo que passara infiltrado.
— Ah. Mas seu progresso está mais rápido do que eu esperava.
— O quê?
Os olhos de Yeoul se arregalaram diante da resposta inesperada.
— Até agora, outras organizações também infiltraram informantes ao redor de Eun Sajun para descobrir esse código. Eles se disfarçaram de funcionários da empresa administrada por Eun Sajun, governantas, seguranças e coisas do tipo. Mas todos foram expulsos em menos de um dia.
— O quê? Sério?
— Sim. Mesmo sendo espiões profissionais, não foi fácil. Eun Sajun também já participou de missões de infiltração, então provavelmente reconhece o cheiro dos seus semelhantes.
— …
— Enquanto pensava em outros métodos, decidi apostar tudo ou nada e tentei enviar Geum Yeojin. Mas, no dia anterior à operação, Geum Yeojin sofreu um acidente de trânsito. Então você entrou no lugar dele.
— Ah…
— Minha escolha foi acertada. Você não apenas durou vários dias como também descobriu os primeiros números.
Os cantos dos lábios de Shin Taeon se ergueram, como se alcançassem o céu.
Ele parecia satisfeito.
Yeoul, por sua vez, também ficou desconcertado com aquele elogio inesperado.
— Pegá-lo desprevenido foi uma jogada divina.
— N-não acha que ele percebeu?
Pelo que tinha ouvido, Eun Sajun era extremamente perspicaz.
— Não. Se tivesse percebido, você não estaria vivo desse jeito.
— O quê?
— Todos os caras que se infiltraram até agora para descobrir esse código foram eliminados pelas mãos de Eun Sajun.
— Eliminados?
— Sim. Significa que atravessaram o rio da morte. Foram assassinados.
— Hã!
Ao mesmo tempo, a imagem de Eun Sajun tirando a vida de Baek Cheonhui com a maior naturalidade surgiu diante dos olhos de Yeoul.
— Então tome cuidado também.
Shin Taeon observou Yeoul, que havia ficado tenso, com interesse e soltou uma risadinha.
Era o olhar de alguém que acabara de descobrir um brinquedo interessante.
A boca de Yeoul ficou amarga, como se tivesse engolido absinto.
— Mas você dormiu com Eun Sajun?
— O quê?
— Não… Estou vendo marcas vermelhas no seu pescoço.
— Hã?
Yeoul tocou o próprio pescoço em pânico.
Pareciam ser marcas deixadas pelas carícias da noite anterior.
Yeoul puxou a gola do casaco o mais alto que conseguiu.
— Merda.
O brilho de diversão que havia aparecido brevemente nos olhos de Shin Taeon foi ficando frio.
Ele pressionou o cigarro que tinha entre os lábios contra o cinzeiro.
— Me responda direito. Você transou com aquele desgraçado?
— N… Não.
Yeoul negou para esconder o contrato de gravidez.
— Ha.
Shin Taeon encarou intensamente o rosto de Yeoul.
Seu olhar era tão intenso que Yeoul chegou a imaginar que buracos estavam sendo abertos em seu rosto.
— Em que parte do corpo de Eun Sajun o código foi gravado?
Como se tivesse percebido a mentira de Yeoul, perguntou friamente.
Diante daquela crise, Yeoul hesitou por um instante, mas logo abriu a boca.
— No peito.
— No torso?
— Sim.
Ele não podia dizer a verdade e revelar que o código estava gravado no pênis de Eun Sajun.
Não faria sentido uma simples governanta ter visto seus órgãos genitais.
Mas também não conseguia dizer que estava nos braços ou nas pernas, pois eram partes facilmente expostas.
Um momento de silêncio se instalou.
Yeoul sentiu como se sua respiração tivesse sido completamente bloqueada.
Shin Taeon permaneceu imóvel diante dele.
Logo, porém, conferiu o relógio no pulso.
— Entendi. Por enquanto, continue descobrindo o código como tem feito. Preciso ir receber a próxima fonte de dinheiro.
Ele chamava seus clientes de fontes de dinheiro e se levantou da cadeira.
— E-espera um momento.
Yeoul chamou-o às pressas para impedi-lo de ir embora.
— O Yeojin está bem?
Naquele momento, aquela era a pessoa que mais queria ver e sobre quem mais queria saber.
— Ele está bem. É por isso que não estou dizendo nada.
— E-ele está comendo direito?
— Um adulto não teria força nem para levantar uma colher?
Shin Taeon sorriu de canto.
— A vida de Geum Yeojin depende da maneira como você agir.
— …
— As bebidas são por minha conta. Termine de beber e vá embora.
Pouco depois, ele deixou a cafeteria.
Sozinho, Yeoul olhou para o suco de maçã que ainda estava mais da metade cheio.
Seu coração se apertou diante da ameaça de Shin Taeon.
Além disso, ficou atordoado ao encarar a realidade de que Eun Sajun era ainda mais perspicaz e cruel do que imaginava.
O que estava fazendo agora era uma infiltração na qual sua vida estava em jogo.
Sombras começaram a se espalhar pelos olhos úmidos de Yeoul.
Baek Cheonhui havia morrido pelas mãos de Eun Sajun.
Se o verdadeiro propósito daquela infiltração fosse descoberto, Yeoul poderia acabar da mesma maneira.
Eu, com uma faca cravada no pescoço.
O sangue escorrendo lentamente pelo meu corpo frio e gelado.
Morrer era assustador.
Doloroso.
Além disso, deixar Yeojin para trás para encontrar seus pais, que já haviam partido para o céu antes deles, seria triste demais.
— Isso não pode acontecer!
Yeoul gritou convulsivamente e arremessou no chão o copo de água que estava à sua frente.
O copo, que até então estava intacto, se despedaçou no chão.
O dono da cafeteria, atrás do balcão, também ficou pálido diante da atitude repentina de Yeoul.
— Hã!
O que foi que eu acabei de fazer?
O corpo de Yeoul tremia diante daquele impulso que havia surgido de dentro dele.
Por causa disso, um pensamento ainda mais assustador lhe ocorreu naquele momento.
Desse jeito… será que vou acabar matando Eun Sajun?
Se ele se encontrasse na mesma situação extrema que Baek Cheonhui, não sabia o que poderia acontecer consigo.
Além de simplesmente demonstrar sua violência contra Eun Sajun, poderia perder a razão e causar um grande acidente movido pelo instinto de proteger Yeojin.
Assassinato era errado.
Era a pior coisa que alguém poderia fazer, tanto moral quanto socialmente.
Yeoul sentiu medo dos próprios instintos e segurou a cabeça.
Às pressas, bebeu o suco de maçã.
A sensação gelada dominou sua boca por causa do gelo que ainda não havia derretido.
Seu coração ansioso, que queimava como fogo, esfriou um pouco e começou a se acalmar.
De repente, Yeoul se perguntou se deveria procurar novamente um psiquiatra.
Mas o que poderia fazer, se não estava em uma situação em que pudesse ir ao hospital?
Por enquanto, teria que controlar as próprias emoções o máximo possível.
Yeoul inspirou e expirou repetidamente.
Seu coração batia descontroladamente.
— Você está bem?
O dono da cafeteria, que vinha observando a expressão de Yeoul, parecia prestes a chamar uma ambulância imediatamente.
— Não, estou bem. Vou pagar pelo copo quebrado. Desculpe.
— Ah, não. Ele já era velho mesmo, então está tudo bem.
Talvez porque Shin Taeon tivesse lhe dado uma grande quantia de dinheiro anteriormente, o homem estava sendo bastante generoso.
Depois disso, Yeoul saiu cuidadosamente da cafeteria.
O vento frio do inverno golpeou suas bochechas.
Seu peito, que estava um pouco sufocado, pareceu se aliviar.
Então sentiu uma vibração no bolso do casaco.
— Hã?
Havia apenas uma pessoa que poderia entrar em contato com ele naquele momento.
Yeoul pegou o celular nervosamente.
Como esperado, era Eun Sajun.
Receber uma ligação justamente naquele momento deixou Yeoul ainda mais aflito.
Primeiro, controlou as emoções desordenadas e atendeu.
— Onde você está?
Talvez fosse apenas sua imaginação, mas a voz de Sajun parecia baixa.
— Eu encontrei um amigo. Vou voltar para casa em breve.
— Você realmente encontrou um amigo?
— Sim…? Sim, sim…
A pergunta o deixou ainda mais sufocado, justamente quando já estava confuso.
— Onde você está agora?
— Estou na frente de casa.
Assim que Yeoul respondeu, sentiu mãos envolvendo sua cintura por trás.
Logo, junto com um cheiro corporal familiar, um sopro quente acariciou sua orelha.
Yeoul soube quem era sem sequer precisar se virar.
— Querido. Isso aqui não é a frente de casa.
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Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Gabby.