Capítulo 16
Capítulo 16 。 ₊°༺❤︎༻°₊ 。
Ao entrar no quarto, Yeoul se sentou no sofá como uma boneca com as articulações quebradas.
— Huu…
Pelo menos havia voltado sozinho, então podia respirar um pouco.
Eun Sajun havia dito que ainda tinha algumas coisas para resolver e mandado Yeoul voltar primeiro para o quarto. Yeoul simplesmente obedeceu.
Enquanto subia as escadas, homens vestidos de preto entraram na mansão. Eles estavam colocando o cadáver de Baek Cheonhui em uma maca.
Talvez estivessem acostumados com aquilo, pois todos agiam com extrema calma.
Isso deixou Yeoul ainda mais confuso.
Os últimos momentos de Baek Cheonhui continuavam passando diante de seus olhos.
A cena se sobrepunha à lembrança de quando Shin Taeon havia espancado um de seus devedores até a morte.
Não.
Talvez o que acabara de acontecer fosse ainda pior.
Shin Taeon era naturalmente rude e violento, então aquilo até poderia ser compreensível.
Mas Yeoul nunca imaginara que Eun Sajun também fosse um canalha daquele nível.
A pessoa que havia dado um tapa em seu rosto apenas algumas horas antes agora havia se transformado em um cadáver…
Pensando bem, Baek Cheonhui não havia ido embora naquela ocasião.
Ele havia sido mantido preso naquela mansão.
Yeoul era um tanto ingênuo e jamais poderia ter imaginado algo assim, por isso não havia percebido.
Por que diabos Eun Sajun havia mantido Baek Cheonhui preso e depois o matado?
Na verdade, era Eun Sajun quem havia quebrado o contrato e deveria ter pedido desculpas a Baek Cheonhui.
Será que ele havia tomado aquela decisão simplesmente porque aquela situação o irritara?
Yeoul estava confuso e sentia como se sua cabeça fosse explodir.
E…
Ao sentir uma intensa sensação de déjà-vu ao se lembrar da imagem de Eun Sajun coberto pelo sangue de Baek Cheonhui, Yeoul pressionou a testa.
Um homem que havia encontrado por acaso há muito tempo surgiu em sua mente.
Quando foi mesmo…?
Yeoul fechou os olhos e vasculhou a memória.
Aquele dia havia sido uma primavera em que uma chuva fina caía incessantemente.
Aos quinze anos, Yeoul havia atacado Park Hyeonjin por ter intimidado Yeojin, mas fora impedido pela intervenção de um professor logo em seguida.
Ao mesmo tempo, o medo de sua própria violência havia surgido dentro dele.
Julgando que fugir dali seria a melhor opção, Yeoul se livrou da mão do professor e correu.
Depois de deixar a escola, ele estava recuperando o fôlego sob uma árvore em um parque próximo.
O que vai acontecer comigo agora?
Será que vou ser expulso?
Vou para um centro de detenção juvenil?
E se Park Hyeonjin morrer?
Enquanto diversos pensamentos ansiosos o atormentavam como espectros, Yeoul sentiu a presença de alguém atrás dele.
Assustado, virou-se.
Um homem alto estava parado ali.
Por alguma razão, Yeoul não conseguia se lembrar direito de seu rosto, mas parecia possuir uma beleza irreal.
No entanto, em contraste com sua aparência extremamente bonita, ele vestia um uniforme militar.
O homem olhou para o crachá no lado esquerdo do peito de Yeoul e ergueu levemente os cantos dos lábios.
— Então você é Geum Yeoul.
Aquela voz, semelhante ao som que ecoaria dentro de uma caverna, não parecia humana.
— Por quem você fez uma coisa tão bonita?
Diante da pergunta do homem, o jovem Yeoul inclinou a cabeça.
— O quê? O que você quer dizer…?
Ele havia feito algo que merecia críticas, não algo que pudesse ser chamado de bonito.
De repente, ficou curioso sobre onde aquele homem havia testemunhado suas ações.
Se ele realmente tivesse visto, aquilo seria ainda menos digno de ser chamado de uma coisa bonita.
Era estranho.
O homem se aproximou um pouco mais.
Então segurou o queixo de Yeoul.
Surpreso com o toque repentino, Yeoul afastou a mão dele.
— P-Por que você está fazendo isso?
Ao sentir aquele cheiro intenso, Yeoul ficou extremamente tonto.
Era como se seu corpo estivesse flutuando no ar.
Logo, o homem inclinou a cabeça para o lado, pressionou os lábios contra a nuca de Yeoul e o mordeu.
— Ah…
Ao sentir uma dor aguda ao mesmo tempo, Yeoul perdeu a consciência.
Quando voltou a si, estava em um hospital.
Naquela época, em vez de se concentrar na mordida que havia recebido na nuca de um homem suspeito, as consequências do ataque que havia cometido vieram correndo em sua direção como uma avalanche.
Por isso, ele havia simplesmente bloqueado aquela memória.
Mas por que aquele dia veio à minha mente agora?
Yeoul esfregava as têmporas, sentindo-se enjoado, quando a porta do quarto se abriu.
Eun Sajun entrou.
A tensão tomou conta de Yeoul, que havia conseguido se acalmar por alguns instantes.
Eun Sajun sentou-se bem ao lado dele.
Yeoul se assustou por um momento e seu corpo se contraiu, mas fez o possível para não demonstrar.
Logo, Eun Sajun segurou sua mão.
Estava muito quente.
Não era simplesmente uma temperatura corporal elevada.
Será que ele está doente?
Yeoul olhou discretamente para o rosto dele.
Mas sua aparência estava normal.
— Hmm…
Eun Sajun começou a brincar com os dedos de Yeoul.
Yeoul ficou tenso, sem saber que atitude inesperada ele poderia tomar.
— Você ainda tem o anel que pegou daquela vez?
— O quê? Ah!
Ele parecia estar falando do anel que Shin Taeon havia mandado buscar.
Naquele momento, porém, o anel já havia saído de suas mãos, pois seu tio o entregara a Shin Taeon.
Yeoul não podia revelar isso.
Então revirou os olhos e inventou uma resposta apropriada.
— Sim… Está na casa da minha família.
Segundo Shin Taeon, aquele anel era uma relíquia da mãe de Eun Sajun.
Por isso, Yeoul começou a se preocupar com a possibilidade de ele pedir o anel de volta.
— Entendo. Bem, de qualquer forma, o tamanho não serve, então seria estranho usá-lo. Depois vou comprar um anel do tamanho certo para você.
— O quê? Não, não precisa.
Eles não eram namorados nem casados.
Yeoul não entendia por que Eun Sajun estava falando em lhe dar um anel.
Aquilo era incômodo.
— Hã?
Diante da recusa de Yeoul, Eun Sajun inclinou a cabeça, parecendo confuso.
— Você não gosta de anéis?
— Eu gosto… Eu gosto, mas…
Aos poucos, o rosto de Eun Sajun ficou frio.
Era como se uma corrente de ar gelado da Antártida tivesse soprado até ali.
— Sim… Entendi. Vou aceitar com gratidão.
No fim, Yeoul respondeu de má vontade.
Ao mesmo tempo, os olhos de Eun Sajun se aqueceram, como se a primavera tivesse acabado de chegar, e os cantos de seus lábios se ergueram suavemente em um sorriso.
Então apertou um pouco mais a mão de Yeoul.
Seu calor podia ser sentido por completo.
— Então vamos trocar seu celular agora também.
— O quê? Não. Como eu disse da última vez, ainda não é inconveniente usá-lo. Está tudo bem assim.
— Quero que tenhamos celulares de casal, do mesmo modelo que o meu.
— É realmente necessário fazer isso?
Depois do anel, aquela era outra proposta absurda.
— Para que um bebê seja concebido rapidamente, é importante haver uma conexão emocional entre nós. Para isso, seria bom que até mesmo pequenos acessórios tivessem um significado especial. Então vamos trocar seu celular.
Como havia pensado da outra vez, se aquela conexão emocional era tão importante, ele poderia simplesmente encontrar um parceiro de verdade e se casar em vez de fazer um contrato.
Então por que ele está fazendo tudo isso?
E, principalmente, celulares de casal não pareciam ter muita influência na concepção de um bebê…
Aquilo parecia uma coerção disfarçada de gentileza.
— Vou transferir seus contatos e todos os seus dados como estão, então não se preocupe.
Era uma proposta extremamente inconveniente.
Yeoul precisava entrar em contato regularmente com Shin Taeon.
E, durante a troca de aparelho, havia o risco de Eun Sajun descobrir que ele estava se comunicando com ele.
Além disso, quando deixasse aquela mansão dali a vinte e cinco dias, teria que devolver o celular.
Antes disso, precisaria apagar todo o histórico de comunicação com Shin Taeon.
Mas, mesmo apagando, ainda era possível que alguns dados permanecessem.
E, mesmo que explicasse a situação a Shin Taeon, ele não era alguém que Yeoul pudesse controlar.
Chamadas inesperadas poderiam acontecer a qualquer momento.
— Hmm…
Eun Sajun, que vinha observando Yeoul, assumiu uma expressão desconfiada.
— Por quê? Tem alguma coisa que você quer esconder?
— Não, não… Não tem…
Yeoul, atingido em cheio, balançou a cabeça vigorosamente.
— Olhando para o seu rosto, fico ainda mais curioso.
Diante daquele comentário travesso, Yeoul sentiu o coração gelar ainda mais.
— Vamos trocar amanhã.
Depois de decidir por conta própria, Eun Sajun se levantou do lugar.
Naturalmente, as mãos dos dois também se separaram.
Então, ele franziu profundamente a testa, como se estivesse sentindo algum desconforto, e limpou o suor que havia se formado em sua testa.
— Vou tomar um remédio por um instante. Descanse.
— Remédio? Você está se sentindo mal?
— Não é nada sério. Só estou um pouco indisposto.
Ele deu um sorriso sem jeito e logo deixou o quarto.
Sozinho, Yeoul ficou preocupado sem necessidade.
Onde será que ele está sentindo dor?
Será que pegou um resfriado?
Yeoul chegou a pensar se deveria cuidar dele.
Mas…
Alguém doente seria capaz de fazer aquilo com Baek Cheonhui?
Yeoul balançou a cabeça, pensando que não deveria se preocupar à toa.
Mais importante ainda, seu celular estava prestes a ser descoberto.
Se Eun Sajun descobrisse que ele estava se comunicando com Shin Taeon…
Então…
A imagem de Eun Sajun com aquela aparência violenta surgiu em sua mente como se uma mão estivesse apertando sua garganta.
O que eu faço?
O que eu faço?
O que eu faço?
— Ah!
Enquanto se preocupava, uma solução para sair daquela situação surgiu em sua mente como um raio.
Uma loucura desesperada também apareceu em suas pupilas.
Era uma escolha extrema.
Mas não havia outra opção.
Yeoul se levantou.
Pegou rapidamente o celular e se aproximou da janela.
No meio do jardim bem cuidado, havia um espaço onde algumas pedras estavam empilhadas como uma torre.
É ali.
Primeiro, precisava descer até o primeiro andar.
Pensou em sair pela porta da frente, mas os funcionários que estavam cuidando do descarte do cadáver de Baek Cheonhui talvez ainda estivessem por ali.
Além disso, poderia acabar encontrando Eun Sajun.
Então Yeoul abriu a janela.
Do outro lado havia uma árvore sem folhas.
Ele rapidamente colocou o corpo sobre o parapeito e passou para o outro lado usando a árvore.
Em seguida, desceu rapidamente pelo tronco.
Os pequenos pés de Yeoul tocaram o chão de pedra.
— Huu…
Depois de olhar ao redor mais uma vez, Yeoul pegou uma pedra que estava perto da pequena torre de pedras.
Colocou o celular no chão e golpeou a tela com força.
TUM!
A tela rachou como uma teia de aranha.
Mas Yeoul não parou.
Continuou golpeando o celular.
Naquela situação, para esconder os dados, não havia outra escolha senão destruí-lo fisicamente.
Na verdade, ele havia pensado em simplesmente jogar o celular no chão.
Quando trabalhava meio período em um café, certa vez havia deixado o celular cair enquanto limpava o terraço do segundo andar.
Mas que tipo de celular era aquele?
Parecia um tijolo.
Nem uma única parte da tela havia sido danificada.
O aparelho continuara funcionando normalmente.
É claro, a bateria passou a descarregar mais rápido do que antes, mas os dados não haviam sido danificados e não havia nenhum problema grave para usá-lo.
Por isso, para destruí-lo de verdade, aquele era o único método.
Ganhando impulso, Yeoul continuou golpeando o celular como um louco.
Será que o barulho estava muito alto?
Alguém se aproximou.
— O que você está fazendo?
Assustado, Yeoul parou de mover as mãos e olhou para trás.
Era o secretário Kim.
Ele estava com uma expressão de surpresa, como se tivesse acabado de se deparar com uma cena saída de um filme de terror.
Era uma situação complicada.
Por um instante, Yeoul sentiu vontade de acertar a cabeça do secretário Kim com a pedra também.
No momento em que sentiu força se concentrar em suas mãos, porém, conseguiu recuperar o pouco de razão que ainda lhe restava.
Não posso fazer isso.
Pensando em Yeojin, atos imprudentes estavam proibidos.
Yeoul mal conseguiu conter seus instintos que fervilhavam como magma.
Então baixou suavemente a pedra que segurava e a colocou no chão.
— Eu deixei meu celular cair e estava procurando onde ele tinha ido parar.
— Mas por que você estava segurando uma pedra?
O secretário Kim parecia completamente perplexo, como se tivesse presenciado uma cena que jamais deveria ter visto.
Yeoul começou a suar frio e respondeu:
— Achei que ele poderia estar por aqui, então estava apenas mexendo entre as pedras para procurar. Acabei de encontrá-lo.
Yeoul respondeu com calma e pegou o celular destruído.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Gabby.