Episódio 95
Capítulo 95 ── ⋆⋅☆⋅⋆
Respirando fundo o ar frio, Yeonwoo sentiu como se a névoa que cobria sua mente estivesse sendo lavada, deixando-o lúcido. Tirou os sapatos que vinha segurando e os calçou. Então, percebendo que o pé engessado não precisava de sapato, guardou-o na bolsa que carregava.
Calçando o sapato só no pé esquerdo, deu um passo à frente com cautela, e uma indescritível sensação de libertação o invadiu. A liberdade estava realmente logo ali.
Mas era cedo demais para relaxar. Aquilo era só o começo. Com uma expressão determinada, Yeonwoo se orientou pela paisagem familiar e apressou os pés.
Uma curta caminhada para o lado, a partir da entrada da casa de campo, levava ao alojamento onde os administradores ficavam. Ele estava preocupado que alguém pudesse estar do lado de fora vigiando, mas era tão cedo que todas as luzes do prédio estavam apagadas. Não havia ninguém à vista.
Sem ninguém para impedi-lo, Yeonwoo deixou o terreno da casa de campo com mais facilidade do que nunca. Chegando rapidamente à beira da estrada, relembrou o mapa que vira no celular e seguiu em direção ao ponto de ônibus.
— Haa, haa.
Ele não podia se dar ao luxo de se preocupar com a barriga pesada ou com a perna desconfortável. A estrada escura, com poucos postes de luz, também não era problema. Tudo em que Yeonwoo conseguia pensar era em se afastar dali o mais rápido possível.
— Ah.
Depois de parar várias vezes para descansar por causa dos movimentos do bebê que sentia de vez em quando e da falta de ar, Yeonwoo finalmente chegou ao ponto de ônibus.
Conferindo o horário na placa do ponto, eram 5h23. Ele teria que esperar mais de 30 minutos para o ônibus chegar.
E se Chahyun o alcançasse nesse meio-tempo? Yeonwoo ofegou e olhou ao redor, ansioso.
Era perigoso demais esperar bem em frente ao ponto. Ele foi para trás da calçada, até a área arborizada, escondeu-se, colocou o boné que trouxera da casa de campo e tirou o colete para vestir.
O colete que os administradores usavam para o trabalho de jardinagem era muito grande e bom para cobrir a barriga. Com a bolsa usada na frente, era natural o suficiente para que as pessoas passassem sem notar que ele estava grávido, a menos que olhassem de perto.
— Por favor…
Yeonwoo esfregou o rosto, torcendo para que nada acontecesse enquanto esperava o ônibus.
Quanto tempo ficou ali, prendendo a respiração? Ao longe, viu faróis amarelos se aproximando com o som do motor de um carro.
Yeonwoo, que estava em alerta máximo, tirou rapidamente o celular para conferir o horário. 5h48. Ainda não era hora do ônibus.
Então Chahyun já tinha percebido e vindo procurá-lo? Como quase não passavam carros de madrugada num lugar tão deserto, o carro que vinha agora provavelmente era de alguém mandado por Chahyun.
— Ah, não. Não pode ser.
Yeonwoo recuou, consternado. Mancou para trás de uma árvore grande e se agachou o máximo possível.
Por favor, só passe. Só passe.
Aqueles poucos segundos pareceram vários minutos.
Yeonwoo fechou o punho com força e virou levemente a cabeça na direção de onde vinha o carro. Mas, ao contrário do que esperava, o ônibus que ele aguardava se aproximava do ponto.
— Hã?
Ainda não era hora de ele chegar, era? Yeonwoo ficou confuso. Mas o pensamento de que não podia perdê-lo falou mais alto, e seu corpo saltou para fora primeiro.
Quando Yeonwoo parou diante do ponto como se tivesse corrido, o ônibus parou. Mesmo olhando de novo a placa, era o ônibus que ele tentava pegar.
Talvez os horários de operação listados na internet não fossem precisos, pensou Yeonwoo ao entrar no ônibus. Quando pagou a passagem em dinheiro, sentiu o motorista olhá-lo de forma estranha.
Já havia cerca de três ou quatro passageiros sentados no ônibus. Yeonwoo ficou aliviado ao ver que eram todos idosos. Se fosse alguém mandado por Chahyun, seria muito mais jovem.
— Hã? Não reconheço seu rosto?
O motorista falou com Yeonwoo quando ele ia pagar e seguir para dentro.
— …Como?
— Ah, as pessoas que pegam o ônibus nesse horário são sempre as mesmas. O que foi, você trabalha naquela mansão ali?
— ……
— O prédio branco que aparece quando se vai naquela direção.
— Ah. …Sim.
O motorista falava da casa de campo onde Yeonwoo estivera preso até pouco tempo antes. Parecia ter confundido Yeonwoo, que vestia um colete de trabalho, com alguém que trabalhava lá.
O motorista fechou a porta e deu partida no ônibus, continuando a falar.
— Que diabos é aquela mansão? Ultimamente tenho visto bastante gente trabalhando lá.
— ……
— Mesmo que a casa seja grande, precisa de tanta gente? É só uma casa.
Bom, é porque estão tentando trancar uma pessoa e vigiá-la, então precisam de tanta mão de obra.
— Também não sei.
Yeonwoo respondeu vagamente.
— Hmph, todo mundo que trabalha lá diz a mesma coisa. Que grande nobre deve ser quem mora lá.
O motorista estalou a língua e resmungou. Talvez porque não obteve a resposta que queria, não falou mais com Yeonwoo depois disso.
Yeonwoo não conseguiu relaxar e ficou olhando pela janela o céu que clareava, do seu assento. Depois de rodar por mais uns 10 minutos, o lado de fora, que antes era desolado, foi mostrando gradualmente pessoas, uma a uma, à medida que se aproximavam da cidade, e surgiram prédios e carros.
Só então percebeu que tinha escapado completamente da casa de campo.
Yeonwoo colocou a mão na barriga e relembrou mentalmente o destino final para onde ia.
Primeiro, teria que seguir mais três pontos dali e depois trocar para outro ônibus local. Até lá, Chahyun provavelmente já saberia que ele não estava na casa de campo. Talvez já tivesse percebido.
Pensando que ele já estava em seu encalço, a mente que se acalmara por um momento voltou a ficar ansiosa. Yeonwoo sentiu o peito apertar de ansiedade e puxou o boné mais para baixo.
* * *
Quando Chahyun abriu os olhos, passava um pouco das 6 da manhã. O lugar ao lado no sofá estava vazio.
— Hong Yeonwoo.
Mesmo chamando o nome dele, não houve resposta.
Yeonwoo tinha se levantado nesse meio-tempo? Achava ter sentido alguém se mexer durante o sono por um momento.
Chahyun se levantou, olhou ao redor da sala escura e foi em direção ao quarto de Yeonwoo. A porta estava fechada. Agora que estava perto do fim da gestação, ele devia ter se sentido desconfortável dormindo no sofá e voltado para o quarto de madrugada.
Ele girou a maçaneta para verificar se Yeonwoo estava no quarto. Ao abrir a porta com cuidado, uma figura coberta por um cobertor e deitada na cama era vagamente visível na escuridão.
Justo quando Chahyun ia dar um passo em direção à cama, um leve rangido ecoou da fresta da porta. O barulho repentino o fez parar e encarar o volume na cama.
— ……
Felizmente, Yeonwoo não pareceu ouvir e não se mexeu. Chahyun decidiu que não havia necessidade de acordar Yeonwoo, que mal tinha adormecido de madrugada, e se virou, saindo do quarto.
Foi para o seu quarto e se preparou para o trabalho como de costume. Depois do banho, Chahyun, vestindo camisa e paletó diante do espelho, tinha as palavras que Yeonwoo dissera ontem ecoando na mente.
— Você pode prometer que não vai passar a noite fora e vai vir para a nossa casa mesmo depois de casar?
— Estou preocupado porque você disse que estava com fome. Você reclama tanto de eu passar fome, mas não cuida de si mesmo.
Nossa casa. Quanto mais saboreava a palavra que saíra da boca de Yeonwoo, melhor se sentia.
Yeonwoo ainda parecia chateado com o casamento dele, mas parecia estar aceitando aos poucos a realidade.
Chahyun planejava conceder a Yeonwoo tudo o que ele quisesse daqui para a frente, desde que se comportasse como agora. Viver na casa de campo podia ser frustrante agora, mas não havia jeito. Seria apenas temporário, e ele planejava levar Yeonwoo de volta a Seul depois do casamento, quando ele estivesse mais acostumado à situação.
— Chefe. Já está saindo?
A administradora, que já chegara para trabalhar, perguntou a Chahyun, que estava de terno. Ela não estava no segundo andar quando a fofoca sobre Yeonwoo aconteceu ontem.
— Sim. O Yeonwoo dormiu tarde ontem, então não o acorde.
— Entendido.
— Não deixe que ele pule refeições quando acordar. Ah, diga para ele me avisar se quiser comer alguma coisa. Pode dar o telefone a ele nessa hora.
— Sim.
Chahyun deixou a casa de campo satisfeito. Sem esquecer de trancar a porta da frente, foi até onde o carro estava estacionado. Então o motorista, que esperava de antemão, saiu e abriu a porta do carro para ele.
Assim que o carro partiu, ele recebeu uma ligação do secretário. Ele relatou antecipadamente o trabalho e as reuniões que teria naquela manhã. Era algo que ele vinha fazendo para encurtar o horário de trabalho de Chahyun desde que ele começara a se deslocar de Gangwon para Seul.
— Ah. Sobre o smoking que encomendei da última vez.
Chahyun, que ia encerrar a ligação depois da conversa de trabalho, disse como se tivesse lembrado de repente.
—Está falando do smoking que o senhor vai usar na cerimônia?
— Sim, esse. Quero mudar o modelo e encomendar de novo.
—Vou entrar em contato com o cerimonialista para agendar.
Chahyun, que encerrou a ligação, conferiu o horário. Ainda eram 7 da manhã. Teria que esperar bem mais para Yeonwoo acordar.
Por hábito, entrou no aplicativo do celular e abriu a tela das câmeras, e a imagem do quarto de Yeonwoo apareceu abaixo da sala vazia.
Era a mesma cena que vira na casa de campo mais cedo. O sol ainda não tinha nascido completamente, e a silhueta de Yeonwoo deitado na cama se revelava vagamente na tela.
— Aquele smoking que você viu da última vez não combina com você. É. Algo com uma lapela mais marcante do que algo tão simples…
— Se fosse eu, teria escolhido algo mais chamativo…
Um momento depois, Chahyun, que guardou o celular no bolso, percebeu que estava sorrindo sem parar e cobriu a boca com a mão.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna