Episódio 45
— Porra, depois.
A voz excitada de Chahyun fluiu num murmúrio baixo.
— Diretor?
O secretário Lee não ouviu as palavras de Chahyun e bateu de novo. Então, a porta se abriu de repente, e um Yeonwoo surpreso empurrou Chahyun.
Ah, porra. Chahyun xingou. Ele fixou os olhos afiados em Yeonwoo, que havia fugido rapidamente, e enxugou os lábios úmidos com o polegar.
— Não entre ainda.
— Entendido.
Chahyun encarou descontente Yeonwoo, que nem havia conseguido puxar a camisa para baixo como devia.
— Se vista direito.
— Está bem.
O secretário Lee ficou na entrada, sem nem olhar na direção de Yeonwoo, mas Yeonwoo estava mortificado. Ele ajeitou as roupas e deu a Chahyun um olhar que perguntava se ele deveria ficar ali, e Chahyun apontou com o queixo como se dissesse que ele podia ir.
Assim que recebeu permissão, Yeonwoo se virou rapidamente. O secretário, com quem ele se encontrou diante da porta, baixou a cabeça em cumprimento sem demonstrar nenhuma surpresa. Yeonwoo também se curvou e rapidamente fugiu da sala de reuniões.
— Qual é o assunto?
Chahyun encarou o secretário Lee com dureza, irritado. Se ele tivesse sido interrompido por algo trivial, ele não ia deixar passar. Ele já estava irritado porque a reunião da noite havia sido longa, e o pensamento de trabalho adicional o deixou ainda mais irritadiço.
— É o relatório sobre o antro de jogo que o senhor perguntou separadamente da última vez.
— Ah.
— O senhor me disse para trazer assim que os resultados saíssem, então eu trouxe.
— Me dê.
Chahyun lembrou com atraso que havia ordenado uma investigação separada sobre a fraude no jogo que o pai de Yeonwoo havia sofrido. Esquecendo que estava com raiva um instante antes, Chahyun recebeu os documentos do secretário Lee.
Assim que abriu os documentos, o nome Hong Jae-hoon foi lido. Era o pai biológico de Yeonwoo.
O lugar onde ele foi enganado era uma vila pequena perto do Kangwon Land. O relatório afirmava que a gangue de fraude em jogos havia sido presa como resultado de uma operação policial poucos dias antes.
Parecia que não havia sido difícil conseguir um mandado, já que era um lugar onde atividades ilegais eram desenfreadas de qualquer forma. De acordo com a investigação, a escala da gangue de fraude era bem grande. Era uma organização que se dedicava a jogo, agiotagem e até tráfico humano não só em Seul, mas por todo o país.
Hong Jae-hoon entrou nesse esquema de jogo por meio de Kim Woo-cheol, um conhecido que ele conhecia havia muito tempo de quando trabalhava como diarista. Embora a organização conduzisse o jogo, foi Kim Woo-cheol quem apresentou Hong Jae-hoon à organização.
Kim Woo-cheol já estava numa situação em que precisava de dinheiro de acordo por ter agredido um pedestre estando viciado em álcool e por ter recebido empréstimos para despesas de vida. Em troca de apresentar Hong Jae-hoon à organização e trabalhar com eles, ele foi isento dos juros em atraso. E a história toda desse incidente é que Hong Jae-hoon, que foi devidamente pego no jogo arquitetado pela organização, acabou devendo um bilhão de wons sozinho.
— Vocês lidaram com esses desgraçados como devia?
Chahyun tirou um cigarro do bolso enquanto mantinha os olhos fixos no relatório.
Ele não podia deixar desgraçados tão perigosos rondando Hong Yeonwoo.
— Sim. O Comissário-Geral da Agência Nacional de Polícia deu instruções diretas.
— Hmm.
— O caso está atualmente em processo de ser encaminhado à promotoria, e a promotora Bae Jun-hee está prevista para ser designada ao caso.
Chahyun escutou as palavras do secretário Lee, mordendo o filtro sem acender o cigarro.
Valeu a pena ir até a Sala dos Alfas ou o que quer que fosse num encontro pelo qual não tinha nenhum interesse.
Originalmente, ele teria ignorado aqueles caras porque nem queria se dar ao trabalho de cumprimentá-los, mas Chahyun precisava de conexões na polícia. Se quisesse resolver sem pedir ajuda aos pais ou ao hyung, o jeito mais certo era ir ao encontro e trazer o assunto à tona, mesmo sendo um incômodo.
Como resultado, ele estava satisfeito.
— Reporte de novo quando a denúncia for oferecida.
— Entendido.
— Bom trabalho. Vamos para casa agora.
— Sim, Diretor.
Chahyun fechou o documento com satisfação diante da notícia de que o que o vinha incomodando havia sido removido.
⛧°. ⋆༺♱༻⋆. °⛧
Yeonwoo franziu o cenho ao conferir a tela do celular.
[Saia do trabalho duas horas mais cedo hoje]
Ele havia prometido garantir os horários de trabalho, mas estava fazendo o que queria de novo. Yeonwoo pensou em responder a Chahyun que não podia, mas então pensou que o café era tranquilo à noite de qualquer forma, então ficaria tudo bem deixar com o atendente.
Ele também não queria criar mais trabalho cansativo resistindo desnecessariamente.
[Está bem.]
Yeonwoo enviou uma resposta e encarou a tela por um instante.
Ele vai ao hotel justamente hoje? Fazia um bom tempo desde que Chahyun havia estado fora em viagem de negócios, e havia sido cortado de forma ambígua ontem porque o secretário Lee havia entrado, então era provável que fosse algo assim.
Depois de terminar as coisas, Yeonwoo desceu ao estacionamento por volta das seis da tarde. O carro de Chahyun estava estacionado no mesmo lugar de antes de ele perder a memória.
Conforme abriu a porta e entrou, Chahyun deu partida no motor na hora.
— Tem uma sacola no banco de trás. Leve com você depois.
— O que é?
Yeonwoo virou a cabeça e conferiu o banco de trás. Ele pegou a sacola e tirou o que havia dentro. Era o cinto e a carteira que Chahyun havia lhe enviado numa mensagem.
Yeonwoo encarou Chahyun, surpreso.
— Você não precisava me dar… Eu também não uso cinto com frequência.
— Use. Eu te dei porque eu queria te ver usando.
— …Está bem. Obrigado.
Yeonwoo respondeu em voz baixa e recolocou com cuidado os itens na sacola e a colocou aos seus pés.
Depois de um momento de silêncio, Chahyun falou de novo.
— Você ainda não jantou, né?
— Não.
— O que você quer comer?
Assim que ele disse aquilo, uma comida passou por sua cabeça.
— Que tal tonkatsu?
Chahyun assentiu diante da resposta imediata.
O lugar onde chegaram foi o restaurante japonês que eles havia visitado antes.
— Bem-vindos. Faz tempo, vocês dois.
Por coincidência, este também era um restaurante frequentado pelos dois. A expressão de Chahyun endureceu diante do cumprimento da funcionária.
Um olhar de irritação, como se pensasse: “Porra, de novo?”, apareceu em seu rosto.
Mas não era culpa de Yeonwoo. O próprio Chahyun havia dirigido até ali assim que ele mencionou tonkatsu como cardápio.
Ele ficava com raiva toda vez que descobria que seus restaurantes favoritos eram lugares aos quais o seu eu do passado e Yeonwoo haviam ido juntos.
— Devo trazer o que vocês sempre pedem?
— …Sim.
Yeonwoo respondeu de forma desajeitada e olhou em silêncio para o rosto de Chahyun.
— Você e eu andamos por um monte de lugares.
Chahyun murmurou enquanto tomava de um gole a água engarrafada da mesa. Yeonwoo não havia traído ninguém, mas por algum motivo se sentia pisando em ovos.
— A gente come… todo dia, de qualquer forma.
Chahyun ficou ainda mais irritado com aquilo. Era claro que ele e Hong Yeonwoo haviam feito mais do que só transar.
Depois de pensar em algo por um instante, Chahyun deu de ombros. E questionou Yeonwoo, que estava desviando do olhar e olhando para baixo como se tivesse cometido um crime.
— O que mais você fazia comigo?
— Como assim, o que eu fazia?
— Vocês devem ter andado por aí juntos. Onde vocês iam principalmente?
— Hm. Só comiam… e passeavam?
Os olhos de Chahyun se aguçaram. Era um olhar que lhe dizia para falar mais.
— …Às vezes a gente via filmes também.
— É só isso?
— Sim.
— Está bem, então.
Ele pareceu recuar com facilidade, mas seu rosto ainda não havia se livrado por completo da irritação.
— Porra, é por isso que você era tão morno não importava o que eu fizesse por você. Você já fez tudo, é isso?
— Não, não é isso. Eu gosto agora também.
Chahyun já estava bebendo seu segundo copo de água gelada. Yeonwoo rapidamente sacudiu as mãos. Ele rapidamente quebrou a cabeça e continuou a dar desculpas, como se precisasse apaziguá-lo rápido.
— Eu vou usar bem a carteira que você me deu hoje. Na verdade, eu sempre achei o design daquela marca luxuoso, mas eu fiquei surpreso que você comprou.
— …….
— Eu não uso cinto com frequência, mas… eu vou usar às vezes quando eu te encontrar. É preto, então não vai chamar atenção e vai ser bom para usar sempre.
— Bom saber.
Ele respondeu com naturalidade, os olhos faiscando com ferocidade. Ironicamente, aos olhos de Yeonwoo, ele parecia exatamente um gatinho emburrado.
— Mas por que você não me deu junto com os biscoitos de manhã?
— A bagagem que eu despachei no aeroporto chegou à tarde.
— Entendi.
Felizmente, a atmosfera congelada estava lentamente derretendo. Yeonwoo se sentiu aliviado por dentro, mesmo pensando que ele era volúvel e difícil de agradar porque era jovem.
— Obrigado por me trazer de volta aqui. Eu sei que você não lembra, mas… é difícil fazer reserva se eu vier sozinho.
A expressão sombria de Chahyun relaxou como se seu mau humor tivesse diminuído por completo. Graças a isso, ficou muito mais confortável comer.
Depois do jantar, os dois seguiram para um grande teatro.
Yeonwoo não sabia para onde eles iam e cochilou no carro, erguendo a cabeça com atraso. Yeonwoo esfregou os olhos conforme conferiu o prédio do lado de fora da janela do carro.
— …A gente não ia para o hotel?
— Você gostaria de ir?
— Não é isso, mas….
— A ópera retorna depois de três anos, O Dia de Clay!
As pupilas de Yeonwoo tremeram conforme ele viu o banner pendurado na parede externa do prédio do grande teatro.
“Ele viu muitos filmes, mas provavelmente não viu uma ópera.”
De repente, a memória de Yeonwoo voltou a quatro anos antes. Na época, Chahyun estava muito consciente do fato de que Yeonwoo havia namorado outros Alfas, então era obcecado por tentar encontros que ele nunca havia feito antes.
“Você nunca viu uma ópera com outro Alfa, né?”
A obra que eles viram juntos naquela época foi O Dia de Clay.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna