Episódio 43
— Ainda não é horário de funcionamento… E você deveria dizer alguma coisa quando chega.
— Eu ia, mas você parecia ocupado.
Chahyun estar ali tão cedo fez Yeonwoo se perguntar. Ele já havia voltado? Ele não o contatava desde as mensagens do outro dia, então ele presumiu que ele ainda estivesse em San Francisco.
Chahyun sorriu, observando Yeonwoo cobrir a boca e mastigar com aplicação a comida restante.
— O quê?
Yeonwoo perguntou com atraso, depois de engolir tudo o que tinha na boca.
— Que história é essa de você comer alguma coisa, para variar?
— Ah. Eu estava escolhendo uma sobremesa nova para vender.
Yeonwoo de repente lembrou que Chahyun gostava bastante de doces. Ele hesitou por um instante, então examinou Chahyun, que estava do outro lado do balcão.
— Você está ocupado?
— Por quê?
— Se não estiver, você poderia dispor de um tempo?
Então ele abriu a porta, convidando-o para dentro da cozinha. Se ele ficasse parado do lado de fora, alguém que passasse poderia achar estranho. Mesmo não sendo um horário em que muita gente estivesse chegando, sempre havia alguns funcionários que chegavam cedo.
— Vem por aqui.
Chahyun entrou sem reclamar, seguindo a orientação de Yeonwoo. A cozinha não era espaçosa, mas era suficiente para Yeonwoo e o atendente se moverem. Com Chahyun dentro, ficava apertada. Ele percebeu de novo que Chahyun não era apenas alto, mas seu corpo em si era muito grande.
Para variar, ele havia abotoado a camisa como devia, mas sua gravata ainda estava frouxamente desfeita. Como ele tinha o hábito de conferir a vestimenta de Chahyun sempre que estavam juntos, a aparência desalinhada de Chahyun ficava incomodando.
Ele devia se vestir um pouco mais impecável. Ele pareceria muito mais bonito e digno.
É por isso que as pessoas têm mais medo de Chahyun. Além disso, ele deve ter cortado o cabelo em San Francisco, porque a franja mais curta caía abaixo de sua testa. Não parecia bagunçado, mas ele passava uma impressão muito mais despreocupada do que o normal.
— Por que você está me olhando desse jeito? Eu sou bonito demais?
— …Eu estou escolhendo uma sobremesa que combine com café.
— Ah. Você quer que eu prove?
— É. Espera um instante.
Yeonwoo colocou grãos de café moídos no porta-filtro para preparar café para Chahyun.
Incapaz de suportar o silêncio, Chahyun, entediado, brincou com os potes que continham pó e xarope.
— Deixa isso quieto.
— Não é como se fossem se gastar se eu tocar.
— Se você bagunçar, eu vou ter que limpar de novo. Sai.
— Tudo bem, eu não toco.
— E tem muita coisa na prateleira de cima, então você vai se machucar se derrubar por acidente.
— ……
— E se você ganhar outra cicatriz no rosto?
Yeonwoo disse de forma apaziguadora, como se estivesse falando com uma criança muito mais nova que ele.
Chahyun coçou a orelha, sentindo uma cócega. Ele se sentiu de certa forma insatisfeito, mas não a ponto de ficar enojado. Era uma sensação ambígua.
Chahyun finalmente tirou a mão das coisas que estava tocando e observou Yeonwoo preparar café.
Usando um avental e despejando café numa xícara de espresso, ele parecia bastante sério. Era como assistir a uma criança brincando de casinha. Sua expressão era rígida enquanto se concentrava numa coisa tão pequena, o que também o fazia parecer audacioso.
Era agradável observar seus cílios longos tremularem enquanto ele se concentrava, o movimento leve de seus lábios pálidos e as linhas de seus ombros e braços. Ele sentia que poderia assisti-lo fazer cem doses sem se entediar.
Seus feromônios haviam enfraquecido desde o fim do ciclo de cio, mas o aroma bem tênue era apetitoso à sua maneira. Na próxima vez, não seria ruim deitá-lo de bruços na mesa usando só um avental e comê-lo. Pelo jeito, ele era experiente e gostava.
Sem saber dos pensamentos lascivos de Chahyun, Yeonwoo se movimentava, colocando algo num prato de forma atarefada.
— Da direita, é tiramisù, crème brûlée, biscotti e croquembouche.
— E daí?
— Me diga qual combina melhor com espresso e com americano.
— O que você me dá se eu te disser?
Chahyun ergueu as sobrancelhas com malícia, fazendo uma expressão travessa.
— …Deixa pra lá, não come.
— Estou brincando. Eu como.
Antes que Yeonwoo pudesse arrebatar o prato, Chahyun rapidamente pegou e comeu o tiramisù. Em geral, todos eles tinham gosto bom com café, mas ele parecia querer que ele escolhesse apenas um.
Ele não sabia por que estava tão cheio de expectativa em relação a ele, mas queria corresponder às suas expectativas o máximo possível. Então Chahyun comeu várias sobremesas de manhã cedo, mesmo sem sentir muita vontade.
— O crème brûlée é o melhor.
— E este? Chama croquembouche.
— É bem crocante, mas é um pouco menos doce para comer com espresso. Combina com americano.
— É mesmo?
Yeonwoo inclinou a cabeça e deu uma mordida em cada sobremesa de novo.
Chahyun encarou os lábios e as bochechas de Yeonwoo enquanto ele mastigava. É, é bom vê-lo comendo bem. Se ele ganhasse algum peso e seu rosto tivesse alguma cor, ele pareceria muito mais saudável. Ele estava frágil demais agora. De que adiantava um rosto bonito se ele era tão fraco?
Observar Yeonwoo comer fazia Chahyun se sentir bem sem motivo. Então ele respondeu às perguntas de Yeonwoo com bastante sinceridade.
— Mas você não tem uma reunião hoje de manhã?
Depois que a conversa sobre sobremesa e café que vinha rolando por um tempo terminou, Yeonwoo ergueu o olhar para Chahyun, como se estivesse se perguntando.
— Ainda falta um pouco. Por quê?
— …Se você tiver tempo, ajeite a gravata antes de entrar.
— Preguiça. Eu odeio a sensação de aperto no pescoço.
Ah…. Yeonwoo encarou em silêncio o pescoço de Chahyun, respondendo distraidamente, e então fechou a boca. Talvez por causa do que Sang-gyun havia lhe contado, suas palavras não soaram tão leves quanto antes.
Conforme ele se virou em silêncio e recolheu o prato com apenas migalhas restando, Chahyun inclinou o tronco na direção de Yeonwoo.
Antes que percebesse, uma sensação ilegível de expectativa havia se infiltrado em sua expressão.
— O que é, de repente?
— Tem algo diferente em mim?
— Hm.
— Adivinha rápido.
As pupilas negras de Chahyun cintilaram. Seu rosto estava perto demais, então Yeonwoo recuou de forma consciente, mas a cozinha era pequena, então não havia para onde mais fugir.
— Se afasta um pouco.
— Se você adivinhar certo.
— ……
— Rápido, Hong Yeonwoo.
— Você sabe que eu sou mais velho que você, né?
— Não muda de assunto.
— …Você cortou o cabelo.
— Ha.
Chahyun soltou uma risada curta e finalmente endireitou as costas.
— Eu sabia. Você estava espiando fingindo não olhar.
— Quando eu espiei?
Yeonwoo se justificou, mas Chahyun não parecia estar escutando. Em vez disso, ele estendeu uma sacola grande de compras. Surpreso, Yeonwoo o examinou de cima a baixo. Ele nem havia percebido que Chahyun estava segurando algo assim.
— Pega.
Atordoado, ele aceitou o que ele oferecia e conferiu dentro, vendo uma embalagem familiar com um personagem de biscoito desenhado.
— …O que é isto?
— Uma lembrança da minha viagem de negócios.
Yeonwoo, momentaneamente desnorteado, ficou boquiaberto.
— Você gosta das coisas daqui, né?
— ……
— O secretário me contou. Ou não?
Yeonwoo naturalmente conhecia essas sobremesas. Chahyun frequentemente as comprava sempre que ia em viagem de negócios para os Estados Unidos.
— É.
— Bom. É algo que eu fiquei na fila para comprar, então não deixe nada.
Chahyun advertiu.
— Eu fui porque disseram que era em frente ao hotel, mas tinha tanta gente que eu esperei muito tempo.
— Está bem.
Yeonwoo assentiu sem expressão diante das palavras que enfatizavam que ele havia até ficado na fila para comprar.
Por um instante muito breve, ele esperou que as memórias de Chahyun tivessem voltado quando ele entregou aquilo. Se ele não tivesse dito que o secretário havia lhe contado, ele teria se agarrado a ele e perguntado se ele o reconhecia agora.
Tentando acalmar o coração acelerado, Yeonwoo abriu a caixa de biscoitos. Entre as dezenas de tipos de biscoito, estava embalado principalmente com seus sabores favoritos. A maioria deles coincidia com os sabores de biscoito que Chahyun vinha escolhendo antes.
— ……
Ele se sentiu estranho. Era só coincidência? Ou ele estava lembrando dele em algum lugar bem fundo do coração, sem esquecê-lo?
Sempre que o Baek Chahyun atual se sobrepunha ao Baek Chahyun anterior, Yeonwoo não sabia como controlar seus sentimentos.
— Obrigado.
Era uma padaria tão famosa que a quantidade que uma pessoa podia comprar era limitada. Chahyun preenchia aquela quantidade até a borda e a embalava como um kit de presente, exatamente como agora.
Porque sua voz era contida e suprimida para esconder suas emoções, às vezes soava insincera à primeira vista. Chahyun estreitou os olhos como se estivesse insatisfeito com isso.
— É só isso? Você sabe como é difícil comprar isso…
Beijo. Antes que ele pudesse terminar a frase, Yeonwoo se ergueu na ponta dos pés e beijou de leve a bochecha de Chahyun.
— Muito obrigado.
— ……
Chahyun ficou momentaneamente sem palavras. Yeonwoo esticou a mão para o rosto de Chahyun, que havia endurecido como pedra. Então afagou seu cabelo aparado.
— E você fica fofo com a franja abaixada.
O cabelo abundante que ele segurava na mão era macio e elástico. Só o rosto de Chahyun passava uma impressão fria, mas, ao contrário daquela aparência, seu cabelo e sua pele eram muito brilhantes e macios.
— Fofo…
Chahyun murmurou como se tivesse ouvido algo estranho que não deveria ter ouvido.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna