Episódio 40
O silêncio, embora de apenas alguns segundos, pareceu longo e pesado demais para Yeonwoo.
— O que eu faço?
— Cio?
— É. Mas e se outras pessoas notarem? Eu acho que eu me deparei com um Alfa no caminho para o banheiro…
— Eu estou indo agora, então fique na cabine.
— Está bem. Eu entendi.
Ouvindo a voz calma de Chahyun, Yeonwoo, que estava agitado, gradualmente se acalmou.
— Você lembra qual banheiro é?
— Eu acho que era o que se vê quando você sai do salão… Eu não sei exatamente.
— Está bem. Não saia e espere.
Mas, assim que a ligação terminou, sua mente ligeiramente acalmada ficou urgente de novo. Ele se sentiu ainda mais quente, e a sede ardente que ele havia descartado como sendo por causa do álcool agora parecia inteiramente por causa do ciclo de cio, deixando sua boca seca.
Com atraso, ele foi tomado por autorrecriminação por agir de forma ingênua demais, mesmo sendo sua primeira vez num encontro daqueles. Ele não tinha ideia se a mulher com quem havia conversado na mesa havia notado sua condição, ou quantas outras pessoas haviam visto sua fraqueza.
Talvez fosse por isso que Chahyun nunca o havia levado a um encontro antes. Conforme sua ansiedade aumentava, pensamentos negativos brotavam um após o outro.
Clang. Naquele momento, a porta do banheiro se abriu. Yeonwoo se retesou, pensando que outra pessoa havia entrado, e prendeu a respiração.
— Hong Yeonwoo. Você está aqui?
Felizmente, era Chahyun. Yeonwoo abriu a porta trancada da cabine com alívio.
— Sim.
— Deixa eu ver.
Chahyun, que havia corrido até ali, agarrou o rosto de Yeonwoo para conferir seu estado e examinou sua cor. Quando as mãos de Chahyun tocaram suas bochechas quentes, foi refrescante e aliviou o calor.
— Ei, houve algum comentário lá fora? E se mais alguém descobrir?
— Quem se importa com isso?
— Ainda assim.
— Aconteceu algo com você?
— Eu não sei. Eu acho que o Alfa que saiu antes…
— Aconteceu algo com você?
Chahyun agarrou Yeonwoo, que estava divagando, e perguntou com firmeza.
— …Ah, não.
— Então está tudo bem.
Logo, ele relaxou a expressão e disse como se não precisasse se preocupar com os olhos das outras pessoas. Conforme a tensão se dissolveu, Yeonwoo abraçou Chahyun com força. O fato de que Chahyun havia perdido as memórias dele momentaneamente evaporou de sua cabeça.
— Haa, que bom. Me desculpe, Chahyun-ah. Eu não devia ter bebido álcool… É a minha primeira vez vindo a um encontro assim com você, e eu fui tão bobo…
O calor do ciclo de cio e o álcool se misturaram, e Yeonwoo estava incoerente.
Chahyun olhou para baixo, para Yeonwoo, que estava envolvido com força em seus braços, por um instante. Feromônios fluíam de leve de seu corpo caloroso. Era definitivamente um ciclo de cio. Chahyun sentiu seu corpo se retesar involuntariamente diante dos feromônios singulares e doces que nem o inibidor de feromônios conseguia esconder.
Yeonwoo tremia de leve, provavelmente porque estava tão surpreso que aquilo havia acontecido num lugar desconhecido.
Por algum motivo, o pensamento de que ele tinha que acalmá-lo dominou a mente de Chahyun. Parecia que sua razão de existir era tranquilizar Hong Yeonwoo naquele momento.
— Está tudo bem. Não tem problema nenhum. Você não precisa se desculpar.
Chahyun abraçou Yeonwoo de volta com força. Ele podia sentir seu batimento cardíaco pelos corpos bem pressionados. Yeonwoo era quem vinha tremendo, mas Chahyun era quem estava aliviado.
Do momento em que ouviu a voz assustada de Yeonwoo no telefone, Chahyun havia sido engolfado por inquietação. E a emoção escura desconhecida desapareceu assim que ele viu Yeonwoo.
— Inale os meus feromônios.
Ele sussurrou numa voz gentil para que Yeonwoo pudesse se acalmar. Ele ia cobrir os feromônios de Yeonwoo com os seus.
Os sintomas de cio não estavam severos naquele momento, então, se ele os cobrisse com feromônios Alfa e saísse do prédio, ficaria tudo bem. Então as pessoas que eles por acaso encontrassem pensariam que Chahyun não conseguiu controlar sua sanha e havia Marcado Yeonwoo, então não haveria problema.
— Haa…
— Você está bem agora?
— Mmm.
— Vamos.
Yeonwoo assentiu. Chahyun afagou a cabeça de Yeonwoo, então pegou sua mão e saiu da cabine.
— Ah, espera.
Conforme estavam a ponto de sair do banheiro, Yeonwoo de repente mancou de um pé. Ele rapidamente recuperou o equilíbrio, mas o cenho de Chahyun se franziu quando viu aquilo. Ao mesmo tempo, o interior de sua garganta ficou abafado.
— Você quer que eu te carregue se você não consegue andar?
As palavras, que ele não havia pretendido dizer, saíram da boca de Chahyun.
— Não, eu consigo andar.
Yeonwoo, que havia hesitado por um instante, saiu do banheiro primeiro, como se estivesse bem. Chahyun não conseguia entender por que sentia essa emoção. Yeonwoo não havia caído; ele só havia tropeçado.
Ele espantou os pensamentos complicados e seguiu Yeonwoo.
— Ah? Baek Chahyun! Você já está indo? Se você veio com seu namorado, você deveria pelo menos apresentá-lo como devia.
Alguém chamou Chahyun no meio do caminho, mas ele não respondeu e passou pelas pessoas. Algumas pessoas sentiram os feromônios de Chahyun e encararam as costas de Chahyun e Yeonwoo com interesse.
Assim que entrou no carro, Yeonwoo sentiu sintomas de ciclo de cio ainda mais distintos. Seus feromônios estavam fluindo bem mais densos do que ele pensava.
Chahyun conferiu que Yeonwoo estava com o cinto de segurança, então deu partida no motor e saiu.
— Hoo. Eu imagino que eu não devia… ter bebido álcool.
— Quanto você bebeu?
— Eu não sei. Cinco taças? Seis taças?
— Eu te trouxe para comer.
Chahyun estalou a língua, segurando o volante como se estivesse pasmo. Ele olhou de relance para Yeonwoo, que ofegava e não sabia o que fazer.
Um Omega que logo estaria no cio estava sentado no assento do passageiro. Ele já o havia coberto com seus feromônios, e ele era exatamente seu tipo de cima a baixo. Mas, em vez de expectativa ou excitação, ele estava mais preocupado.
De onde vinham essas emoções? Elas derivavam de memórias esquecidas?
— Você normalmente bebe tanto assim?
— Não.
— Então alguém te forçou a beber?
Chahyun perguntou, sem esconder sua expressão desagradável. Ele pensou com atraso que alguém poderia ter vindo incomodá-lo enquanto ele não estava.
Todos estavam curiosos de qualquer forma. A julgar pela situação, ele nunca o havia levado a esses encontros antes. Ele devia estar se encontrando com ele para diversão casual.
— Eu bebi porque eu quis.
— Então está tudo bem.
Yeonwoo ofegou e engoliu em seco. Talvez porque a tensão havia sido aliviada, sua mente rapidamente ficou nebulosa.
— Eu vi… a pessoa com quem você vai se casar lá.
— …….
— Foi estranho.
Chahyun sentiu uma onda de irritação diante das palavras de Yeonwoo de que ele havia visto Oh Yumin. Ele havia esquecido completamente que ela podia vir ao encontro.
— Eu quase nunca falei com ela também.
Ele queria mudar de assunto rápido.
— Não é da sua conta.
Mas Yeonwoo, tremendo de leve pelo calor que subia, não parou de falar.
— Todos lá sabiam de você e dela… menos eu.
— Hong Yeonwoo.
Chahyun disse em voz baixa, apertando o volante com força.
— Eu te disse que não é da sua conta. Não fique se excedendo.
Yeonwoo fechou a boca diante daquilo. Ele queria dizer algo mais, mas a reação fria de Chahyun dispersou seus pensamentos. Yeonwoo assentiu.
— Eu sei, o meu lugar. Eu só estava dizendo…
Mesmo assim, Yeonwoo não conseguia apagar o calor e a possessividade em relação a Chahyun que cresciam como trepadeiras dentro dele.
É por isso que ciclos de cio são incômodos. Porque eles trazem à tona com tanta facilidade os desejos que ele havia enterrado com dificuldade. Ele estava com tanta sede. Não importava quão profundamente ele inalasse e tomasse os feromônios de Chahyun, parecia insuficiente. Yeonwoo sabia que só Chahyun podia preencher esse desejo.
— Me abrace, Chahyun-ah.
O carro parou no estacionamento. Yeonwoo implorou a Chahyun numa voz úmida. Ele queria ser libertado desse desejo pegajoso. E Chahyun, que estava sentado ao seu lado, também queria.
* * *
Suas memórias foram cortadas como se alguém as tivesse cortado com tesoura. Mesmo quando ele lembrava de algo, não durava muito, e momentos intensos e curtos piscavam de forma tênue em sua cabeça como fotografias.
O som de roupas farfalhando, o som de carne úmida se atritando uma na outra, a dor e o prazer que pareciam morte, gemidos, resmungos, a sensação de músculos firmes tocando as pontas de seus dedos, ansiedade. Esses pedaços fragmentados estavam misturados e rolavam em sua cabeça.
O primeiro dia do ciclo de cio. Yeonwoo não queria ser separado de Chahyun nem por um momento. Por algum motivo, ele tinha medo de que os feromônios familiares de Chahyun desvanecessem nem que fosse um pouco.
Então, ele insistiu em seguir Chahyun para o banho quando ele estava se lavando, e eles rolaram por ali no banheiro.
Ele também lembrava dos feromônios Alfa de Chahyun ficando arrepiantemente densos. Seu rut também havia começado. Os dois rolaram na cama como bestas se acasalando.
Inúmeras e longas atividades sexuais foram repetidas conforme seus desejos.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna