↫─Capítulo ⚝ 24
↫─Things That Deserve To Die ⚝ 24
Ja-kyung ficou sem palavras enquanto fumava um cigarro e verificava seu peito no espelho. Mesmo depois de dois dias, as marcas vermelhas ainda podiam ser vistas aqui e ali. Devido à quantidade de vezes que Kang Il-hyeon mordeu e sugou seus mamilos, o tamanho deles parecia ter mudado ligeiramente. Kang Il-hyeon tinha uma forte obsessão por mamilos, possivelmente porque cresceu sem sentir o amor de sua mãe. Quando Ja-kyung os tocava, sentia formigamento e dor, e praguejava.
— Em todo o tempo que vivi, nunca vi um homem assim…
Isso era tudo. No início, mesmo dizendo que estava relutante, depois ele gemia e movia a cintura. Ele até envolveu o corpo de Kang Il-hyeon com suas pernas. Sua mente deveria estar mais leve agora que verificara o paradeiro do objeto, mas pensando bem, era impossível.
Kang Il-hyeon esteve ocupado depois daquilo e não apareceu por dois dias. Ja-kyung sentiu-se aliviado por ter tido sorte. Ele enviou uma foto para Wang Han, solicitando o mesmo USB para que, assim que o problema fosse resolvido, pudesse descansar tranquilo. Ele esperava que não houvesse mais envolvimento corporal até lá.
Estava quente dentro da casa quando ele saiu do quarto. Todos os aparelhos de ar-condicionado estavam desligados. Um veículo que viera trabalhar na piscina colidiu com um poste de eletricidade próximo e a energia foi cortada. Ele desceu as escadas e parou em frente à janela da sala. Lá fora, os operários estavam ocupados trabalhando.
Não havia sinais de balas perfurando as janelas. A bala era uma .338 Lapua Magnum destinada ao uso de franco-atiradores. Era usada por snipers devido à sua baixa tolerância e rápida velocidade do projétil. A manhã daquele dia nem estava ventando, e o céu estava limpo, sem uma única nuvem, tornando-o ideal para mirar no alvo. No entanto, a bala foi direcionada ao ombro direito de Ja-kyung, não ao lado esquerdo do peito.
Ja-kyung não achava que fora um erro. Talvez aquela pessoa pretendesse ferir Zhang Yi An. Zhang Yi An era o único neto de Zhang Yin, o padrinho de uma organização de Hong Kong com laços com o grupo de navegação. E se Zhang Yi An fosse ferido, Kang Il-hyeon, que agora o protegia, enfrentaria dificuldades.
Ele se perguntou quem teria dado a ordem. Ele lembrou-se dos rostos dos membros da família que vira na casa do Presidente, um por um.
— Yi An!
Após refletir um pouco, ouviu uma voz familiar atrás de si. Quando se virou, Kang Seok-joo acenou com a mão e aproximou-se. Ja-kyung recebera uma ligação pela manhã e afirmara que não poderia sair de casa por algum tempo, então Seok-joo veio à casa imediatamente.
— É aqui? Mas não há marca de bala?
Kang Seok-joo, ao se aproximar, sorriu enquanto olhava pela janela. Ja-kyung só podia adivinhar por que ele viera.
— Você parece muito feliz.
— Feliz não. Estou decepcionado.
Ele se virou para ter certeza de que não havia ninguém por perto e baixou a voz.
— O Diretor Kang deveria ter levado o tiro.
Ja-kyung riu baixo. Seok-joo parecia sentir-se à vontade consigo mesmo ao dizer coisas assim casualmente. Ele estava muito mais enérgico do que ele se lembrava de ter visto em casa. Afinal, era difícil sobreviver entre irmãos que agiam como hienas.
Ja-kyung e Seok-joo subiram para o andar de cima após pedirem um chá aos funcionários. Então, em particular, ele perguntou sobre o bem-estar de Choi Ki-tae.
— Ki-tae? Aquele bastardo deve estar ficando louco agora.
— Por quê?
Kang Seok-joo encostou-se no sofá do segundo andar e cruzou as pernas orgulhosamente.
— O pai dele é um traficante de drogas. Sabe aquela droga? Aquela que usamos da última vez.
— Sim.
— Mas então houve esse funcionário. Afinal, esse funcionário levou os garotos que estavam trabalhando.
— Funcionário? Quem?
— Não tenho certeza. Eles são menores de idade, então esse funcionário deve ter levado os garotos para a delegacia e fugido. Mas então eles receberam uma ligação da polícia. Para buscarem os garotos.
Ja-kyung endureceu o rosto enquanto ouvia. Sua mandíbula estava cerrada e seus olhos pareciam prestes a explodir.
— Você disse… menores? Eles não foram levados para um abrigo?
— Você é tão ingênuo. Eles são garotos sem ter para onde ir. Como o pai dele conhecia muita gente poderosa, ligaram para ele imediatamente para buscar os garotos. É por isso que você precisa de poder. Até a polícia é impotente diante do dinheiro e do poder.
Kang Seok-joo riu de forma arrogante e orgulhosa, como se estivesse no topo do poder. Ja-kyung ficou sem palavras. Os olhos das crianças que o encararam vieram à sua mente.
— O que aconteceu com eles? Eles estão trabalhando… de novo?
— Como você pode confiar em garotos que fugiram? Eles serão descartados.
— Descartados?
— Você não precisa saber.
Kang Seok-joo riu e encerrou o assunto sem mais explicações. Ja-kyung sabia o que era aquilo. Ele lembrava-se de ter ouvido uma história quando criança. Dizia-se que órgãos de crianças inúteis eram retirados ou que elas eram usadas como ferramentas sexuais para adultos. Alternativamente, um homem que visitava sua mãe lhe dissera que ele se tornaria comida de cachorro.
Ja-kyung inicialmente pensou que era brincadeira, mas quando encontrou a mão de uma criança da sua idade que trabalhava com ele jogada no canil, percebeu que era real. Por outro lado, ele teve pesadelos por muito tempo devido ao medo de se tornar comida de cachorro.
Os olhos de Ja-kyung, que relembravam velhas memórias, tornaram-se frios. Ele deveria tê-los enviado para qualquer outro lugar que não fosse a polícia, em primeiro lugar. Não, ele deveria ter fingido não saber de nada desde o início. Ele não deveria ter conduzido as crianças, que já eram miseráveis, para a morte.
Porra. Ele se levantou de seu assento.
— O quê? Aonde você vai?
— Sinto muito. Estou com uma forte dor de cabeça, então acho que preciso dormir um pouco hoje.
Kang Seok-joo levantou-se e ficou irritado.
— O quê? Então o que eu faço?
— Eu não posso sair por um tempo de qualquer maneira. Você sabe disso. Sinto muito mesmo.
Ja-kyung sorriu para ele e entrou apressadamente no quarto. Quando Seok-joo foi deixado sozinho, fez beicinho e praguejou para si mesmo. O valor unitário seria ótimo se o cliente fosse importante. Ele estava irritado por ter tido que vir por causa dele, e Ja-kyung então o deixou para ir dormir porque estava doente. Ele chutou a perna da mesa com o pé, fechou a porta e saiu.
Ja-kyung caminhava de um lado para o outro no quarto enquanto fumava um cigarro eletrônico. Ele ficou irritado e esfregou o rosto. Ele abriu o cofre, pegou um pedaço de papel de dentro e o desdobrou. Era um mapa da localização de onde o circuito interno de TV estava instalado na casa. Ele colocou o papel no cofre sob a cama após verificar a localização exata com os olhos e memorizá-la.
Ele então pegou uma pequena lanterna e uma vara de ferro do cofre e as escondeu em suas roupas. Ja-kyung desceu as escadas e encontrou a governanta. Ela estava preparando o jantar para esta noite com a equipe na cozinha.
— Yi An. O que houve?
— Está bastante barulhento lá fora. Quanto tempo vai levar para instalarem a piscina?
— Eles estão terminando agora mesmo. A eletricidade será ligada em breve.
— Não parece haver nenhuma energia de emergência aqui…
— Sim. Esta é a primeira vez que isso ocorre desde que a casa foi construída… eu também fiquei perplexa.
— Entendo… Na verdade, não tenho certeza se conseguirei jantar porque estou doente. Vou tomar um remédio e ir para a cama.
— Oh, meu Deus. Quer que eu faça uma sopa para você?
— Não, está tudo bem. Quando se está doente, o melhor é descansar bastante. Por favor, informe ao Diretor se ele estiver me procurando.
Ele acrescentou que, assim que adormecesse, ninguém deveria perturbá-lo. Isso significava não procurá-lo mesmo que Kang Il-hyeon viesse. Ela sorriu e respondeu que entendia.
— Se precisar de qualquer coisa, sinta-se à vontade para me contatar aqui embaixo.
— Sim, obrigado.
Após agradecer, Ja-kyung subiu as escadas. Ele entrou no quarto, fechou a porta e abaixou todas as cortinas. Ele foi ao banheiro após colocar um cobertor sobre o travesseiro, fazendo parecer que alguém estava deitado. O banheiro sem janelas estava em completa escuridão quando a porta foi fechada.
Depois de ligar a lanterna, ele subiu no parapeito do banheiro e removeu o ventilador. Ele verificou a passagem com a lanterna, e era bastante estreita. Antes de partir, pensou que seria engraçado ver se ele poderia ficar preso na passagem e morrer. Ele jogou a lanterna para dentro e usou a força dos braços para subir.
Ele rastejou para frente e levantou a parte inferior do corpo. A espessa camada de pó provocou cócegas em seu nariz e o fez querer espirrar. Ele colocou a lanterna na boca e moveu-se para frente lentamente, segurando a respiração o máximo que podia. O suor escorria como chuva enquanto ele se contorcia e se movia como uma lagarta em um duto de ventilação estreito no clima quente.
Felizmente, a passagem que curvava para a direita era muito mais larga. Respirando aliviado, ele se encolheu e seguiu em frente. O suor escorria por seu rosto, ardendo em seus olhos. Depois de rastejar por um tempo, a luz entrou pela frente. O grande ventilador de exaustão havia parado de funcionar. Ele puxou o ventilador e colocou o rosto para fora.
Ele respirou fundo e inalou um pouco de ar fresco. Além da queda de energia, as câmeras em ambos os lados das aberturas estavam funcionais. Droga. Ele sabia. Ele puxou uma vara de ferro com cerca da largura de sua cintura e pressionou o botão.
O comprimento da vara aumentou gradualmente. Ele esticou o braço, tocou a câmera com a ponta do bastão e mudou as direções. O outro lado recebeu o mesmo tratamento. Então, ele se pendurou no parapeito o máximo que pôde, pulou e rolou.
Ele encostou-se na parede externa do prédio, abaixou-se e olhou ao redor para ver se havia algum lugar por onde pudesse sair. Felizmente, havia poucas câmeras por perto e, quando ele dobrou a esquina, a câmera não conseguiu capturá-lo. Além disso, estava tudo coberto por roseiras.
Ja-kyung respirou fundo e demoradamente enquanto olhava para o muro à sua frente. Era alto, mas ele achou que conseguiria escalá-lo. Ele correu, pulou, agarrou o muro com as mãos e o escalou com os pés. Ele não se exercitava há alguns dias e estivera brincando e comendo pacificamente, e seu corpo parecia ser o primeiro a notar.
Ele sentiu que seus movimentos estavam mais lentos do que o normal. Ele escalou e pulou para o outro lado. Olhou ao redor, mas tudo estava quieto. Tudo o que conseguia ver eram pessoas trabalhando na construção de um poste utilitário ao longe. Ja-kyung recuou do muro e rolou para debaixo da van em que os operários que vieram construir a piscina estavam.
Depois de um tempo, com o som da porta abrindo, as pessoas saíram uma a uma. Vozes dos funcionários também podiam ser ouvidas. Ele conseguia ouvir tudo sobre o período da construção e a eletricidade. A porta do carro abriu e fechou, e o motor começou a ligar. O carro moveu-se, e Ja-kyung, que rastejara para debaixo dele, desapareceu também.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna