09ª Parte
—…Você está chorando?
— Não.
— Só porque eu toquei um pouco na sua mão.
— Eu disse que não estou chorando, por que você continua fazendo isso?
Ele tinha levantado a voz sem perceber.
—…Seu…
—…
Será que ele está louco? Seojae percebeu tardiamente o que tinha feito na frente de Beomjin. Não importa o quanto doesse, ele não toleraria que ele perdesse a calma. Seu corpo inteiro doía, e o rosto de Jooyoung continuava vindo à mente, ainda assim ele tinha que se preocupar com essas coisas. Seojae estava segurando desesperadamente as lágrimas. Se ele chorasse aqui, Junhee… Desde o momento em que encontrou Junhee no carro, ele não tinha mostrado seus verdadeiros sentimentos. Está tudo bem, ele não sabia quantas vezes tinha dito essas palavras.
Mas era mentira. Não havia nada de bom em sua condição.
Seojae eventualmente se levantou de seu lugar. Junhee, só um momento. Ele falou brevemente com Junhee com uma voz que tentou compor e saiu do local.
O interior da porta aberta do banheiro estava um pouco úmido. Seojae, que limpou o espelho com a mão, olhou fixamente para seu reflexo nele.
A pálpebra azul e saliente era hedionda. Ele não tinha olhado em um espelho desde que sua visão continuou a se estreitar. Era de um nível diferente dos vislumbres momentâneos na porta de vidro do saguão e na janela do carro. Seojae, mesmo quando se lavou depois de chegar ao quarto do hotel, não tinha olhado para o espelho. Depois de limpar uma parte do espelho úmido, seu rosto que ele olhou, era porque ele sabia que seria tão miserável.
— Ei, o que você está fazendo?
—…
Foi Beomjin quem abriu a porta fechada do banheiro e entrou abruptamente.
Seojae não pôde dar nenhuma resposta por causa das emoções avassaladoras. Seria um alívio se ele não desabasse. Beomjin, assim como tinha feito na mesa, tentou puxar sua mão dolorida novamente como bem entendesse. Swat! Seojae, que sacudiu a mão com força, olhou para Beomjin.
— Pare… dói.
— Porra, é por isso que eu quero olhar.
—…O que você quer olhar. Dói mesmo se você não fizer isso, então pare.
— Que merda é essa?
—…
— Essa é uma maneira irritante de dizer que quer ser abraçado.
Do começo ao fim. De um a dez, tudo era do jeito dele. Ele não tinha forças para resistir. Seojae, como se desistisse, confiou seu corpo à força de Beomjin puxando-o para seus braços. Ele não sentiu vontade de resistir à mão de Beomjin que segurava seu cotovelo. Quando ele enterrou o rosto no peito largo, tudo o que saiu foram lágrimas reflexivas. Drip, drip. Porque ele foi segurado com a cabeça meio curvada, as lágrimas foram impressas na camiseta de Beomjin como longos padrões de gotas de chuva.
Seojae observou Junhee adormecer bem na sua frente. Era uma visão que ele via com frequência, mas parecia nova. Os olhos que se fechavam lentamente e o pequeno osso do peito que subia e descia ritmicamente. A penugem em suas bochechas brancas parecia especialmente preciosa.
A imagem das costas da criança enquanto ele saía do quarto do terraço vinha à mente mesmo sem tentar recordá-la. Não seria apagada por um tempo. Seojae tocou o peito e o estômago de Junhee com as mãos quentes. Espero que ele tenha bons sonhos. Espero que ele brinque alegremente em um mundo onde ninguém o incomode.
Deixando Junhee, que tinha caído em um sono profundo, Seojae arrumou brevemente ao redor da mesa de jantar. Os sacos de lanches que Junhee tinha comido como sobremesa estavam espalhados. Seojae, que juntou o lixo em um saco preto, lançou um olhar leve para Beomjin, que estava falando ao telefone no sofá.
— Arrumando, eliminando… torturando….
Ouvir tais palavras fez sua mente ficar em branco.
Beomjin disse à outra pessoa para desligar porque ele entendeu. Então ele jogou o telefone no canto do sofá. Ele se perguntou se cairia, e realmente caiu. Tudo o que ele fazia era malfeito.
— Hoje, vou aturar seu temperamento.
—…
Parecia que ele estava falando sobre o que tinha acontecido mais cedo. Seojae se viu numa posição em que estava encolhendo o corpo sob o braço de Beomjin, que de repente veio e colocou o braço em volta de seus ombros.
— Também vou te conceder um desejo.
—…
Era um comentário brincalhão. Seojae manteve os olhos em Beomjin, mas logo suas duas pernas foram levantadas, fazendo-o olhar para um lugar estranho. Ele não conseguiu evitar rapidamente a ação de Beomjin, que de repente o tinha levantado.
Junhee estava dormindo em uma cama. Preocupado em acordar a criança sem motivo, Seojae manteve a boca fechada e ficou parado, assim como Beomjin fez. A cama era tão sem elasticidade que afundaria mesmo se a criança se deitasse nela. Seojae, que acabou deitado na cama bem ao lado, moveu o corpo para o lado. Ele abriu espaço para Beomjin se deitar.
— Me desculpe por fazer coisas assim.
—…
— Sério, merda, você acha que eu sou do tipo que pede desculpas….
Plop. A cama saltou muito por causa de Beomjin, que se sentou com o corpo completamente relaxado. Beomjin soltou uma respiração áspera misturada com uma maldição por um longo tempo. Seojae estava observando ele por trás, mas não deu nenhuma resposta.
Beomjin logo subiu completamente na cama. Parecia que ele ia se deitar ao lado de Seojae, mas ele imediatamente virou o corpo e o beijou.
Foi um beijo leve, como um selinho. Cada vez que ele afastava os lábios, ele podia sentir a respiração de Beomjin pairar. Seojae ainda não dizia nada. Ele não tinha muito a dizer a Beomjin, que falava sozinho e respondia sozinho.
Não muito depois, Beomjin colocou a mão dentro de sua camisa. Quando Seojae pareceu empurrá-lo ligeiramente, ele sorriu maliciosamente e acrescentou: Quem disse que eu ia fazer alguma coisa. Mesmo assim, ele não removeu a mão que tocava seu peito. Enquanto a mão fria varria sem hesitação seu peito e a parte superior do estômago, o corpo de Seojae tremeu. Ele piscou os olhos algumas vezes. Seojae abriu a boca tardiamente.
—…Beomjin.
Os olhos de Beomjin, que tocavam seu mamilo, estavam cheios de uma energia ardente.
— O quê.
—…Você disse que me concederia um desejo.
— Certo.
Foi uma resposta curta. A mão de Beomjin não saiu de seu corpo. Seojae levantou o rosto latejante e focou nos olhos de Beomjin o máximo possível. Ele tinha trazido o assunto ele mesmo, mas seus lábios não se abriam.
—…
— O quê, devo te dar dinheiro?
Como se isso pudesse ser seu desejo. Beomjin realmente não sabe de nada. Porque ele não sabe de nada. Seojae endureceu o coração e abriu a boca.
—…Você não pode me deixar ir?
— Porra, vamos só tocar um pouco.
—…Faça o que quiser por enquanto. Vamos transar também se você quiser.
— Fazer o que quiser por enquanto?
Como se ele finalmente tivesse captado a nuance, o rosto de Beomjin se transformou no de uma fera furiosa.
— Sim, eu quero viver só com o Junhee.
— O que você disse, agora.
— Eu disse que quero viver só nós dois…. Como posso viver assim? Eu quero ser feliz com o Junhee….
Ele queria viver tão feliz que as palavras “Eu quero viver feliz” não saíssem completamente. Porque era o que ele mais queria dizer, até as palavras curtas faziam o fundo de sua garganta arder e se molhar.
—…
Beomjin ficou em silêncio. Seus olhos apenas tocavam a pálpebra azul, e sua boca não se abria. Ele parecia que ia levantar a mão e dizer “O quê? Porra?”, mas apenas ficou parado. Talvez porque até ele achasse que seu rosto naquele estado era lamentável. Seojae sabia bem que Beomjin tinha uma atitude complacente quando se tratava de dor. Ele aproveitou a oportunidade para falar direito.
— Estou com tanta dor, Beomjin.
—…
— Quando estou com você, sinto tanta dor. Não quero sentir dor. Quero viver sem dor com o Junhee.
— Então.
— Me deixe ir. Me deixe. Isso não é suficiente?
— Porra.
— Quero viver. Me deixe viver. Só desta vez, deixe eu e o Junhee vivermos.
Uma lágrima caiu do olho de Seojae, que continuava suas palavras. Desde o momento em que ele disse que concederia um desejo, era a única coisa que vinha à sua mente. Era difícil trazer à tona, mas uma vez que começou, ele se viu falando desesperadamente. Apenas o desejo de viver. Uma vida normal e moderada. Ele nunca pensou que chegaria a desejar isso tão ardentemente. Seojae tinha trazido à tona porque realmente queria viver. Me deixe viver, só uma vez, me deixe.
As lágrimas que caíam uma gota, duas gotas, começaram a cair em um fluxo contínuo a partir do momento em que ele juntou as mãos e implorou.
Seojae continuou a dizer: “Me deixe viver”, mesmo enquanto chorava, e no final, ele até usou honoríficos para implorar. Ele também tinha as duas mãos juntas ordenadamente, e estava de joelhos. Por favor, me deixe viver…. Por favor…. Por favor, me deixe viver…. Por favor, me deixe viver só desta vez…
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Fim do Volume Dois
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby& Othello