•.¸ ♫ Capítulo 06.3
•.¸ ♫ Capítulo 6.3 Amabile
Numa noite em que o vento cortava como faca, Sinu estava de pé dentro do elevador de um prédio de apartamentos. De sobretudo preto, terno, luvas de couro e sapatos sociais, ele exalava sua atmosfera pesada característica. No entanto, em sua mão direita, havia algo que não combinava em nada.
Farfalhar.
— …
Com o ruído que arranhava seus lóbulos, Sinu baixou os olhos. O que entrou em seu campo de visão foi uma sacola plástica. Havia apenas uma hora, ele mesmo comprara aquelas coisas que estavam lá dentro. Enquanto as observava calmamente, o elevador se abriu e o ar frio entrou.
Sem hesitação, Sinu caminhou até uma determinada porta. O gesto de apertar a campainha também foi resoluto. Mesmo ao ouvir a voz que fluiu do interfone pouco depois, ele manteve a calma.
— Sinu… hyung?
— Abra a porta.
— Hã?
— …
— Hã? Hã?
Yejun mostrou a reação mais perplexa de todas as vozes que Sinu ouvira até então. Era evidente que ele não esperava nem em sonho que Sinu fosse invadir sua casa de repente. Sinu acenou com a cabeça, como se entendesse.
— Vou deixar o que comprei pendurado na porta. Pode pegar e com…
Antes que terminasse de falar, a porta se abriu. Na entrada, estava Yejun, de olhos arregalados. Uma aparência muito distante da imagem impecável de sempre. O cabelo levemente arrepiado, as bochechas vermelhas de febre e os olhos como que recém-acordados davam um ar desleixado.
Examinando Yejun de cima a baixo, Sinu ergueu os cantos dos lábios. A figura que parecia quentinha era ao mesmo tempo lamentável e até um tanto adorável. Ao lançar um olhar misto de compaixão e simpatia, Yejun ajeitou o cabelo apressadamente com a mão.
— Não, como, ah, quer dizer…
Sinu estendeu o que tinha na mão. Yejun, que estava atrapalhado, parou o movimento ao ver aquilo.
— O que é isso?
— Coisas necessárias para quando se está doente.
— …Você comprou, hyung?
— Está dizendo o óbvio. Leve e tome.
— Então, até mais. Quando Sinu se preparava para se despedir, examinou novamente o rosto de Yejun. O olhar vagamente distante não era normal.
— Você foi ao médico?
— Ah.
— Ah?
Não foi, então. Desistindo da ideia de pegar o elevador imediatamente e ir embora, Sinu aproximou-se dele. Depois de tirar a luva, levou a mão à testa de Yejun, que estremeceu. A temperatura que tocou a palma de sua mão estava quente como fogo.
Era mais grave do que pensava. A irritação surgiu naturalmente.
— Por que você não foi?
— Não era tão grave… Ah, você não pode me tocar.
— E a alimentação.
Em vez de responder, Yejun jogou a cabeça para trás, desviando da mão dele. Com o jeito de quem foge como se fosse um germe, Sinu estreitou os olhos. Achando que havia causado um mal-entendido, Yejun murmurou apressadamente.
— É para você não pegar.
— Alimentação.
— …
— Perguntei se você comeu.
— Eu só dormi, só isso.
— Desde quando dormiu?
— …Desde que desliguei com o hyung. Melhorei um pouco.
Ou seja, não comeu, não foi ao médico e apenas dormiu. Sinu estalou a língua brevemente. E depois de tudo isso, foi ele quem disse para Sinu tomar cuidado para não adoecer? Ao lançar um olhar de reprovação, Yejun revirou os olhos e fingiu não ver.
— Vamos, para o hospital.
— Estou bem.
— Você é médico, Yejun? Como sabe que está bem?
— Sei porque é meu corpo.
Com o tom teimoso, Sinu imaginou acertar seu pescoço para desmaiá-lo. Quando franziu o cenho, Yejun, sem graça, acrescentou:
— Só preciso dormir um pouco mais.
— …
— …
Um silêncio constrangedor pairou, e Sinu ergueu os cantos dos lábios num sorriso. Era o sorriso mais suave que ele conseguia fazer. Com a mudança repentina de expressão, Yejun piscou lentamente, como se não entendesse.
— Desculpe.
— Como?
— Desculpe por aparecer de repente. Eu ia avisar antes, mas estava com muito trabalho. Só quando terminei tudo, vi que já era tarde.
Até a voz que murmurava era afetuosa.
— Está desconfortável com a minha vinda, não está?
— Não!
Yejun, que ouvia atordoado, assustou-se tardiamente. Balançando a mão grande, apressou-se em negar com a cabeça.
— Não está desconfortável, nem um pouco.
— É mesmo?
— Sim. Pode vir quando quiser, como se fosse sua casa…
— Entendi.
Como se nunca tivesse tido um sorriso afetuoso, Sinu voltou imediatamente à sua expressão impassível. Com o rosto e o tom de voz que mudaram de repente, Yejun arregalou os olhos. Alheio a isso, Sinu tirou um dos sapatos naturalmente.
— O que está fazendo.
Antes mesmo de tirar o outro sapato, Sinu emitiu uma voz áspera.
— Saia da frente. Para eu entrar.
— …
Mesmo desconcertado, Yejun se afastou para o lado. Imediatamente, Sinu entrou sem hesitar e ergueu o queixo.
— Você mesmo disse que não estava desconfortável.
E então, foi direto ao banheiro e lavou as mãos rapidamente.
Pouco depois, com as mãos cheirando a sabonete, Sinu ficou tocando o rosto de Yejun. Ainda sem compreender a situação, Yejun permaneceu imóvel, oferecendo o rosto. Descontente, Sinu franziu a testa.
— Hyung.
— …
— Vai falar informalmente agora?
Em vez de responder à pergunta, Sinu agarrou o pulso do outro e o puxou. Indo para o quarto, Sinu deitou Yejun na cama. Em seguida, colocou a sacola que trazia no pulso sobre a mesa e examinou o interior. Felizmente, havia comprado medicamentos de emergência por precaução.
— Hyung.
— …
— Eu não fui ao hospital porque não estava tão grave.
— Devo perguntar duas vezes se você é médico?
— …Não.
Yejun soltou um longo suspiro. Na voz que murmurou em seguida, havia um sentimento genuíno de desculpas.
— Se eu soubesse que o hyung ficaria chateado, eu teria ido ao hospital.
Sinu deu um tapa na testa de Yejun com a mão ainda fria de ter acabado de lavar. Incapaz de usar força em alguém doente, sua mão produziu um som fraco, ‘chalaque’. Pensar que ele havia sofrido sozinho era lamentável, mas a estupidez de não ir ao hospital mesmo com febre era exasperante.
— Da próxima vez, não faça isso.
— …
— Não seja idiota. Se estiver doente, vá ao hospital. Eles existem para isso.
— …Sim.
Yejun segurou a mão que ainda estava perto de sua testa. E, puxando levemente, encostou a bochecha na palma da mão e depois a afastou. Era evidente que ele desistiu logo para não contagiar.
— Da próxima vez, farei isso.
— …
— Não fique bravo.
Observando, Sinu soltou um suspiro de resignação. Um grandalhão daquele tamanho agindo daquele jeito, não tinha como não sentir pena. Pensando que ele estava especialmente infantil naquele dia, Sinu tocou diretamente sua bochecha. O som da respiração trêmula de Yejun, “haa”, fez cócegas em sua orelha.
— Já que sabe que fez errado, está bem.
Depois de soltar essa frase, ele saiu do quarto. Mal dera alguns passos, a chaleira elétrica entrou em seu campo de visão.
O que precisava fazer depois não era difícil. Preparou o chá verde que trouxera e deu para Yejun beber, depois pediu um mingau por delivery. Verificando o horário previsto de entrega, ele espalhou os tipos de remédio sobre a mesa. Atrás dele, ouviu-se o som de uma tosse seca.
— …
Que incômodo. Com uma leve careta, Sinu espiou o interior do quarto através da porta aberta. Yejun estava tapando a boca com uma das mãos com força. Era evidente o esforço para segurar a tosse.
A emoção que ele vinha reprimindo com força se intensificou. Seria por isso? Sinu, sem perceber, rompeu o silêncio de repente.
— Ei, você quer ir para minha casa?
Sinu abriu a porta e se aproximou de Yejun, que estava deitado. Curvando a cintura e olhando para baixo, Yejun também arregalou os olhos e encontrou seu olhar.
— Só para comer o mingau e depois podemos decidir. …Porque não posso deixar você sozinho, doente.
Com a palavra “você”, Yejun franziu as sobrancelhas. Ele balançou a cabeça e ergueu o tronco. O cabelo castanho e volumoso balançou finamente.
— Está tudo bem.
Ao dizer isso, um sorriso sutil pairava nos cantos dos lábios de Yejun. Era desagradável vê-lo sorrir, mesmo com as bochechas vermelhas de febre. Sinu fez os músculos ao redor dos olhos se contraírem, como quem pergunta “o que está tudo bem?”.
— Se piorar, eu chamo o hyung. Mas não o Sinu hyung. Meu irmão de verdade.
— …
— É o irmão que eu mencionei antes. O que disse que tirou a foto.
Não precisava de informações sobre o irmão mais velho que ele nunca vira. Mas, mais do que isso, o tom de voz que, embora educado, recusava com firmeza, o incomodava.
Na verdade, era a primeira vez que ele levava alguém doente para sua casa. A proposta, que até para o próprio Sinu era um pouco surpreendente, estava sendo recusada sem hesitação por Yejun, e isso o deixava fervendo por dentro.
Sinu franziu o cenho. A sensação de desgosto se somou ao olhar fixo à frente. Com o olhar de reprovação, Yejun murmurou “desculpe” e baixou os olhos. Por que, nesse momento, seus cílios pareciam tão bonitos?
‘Dá muito trabalho.’
Por que eu tenho que me preocupar tanto com esse moleque? A preguiça e a irritação se misturaram e inflaram como um balão. Chegou a pensar que talvez fosse melhor terminar o relacionamento ali.
Assim, eu não precisaria me preocupar.
Não precisaria dar atenção a um pirralho que bufa porque está doente.
O sentimento negativo crescia tanto que estava prestes a finalmente explodir com um “puff”. Foi quando Yejun estendeu as duas mãos em direção a Sinu, que estava com o rosto rígido. Mãos grandes e firmes agarraram seus pulsos e o puxaram para si. Sem jeito, Sinu ficou com o corpo colado ao de Yejun.
Tump.
Com o som leve, as pupilas de Sinu vacilaram. Yejun, com a testa encostada na barriga de Sinu, soltava uma respiração desordenada. Já fazia tempo que suas mãos haviam se soltado, mas, por algum motivo, a pele que havia sido agarrada queimava de calor.
— Desculpe.
— …
— Só um instante, vou me apoiar.
Vendo-o apoiado em si, os nervos que estavam à flor da pele se acalmaram num instante. Com um rosto de “não tem jeito”, Sinu acariciou a cabeça de Yejun. Enquanto colocava a palma da mão em sua nuca e dava batidinhas, uma emoção desconhecida apertou seu peito.
— Tsk.
Seus olhos, de formato afiado, se estreitaram. Sem conseguir encontrar o nome da emoção que agitava seu peito, Sinu continuou acariciando Yejun.
Toc, toc.
A mão que dava tapinhas era ao mesmo tempo indiferente e afetuosa.
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— Ugh, que merda…
Ele deveria ter descoberto logo o que era a febre que Yejun tivera naquela época. Em vez de dar mingau e remédio, deveria tê-lo levado ao pronto-socorro. Foi um erro de julgamento de Sinu pensar que era apenas um simples resfriado.
— Haa, ha, hyung.
— Vá mais devagar… Mer… ugh.
— Hyung, Sinu hyung…
Yejun não estava resfriado. Era apenas um dos sinais que o corpo dava antes que outros sintomas surgissem. Uma espécie de mensagem para se preparar com antecedência, que nem Yejun nem Sinu conheciam.
Dias antes do incidente ocorrer, Sinu estava com o rosto impecável. Longe da aparência de estar todo coberto de marcas de mordidas e sêmen por ter sido subjugado por Yejun. Sem sonhar com o que estava por vir, ele apreciava a música de piano de Yejun. Tinha até um leve sorriso nos lábios.
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Fim do Volume 1
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna