↫─☫ Episódio 190
𓆰𓆪 Episódio 190 𓆰𓆪: Múltiplos Pensamentos
O espaço em branco que ele viu imediatamente encheu Cha Eui Jae de uma onda repentina de ansiedade.
Qual é o propósito de uma pessoa sem um papel designado? Tudo bem sequer permanecer naquele lugar? Sem perceber, Cha Eui Jae apertou mais Lee Sayoung, que soltou um pequeno gemido. Percebendo o que fizera, Cha Eui Jae rapidamente afrouxou o aperto e recolheu as mãos. Ao mesmo tempo, as faíscas que tremeluziam ao redor de Lee Sayoung desapareceram.
— Ah, desculpa. Você está bem?
Lee Sayoung endireitou o corpo curvado e limpou os ombros. Com um tom de irritação, perguntou:
— Isto é mesmo um sonho?
— Do que você está falando?
— O sistema tem algum tipo de poder coercitivo. Eu acabei de ser penalizado por quebrar uma regra… e as sensações são tão vívidas.
Agora que ele mencionava, era estranho. Um sistema poderia interferir no sonho de um humano? É claro que Yoon Ga-eul certa vez vira fragmentos de um mundo arruinado em sonhos, mas ela só podia observar— não era possível interferir naquele mundo. Um sistema que impõe força e poder físico assim…
— Isso parece mais uma masmorra, considerando o que acabou de acontecer.
Cha Eui Jae esfregou a nuca.
— Eu vi memórias de um mundo anterior, assim como a Ga-eul. Então naturalmente presumi que isso fosse só mais um sonho.
— Mas nunca houve uma situação em que força física fosse usada, né?
— É. Eu só assistia, como se estivesse no cinema.
— …
Lee Sayoung, que Cha Eui Jae achou que faria algum comentário sarcástico, permaneceu surpreendentemente quieto. Parecia estar pensando profundamente. Encarando o vazio, de repente inclinou a cabeça e apoiou levemente a têmpora na cabeça de Cha Eui Jae . Felizmente, não houve penalidade dessa vez.
Aquilo era considerado uma ação adequada para um irmão mais novo fazer com o irmão mais velho? Cha Eui Jae franziu a testa. Lee Sayoung murmurou baixinho:
— Se o meu papel é ser o bom irmão mais novo… então qual é o seu papel?
Cha Eui Jae respondeu com calma, tentando manter a compostura.
— …Não tem.
— Hmm?
— Não havia nada escrito ali. Acho que eu não tenho um papel.
— …
Lee Sayoung soltou um murmúrio baixo. Então se endireitou.
— Andei pensando em várias coisas.
— Hã?
— A pessoa que fez este lugar… não parece estar em seu juízo perfeito…
Autorreflexão?
Cha Eui Jae engoliu as palavras que subiram à garganta. Felizmente, Lee Sayoung parecia distraído demais com outros pensamentos para notar a reação dele . Ele estendeu a mão e agarrou a maçaneta.
— A gente deveria tomar cuidado…
Lee Sayoung sussurrou, a voz falhando.
— Porque não seria surpresa se algo pulasse em cima da gente de qualquer lugar.
Clique. A maçaneta girou.
A porta se abriu.
Fooooon— Uma buzina alta soou. O sedã que buzinara rapidamente desapareceu pela rua. Uma moto passou zunindo com um vrum alto. A cena do outro lado da porta não era um saguão ou corredor de apartamento, mas uma rua!
“Então isso realmente foi feito por alguém que perdeu o juízo.”
Lee Sayoung, segurando a maçaneta, olhava para a rua com uma expressão atônita.
Pessoas caminhavam na calçada ao lado da rua. Usavam fones de ouvido, encaravam os celulares ou conversavam com alguém enquanto andavam.
Estranhamente, os rostos de todos eram nítidos. Olhos, narizes, bocas, os lábios em movimento, os gestos dos dedos e corpos, até a forma como o cabelo balançava— tudo era vívido. Eram completamente diferentes das pessoas nas memórias borradas de Cha Eui Jae .
Cha Eui Jae murmurou distraidamente:
— Estão nítidos demais.
— …
— Parecem pessoas reais, vivas.
— Seu sonho não era assim?
Cha Eui Jae assentiu levemente. Nas memórias que ele virá através do relógio, as pessoas eram borradas. Eram meras formas humanas, e os rostos não podiam ser vistos com clareza. Apenas pessoas como Honeybee, Jung Bin ou a Diretora haviam aparecido com formas e vozes nítidas.
“Naquela época, achei que era porque eram pessoas que causaram forte impressão no Cha Eui Jae .”
Mas seria mesmo esse o caso? Perdido em pensamentos, Cha Eui Jae respondeu com atraso.
— As pessoas ligadas àquelas memórias eram nítidas… as outras eram borradas.
Alguém conseguiria se lembrar de tudo perfeitamente? Não há nada mais incerto do que a memória. A memória é algo que podemos manipular como quisermos. Cha Eui Jae olhou para Lee Sayoung.
— Você não tem uma memória excepcional nem nada, né? Tipo memória fotográfica?
— Se está perguntando se eu consigo lembrar das coisas tão vividamente… não.
Lee Sayoung cruzou os braços, examinando os movimentos das pessoas um a um. Pouco depois, fez um comentário leve, tão casual quanto se falasse do tempo.
— Isso é arrepiante…
Era mesmo tão ruim assim? Cha Eui Jae olhou para Lee Sayoung. Ele estava cobrindo a boca. A testa franzida e a mão sobre os lábios faziam-no parecer genuinamente perturbado. Com um movimento de queixo, ele indicou a rua.
— …A gente deveria ir andando. Tem algum lugar em mente?
— Guilda Seowon?
À menção, Lee Sayoung franziu a testa reflexivamente. O vinco entre suas sobrancelhas se aprofundou.
— …Guilda Seowon? Nam Woo-jin? Por que lá?
— Bom, quando vi os fragmentos, parecia algum tipo de base. Talvez até um abrigo… você e eu deveríamos entrar e sair muito de lá depois do fim do mundo, então pode ter algo útil lá.
— …Então vamos.
Lee Sayoung se afastou um pouco, como se indicasse que Cha Eui Jae tomasse a dianteira. Ele saiu para a rua.
O calçamento, com uma borda levemente rachada, e as pequenas flores silvestres e ervas crescendo entre os ladrilhos pareciam detalhados demais para ser artificiais. Mesmo sem vento, as flores silvestres balançavam suavemente. Aquele lugar imitava a realidade até o menor detalhe. Como se fosse outro mundo. Como se alguém tivesse tentado reconstruí-lo meticulosamente.
“Acho que entendo por que ele disse que parecia arrepiante…”
Cha Eui Jae caminhou com força deliberada. Apesar da máscara preta no rosto, nenhuma das pessoas que andavam pela rua lhe lançou um segundo olhar. No mundo real, ele não conseguiria andar assim sem ser cercado pelas pessoas. Sentia-se um completo estranho.
Um espaço em branco.
Um estranho.
— …
Mas Cha Eui Jae não se sentia sozinho. O som de passos atrás dele provava que não estava só.
Depois de andar sabe-se lá quanto tempo, um prédio familiar surgiu à vista.
Era o prédio da Guilda Seowon. Sua entrada estava escancarada, sem guarda, como se os convidasse a entrar.
Cha Eui Jae se virou para olhar para trás. Lee Sayoung, ainda com uma expressão descontente, assentiu quando os olhos deles se encontraram.
— Parece que querem que a gente entre.
Ao entrarem, um longo corredor reto se estendeu diante deles. No fim, um vislumbre de uma biblioteca cheia de livros apareceu. À medida que se aproximavam, o cheiro fresco de papel antigo e livros fez cócegas no nariz dele . Assim que Cha Eui Jae entrou e as botas pretas de Lee Sayoung tocaram o tapete vermelho atrás dele, uma voz ecoou por toda a biblioteca.
— Uma visita surpresa chegou.
Ao mesmo tempo, uma janela branca do sistema apareceu diante de seus olhos.
[Por favor, selecione a resposta correta em 5 segundos.]
[P. Nam Woo-jin: “Uma visita surpresa chegou.”]
1. Some daqui.
2. Cala a boca.
3. Morra.
4. Obrigado pela recepção calorosa.
[Escolher a resposta errada resultará em penalidade.]
[Penalidade: Redução do tempo de permanência.]
Que opções são essas!
“…Bom, a número 4 parece menos agressiva, né? Embora ainda seja um pouco sarcástica, não viemos aqui para arrumar briga.”
Cha Eui Jae, momentaneamente atônito com as opções grosseiras e inadequadas, começou rapidamente a pensar na resposta. Mas, antes que pudesse decidir, Lee Sayoung estendeu a mão sem hesitar e apertou a opção 2 com os dedos negros. Ele falou:
— Cala a boca.
— O quê?
[Você selecionou a resposta correta. Parabéns!]
“Cala a boca” era a resposta certa?
Cha Eui Jae arregalou os olhos, surpreso, e olhou de volta para Lee Sayoung. Os olhos deles se encontraram. Ele deu de ombros, como quem diz “Qual é o problema?”. Cha Eui Jae não pôde deixar de ficar impressionado.
— Você… tem um bom faro para isso, hein?
Seria por serem almas gêmeas? No entanto, Lee Sayoung parecia ter mordido algo amargo, o rosto contorcido numa careta. Sussurrou entre dentes cerrados.
— Não me diga que isso era para soar como elogio?
Era um elogio, sim. Lee Sayoung murmurou friamente:
— Irritante.
Que frio. Nisso, a biblioteca ecoou com uma risada clara e sonora.
— Ah, sim, sim. O que te traz aqui hoje? Não é uma inspeção agendada.
— Preciso de informação.
— Se é informação que você quer, deveria ir ao mercado de peixes.
— Não esse tipo de informação. Informação acadêmica. Sobre o sistema.
— Hmm… Não achei que você se interessasse por essas coisas. O que te deixou no clima de estudar hoje?
Um jaleco branco esvoaçou entre as estantes de livros. Nam Woo-jin, segurando um livro aberto numa mão, caminhou até parar ao lado dele. Mas não olhou para Cha Eui Jae . Era como se nem soubesse que Cha Eui Jae existia.
“Não pode ser…”
Ele não consegue me ver? Cha Eui Jae acenou a mão diante do rosto de Nam Woo-jin. Nam Woo-jin fechou calmamente o livro com um estalo. Ele só olhava para Lee Sayoung. Cha Eui Jae tentou agarrar o ombro de Nam Woo-jin.
Ou pelo menos achou que tentou.
Sua mão atravessou o corpo dele. Enquanto isso, Nam Woo-jin, com um sorriso satisfeito como um gato bem alimentado, enfiou o livro debaixo do braço. Seus olhos, queimados de branco, se curvaram num sorriso.
— Essa é uma boa atitude. Então, o que você quer saber?
— …
Cha Eui Jae, recolhendo a mão, sem perceber olhou para Lee Sayoung.
O rosto dele ficara frio e duro.
* * *
↫。。⛧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki