↫─☫ Episódio 181
𓆰𓆪 Episódio 181 𓆰𓆪: Frequência
Apenas com a força das coxas, seu corpo foi erguido bem alto no ar. Os pés que estavam firmemente plantados no chão agora pairavam. Ele estava acostumado a olhar as pessoas de cima, mas nunca assim. Surpreso, Cha Eui Jae pressionou a mão sobre o rosto de Lee Sayoung , tentando afastá-lo.
— Uma confissão? Do que você está falando? Ei! Você ficou louco? Sai de cima de mim!
No entanto…
Como se estivesse esperando por isso, algo úmido lambeu o espaço entre sua palma e seus dedos. Pelas frestas dos dedos abertos, ele vislumbrou olhos violeta. Finamente curvados, como se rissem divertidos. As pontas de seus dedos recuaram instintivamente. Uma estranha sensação de cócegas vibrou em torno de seu coração.
— Não me chama só de “ei”.
— Tira a língua!
— Foi você que colocou a mão no meu rosto primeiro.
— Você enfiou o rosto primeiro. Me solta, agora.
— Se você não tirar a mão assim…
Lee Sayoung inclinou levemente a cabeça e começou a mordiscar de leve a ponta do polegar dele . Droga. Cha Eui Jae apertou os olhos e recolheu rapidamente a mão. Uma risadinha baixa escapou. Toda vez que ouvia aquela risada, seu corpo inteiro formigava. Ainda bem que estava usando a máscara. Ele não conseguia nem imaginar como seu rosto descoberto estaria naquele momento.
Cha Eui Jae repreendeu com rispidez, sem motivo:
— Você faz toda essa encenação só para me ouvir dizer alguma coisa…
Mas ele não conseguiu terminar a frase. Mesmo que os olhos marejados fossem atuação, a visão de Lee Sayoung atravessara o coração de Cha Eui Jae como uma flecha.
— Adivinhar e supor só vai até certo ponto. Por quanto tempo você espera que eu fique esperando?
Intencionalmente ou não, era verdade que ele deixara Lee Sayoung esperando. A energia afiada rapidamente desapareceu, substituída por palavras mais suaves e contidas.
— …dizendo uma coisa dessas.
— É só porque eu preciso ir até esse ponto para fazer você falar.
A resposta de Lee Sayoung veio num tom casual. Ele deu alguns passos à frente, ainda mantendo Cha Eui Jae levemente suspenso. O quadril dele bateu num parapeito frio. Tentando evitar o olhar avassalador, ele se inclinou um pouco para trás, e a distância abaixo dele se abriu. Uma brisa fria roçou sua bochecha. Seu cabelo cinza-cinzento esvoaçou.
— É difícil fazer você responder, e mais difícil ainda ouvir o que você realmente pensa.
Sem os braços de Lee Sayoung segurando-o, parecia que ele poderia cair a qualquer momento.
— Você está acostumado a aguentar até o seu limite, sem motivo…
A mão que segurava sua cintura fez cócegas em seu flanco.
— Para fazer alguém tão calado falar… são necessárias pelo menos algumas lágrimas.
— …Eu não preciso disso.
Cha Eui Jae mal conseguiu pronunciar as palavras. Lee Sayoung se inclinou para frente. Seus corpos se pressionaram um contra o outro. Lee Sayoung apoiou a bochecha no peito de Cha Eui Jae , olhando para cima. O vento bagunçava seu cabelo escuro.
— Você ficou feliz?
— …
Em vez de responder, Cha Eui Jae apertou os olhos, desejando desesperadamente que seu coração parasse. Tinha certeza de que Lee Sayoung conseguia ouvir cada batida alta de seu coração.
— Vamos, responde.
— …
— Para que eu saiba… que valeu a pena esperar.
Cada vez que Cha Eui Jae respirava, seu peito subia e descia sutilmente, e Lee Sayoung sentia tudo. Era tão injusto. Ele estava coletando provas inegáveis.
Cha Eui Jae hesitou por um longo momento antes de finalmente abrir a boca.
— …Fiquei feliz.
Por que aquelas duas palavras eram tão difíceis de dizer?
Sua cabeça estava quente. O interior da máscara ardia. O som de seus batimentos era tão alto que o estava enlouquecendo.
Ele não queria ser pego, mas, ao mesmo tempo, queria. Queria que Lee Sayoung não soubesse, mas também que percebesse. Queria que o calor fosse embora, mas também que ficasse. Ironicamente, nem mesmo Cha Eui Jae conseguia entender completamente os próprios sentimentos.
Ah, que bagunça.
Cha Eui Jae ergueu os braços e cobriu os buracos dos olhos da máscara. Lee Sayoung riu baixinho, a bochecha ainda pressionada contra o peito de Cha Eui Jae . Ele ergueu o olhar e pressionou delicadamente a mão sobre o esterno dele , a voz cheia de riso.
— Por que você é tão barulhento? Até alguém dormindo acordaria.
Droga, ele nunca deixa nada passar. Cha Eui Jae cerrou os dentes e retrucou:
— Cala a boca…
— Quer que eu finja que não percebi? Mas eu simplesmente não consigo…
— Finge que não percebeu.
— Você sabe que seu pescoço está completamente vermelho, né?
— Não me importa, só cala a boca!
— Devo?
A resposta foi surpreendentemente obediente. O calor que vinha aquecendo o corpo de Cha Eui Jae também começou a se dissipar. O ar frio preencheu o espaço vazio. Ele achou que Lee Sayoung insistiria, mas… O que era aquilo? O que ele estava planejando? Cha Eui Jae baixou com cautela a mão que cobria os olhos. Lee Sayoung estava sorrindo.
— Eu esperei 8 anos. Posso esperar mais um pouco.
— …
— Mas ainda assim.
Naquele momento, dedos deslizaram por baixo da máscara. Com um clique, ela foi erguida e removida. O ar frio atingiu seu rosto corado e superaquecido, mas só por um instante—
— Mmph—!
A enxurrada de palavras que esperava para escapar de seus lábios foi engolida. Uma língua espessa invadiu sua boca, esfregando-se contra a dele. Era como estar sendo devorado. De todos os beijos que haviam compartilhado, aquele era o mais bruto. Seus lábios foram esmagados. Em algum lugar entre a doçura, ele sentiu o gosto metálico de sangue, provavelmente de ter mordido o lábio no momento em que se separaram brevemente.
Até o pequeno gemido que ele soltou entre os arquejos foi abafado pelo som úmido. Cha Eui Jae tentou empurrar os ombros de Lee Sayoung , mas aos poucos desistiu, deixando as mãos caírem sem força. Como se o elogiasse, a língua de Lee Sayoung acariciou delicadamente a carne sensível. O corpo de Cha Eui Jae tremeu. Seus olhos se encheram de calor. O beijo finalmente se desfez quando ele estava à beira da asfixia.
Suas pernas cederam, e seus pés tocaram o chão. Cha Eui Jae agarrou o parapeito e se inclinou para frente, tossindo com força. Cof, cof. Ele ergueu o olhar bruscamente para fuzilar Lee Sayoung .
Mas,
— Você…
— Hmm… foi bruto demais?
Lee Sayoung limpou os lábios com o polegar. Sangue escuro escorria de seus lábios inchados. Não era meu— eu o mordi? Quando? Eu nem estava pensando com clareza o bastante para perceber. Uma língua negra surgiu para lamber o sangue.
— Por mais que tenha sido bom.
— Lá vem você inventando coisas de novo. “Bom” uma ova…
— Então você odiou?
— …
— Você é péssimo mentiroso.
Quando Cha Eui Jae finalmente conseguiu ficar de pé, agarrado ao parapeito para se apoiar, Lee Sayoung deu uma risadinha. Seu corpo ainda estava superaquecido, mas ver sangue ajudou a clarear um pouco a cabeça. Cha Eui Jae pigarreou sem necessidade.
— Você tem uma poção? Anda logo e se cura.
— Hm? Não seria um desperdício?
— O quê? A poção? Você é rico. Gastou toneladas de cristais mágicos em máquinas estranhas…
— Não é a poção que eu estaria desperdiçando.
Lee Sayoung ergueu uma sobrancelha. Então, com o polegar com que vinha limpando os lábios, pressionou o ferimento. Mais sangue começou a escorrer. Cha Eui Jae ficou chocado. Ele tinha perdido o juízo? Ele ainda nem se recuperara do pesadelo em que Lee Sayoung implorara para ser estrangulado com mais força! Cha Eui Jae se apressou e agarrou o pulso dele.
— Você está louco? O que está fazendo!
— Hm? Vai sarar logo de qualquer jeito. Para que desperdiçar?
— Desperdiçar uma ova! Ferimentos têm que ser curados imediatamente…
Com um grito, Cha Eui Jae vasculhou o inventário. Mas tudo o que pegou foi a lança do artesão, uma presa de basilisco e… ah, ali estava. Ele ergueu um frasco.
O que ele tirou com toda a confiança foi:
[Poção de Cura Padrão (C)]
[Restaura 10% da vida ao ser usada.]
Era…
— …
— …hã?
O que é isto? Cha Eui Jae encarou a pequena poção, mal do tamanho de um dedo, com uma expressão perplexa, e então soltou um “ah” ao se lembrar.
Certo, ele ganhara aquilo de presente na época em que trabalhava meio período no restaurante de sopa de ressaca, depois que as pessoas descobriram que ele era um desperto. Era um daqueles itens da “Caixa de presente para os recém-despertos ♥” ou algo assim. Provavelmente daquele caçador que parecia um urso russo…
Espero que ele esteja bem.
— …
Enfim, Cha Eui Jae olhou da pequena poção vermelha para o gigantesco e negro Lee Sayoung . Uma poção de nível C e um desperto de nível S. A poção do tamanho de um dedo e o enorme Lee Sayoung , feito uma estátua. Observando suas ações, Lee Sayoung riu.
— Que fofo.
Droga. Cha Eui Jae fez uma careta. Lee Sayoung riu baixinho de novo e perguntou, divertido:
— Ah. Isso é mesmo uma poção de verdade, e não um mini acessório? Você realmente anda com isso?
Irritante. Memórias do pesadelo no restaurante de sopa de ressaca ressurgiram. Lee Sayoung sentado no meio do restaurante com uma máscara de gás, atrapalhando os negócios. Aparecendo tarde da noite só para importuná-lo. Lee Sayoung . Lee Sayoung . Os ombros de Cha Eui Jae tremeram de frustração.
— …Foi um presente.
— Ah… de quem?
— …De um cliente do restaurante de sopa de ressaca.
— Que presente precioso. Então… você vai usar isso em mim?
— …
Sem uma palavra, Cha Eui Jae abriu a poção. Com um estalo, a tampa saiu, e ele derramou o líquido vermelho e transparente na palma, deixando-o se acumular na concha da mão. Então ele…
Plaft!
— Argh!
…jogou-o na boca de Lee Sayoung e esfregou com força. Suas mãos ásperas arranharam os lábios feridos, fazendo Lee Sayoung fazer uma careta enquanto tentava virar o rosto, mas as mãos de Cha Eui Jae foram rápidas em segui-lo.
— Fica quieto. Isso faz parte do tratamento.
— Quem usa uma poção assim, argh, tão imprudentemente?!
— Era assim que a gente fazia antigamente!
— Ah, é? Então vai em frente! Como se isso fosse curar alguma coisa!
Depois de limpar os lábios de Lee Sayoung com a manga da jaqueta, Cha Eui Jae franziu a testa. O ferimento da mordida ainda estava lá, sem sinal de cura. Lee Sayoung , ainda com a careta, virou a cabeça com um suspiro.
— Com uma poção dessas, não vai sarar.
— Então o que se deve usar num ferimento assim?
— Uma mistura especial…
Nisso, ambos viraram a cabeça bruscamente. Um grito distante ecoou fracamente, seguido pelo choque de objetos afiados.
Rapidamente, Cha Eui Jae estendeu a mão. Lee Sayoung estalou a língua, mas lhe entregou a máscara. O rosto corado de Cha Eui Jae desapareceu atrás da máscara preta. Ele bateu a ponta da bota no chão e olhou para Lee Sayoung .
— Consegue acompanhar?
— Me testa. Eu te sigo até o inferno se for preciso.
Sempre com os comentários. Cha Eui Jae enfiou a mão no inventário de novo e tirou uma lança. Empunhando a arma enorme com uma mão, deu alguns pulinhos leves no lugar.
Bam!
Então impulsionou-se do chão, saltando alto. Fuuush! Cortando o ar, ele subiu ainda mais.
No breve momento em que esteve no ar, seus olhos sob a máscara ficaram de um azul intenso e penetrante.
O som viera do norte. Cha Eui Jae prendeu a respiração e aterrissou levemente num telhado próximo antes de saltar de novo. Os gritos ficavam mais próximos. E, finalmente, ele avistou algo em seu campo de visão. Cha Eui Jae respirou fundo, girou o tronco no ar—
Zás—
Tump! Tunc!
Ele empalou o alvo pelo pescoço ao aterrissar.
A poeira subiu numa nuvem espessa.
Ao arrancar a lança, a cabeça dilacerada rolou para longe, tombando de forma desajeitada por causa dos espinhos que se projetavam do rosto. Cha Eui Jae ergueu a cabeça com a lança para examiná-la, e…
Ele reconheceu o rosto. Sua mão tremeu.
— Por que…
Embora o rosto estivesse deformado e espinhos se projetassem por toda parte, ainda era reconhecível. Afinal…
“— Ouvi dizer que você despertou, rapaz do meio período. Aqui, um presente para você.”
Era o rosto do caçador urso russo que, tímido, lhe entregara a poção naquela época.
Um dia ele foi cliente do restaurante de sopa de ressaca.
↫。。⛧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki