↫─☫ Episódio 90
𓆰𓆪 Episódio 90𓆰𓆪: O Retorno
Cha Eui-jae franziu a testa, mas Lee Sayoung não mostrou intenção de parar seu discurso ou se mover.
— Vamos terminar essa conversa antes de seguirmos. Temos um pouco de tempo, não temos?
Sem se dar ao trabalho de responder, Cha Eui-jae escaneou seus arredores. Graças aos golems que havia destruído, não havia mais presenças por perto. Cha Eui-jae apoiou o bastão no ombro e acenou.
— Pode falar.
— Qual é seu emprego atual, Hyung?
— O quê?
A pergunta veio do nada, e Cha Eui-jae escrutinou o rosto de Lee Sayoung, esperando alguma besteira. Contudo, o rosto delicado de Lee Sayoung não mostrava emoção enquanto ele calmamente encarava Cha Eui-jae. Ele pressionou.
— Responda. O que você faz pra viver?
— Ah… agora mesmo… Estou trabalhando de meio período num restaurante de sopa para ressaca.
Cha Eui-jae respondeu relutantemente. Os lábios de Lee Sayoung se torceram como se estivesse esperando por essa resposta.
— E qual você acha que é o meu emprego?
— …Um caçador?
— Certo. Então quem você acha que deveria derrubar o senhor da masmorra, um caçador ou um trabalhador de meio período num restaurante de sopa para ressaca?
— Você está zombando de mim?
— Claro que não.
Uma intensidade estranha cintilou nos olhos violeta pálidos de Lee Sayoung.
— Eu não queria falar assim… mas alguém fica agindo como se estivesse sozinho. Não consigo evitar.
— …
— Por mais fraco que Jung Bin seja contra monstros, ele é forte o suficiente para se virar. E eu também posso lutar…
Lee Sayoung riu brevemente, então colocou as luvas e deu um passo à frente. Ele estendeu a mão e envolveu sua mão enluvada sobre a mão de Cha Eui-jae, que segurava o bastão. Lee Sayoung se inclinou e sussurrou.
— Não há necessidade de um trabalhador de meio período com mãos trêmulas salvar todo mundo e derrubar o senhor da masmorra sozinho.
Ele devia ter notado as mãos trêmulas de Cha Eui-jae quando se encontraram pela primeira vez na masmorra. A ansiedade que havia corroído o coração dele já havia desaparecido, graças ao homem à sua frente. Mas Cha Eui-jae não respondeu. O polegar enluvado de Lee Sayoung roçou o dorso da mão de Cha Eui-jae e depois se retirou. Lee Sayoung deu um passo para trás, inclinando a cabeça como se nada tivesse acontecido.
— Você uma vez me disse que queria viver silenciosamente.
— Disse.
— Não perguntei por quê na época. Talvez eu devesse ter… porque suas ações dizem o contrário.
Lee Sayoung murmurou suavemente, piscando lentamente.
— Você realmente quer viver silenciosamente, Hyung?
Cha Eui-jae parecia se lembrar de ter feito essa promessa a alguém, de viver silenciosamente. Quem era essa pessoa, contudo, estava embaçado como se velado por névoa. Mas uma coisa estava clara. Cha Eui-jae respondeu brevemente.
— Não sei.
— Você não sabe?
— Você está enganado se acha que viver silenciosamente e salvar pessoas são mutuamente exclusivos.
Lee Sayoung franziu a testa. Cha Eui-jae não evitou o olhar turbulento dos dois olhos que o encaravam.
Viver silenciosamente era um desejo que alguém tinha para Cha Eui-jae, e salvar pessoas era algo que Cha Eui-jae podia fazer. Houve momentos em que o que ele podia fazer se tornou o que ele tinha que fazer. Mas…
— Por que alguém precisaria de uma razão para salvar pessoas?
Por que salvar pessoas? Por que eu deveria me sacrificar? Cha Eui-jae havia há muito resolvido essas questões. O desejo de viver silenciosamente, as mãos trêmulas e o estômago revirando sempre que entrava numa masmorra ou fenda, eram irrelevantes diante de salvar vidas. A coisa mais importante era a vida humana. Perder alguém que ele podia salvar por causa de hesitação era a coisa mais tola. E…
“Esta masmorra é minha responsabilidade.”
Engolindo suas palavras, Cha Eui-jae deu um passo para mais perto de Lee Sayoung.
— E eu te disse, fiz um julgamento racional. Jung Bin é fraco demais contra monstros para ser de qualquer ajuda. E você, claro, com suas habilidades de veneno, você pode conseguir derreter o senhor da masmorra se for um golem.
— …
— Mas sendo um senhor de masmorra de grau S+, levaria muito tempo. Enquanto isso, seria mais rápido derrubá-lo juntos, como fizemos antes.
— …
— E a razão pela qual eu quero me juntar a Jung Bin é… tem outros aqui dentro. Precisamos salvá-los.
— …Ha.
Lee Sayoung ergueu as sobrancelhas enquanto ouvia. Cha Eui-jae agora conseguia interpretar perfeitamente todas as expressões de Lee Sayoung. Esta significava “Finalmente, você está me contando.” Suspirando brevemente, ele perguntou.
— Quem mais está aqui além de você?
— Hong Ye-seong. E mais uma pessoa.
— …
Cílios longos tremularam como se mastigasse as palavras. Finalmente, os olhos de Lee Sayoung se torceram levemente.
— Por que aquele cara está aqui? E quem é a outra?
— Ele veio procurando uma pedra mágica.
— Merda, só dá aquela coisa de merda para ele e corta relações.
— Eu tentei, mas houve circunstâncias inevitáveis… enfim.
Limpando a garganta, Cha Eui-jae deu uma olhada de lado para Lee Sayoung. Ao mencionar Hong Ye-seong, o rosto dele se torceu. Droga, Hong Ye-seong não ia ser de nenhuma ajuda. Era hora de mudar o clima. Cha Eui-jae cutucou o braço de Lee Sayoung e soltou uma piada.
— Se você está preocupado, diga. Não seja um babaca sobre isso.
— …
Mudança de clima? Não, uma crise iminente. Um silêncio terrível se seguiu.
“Merda, o que deu errado?”
Cha Eui-jae congelou, olhando para o rosto delicado de Lee Sayoung, agora envolto numa sombra escura. Essa não era a reação que ele esperava. Em sua mente, Lee Sayoung deveria ter imediatamente retrucado com algo como:
“Preocupado? Quem com quem?”
“Você está louco?”
“De jeito nenhum.”
“Você está cego…”
Mas em vez disso, o rosto de Lee Sayoung havia ficado pálido, seus lábios carnudos firmemente fechados. Cha Eui-jae retirou o dedo do braço dele e perguntou relutantemente.
— …Você estava mesmo preocupado?
— Por quê?
Os lábios carnudos se abriram.
— Isso é um problema?
Essa foi uma réplica completamente inesperada. Lee Sayoung torceu os lábios num sorriso.
— Por que você está tão surpreso?
— …
— E se eu dissesse que estive esperando por você?
Inúmeras palavras vieram à tona e afundaram, escritas e apagadas repetidamente. Quando Cha Eui-jae finalmente abriu a boca para dizer a palavra final que restava…
Eles se sobressaltaram e olharam numa direção. O ar rasgou-se agudamente.
Kwoooaang—!!
Uma tempestade de cinza feroz se levantou. Cha Eui-jae protegeu a nuca de Lee Sayoung, puxando-o para perto e prendendo a respiração. Simultaneamente, um braço forte envolveu suas costas e cintura. Depois que a tempestade se acalmou, Cha Eui-jae examinou os arredores. Uma entidade massiva se movia lentamente na fonte do som. Cada movimento sacudia a masmorra inteira. Aquele devia ser o senhor da masmorra. Cha Eui-jae piscou os olhos abrindo e fechando.
<Olho do Rastreador!>
Por que pressentimentos sinistros sempre acertavam em cheio?
Mordendo o lábio, Cha Eui-jae bateu no ombro de Lee Sayoung.
— Ali, onde Jung Bin está.
— …Ha.
Lee Sayoung riu amargamente, liberando o braço que havia enrolado ao redor de Cha Eui-jae. Seus olhares se encontraram por um momento. Eles começaram a correr simultaneamente.
Enquanto se moviam, um golem enorme ficou mais claro em meio à cinza branca. Era um golem gigante, de pé sobre quatro pernas como um cachorro, tão enorme que sua cabeça nem era visível.
Gwoooo…
O golem soltou um longo uivo, enviando arrepios por suas espinhas. Eles estavam agora na sombra lançada pelo corpo massivo do golem.
— …Tsk.
Lee Sayoung estalou a língua. O julgamento de Cha Eui-jae havia sido correto. Derreter algo daquele tamanho envenenaria todos os outros, exceto Lee Sayoung. Seria uma inútil batalha de atrito. Estalando os nós dos dedos, Lee Sayoung encarou o golem. Não havia escolha a não ser quebrá-lo pedaço por pedaço. Suas mãos se estilhaçariam primeiro, mas com poções, não seria um problema. Naquele momento, Cha Eui-jae, que estava correndo, murmurou.
— Lá estão eles.
No fim do olhar azul de Cha Eui-jae, um espaço retangular transparente com uma borda dourada brilhava. Dentro, um suado Hong Ye-seong segurava um escudo, com Jung Bin desabado e uma garota o amparando. Parecia que eles também os haviam notado. A voz gemente de Hong Ye-seong chegou até eles.
— Ugh, merda, estamos salvos…
— Cuidado!
A garota gritou. Cha Eui-jae ergueu a cabeça. Uma mão gigante voava em direção a eles. Lee Sayoung estendeu a mão pra agarrar Cha Eui-jae. Contudo, Cha Eui-jae o empurrou em vez de agarrar sua mão. Os olhos de Lee Sayoung se arregalaram. Cha Eui-jae estava…
Sorrindo.
Os olhos de Lee Sayoung se arregalaram, e ele abriu a boca para dizer algo. Mas as palavras não saíram. Lee Sayoung se viu perto do escudo que Hong Ye-seong havia criado. Hong Ye-seong cerrou os dentes e gritou.
— Estudante, traga Lee Sayoung para dentro!
— Sim!
A garota agarrou o braço de Lee Sayoung e o puxou para dentro do espaço dourado. Bem quando Lee Sayoung se levantava, algo o prendeu. Era um laço preto. Lee Sayoung rosnou ferozmente.
— Merda, me solta agora mesmo.
— O que você vai fazer se sair lá pra fora? Você não vê Jung Bin?
Hong Ye-seong gritou, respirando pesadamente. Só então Lee Sayoung olhou pra baixo. Jung Bin estava deitado ali em farrapos. Só seu peito fracamente arfante provava que ele estava vivo.
* * *
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↫。。⛧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna,Flower&Yuki
⚠️ Aviso: Todos os fatos, personagens e situações retratados nesta obra são inteiramente fictícios. Não contendo nenhuma relação com a realidade.⚠️