↫─☫ Episódio 22
↫─☫ Episódio 22: Efeito Borboleta
Você ouviu tudo?
Num breve momento, incontáveis pensamentos passaram por sua mente. Devo fingir que não sei e simplesmente fugir? Mas ele havia feito contato visual com Lee Sayoung. Ele, apoiando o queixo na mão, encarava abertamente Cha Eui-jae. Ignorando Jung Bin, que estava sentado bem à sua frente, a atitude descarada de Lee Sayoung fez Cha Eui-jae querer colocar a máscara de gás nele ao contrário. Assim ele não conseguiria ver nada.
Cha Eui-jae havia invadido o espaço que Jung Bin separara com um item, então dessa vez, ele era o convidado indesejado. Se agisse de forma imprudente, poderia atrair a atenção de Jung Bin em vez disso.
Felizmente, ele tinha uma boa desculpa… Sopa de ressaca! Cha Eui-jae havia esquecido disso temporariamente enquanto bisbilhotava a conversa interessante, mas como funcionário meio período do restaurante de sopa de ressaca, tinha a obrigação de servir sopa de ressaca a esses dois clientes problemáticos.
Cha Eui-jae se levantou devagar, observando as reações de Jung Bin. Ergueu os dois dedos médios em direção a Lee Sayoung e articulou silenciosamente com a boca.
“Vai se ferrar.”
Então naturalmente se virou e foi para a cozinha. Ouviu uma risadinha bem baixinha. A voz confusa de Jung Bin se seguiu.
— Lee Sayoung-ssi?
— Não, não é nada. A possibilidade de outra pessoa não registrada?
— Já que o leilão de equipamentos do Hong Ye-seong-ssi está chegando, algumas pessoas podem ter entrado no país. Mas ninguém habilidoso causaria esse tipo de alvoroço. Viriam e iriam silenciosamente.
Jung Bin respondeu com firmeza. Ele parecia pensar que o culpado desse incidente era um amador que havia acabado de despertar recentemente, um novato ignorante. Cha Eui-jae, que se tornara um “amador, novato, tolo ignorante” do nada, se sentiu injustiçado. A informação não se espalhava tão rápido assim quando ele estava ativo. Uma voz lânguida sugeriu outra possibilidade.
— Tem um grau S que despertou há alguns meses. Que tal esse?
Já havia três graus S ali, e mais um havia despertado? Por que havia tantos graus S nesse país pequeno? Parecia que a Coreia conseguiria manter sua segurança perfeitamente bem sem ele. Depois de um breve silêncio, Jung Bin respondeu sombriamente.
— Essa pessoa é… como o senhor sabe, ainda é menor de idade, e provavelmente não tem tempo para esse tipo de coisa. Ela também não é caçadora de combate.
— Ah, ela está no último ano do ensino médio, né.
— Sim. Está se preparando para o exame de admissão à faculdade. Ela provavelmente preferiria estudar uma passagem extra no livro de preparação para o exame do que entrar numa fenda.
— Bem… se você diz.
Cha Eui-jae ouvia com atenção enquanto colocava a sopa de ressaca finalizada numa bandeja. Será que Lee Sayoung revelaria tudo? Uma parte dele começou a ficar um pouco ansiosa.
Se ele admitisse que o dono da pedra mágica era a mesma pessoa não registrada que havia conhecido. E se ele revelasse que a pessoa não registrada era Cha Eui-jae.
Se ele perdesse essa vida pacífica que havia mal conseguido obter.
A bandeja em sua mão foi apertada com mais força. Naquele momento, Lee Sayoung falou devagar.
— Eu ainda não o encontrei também.
Um comentário leve que fez a prontidão aguçada de Cha Eui-jae parecer inútil. Ele olhou para o salão com os olhos arregalados. A voz de Jung Bin se seguiu com um tom decepcionado.
— Se até o Lee Sayoung-ssi ainda não o encontrou….
— Bem… pode ser uma isca armada por alguns tipos suspeitos.
— Não podemos descartar essa possibilidade também.
Enquanto Jung Bin assentia em concordância, Lee Sayoung gesticulou em direção ao ar com o queixo.
— Já que a conversa terminou, que tal cuidarmos disso primeiro?
— Vamos fazer isso. Continuar conversando… não parece apropriado para um restaurante de sopa de ressaca.
Com um estalar de dedos, Cha Eui-jae também saiu da cozinha com a bandeja. Vendo os caçadores olhando de relance para eles e sussurrando, parecia que o item fora liberado. Cha Eui-jae se aproximou num ritmo moderado e colocou as tigelas na mesa.
— Duas sopas de ressaca estão prontas.
— Ah, obrigado.
Jung Bin agradeceu educadamente e pegou uma colher. Cha Eui-jae olhou de relance para Lee Sayoung. Lee Sayoung estava ignorando completamente Cha Eui-jae, como se não tivesse acabado de falar com ele.
***
— Obrigado pela refeição.
— …Sim, obrigado.
“Se terminaram de comer, é só ir embora.” Cha Eui-jae segurou suas palavras enquanto observava os caçadores saindo em grupo. Enquanto contava o dinheiro, Jung Bin, que estava olhando os autógrafos na parede, perguntou.
— Essas são assinaturas de clientes habituais?
— Hã? Ah, sim.
— Hmm…
A maioria era de pessoas que vinham ali quase todo dia, então podiam ser consideradas clientes habituais. Enquanto Cha Eui-jae assentia, Jung Bin sorriu.
— Haha, me pergunto quantas vezes eu teria que vir para conseguir minha assinatura lá em cima. Acho que vou precisar visitar com frequência.
Não, não venha. Nunca mais volte.
Soou como uma conversa fiada educada, mas Cha Eui-jae esperava que ele não voltasse. Rezou sinceramente enquanto via Jung Bin partir. Lee Sayoung também havia desaparecido em algum momento sem fazer nenhum som. Só depois que os dois graus S foram embora, a paz voltou à loja e ao coração de Cha Eui-jae.
Foi quando ele estava enchendo a pia com água depois de terminar o negócio do dia, usando luvas de borracha rosa. Encostado na pia, ouvindo o som da água, ele ouviu um som fraco. Era tão pequeno que Cha Eui-jae mal conseguia ouvir mesmo com sua audição aguçada. Então, o som começou a ser ouvido regularmente: toc, toc, toc. Ele fechou a torneira e espiou ao redor para encontrar a fonte do som.
Uma máscara de gás estava batendo na porta de vidro de correr com a ponta do dedo.
Se essa fosse uma cena de um filme de desastre ou terror B, o protagonista gritaria, mas para Cha Eui-jae, parecia um cliente irritante interrompendo seu horário de fechamento. Em vez de gritar, ele respondeu alto o suficiente para que a voz fosse ouvida do lado de fora da porta.
— Estamos fechados—
A máscara de gás também encostou a testa no vidro e respondeu brevemente.
— Preciso falar com você.
— Eu disse que estamos fechados.
— É melhor você me escutar, a menos que queira ver o Jung Bin de novo amanhã.
Diante das palavras meio ameaçadoras, Cha Eui-jae correu até a porta e agarrou a maçaneta com a mão enluvada de borracha. Já que agora eram só os dois, não havia nada a esconder. Seus olhos queimaram intensamente enquanto olhava para a máscara de gás.
— Foi você?
Você chamou o Jung Bin aqui? A voz indiferente veio através da fresta da porta.
— Por que seria eu?
— …
— Se você olhar bem, é você quem o chamou aqui.
— Eu claramente ouvi você dizer que estava procurando alguém.
Quando Cha Eui-jae retrucou com uma expressão perplexa, Lee Sa-young respondeu como se fosse óbvio.
— Se você não tivesse jogado uma bomba nuclear no Mercado Tomato, ele não teria vindo aqui.
— Do que você está falando? O que o Mercado Tomato tem a ver comigo?
A máscara de gás encarou diretamente Cha Eui-jae através do vidro.
— Você não entende a gravidade da situação?
— Não sei do que você está falando.
Cha Eui-jae decidiu continuar fingindo não saber. As luvas pretas pararam de bater no vidro.
— Tudo bem. Quem quer que venha, continue fingindo que não sabe de nada. É isso que você deveria fazer.
— …
— Se você não vai abrir a porta, devo simplesmente derreter isso?
— Tente. Vou te denunciar às autoridades imediatamente.
— Por que você continua procurando o Jung Bin… Eu estou bem aqui na sua frente.
Foi uma ameaça de alto nível, implicando que ele chamaria Jung Bin imediatamente se Cha Eui-jae não abrisse a porta. Ele acabou abrindo a porta. Não podia deixar Jung Bin voltar depois de finalmente tê-lo mandado embora. Assim que Lee Sayoung entrou, ele tirou a máscara de gás e ajeitou o cabelo para trás com os dedos.
— Eles vão continuar vindo. Esse tipo de gente.
Lee Sayoung, que acabara de chamar Jung Bin, o caçador servidor público de grau S classificado em 3º lugar da Coreia, de “esse tipo de gente”, colocou uma bala de hortelã na boca. Suas bochechas pálidas se inflaram no formato da bala. Lee Sayoung tinha um talento inquietante para dizer coisas terríveis com naturalidade. Cha Eui-jae estremeceu.
— Não diga coisas tão horríveis assim.
— Então por que você postou no Mercado Tomato? Deveria ter postado no Second-hand ou no Thunder Market.
Lee Sayoung continuou sua repreensão disfarçada de conselho enquanto se sentava numa cadeira.
— De todos os lugares, você postou no Mercado Tomato, onde a área é especificada, causando essa bagunça.
— Já disse, não fui eu.
— Certo, então. A pessoa maluca que colocou a pedra mágica no Mercado Tomato.
— Cuidado com o que fala. Ela provavelmente não sabia de nada melhor.
— Todos os caçadores que conheço instalaram o Mercado Tomato agora. Muitos estão tentando rastrear o dono da pedra mágica.
— …
— Estava praticamente dando de graça, e você postou no Mercado Tomato com a área verificada. Parecia que você queria anunciar sua localização.
— …Essa pessoa provavelmente se arrepende agora.
— Sério? Não pareceu nada assim.
Lee Sayoung não recuou nem um pouco. Até parecia levemente incomodado por algum motivo. Mas já que esse incidente era claramente culpa de Cha Eui-jae, ele não podia mandar Lee Sayoung calar a boca.
Momentos atrás, Cha Eui-jae estivera pensando em incontáveis formas de afugentar o convidado indesejado, mas agora mudou de ideia.
Atualmente, a única pessoa que sabia que Cha Eui-jae estava escondendo sua força era Lee Sayoung. Em outras palavras, a única pessoa que poderia ajudar a manter a vida tranquila de Cha Eui-jae era Lee Sayoung. Já que as coisas já estavam uma bagunça, por que não usar o poder de informação do número 1? Afinal, esse cara era um caçador ativo.
Cha Eui-jae juntou as mãos e, com uma polidez incomum, chamou Lee Sayoung.
— Lee Sayoung-ssi.
— O que deu em você, usando formalidades de repente? Você já comeu pelo menos cinco mil refeições a mais que eu.
Seu rancor era impressionantemente duradouro. Cha Eui-jae decidiu abandonar a fala formal imediatamente.
— Cala a boca. De qualquer forma, preciso de um conselho.
— Hm…
— Tem um amigo meu que cometeu um grande erro…
Lee Sayoung o encarava com uma expressão aparentemente séria, ouvindo a história. Se ele estava realmente prestando atenção ou apenas fingindo, Cha Eui-jae não tinha certeza. Ele continuou com os pontos mais cruciais.
— Ele não sabia que era um grande erro.
— Sim.
— E ele não achou que fosse escalar tanto assim.
— Coitado.
Lee Sayoung ofereceu uma simpatia que soou completamente insincera.
— A propósito, Hyung, você tem amigos mesmo?
— Tenho. O que você sabe?
Quando Cha Eui-jae sacudiu o punho no ar, Lee Sayoung mimicou fechar a boca com um zíper. Então, juntando as mãos e apoiando o queixo nelas, sorriu com os olhos. Seu rosto elegante estava repleto do tipo de curiosidade travessa que se poderia ter por um brinquedo interessante.
Embora fosse uma mentira óbvia, Lee Sayoung parecia sinalizar que iria seguir o jogo. Cha Eui-jae, correspondendo às suas expectativas, continuou sem-vergonha.
— Parece que o erro foi maior do que ele pensava. Todo tipo de gente está zunindo ao redor dele.
— Que pena.
— Mas esse amigo quer consertar seu erro da forma mais silenciosa possível. Sem que ninguém saiba.
— Por quê?
Seus olhares se encontraram. Encarando o rosto travesso de Lee Sayoung, Cha Eui-jae respondeu.
— Porque ele quer viver tranquilamente.
— Ah…
— …
— Quer viver tranquilamente, é.
Depois de um breve silêncio, Lee Sayoung mordeu sua bala com um estalo e riu suavemente.
— Eu realmente gosto disso.
Lee Sayoung se levantou silenciosamente e juntou as mãos atrás das costas. Sua sombra longa parecia engolir Cha Eui-jae. Sussurrando como um encantamento, sua voz grave alcançou Cha Eui-jae.
— Vamos fazer um acordo.
— …
— Eu vou limpar a bagunça que você fez.
O sujeito havia sutilmente voltado de “amigo” para Cha Eui-jae, mas Cha Eui-jae não se deu ao trabalho de corrigi-lo.
— Não vai ser de graça.
— Claro. É um acordo.
— O que você quer?
Olhando para o rosto de Lee Sayoung de seu ponto de vista invertido, Cha Eui-jae não tinha ideia de que condição esse maluco poderia propor. Talvez ele pedisse ajuda com uma tarefa, assistência em invasões de masmorra, ou até que Cha Eui-jae se juntasse à sua guilda.
Dado o rosto intricadamente esculpido, as condições provavelmente seriam igualmente precisas e potencialmente terríveis. No pior cenário, Lee Sayoung poderia pedir para ele matar alguém. Se chegasse a isso, Cha Eui-jae não teria escolha a não ser recusar e procurar outra solução.
No entanto, a proposta de Lee Sayoung foi inesperada. Ele ergueu um dedo e falou.
— Uma pessoa que é desconhecida.
— …
— Uma pessoa cuja existência ninguém conhece.
Lee Sayoung sorriu angelicalmente.
— Eu quero você, Hyung.
* * *
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna