༺༒︎ Capítulo 3.2
↫─⚜️ Capítulo 3.2
Enquanto os quadris de Alexei tremiam, Valeri o empurrou para trás. As mãos que vinham prendendo Valeri já haviam sido soltas há muito tempo, mas em vez de fugir, Valeri pressionou Alexei para baixo, mudando suas posições. Agarrando rudemente os tornozelos dele, que convulsionava e sentia o prazer de gozar como um Ômega, Valeri pressionou Alexei para baixo sem puxar o pênis para fora.
No momento em que foi deitado, o pênis mergulhou fundo. As paredes internas sensíveis respingaram e derramaram fluido. Em uma inundação de sensações em que ele não conseguia distinguir entre dor e prazer, Alexei torceu os quadris.
— Lerusha, espere, ah, heuk, eut, ah!
A voz suave escondida dentro do exterior duro não conseguiu parar Valeri. Em vez disso, estimulou-o. Como uma fera surda à razão, Valeri segurava seus tornozelos como se fosse quebrá-los, abriu-os e começou a estocar. A cama rangia tão alto que não seria estranho se tivesse desabado.
— Ha, hua, ah, demais… keuk, ah…!
Embora ele tivesse começado isso, a situação atual parecia estranha. A situação em que seu pequeno Valeri estava sobre ele, pressionando-o para baixo, parecia tão bizarra que ele segurou os ombros dele com força. Mas não era um movimento para subjugá-lo como antes. Enquanto Alexei vacilava, claramente incapaz de encontrar seu rumo, Valeri se enterrou até o talo. Conforme a cabeça de seu pênis raspava a próstata, o movimento de suas mãos mudou.
— Mais…!
Neste momento, nada mais importava. Alexei, sem empurrá-lo ou xingá-lo, abraçou firmemente os ombros de Valeri que o devorava. Nenhum dos dois empurrou o outro para longe. Aquele único fato coloriu sua mente, e Alexei decidiu, de bom grado, afogar-se por completo nessa loucura.
O vento roçou sua bochecha levemente. Com as pálpebras tremendo, Alexei passou a mão pela bochecha. Era uma sensação familiar. Uma sensação que parecia estar enterrada e desaparecendo sob as areias da memória, mas que emergia claramente com apenas um leve *huu* de respiração.
Um tênue sorriso se desenhou em seus lábios. Em uma manhã em que ele havia dormido até tarde depois de cuidar de Igor a noite toda, a criança que havia se esgueirado furtivamente estaria soprando pequenas baforadas de ar em sua bochecha. Quando ouvia uma voz suplicante sussurrar “Alyoshaaa” em seu ouvido, Alexei propositalmente mantinha os olhos fechados e esperava. Então ele se sentava de repente e fazia cócegas em Lerusha, e ele amava tanto o som de sua risada.
Alexei esperou por aquele sussurro. Mas não havia som algum para ser ouvido em seu ouvido. Em vez disso, um floco de neve levado pelo vento pousou gélido em sua testa. Abriu os olhos, sobressaltado pelo frio. Ele devia ter dormido sem fechar a janela completamente.
Em sua visão turva e rígida, ele viu cabelos loiros. Um ouro criado ao engarrafar a camada mais quente da luz do sol em um pote de vidro e esculpi-lo, fio por fio. No mundo de Alexei, havia apenas uma cor assim.
Não havia sussurro, mas Valeri estava ao seu lado.
Abrir os olhos e ver Valeri ali era algo de um passado tão distante que ele prendeu a respiração e estudou o rosto de Valeri. Não era apenas isso. Estar frente a frente por mais do que alguns minutos, sem erguer a voz no mesmo espaço, eram todas coisas que existiam apenas em memórias cobertas de poeira.
Alexei gravou lentamente essa cena em seus olhos. Ele se perguntou se o rosto pacificamente adormecido que coloria suas córneas era um sonho. Havia apenas uma maneira de checar. Alexei estendeu o dedo e o colocou sob a ponte reta do nariz. Ele sentiu as baforadas suaves e uniformes sendo exaladas.
*Ele é bonito.*
Ele já sabia, mas ver o rosto tranquilo de Valeri tão de perto parecia diferente. Ele traçou as feições elegantes com a mão. Conforme sua consciência retornava, os acontecimentos do dia anterior começaram a inundar sua mente. A cena que parecia distante como a história de outra pessoa se tornou real quando seu corpo, com seus sentidos retornando, começou a se queixar de uma dor surda na parte inferior do corpo.
Seus quadris doíam. Era porque ele havia sido estocado, fodido e revirado ao ponto de se perguntar se conseguiria sequer se levantar. Cada vez que Valeri fazia um movimento com os quadris, seu crânio zumbia. Ele estava confiante de que era mais forte que Valeri em termos de força bruta, mas pelo menos nesse quesito, Alexei não tinha confiança em acompanhar Valeri. Ele havia sido fodido tão brutalmente que fez seu crânio zumbir. Tanto que o orifício do Ômega, apesar de estar molhado e escorregadio, estava vermelho, inchado e ardendo.
Sua garganta também estava rouca de tanto gemer. Quando ele engolia sua saliva em silêncio, sua garganta parecia em carne viva. Não era apenas de gemer. Provavelmente também era por ter lambido e engolido o membro de Valeri incontáveis vezes.
Parecia estranho.
Agora que estava um pouco mais lúcido, toda essa situação parecia ter acontecido com outra pessoa. A própria decisão de fazer isso para salvar o garoto que ele havia criado como irmão a vida inteira era um drama em si. O primeiro ato de uma peça mais irreal do que um balé.
Culpa e uma emoção estranha giravam e se misturavam. Ele se sentia um pouco enjoado e, ao mesmo tempo, não odiava este momento. Porque ele não havia previsto o bônus de poder ver Valeri assim.
Além disso…
O pensamento de que ele havia testemunhado todas as primeiras vezes de seu irmão veio à mente. O momento em que os dentes de leite de Valeri caíram, seu primeiro dia de aula, seu riso, suas lágrimas e até mesmo seu primeiro Rut. O último era algo que ele nunca havia imaginado, mas agora que havia feito, não era tão ruim. Em todo caso, Valeri era uma foda boa pra caralho. Se era um dom natural ou um talento de bailarino, ele não sabia, mas era sua primeira vez fazendo sexo por trás, e ele havia perdido a cabeça de prazer várias vezes.
Enquanto ele continuava calmamente esses pensamentos, seus olhos se encontraram.
Olhos verdes, que ele não sabia havia quanto tempo estavam abertos, o observavam. Sob os cílios longos e macios, os olhos verdes eram como um bosque tranquilo. Alexei ficou momentaneamente sem palavras, encarando o verde bem na sua frente. Prevendo que o bosque tranquilo logo se tornaria uma floresta negra encharcada pela chuva.
— Dormiu bem, coisinha bonita?
*Ele não vai ficar quieto de qualquer maneira, então é melhor eu chamá-lo assim antes de levar uma bronca*, pensou Alexei, erguendo apenas os cantos da boca. O rosto, ainda ruborizado com a languidez do sono e o calor não resolvido do Rut, endureceu lentamente. Os olhos verdes aprofundados se arregalaram, e Valeri se levantou violentamente. Saiu da cama aos tropeços e recuou.
— …O que é…
Seu tom rachado e rouco era sexy. Alexei pensou nisso ociosamente enquanto também se sentava. Como esperado, ele não tinha sensação abaixo da cintura. Conforme ele flexionava e movia os tornozelos, uma dor surda subia lentamente.
— …O que, é, isso, o que…
Como uma pessoa que havia perdido a capacidade de falar, Valeri repetia as mesmas palavras. O horror que gradualmente coloria seu rosto também era semelhante ao medo. Como eram dois galhos da mesma raiz, praticamente não havia diferença. Não era exatamente um começo romântico para a manhã seguinte a um primeiro Rut.
— O que… você fez?
Valeri não esperou por uma resposta. Soltando sons de arfagem como uma pessoa em pânico, ele logo recuou contra a parede. Seu peito arfante estava manchado com as marcas que Alexei havia deixado durante a noite. Marcas de mordidas de onde ele havia afundado seus caninos estavam em seu pescoço e ombros. Na época, fora um ato feito em um estado de loucura, mas vendo agora, parecia estranho para ele também.
Valeri, com o rosto pálido, fez uma careta profunda. Ele podia ver algo tremendo como se estivesse prestes a subir por seus lábios trêmulos. Depois de arfar assim por alguns segundos, Valeri cambaleou para fora do quarto e correu direto para o banheiro.
Pouco depois, ouviu-se o som dele vomitando. Escutando o som vindo através da parede, Alexei ficou apenas com o rastro de um sorriso. Seu rosto agora quase desprovido de sorriso, ele saiu da cama. O frio subindo das solas dos pés era de arrepiar. Embora o quarto estivesse quente o suficiente para ferver na noite anterior.
Alexei pensou no que dizer. As palavras *você gostou* eram lixo até para os seus próprios padrões, então ele pularia isso. Teria de se apoiar no fato de que o que estava feito estava feito. Conforme caminhava para o banheiro, viu Valeri, com a porta aberta, agarrado ao vaso sanitário. Observou as costas dele, de onde só vinha o som de ácido estomacal sendo expelido. As escápulas longas e bem desenhadas estavam tensionadas e erguidas.
— Está tudo bem, Lerusha.
Assim que ouviu essas palavras, Valeri virou o corpo, fuzilando-o com o olhar. Um rosto misturado com raiva, desespero, choque, confusão, todas essas coisas negativas, encarava-o com ressentimento. Limpando os lábios vermelhos e brilhantes com as costas da mão, ele permaneceu em silêncio. Depois de alguns segundos arfando e se contorcendo, Valeri entreabriu os lábios.
— Você tem a audácia… de dizer coisas tão nojentas.
O tremor em sua voz ainda mostrava claramente os rastros de seu choque não processado.
— O que você fez foi um estupro, então o que é que está bem nisso?
— Eu sei.
À palavra estupro, Alexei encostou o corpo no batente retangular e branco da porta.
— Eu sou um criminoso, Lerusha. Isso não é novidade.
Um criminoso não pode fazer nada a não ser cometer crimes por quem ama. Porque isso é tudo o que ele cresceu vendo.
— Foi você quem não me soltou e continuou me fodendo depois, mas eu sei que foi estupro. Mas eu te disse repetidamente. Você precisa de um Ômega.
Alexei, inclinando-se em ângulo, apontou para o próprio corpo refletido no espelho. Marcas de onde Valeri o havia mordido e chupado estavam densas em sua pele branca. A área ao redor de seu peito firme estava coberta de marcas de dentes. Sua cintura estava cheia de hematomas amarelos e esverdeados no formato de impressões de mãos.
— A razão pela qual você é atraído por Lian Vinter é porque ele é um Ômega. Se você realmente gostasse daquela pessoa como diz, isso não teria acontecido.
Embora soubesse que era um absurdo, Alexei descaradamente empurrou sua alegação ilógica. Como ele o havia trancado e violentado, não havia como Valeri ter resistido. Ele sabia disso, mas ainda assim insistia. Sentia nojo de si mesmo.
— Por que, diabos, você está fazendo isso comigo?!
Valeri gritou, sua voz cheia de raiva. Seus olhos, que finalmente se encheram de lágrimas, estavam vermelhos como os de um coelho. Engolindo a sensação de que seu coração estava prestes a ser rasgado, Alexei se curvou para encontrar seu olhar.
— Nós somos família, Lerusha. Eu vou te proteger.
— Quem, faz, uma coisa dessas… com a família…
Depois de dizer isso, Valeri teve outra náusea seca. Depois de esvaziar o estômago várias vezes, ele encarou Alexei com olhos venenosos. Valeri, mordendo o lábio, começou a cuspir em uma voz baixa e rouca:
— Nojento.
Uma palavra forte perfurou seus ouvidos.
— Eu desprezo você. Mesmo que você faça esse tipo de merda, eu não vou terminar com o Lian. Se o Lian não conseguir entrar em contato comigo, ele eventualmente vai entender essa situação, e a família dele…
Valeri calou a boca ali. Alexei apenas ergueu os cantos dos lábios. Esse era o problema, Valeri. A família Vinter fará com que você seja morto.
Não importava o quão realizada e audaciosa uma pessoa fosse, este lugar fora o território de Igor por muito tempo. Podia haver alguma resistência, mas as forças de Igor estavam espalhadas por toda parte, e matar um policial, pelo menos aqui em Saratov, era abafado de forma única e secreta, ao contrário da tendência na América. Matar Valeri seria fichinha. Mesmo que Alexei enfrentasse a organização inteira, Valeri estaria morto antes disso.
— Você vai se encontrar com ele de qualquer jeito?
Valeri respondeu com silêncio. Alexei olhou para ele com uma expressão inexpressiva. O que ele deveria fazer com ele? Ele queimou os neurônios. Valeri, talvez por desafio a ele, demonstrava um nojo extremo por atos imorais. Enquanto Alexei se afundava na lama, Valeri ajudava pessoas necessitadas sempre que tinha chance e batia de frente com aqueles que faziam coisas covardes. Conhecer Lian podia ter sido obra do destino.
Alexei decidiu usar justamente esse ponto que Valeri amava tanto.
— Você está dizendo que vai se encontrar com outro Ômega, depois de me engravidar?
A culpa e a autoaversão preencheram o interior de Alexei como uma névoa negra. No momento em que proferiu essas palavras, Alexei pensou que seria melhor se ele simplesmente morresse. Talvez assim Valeri pudesse viver e tudo terminasse feliz.
Melhor do que atormentar seu irmão com mentiras tão desgraçadas.
— …Engravidar… você disse?
Valeri finalmente gaguejou, após uma longa pausa. O tênue tremor em sua voz enquanto tentava compreender o que acabara de ouvir era penoso.
— Sim. Você me deu o nó várias vezes.
Alexei se lembrou das palavras de Altor. De que ele não desenvolveria um útero, então a gravidez seria naturalmente impossível. Alexei havia se tornado algo que não era nem uma coisa nem outra. A gravidez era uma impossibilidade. Ele também desprezava a ideia de a vida de alguém ser arruinada por uma criança, para começo de conversa.
Mas como ele já era uma pessoa desprezível, adicionar mais uma mentira não faria muita diferença.
— Você aprendeu, não aprendeu, Lerusha? Que dar um nó em um Ômega tem uma chance extremamente alta de gravidez. Você não usou camisinha e deu nó incontáveis vezes.
De forma fofa, também.
Quando ele se lembrou do dia de ontem, não pôde deixar de ter esse pensamento passageiro. Valeri, com o rosto ruborizado de febre, sem saber o que fazer com o prazer desconhecido que estava sentindo. O momento em que ele deu o nó dentro dele sem saber como se controlar veio em seguida à sua memória. Mesmo em seu estado irracional, achando estranhas as mudanças que aconteciam em seu próprio corpo, Valeri havia olhado para baixo. Como se o pênis preenchendo a parte mais profunda da parede interna a ponto de explodir fosse estranho, Valeri até olhou para ele naquele momento com olhos lacrimejantes, como se pedisse conselho.
— …
Valeri permaneceu em silêncio, com os lábios ligeiramente entreabertos. O silêncio, onde nem mesmo o som da respiração podia ser ouvido, apertou o pescoço de ambos como uma forca. Somente após o longo silêncio terminar é que Alexei notou que os olhos verdes de Valeri estavam cheios de lágrimas. A umidade acumulada finalmente começou a escorrer por suas bochechas. Com um rosto como se tudo tivesse ruído, Valeri começou a chorar. Uma voz soluçante soou baixa.
— Co, como, como…
Seu corpo trêmulo estava em péssimo estado. Valeri começou a engatinhar pelo chão, emitindo sons como *ah, aah*. Soluçando como se quisesse fugir, ele logo começou a respirar com dificuldade.
— Por que, por que você está fazendo isso comigo? De verdade, seu porra de… Alexei…!
Valeri, que estava curvado com as mãos nos azulejos, gritou então com o rosto cheio de raiva. Ele deu passos largos à frente e segurou Alexei, que estava encostado no batente da porta, pelo colarinho. Nas costas de suas mãos brancas e grossas, veias azuis se destacavam. Nas mãos trêmulas, havia mais medo do que raiva.
— Entre irmãos, como, como você pôde fazer uma coisa dessas… Por que, por que?!
Alexei pensou novamente no quão gentil Valeri era. Se fosse ele, ele o teria arrastado para fazer um aborto imediatamente. Uma criança pela qual não se pode assumir a responsabilidade e que não se pode proteger não deveria nascer. Mas o jovem diante dele, como se mostrasse sua imaturidade como adulto, apenas cuspia ressentimento asperamente.
— Você vai ser punido. Você nem vai conseguir ir para o inferno quando morrer. Eu, eu…
Sua voz começou a desmoronar incontrolavelmente. Soltando a mão que segurava o colarinho, Valeri virou suas costas precárias e passou por Alexei. Vendo aquelas costas, que pareciam que poderiam se jogar para a morte a qualquer momento, Alexei finalmente apagou a tranquilidade do rosto.
— Pare com isso.
Ele rapidamente agarrou o pulso de Valeri. Valeri, que havia parado dentro do alcance permitido pela algema de tornozelo, disparou um olhar para Alexei com seu rosto manchado de lágrimas. A umidade se acumulou em seus lábios pálidos e fortemente mordidos. Vendo aquele rosto patético, o arrependimento o tomou. Um suspiro escapou. O desespero, a autoaversão e o nojo o atacaram.
Alexei encarou Valeri por um longo tempo, ainda segurando seu pulso. Quando o longo silêncio exauriu os dois, ele trouxe à tona um segredo que pensou que jamais revelaria em sua vida.
— Você e eu não temos laços de sangue.
Um segredo que, em circunstâncias normais, Valeri nunca deveria ter sabido, nem mesmo na morte.
— Nós temos pais diferentes, Lerusha.
No momento em que ele disse essas palavras, sêmen escorreu por suas coxas e nádegas.
↫─☫ Continua….
ᯓ★ Nenhuma das situações apresentadas neste capítulo referem-se/ se baseiam em fatos reais.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr