↫─Capítulo 52
Tive um sonho bem vívido. Era muito detalhado, como se eu realmente o tivesse vivido, mas ao mesmo tempo parecia nebuloso. Era um sonho difuso, como ver uma aurora com cores de arco-íris reluzentes.
Ao acordar de uma fantasia tão nítida, tive de ficar deitado na cama por um bom tempo, encarando o teto no vazio. A quietude da madrugada visível através das cortinas só fazia acentuar aquela atmosfera surreal.
A cama com cheiro suave de amaciante, o aroma único de sol e difusor na casa do hyung, o ar morno e sonolento, o tique-taque fraco do relógio. Aquela solidão estável e estática tornava ainda mais difícil distinguir se aquele momento era um sonho ou realidade.
Enquanto contornava a linha carnuda do meu lábio inferior com a ponta do dedo em estado de torpor, a memória do sonho se tornou ainda mais vívida. Tive de ficar deitado até o alarme programado tocar.
Mesmo depois de sair da cama, nada mudou. Preparei-me mecanicamente para a faculdade com o rosto inexpressivo, olhei por hábito para a porta do quarto do Saheon hyung com o rosto inexpressivo, peguei o ônibus com o rosto inexpressivo, conversei com Choi Hyun-oh com o rosto inexpressivo e assisti à aula com o rosto inexpressivo, tudo enquanto ruminava constantemente sobre o sonho doce da noite passada.
Sentado no fundo da sala, encarando o rosto do professor sem piscar, nem notei que Choi Hyun-oh estava rabiscando no meu livro. Hyun-oh me deu um toque de leve para me tirar do transe, franziu a testa e fez sinal com os olhos para eu olhar para baixo.
*Aconteceu alguma coisa?*
Depois de ler o texto em coreano várias vezes como se fosse uma língua estrangeira, balancei a cabeça devagar. Só então percebi que minha boca estava levemente aberta e a fechei tarde demais.
Hyun-oh, que me observava com desconfiança e um olhar analítico, continuou movendo a caneta. Ele desenhou um coelho chorando e escreveu com caligrafia elegante ao lado:
*Você parece mal o dia todo.*
Encarando o desenho de coelho que já era quase um hábito de Hyun-oh, peguei a caneta que ele estendeu na minha frente. Minha mão segurando a caneta parecia dormente, como se anestesiada, igual a quando a sensibilidade da pele fica formigante logo depois que a gente acorda.
*Não é nada.*
Encarei a frase que eu havia escrito, ainda no ponto final no fim. Comparada à caligrafia fluida de Hyun-oh, a minha parecia toda aglomerada. Como meu rosto ficou em branco de novo, ele deu um leve tapinha no meu ombro. Levei um susto e devolvi a caneta.
*É por causa daquela história sobre alguém que você conhece que você estava tentando me contar ontem?*
Enquanto olhava de forma aérea para Hyun-oh rabiscando, tive de ler aquilo várias vezes como alguém tentando decifrar um idioma estrangeiro. No final, captei o sentido do que ele tentava dizer.
Lembrei vagamente de ter tentado contar a Hyun-oh sobre minhas preocupações em relação ao tipo de relacionamento que eu tinha com o Saheon hyung. Enquanto olhava em silêncio para a frase que Hyun-oh havia escrito, minha mente foi consumida mais uma vez por pensamentos sobre o hyung. Ao me flagrar encarando a escrita no papel, Hyun-oh escreveu mais conteúdo rapidamente, com uma expressão um pouco mais urgente.
*Que tipo de história é essa que está te deixando tão preocupado?*
A tinta empelotou um pouco no final da frase. Hyun-oh, que traçou uma linha longa para encerrar a escrita, olhou para mim como se esperasse uma resposta. Minhas bochechas esquentaram um pouco.
Só então percebi que ele havia interpretado minha reação como uma confirmação. Balancei a cabeça rapidamente, de forma quase imperceptível. O olhar desconfiado de Hyun-oh permaneceu, mas eu já tinha caído em outros pensamentos.
É claro que, até o momento em que estive prestes a contar indiretamente sobre o Saheon hyung para o Hyun-oh, o hyung havia se mostrado um completo canalha. Ele agia como se só quisesse o meu corpo e ainda me deixava ansioso com o medo de ser descartado depois de lhe dar tudo o que queria.
Mas será que foi por causa daquele sonho estranho de ontem? Meu coração egoísta e tolo não conseguia simplesmente concluir que “o Saheon-hyung é um lixo”, principalmente lembrando da imagem dele no sonho.
Meus lábios tremeram. O calor fraco que sentia nas bochechas coradas deixava minha cabeça tonta. Depois de soltar um suspiro profundo e inaudível, continuei mastigando aquela lembrança do sonho de novo.
Eu havia me esforçado tanto para gravá-la na memória que agora conseguia vê-la com tanta vividez quanto um filme, como se realmente a tivesse vivido.
O sonho começou a partir do momento em que adormeci depois de beber cerveja. Eu via a mim mesmo dormindo e conversando com o Saheon-hyung. Era um sonho que eu assistia com uma sensação estranha, como se minha consciência estivesse dividida em dois.
‘Eu gosto de você… Hyung, eu gosto… Eu gosto de você…’
‘Esta já é a sua quarta confissão.’
Uma voz suave e cheia de risadas fez cócegas no meu ouvido. Talvez devido à sensação nebulosa de estar boiando na água, minha cabeça girava.
‘O hyung caiu depois de três tentativas, mas Mungmung parece determinado a destruir completamente o coração do hyung.’
O Saheon hyung no meu sonho parecia dizer exatamente o que eu queria ouvir. Aquelas palavras quentes e doces apertaram meu coração lá no fundo.
Ele parecia dizer que gostava de mim o tempo todo. Aquelas palavras doces, que pareciam sussurrar carinho e afeto, me fizeram sentir tão bem que achei que ia chorar.
Lábios macios tocaram o topo da minha cabeça. O hyung cheirava a vento de inverno e colônia com um leve aroma de pele. Enquanto esfregava a bochecha contra aquela temperatura corporal quente — perceptível mesmo através da camisa —, de repente me dei conta de que o Saheon hyung havia mencionado uma “quarta confissão”.
Quarta? Tentei me lembrar de quando eu havia me confessado quatro vezes, mas tudo o que conseguia recordar era o inverno frio entre os meus dezesseis e dezessete anos.
Devia ser porque era um sonho. Engoli com amargura as palavras do hyung que reforçavam a suposição de ser apenas um sonho. Mas ainda assim, por ser um sonho onde eu podia fazer o que bem entendesse, decidi me dar ao luxo de choramingar como normalmente não faria.
‘…Você gosta de mim?’
‘Sim. Eu gosto de você.’
‘Por que você gosta de mim?’
Mesmo no sonho, minha língua lerda produzia uma pronúncia enrolada. Ouvi o Saheon hyung rindo baixinho. No sonho, ergui a cabeça e encontrei o olhar dele. Os cantos da boca do hyung estavam levemente curvados. Senti que poderia chorar de novo diante daquele olhar carinhoso e gentil.
‘Por que o Cheongmyeong gosta do hyung?’
‘…Eu gosto de você porque eu gosto de você.’
‘Então o hyung gosta de você porque também gosta.’
Eu realmente achei que ia chorar. Durante vinte anos, eu só havia olhado para uma única pessoa, e agora essa pessoa estava dizendo que gostava de mim. Mesmo sendo um sonho, uma sensação quente se acumulou ao redor dos meus olhos, e tive de apertá-los como se estivesse sorrindo.
Borboletas voavam no meu estômago. A região do meu coração estava agitada, e uma sensação inexplicável de realização brotou no meu peito. A pergunta que queimava na ponta da língua era insuportável de conter; eu simplesmente precisava dizê-la.
‘…Se você gosta de mim… a gente está namorando?’
O Saheon hyung do meu sonho riu. Foi uma risada que parecia carregar um toque de incredulidade. Como o hyung no meu sonho vinha dizendo tudo o que eu queria, esperei naturalmente por uma resposta positiva, mas quando ele apenas riu sem dizer nada, meu coração afundou.
A mão grande e quente do hyung acariciou meu cabelo. Seus lábios macios e quentes tocaram minha testa, deixando uma marca.
‘A gente já não estava namorando?’
Que alívio. Parecia que nos sonhos eu só ouvia o que queria. Uma sensação feliz e formigante se espalhou da minha cabeça até a ponta dos pés.
Tendo adquirido a confiança de que o hyung no meu sonho diria tudo o que eu desejava, não resisti àquela coceira gostosa e continuei abrindo a boca.
‘Então você é meu…?’
Novamente, ouvi risadas. Mas desta vez havia um ponto em que eu podia acreditar firmemente. O silêncio trazido por aquela risada já não era assustador. E, como eu esperava, ele sussurrou:
‘Sim.’
A emoção avassaladora transformou-se em lágrimas. Enterrei rapidamente o rosto na região do peito do hyung. Senti-me tão feliz que achei que poderia morrer ali mesmo. O calor que correu para os meus olhos finalmente não pôde ser contido e virou água. Pude sentir pela minha bochecha que a camisa dele estava ficando úmida.
‘Por que você está chorando?’
Ainda ouvi aquela voz gentil misturada com risadas. Balancei a cabeça como para negar, enxugando a umidade restante. Quando ergui o rosto para olhar para o hyung de novo, vi uma feição que parecia cem vezes mais bonita.
‘Me dá um beijo.’
O pedido ousado foi, é claro, atendido. A sensação quente pousou em meus lábios. A cena do sonho terminou de forma nebulosa com a sensação inebriante de ter a boca suavemente mordiscada e sugada, como se eu fosse algo precioso.
Apesar de ter repassado a cena várias vezes na cabeça, minhas bochechas coradas não davam sinais de esfriar. Pelo contrário, quanto mais eu pensava nisso, mais vívida a lembrança parecia se tornar, como se eu realmente a tivesse vivido.
Fiquei intoxicado por aquele sonho doce até o final da aula, e só despertei pela metade do meu transe quando o Choi Hyun-oh me cutucou, dizendo que era hora de ir embora. Ele, que examinava meu rosto ainda com cara de avoado, perguntou preocupado:
— Você está com febre? Está esquisito desde ontem.
A mão do Hyun-oh encostou na minha testa. Ele, que me encarava com uma expressão séria como se medisse minha temperatura, retirou a mão.
— Parece que você está com um pouco de febre. Tomou algum remédio?
— Remédio? Não…
Falei arrastado, balbuciando. Hyun-oh, ainda com cara de preocupado, jogou a mochila nas costas. Conforme saímos do prédio naturalmente em direção ao ponto de ônibus, a bronca dele — ou algo bem próximo disso — veio a reboque:
— Você tem de tomar remédio logo quando sente que vai adoecer. Desse jeito, você pode cair de cama de uma vez só.
— Tá bom.
— Não fica só dizendo “tá bom” da boca para fora. Olha ali, tem uma farmácia. A gente tem um tempinho antes do ônibus passar, vamos comprar um remédio rapidinho.
Hyun-oh empurrou minhas costas. Mesmo sem estar com febre de verdade, tive de engolir o remédio sob o olhar severo dele. Cheguei a me preocupar brevemente se fazia mal tomar remédio sem estar doente, mas essa preocupação sumiu assim que quase perdi o ônibus por estar jogando a nota fiscal na lixeira.
Hyun-oh, que havia conseguido um lugar perto da porta de saída, puxou a mochila para a frente para facilitar para eu sentar. Também passei a minha para a frente e me acomodei ao lado dele. Enquanto guardava o remédio comprado no bolso frontal da mochila, ouvi a voz dele bem perto:
— Afinal de contas, que história é essa de alguém que você conhece? Fiquei tão curioso que nem consegui dormir direito ontem à noite.
O ônibus deu um solavanco forte ao passar por uma lombada. Mordisquei a carne macia do interior da bochecha. Foi porque o sonho e a realidade tinham acabado de colidir de novo. As palavras presas na minha garganta, não davam nenhum sinal de que sairiam facilmente.
— Só…
— Só?
— …Um amigo meu e uma pessoa de quem ele gosta…
— Alguém de quem ele gosta?
Mas as barreiras desmoronaram num instante. Eu, que havia aberto a boca incapaz de resistir ao olhar persistente do Hyun-oh, acabei balbuciando palavras em resposta àquela postura atenta:
— …Eles já transaram… mas o outro nunca falou a frase “vamos namorar”…
— O quê? Que tipo de lixo faz uma coisa dessas?
Eu, que hesitava tentando terminar a frase, arregalei os olhos de susto com o grito dele. Hyun-oh baixou a voz imediatamente, parecendo perceber que estávamos em um lugar público, mas seu rosto continuava tomado pela raiva.
— Foi por causa disso que você ficou tão preocupado?
— Ah, não…
Notei que o Hyun-oh estava pensando que o sujeito daquela situação era uma mulher, mas fiquei em silêncio. Desviando o olhar e resmungando, ele bagunçou o próprio cabelo descolorido.
— Essa pessoa tem que terminar com ele imediatamente.
As palavras disparadas em metralhadora grudaram nos meus ouvidos sem perder uma vírgula sequer. Enquanto mexia os lábios tentando achar algo para dizer, Hyun-oh mudou ligeiramente o tom:
— Não, acho melhor você dizer para essa pessoa que terminar parece a melhor ideia do mundo.
— Mas… ele é gentil e carinhoso…
Inconscientemente, comecei a balbuciar desculpas em defesa do Saheon hyung. Hyun-oh franziu a testa com exagero e falou num tom de repreensão:
— Uma pessoa gentil e carinhosa simplesmente come os outros e finge que nada aconteceu?
Isso era verdade. Fiquei sem palavras diante do argumento dele, que batia exatamente com as minhas próprias convicções. Hyun-oh, aproveitando o embalo da vitória, sussurrou:
— Esse tipo de gente sempre diz que são só amigos para depois dar no pé? Que ódio, que filha da putice…
Os xingamentos que ele resmungou acabaram se perdendo no barulho do motor do ônibus.
— Mas mesmo assim…
Quando eu estava prestes a soltar uma desculpa desesperada, dei me conta de que, até o dia anterior, eu pensava exatamente igual ao Hyun-oh. Enrolei os lábios para dentro e os apertei com força.
Depois de ter tido aquele sonho, eu estava ali, defendendo o hyung com unhas e dentes. Vendo que fiquei quieto, ele acrescentou:
— É a história do seu amigo mesmo, né?
— …É.
— Bem… se você está dizendo. Mas essa pessoa estaria muito melhor se encontrasse alguém decente.
Depois de terminar a frase, Hyun-oh não abriu mais a boca. Parecia meio irritado. Após me despedir dele meio sem jeito e descer no ponto seguinte, fiquei remoendo o que ele disse enquanto subia a ladeira já conhecida rumo ao condomínio de apartamentos.
De fato, era estranho para os outros transar sem nunca falar em namoro. Acelerei os passos com o coração pesado, apertando firme a alça da mochila.
Mesmo depois de voltar para casa, comer o doenjang jjigae que o Saheon hyung havia preparado e tomar um banho rápido, meu humor sombrio não foi embora.
Normalmente, um banho de água quente me faria relaxar, mas dessa vez o truque não funcionou. O motivo era que o sonho doce e a realidade pontuada pelo Hyun-oh insistiam em colidir na minha cabeça.
Suspiros profundos continuavam escapando. Sequei o cabelo rudemente com a toalha e saí do banheiro. Ao recolher a roupa suja pela casa, dei de cara com peças jogadas de qualquer jeito no quarto do Saheon hyung.
Já que ia recolher tudo para levar ao cesto, podia dar jeito naquelas roupas também. Movimentei-me com passos pesados. O hyung não estava no quarto.
Larguei as roupas que segurava e me sentei de vez no chão. Uma sensação fria subiu de leve. Peguei a camisa dele.
No sonho, parecia que eu havia chorado em cima daquela camisa. Procurei por marcas de lágrimas, mas não encontrei nenhuma na peça impecavelmente limpa, o que me fez suspirar de novo. Era engraçado como eu ficava ansiando que fosse real mesmo sabendo que tinha sido apenas um sonho.
Se aquilo realmente tivesse sido a realidade, eu poderia simplesmente ignorar as palavras do Hyun-oh, mas a razão pela qual eu não conseguia era que eu, no fundo, também sabia que era verdade. Um suspiro pesado escapou.
Encarando distraidamente a camisa que levantei com as duas mãos, levei-a até o nariz. O detalhe rígido perto das três listras douradas amassou. A gola cheirava à colônia do hyung, e o tecido trazia o aroma do amaciante. Havia também o sutil perfume natural do corpo dele misturado ali.
Fechei os olhos devagar. Com os ombros levemente encolhidos, traguei profundamente o cheiro do hyung para os pulmões, mas levei um susto com uma voz vinda de trás:
— O que você está fazendo?
Saheon-hyung olhava para mim de cima com uma expressão um tanto intrigada. Minhas bochechas esquentaram assim que percebi o quão bizarro devia ser me ver com o rosto enterrado na camisa dele. Inventei uma desculpa às pressas:
— Ah, isso… eu só estava… Ah, é verdade, que horas é o seu voo?
— Preciso sair por volta das 4 horas amanhã.
— Entendi… Então dá tempo de lavar… Quer dizer, de lavar e secar até lá.
Eu estava prestes a dizer “lavar” naturalmente, mas lembrei da memória sugestiva dessa expressão e troquei as palavras num piscar de olhos. Olhei para o Saheon hyung, me perguntando se ele tinha percebido meu nervosismo, mas é claro que ele já havia notado. Os cantos da boca do hyung se curvaram de um jeito travesso.
— Deixa pra lá. Vou usar assim mesmo.
— Mas está amassada. Vou lavar… quer dizer, dar uma lavada nela.
— Bem. Vai ficar amassada mesmo, já que o Cheongmyeong estava abraçando a camisa do hyung com tanta força, né?
O fitei com um olhar emburrado. A roupa estava amassada por causa do péssimo hábito do hyung de jogá-la de qualquer maneira. Mas como eu era o tarado que estava segurando e cheirando a peça, não tinha como retrucar.
— Você queria usar?
— Hã?
— Essa camisa. Estou perguntando se você estava segurando porque queria vestir.
— Ah, hã?
— Quer experimentar?
O Saheon hyung pegou gentilmente a camisa da minha mão antes que eu pudesse responder. A peça balançou no ar e vestiu meu tronco. Enquanto eu o encarava com os olhos arregalados, o hyung segurou as mangas para facilitar a colocação.
Pus a camisa conforme ele indicava. Graças à camiseta branca de manga curta que eu já usava por baixo, a parte que ficava visível não parecia tão ruim.
O Saheon hyung abotoou cada botão com cuidado. Eles foram fechados metodicamente do pescoço até a barra, e ele ainda enfiou a barra da camisa dentro da calça de moletom que eu vestia com um gesto leve.
Talvez por causa da calça preta básica de pijama, não ficou esquisito a ponto de parecer bizarro. Visto de longe, até lembrava o caimento das roupas que o hyung costumava usar. Afastei as mangas um pouco compridas, puxando as mãos para fora.
— Ficou bom em você.
— […]
Saheon hyung pegou a gravata roxa que estava por perto. Com apenas alguns movimentos rápidos de mãos, a gravata ficou perfeitamente acomodada no lugar certo. A pressão firme no pescoço parecia o peso de uma responsabilidade.
— …Parece estranho.
— Não, juro que ficou ótimo em você. Levanta para dar uma olhada.
O Saheon hyung segurou meu pulso e me puxou de uma vez. No segundo em que me pus de pé, dei de cara com o meu reflexo no espelho da penteadeira, enquanto ele me arrastava para mais perto do móvel. Fiquei meio sem entender o que diabos ele estava tramando, mas acabei indo junto, totalmente abismado.
— Você parece um comissário de bordo. O Cheongmyeong. Poderia voar comigo assim, não acha?
A mão do hyung foi parar no meu cabelo, que ainda guardava um pouco de umidade. Quando ele penteou meus fios para trás com a risca lateral, exatamente como fazia quando saía para trabalhar, eu parecia uma criança brincando de ser adulto. Sentindo-me constrangido com o penteado, dei um passo para trás com o rosto vermelho. No entanto, minhas costas encontraram apenas o corpo do hyung.
— Acho que não combina comigo…
— Eu estou te dizendo que ficou ótimo.
O Saheon hyung elogiou de verdade. Minhas bochechas esquentaram ainda mais. No espelho, eu parecia completamente perdido naquela roupa desproporcional. Ele colocou a mão no meu ombro. Seus lábios curvados pareciam muito satisfeitos. Deixando-me levar por aquele elogio sutil, abri a boca:
— …Sério?
— Sim. Você está bem bonito. Agora, vamos brincar de interpretar papéis.
☆ Continua…
◆ Tradução, revisão e raws Nat ◆