↫─História Paralela 5
↫─História Paralela 5
Shinu e Taebaek voltaram para casa com as mãos cheias. Eles tinham comprado hambúrgueres de uma famosa lanchonete de Nova York e planejavam apenas pegar algumas cervejas no supermercado. Mas quem é que sai de uma loja com apenas um item?
Eles acabaram levando cerveja, vinho, queijo, batatas fritas, rosquinhas, salsichas, biscoitos, salada Caesar — qualquer coisa que parecesse minimamente apetitosa. Além disso, compraram um cheesecake enorme, maior do que o rosto de Taebaek, porque ele não parava de olhar de relance para o doce. Shinu havia dito para ele pegar de uma vez.
O carrinho já estava empilhado com rosquinhas recheadas de creme e biscoitos de chocolate, mas hoje Shinu não conseguiu dizer não. Taebaek não estava ferido nem doente, mas por algum motivo, Shinu sentiu um desejo inexplicável de confortá-lo e mimá-lo.
Quando terminaram de carregar tudo para casa, a residência estava banhada pelos tons quentes do pôr do sol. O apartamento de Taebaek tinha uma vista incrível, perfeitamente situado para contemplar o Central Park e a linha do horizonte ao redor. Estar em casa a essa hora sempre dava uma sensação boa, como se a própria vista pudesse melhorar o humor de alguém.
Eles não se deram ao trabalho de guardar a maior parte das compras. Em vez disso, pegaram suas cervejas e hambúrgueres e se esparramaram no sofá. O sofá era tão grande quanto uma cama, mas ambos tinham pernas tão longas que não conseguiam se deitar juntos. Em vez disso, sentaram-se em extremidades opostas, com as pernas emaranhadas. A sensação de suas coxas e panturrilhas roçando umas nas outras trazia uma estranha sensação de conforto.
Shinu tirou o gorro e o deixou cair no chão. Ele passou os dedos pelo cabelo amassado, esfregando a orelha esquerda carmesim como se para aliviar uma leve coceira. Enquanto isso, Taebaek abriu duas garrafas de cerveja com um abridor. A espuma borbulhou imediatamente, e as garrafas geladas passavam uma sensação refrescante contra as palmas de suas mãos.
Uma das vantagens de estar nos EUA, pensou Taebaek, era a variedade. Na Coreia, a cerveja era vendida principalmente em latas, mas aqui, eles tinham não apenas latas, mas também garrafas pequenas o suficiente para caber perfeitamente em uma mão. Com tantos sabores para escolher, até mesmo Shinu , que não era muito de beber, havia desenvolvido um gosto por isso.
Taebaek entregou uma das garrafas para Shinu .
— Saúde.
— É, saúde.
Eles brindaram levemente com suas garrafas e deram alguns goles. A carbonatação efervescente arranhou suas gargantas, fazendo com que suas sobrancelhas se frentessem instintivamente. Os ombros de Taebaek se ergueram enquanto ele engolia, e então ele os deixou relaxar ao expirar. Sentia-se cansado — não por causa de alguma atividade particularmente agitada, mas simplesmente pelo ato de voltar para casa. Era como se toda a sua energia tivesse se esgotado no momento em que retornaram.
A luz do sol, gentil e quente como a própria primavera, iluminava suavemente seus rostos. Estava claro o suficiente para fazê-los semicerrar os olhos, mas nem Taebaek nem Shinu se importaram. Eles simplesmente desfrutavam do brilho dourado, apreciando o tempo tranquilo juntos.
Ambos sabiam o quão preciosos eram esses momentos livres de preocupações. O tempo passado ociosamente, sem um propósito, era valioso precisamente por não ter significado.
Eles não precisavam fazer nada. Apenas estarem juntos, seguros e à vontade naquele espaço confortável, era mais do que suficiente.
Sem muita conversa, os dois esvaziaram suas primeiras garrafas de cerveja, recostados pela metade no sofá. Quando o céu escureceu mais um tom, Taebaek se sentou ereto.
— Hyung, vamos comer os hambúrgueres.
Deslizando para fora do sofá, ele pegou os hambúrgueres mornos que estavam na mesa. Ele pensou em aquecê-los no micro-ondas, mas descartou a ideia — dava trabalho demais. Em vez disso, abriu as embalagens dos hambúrgueres, dispondo as batatas fritas e os molhos, e abriu mais duas cervejas.
Levantando o pão superior de um hambúrguer para inspecionar o conteúdo, Taebaek empurrou o que tinha vegetais e cogumelos extras na direção de Shinu . Seu próprio hambúrguer, carregado com quatro fatias de queijo, ficou para si. Era o pedido habitual deles — sempre o mesmo.
Taebaek pressionou seu hambúrguer alto com a palma da mão para deixá-lo mais plano, facilitando a mordida, quando Shinu casualmente apoiou uma mão em seu ombro.
— Cerveja — Shinu disse de forma simples.
Taebaek passou a cerveja para ele sem hesitação, observando enquanto Shinu dava um pequeno gole. A cena fez Taebaek sorrir. Inclinando-se, ele deu um beijo brincalhão na bochecha de Shinu antes de se afastar.
— Olha só para você todo preguiçoso. Tão fofo…
Desde que se mudaram para os EUA, Taebaek havia descoberto um novo lado de Shinu . Era diferente do soldado que ele conhecera — um pouco mais descontraído na vida diária.
Por exemplo, Shinu fazia tarefas como lavar a roupa e a louça se precisasse, mas não tinha vergonha de demonstrar que não queria. Mesmo quando voltaram do supermercado, em vez de arrumar tudo imediatamente, tomar banho e se preparar meticulosamente para a cerveja, como Taebaek esperava, Shinu havia se jogado no sofá, apenas estendendo a mão para pedir sua cerveja.
Ainda assim, ele não procrastinava as obrigações, não deixava de tomar banho, não mantinha a casa desorganizada nem resmungava por causa de tarefas triviais. Ele acordava cedo, exercitava-se diariamente, fazia três refeições balanceadas em horários regulares, trabalhava quando precisava, mantinha-se atualizado com as notícias, amava seu parceiro com carinho e nunca ia para a cama sem se lavar.
Ele gerenciava tudo de forma minuciosa e limpa, mas ainda assim exalava uma sutil preguiça. Era estranhamente cativante.
Ao contrário do tempo em que viveram no caos infestado de devoradores, Taebaek agora sentia como se fosse ele quem estivesse cuidando de Shinu . E ele gostava disso.
— Hyung, você morava sozinho, certo? — Taebaek perguntou, mergulhando uma batata generosamente no molho branco.
— Morava — Shinu respondeu, dando um gole na cerveja. Taebaek ofereceu-lhe uma batata, que Shinu aceitou, fazendo bico como um pato para pegá-la.
A cena foi tão adorável que Taebaek caiu na risada e, enquanto ria, enfiou cinco batatas na própria boca de uma só vez.
— Hyung, você já foi ao meu lugar, mas eu nunca vi o seu. Sinto que perdi algo. Se eu voltar para Seul, quero visitar.
— Por que se dar ao trabalho?
— Estou curioso sobre como você vivia, só isso.
— Não tem nada para ver. Eram apenas dois cômodos — cama, sofá, mesa de jantar. Só isso.
Shinu endireitou a postura lentamente, deslizando pelo sofá até se sentar ao lado de Taebaek. Taebaek empurrou a parte do hambúrguer de Shinu em sua direção. Shinu o pegou sem jeito. Não importava quantas vezes comesse hambúrgueres americanos, ele ainda não conseguia se acostumar com eles. Ele sempre se pegava imaginando como morder o negócio de maneira adequada para conseguir o pão, a carne e os vegetais juntos em uma bocada harmoniosa.
Depois de girar o hambúrguer para lá e para cá, Shinu mordeu a parte que parecia mais plana. Embora não parecesse que ele tivesse dado uma mordida grande, suas bochechas já estavam cheias. Pelo menos o gosto estava bom.
— Sério? Não tinha nada? Não era bagunçado, com meias jogadas por toda parte, embalagens de peito de frango se acumulando na mesa, sapatos espalhados por toda a entrada?
Taebaek provocou enquanto devorava metade de seu hambúrguer em duas mordidas. Shinu ergueu uma sobrancelha, observando-o por um momento antes de engolir a comida na boca com um gole de cerveja. Então, em um tom desnecessariamente conspiratório, respondeu:
— Se você não fizer bagunça, não tem nada para limpar.
— …… .
Taebaek piscou. Então ele soltou uma gargalhada alta e calorosa. É claro. Com a personalidade de Shinu , era impossível imaginá-lo fazendo bagunça em primeiro lugar. Considerando o quão ocupado ele devia ser, não era provável que ele tivesse feito muita coisa em casa além de dormir e sair para o trabalho novamente.
— Eu nem tinha muitas coisas. Apenas dois pares de tênis, um par de botas e um par de sapatos sociais. Minhas roupas? Uniformes militares, um par de agasalhos e dois ternos. Só isso.
Ouvindo isso, Taebaek riu ainda mais alto, mas o riso logo desapareceu, e seu rosto ficou sério. Ele se deu conta de quão estéril e sem cor deve ter sido a vida de Shinu . Viver de forma tão silenciosa, tão desapegada, sem deixar bagunça, sem deixar vestígios — como alguém que apenas esperava pelo dia em que iria morrer. O pensamento fez Taebaek se sentir pesado por dentro.
Tentando disfarçar seus sentimentos, Taebaek terminou o resto de seu hambúrguer, limpou as mãos vigorosamente com um lenço umedecido e deu um gole na cerveja. Mas ele não conseguiu mais se conter. Ele jogou os braços ao redor de Shinu em um abraço repentino.
— Hyung, eu vou garantir que você seja feliz. Eu prometo.
— Tudo bem, tudo bem — Shinu respondeu com indiferença, dando uma mordida em seu hambúrguer. Ele estava há muito tempo acostumado com as demonstrações de afeto repentinas e desenfreadas de Taebaek e havia aprendido a lidar com elas naturalmente. Quer Taebaek beijasse sua bochecha, esfregasse o rosto contra o ombro de Shinu ou enfiasse a mão por baixo do moletom de Shinu para fazer cócegas em sua cintura, Shinu simplesmente continuava comendo sem parar.
A combinação de hambúrguer e cerveja era perfeita, e Shinu queria se concentrar nisso. Ele nunca tinha pensado realmente no ato de comer como algo prazeroso, mas passar o tempo com Taebaek parecia ter despertado seu apetite.
Quando Shinu terminou seu hambúrguer, Taebaek falou novamente, desta vez em um tom sério.
— O que eu preciso fazer para te fazer feliz, hyung?
— …… .
A pergunta fez Shinu pausar e finalmente olhar para Taebaek. Apoiando o queixo no ombro de Shinu , Taebaek exibia uma expressão de profunda contemplação. O leve franzido em sua testa tornava óbvio que ele estava avaliando ideias em sua cabeça — dinheiro, presentes, propriedades, ações, casamento — provavelmente uma dessas coisas.
Shinu imitou a expressão séria de Taebaek por um momento antes de repentinamente segurar o peito de Taebaek. Através do tecido fino de malha, ele podia sentir o músculo firme, porém flexível, sob sua mão. Apertando-o, Shinu se inclinou e sussurrou em uma voz baixa e sugestiva:
— Trabalhe mais os músculos do seu peito.
— …… .
A boca de Taebaek se abriu em um silêncio atordoado. Shinu se aproximou para chupar levemente o lábio inferior de Taebaek antes de soltá-lo e dar um tapinha convencido em seu peito. Ele então tomou sua cerveja calmamente como se nada tivesse acontecido, com a expressão completamente serena.
A audácia sem vergonha de tudo aquilo deixou Taebaek momentaneamente sem palavras. Por um segundo, ele se perguntou se tinha sonhado com aquilo tudo. Mas quando ele voltou a si um momento depois, seus ombros tremeram de incredulidade.
— Uau… porra. Hyung, toda vez que você faz uma coisa dessas, meu cérebro simplesmente dá um branco.
— Quebre uma parede, então.
— Eu provavelmente deveria comprar uma marreta.
— Melhor comprar um prédio novo já que vai fazer isso. Vai ficar frio à noite se houver um buraco na parede.
— É. Vou garantir que seja em algum lugar com boa luz do sol.
A brincadeira deles fluía sem esforço, e Shinu riu baixinho, com a cerveja na mão. Era um pouco preocupante o quanto ele realmente gostava dessas trocas de palavras bobas. Nesse ritmo, temia que pudesse acabar como um daqueles homens mais velhos infantis, contando piadas constantemente mesmo que Taebaek implorasse para ele parar.
Shinu balançou a cabeça, meio rindo, meio preocupado com o seu futuro. Quando olhou de volta, Taebaek estava sorrindo para ele, com os olhares se encontrando.
A luz suave do final do pôr do sol dançava pela pele lisa de Taebaek, projetando sombras além da ponte de seu nariz alto. Seus cílios se curvavam lindamente, capturando o brilho quente, e seus dentes perfeitamente alinhados brilhavam em seu sorriso radiante. Aqueles olhos castanhos expressivos, impossíveis de descrever com palavras, refletiam o rosto de Shinu como se ele fosse a única coisa no mundo deles.
Shinu suspirou silenciosamente para si mesmo. Como você consegue ser assim? ele se perguntou. Eu vejo esse rosto todos os dias e, mesmo assim, pelo menos duas vezes por dia, não consigo deixar de ficar admirado.
↫─☫ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna