↫─História Paralela 13
↫─História Paralela 13
— Deveríamos ir tingir seu cabelo amanhã?
— Pode ser.
— E fazer a sua tatuagem também.
Taebaek disse isso enquanto cutucava distraidamente o peito esquerdo de Shinu . Shinu assentiu em concordância. Ele ainda não havia decidido o desenho, a forma ou o tamanho da tatuagem, mas isso não era sua preocupação. Taebaek provavelmente já tinha dezenas de opções preparadas.
Enquanto Shinu estreitava os olhos, relembrando uma tatuagem com tema de inferno que um companheiro de exército havia feito uma vez, Taebaek de repente soltou um arquejo. Alarmado, Shinu imediatamente virou-se para ele.
— Hyung, acho que os meus dentes estão coçando.
— … O quê?
— Parece que os meus sisos estão crescendo ou algo assim…
Taebaek abriu bem a boca para Shinu inspecionar. Apesar de saber que não havia efeitos colaterais como se transformar em um devorador após tomar a vacina, o coração de Shinu parou. Os seres humanos tendem a confiar mais na situação daqueles que amam do que na ciência ou nas estatísticas.
— Onde exatamente está coçando? Nos seus molares? Eles parecem normais. É nas raízes? Nas gengivas? Você está com febre?
Shinu checou rapidamente o corpo de Taebaek, passando as mãos pelo rosto dele e colocando a palma contra a testa dele para verificar a temperatura. Com a outra mão, ele tateou em busca do telefone, pronto para pesquisar efeitos colaterais relatados ou entrar em contato com alguém que pudesse saber.
Um calafrio correu pela espinha de Shinu . O pensamento de Taebaek não estar bem o aterrorizava muito mais do que o vírus se espalhando pelo interior americano. Os piores cenários passaram por sua mente, até mesmo a possibilidade de Taebaek se transformar em um devorador. Ele pensou brevemente: “Eu deveria ter morrido naquela época no Porto de Mokpo. Então nada disso teria acontecido — sem vacinas, sem perigo.”
Shinu inspecionou os olhos de Taebaek, verificando se havia qualquer sinal de uma película esbranquiçada. Bem nesse momento, Taebaek caiu na gargalhada.
— Pfft…
O som repentino paralisou Shinu no lugar.
— ….
Seu olhar vagou ao redor, tentando entender a reação de Taebaek. Por um momento, ele se perguntou se Taebaek enlouquecera. Enquanto Shinu continuava ali, paralisado, Taebaek inclinou-se para a frente, plantou um beijo firme nos lábios dele e afastou-se com um sorriso radiante.
— É brincadeira.
— ….
Os olhos de Shinu se arregalaram de incredulidade. Suas mãos se fecharam em punhos, com os ossos dos nós dos dedos sobressaindo nitidamente. Taebaek notou isso e ergueu uma sobrancelha.
— Você vai me bater?
Seu sorriso permaneceu intacto — ele tinha certeza de que Shinu não iria realmente agredi-lo.
— Não sei. Acho que posso. Quer que eu tente?
A voz de Shinu baixou, tingida por um rosnado. Mas Taebaek não se abalou nem um pouco.
— Se você me bater, provavelmente vai doer muito. Mas eu aguento. Embora, só para você saber, eu possa, tipo, ficar excitado. Então tenha isso em mente.
— ….
— Ah, mas não bata no meu rosto, no meu peito ou, você sabe, lá. Esses são os lugares favoritos do meu namorado. Não gostaria de deixar as coisas desconfortáveis. Por favor e obrigado, Capitão.
Taebaek piscou de forma brincalhona, com sua postura solar inabalável. Shinu inclinou a cabeça para trás para encarar o teto e soltou um suspiro longo e cansado, passando a mão pelo cabelo. Suas têmporas latejavam, e a parte de trás de sua cabeça parecia quente.
Taebaek, como se estivesse testando a sua sorte, deslizou uma mão por baixo da camisa de Shinu , acariciando levemente as suas costas. Se ele estava alheio ao clima ou provocando-o intencionalmente, não estava claro. Após piscar algumas vezes em uma lenta deliberação, Shinu segurou a mão boba de Taebaek e a torceu bruscamente para trás.
— Ah!
A dor repentina fez Taebaek encolher-se imediatamente, com os joelhos puxando em direção ao peito enquanto seu rosto ficava vermelho vivo.
— Hyung, hyung!
Taebaek deu tapinhas na coxa de Shinu com a mão livre, implorando por misericórdia. Shinu não soltou, mantendo sua expressão habitualmente impassível fixada em Taebaek, que se contorcia no chão.
Lágrimas acumularam-se nos cantos dos olhos firmemente fechados de Taebaek. Fazia tempo que ele não sentia uma dor tão aguda — desde que havia batido o quadril contra a mesa de mármore deles, um mês atrás.
— D-Desculpa, eu errei… Desculpa, Hyung… Eu te amo, Hyung…
Shinu soltou uma risada seca. Mesmo com o braço torcido, Taebaek conseguia dizer que o amava. Era ridículo. E talvez… um pouco adorável. Shinu finalmente soltou a mão de Taebaek, que imediatamente acolheu o próprio braço, gemendo.
Shinu deu um tapa leve em suas costas. — Pare de exagerar.
— Exagerar? Isso parece exagero para você? Ugh… Não é…
Taebaek massageava o pulso torcido com a mão livre, estremecendo. A sobrancelha de Shinu contraiu-se para cima. Ele não havia aplicado força suficiente para causar uma dor séria — apenas o bastante para uma dor incômoda durar um ou dois dias. Ver Taebaek rolando de um lado para o outro o fez questionar a si mesmo.
“Meu bebê… posso ter exagerado um pouco, mas não tive a intenção de machucá-lo de verdade.”
— Deixe-me ver a sua mão.
Shinu pegou o pulso de Taebaek e o rotacionou gentilmente, movendo-o para cima, para baixo e de um lado para o outro. Nada parecia danificado — se estivesse, até mesmo um leve movimento o faria gritar. Mas Taebaek não demonstrava nenhum sinal de dor severa.
Ainda assim, a expressão de Shinu permaneceu nublada de preocupação.
— Está doendo muito?
— Sim. Em compensação, melhora quando você está tocando.
— E o seu cotovelo?
— Só uma dorzinha chata.
Apesar de suas queixas, Taebaek sorria de leve. O fato de Shinu estar se preocupando com ele parecia lhe trazer uma alegria infinita. Shinu estalou a língua mentalmente. Um idiota incuravelmente adorável…
Enquanto massageava o braço de Taebaek, Shinu olhou para o rosto dele e comentou casualmente: — A propósito, a sua orelha esquerda ficou vermelha.
— A minha orelha não — espera, o quê?
Os olhos de Taebaek abriram-se de repente. Shinu sorriu de lado, e Taebaek levantou-se em um salto, correndo para o espelho.
Em seu reflexo, sua orelha esquerda brilhava em um carmesim vivo. Parecia que um gorro de Papai Noel havia sido colocado em sua orelha para o Natal. A cor vívida combinava perfeitamente com a própria orelha vermelha de Shinu .
As sobrancelhas de Taebaek arquearam-se bem alto, com suas bochechas erguendo-se em um sorriso radiante. Seu rosto inteiro irradiava deleite. Ele parecia tão radiante de alegria que seus ombros subiam e desciam de empolgação. Se alguém entrasse naquele momento, pensaria que ele acabara de ganhar na loteria.
Taebaek encarou o espelho intensamente por um longo momento antes de se virar para olhar para Shinu . Shinu acariciou gentilmente a orelha avermelhada dele. Fosse a esquerda ou a direita, isso não importava de verdade para ele. Mas ver o quanto aquilo alegrava Taebaek o deixava feliz também.
— Combina comigo?
Taebaek perguntou, com a voz tingida de expectativa.
— Sim. Ficou bonita.
Shinu fez um leve aceno com a cabeça. Com os traços marcantes de Taebaek, qualquer mudança ficaria boa nele. Mesmo se ele tivesse uma cicatriz enorme, provavelmente pareceria uma escolha de estilo ousada. A orelha vermelha não passava de um acessório que realçava sua aparência já impecável.
Encorajado pela afirmação de Shinu , Taebaek mordeu o interior da bochecha, incapaz de conter a empolgação. Então, sem aviso, ele arrancou a camisa.
— Para comemorar que somos almas gêmeas, vamos transar.
— … O quê?
Shinu piscou desacreditado, momentaneamente atordoado pelo salto absurdo na lógica de Taebaek. Mas parecia que Taebaek não estava esperando por uma resposta. Ele já havia despido as calças e moveu-se para despir Shinu também. Embora Shinu tivesse balançado a cabeça com um suspiro conformado, ele ainda ergueu os braços para facilitar as coisas.
Afinal de contas, sexo era sempre bem-vindo.
—
Um Outono Preguiçoso
Outubro de 2025, Califórnia, EUA
Mesmo em outubro, LA permanecia úmida e quente, com temperaturas apenas ligeiramente mais baixas do que no verão. O ar-condicionado ainda era uma necessidade durante o dia, embora as noites tivessem ficado frias o suficiente para justificar um cobertor. Era o tipo de clima que parecia perfeito em todos os sentidos.
Naquela manhã, Shinu acordou mais cedo do que o habitual — não porque tivesse algo urgente para fazer, mas porque simplesmente se sentia bem descansado.
Alongando-se em silêncio, ele virou-se para o lado e deparou-se com uma figura grande e familiar deitada de bruços, com a cabeça inclinada em sua direção. Era Taebaek.
— ….
Shinu segurou a respiração. Embora Taebaek geralmente tivesse um sono pesado, ele tinha a habilidade misteriosa de acordar num sobressalto como um predador ao menor som que Shinu fizesse. Shinu havia lhe perguntado uma vez sobre essa mania estranha, e Taebaek brincara dizendo que seus sentidos eram divididos em “modo geral” e “modo Shinu “. Ele afirmava que, mesmo se uma bomba explodisse lá fora, ele não se importaria, mas conseguia ouvir os passos de Shinu até em seus sonhos.
Relembrando aquela afirmação ridícula, Shinu conteve um riso silencioso. Taebaek era infinitamente cativante de tantas maneiras, embora o pensamento também fizesse Shinu sentir uma pontada inexplicável de culpa. “Eu o deixei sensível desse jeito?”
Por um tempo, Shinu simplesmente observou Taebaek dormir. Ele não pôde deixar de sorrir para si mesmo em silêncio.
Ainda o impressionava compartilhar a cama com alguém. Acordar ao lado de alguém. Viver com alguém, mesmo que não estivessem mais no exército. E agora, o pensamento desse alguém não estar ali o deixava com uma sensação de vazio, inquietação e insegurança.
Incapaz de resistir, Shinu estendeu a mão, com os dedos roçando a ponte do nariz de Taebaek. Ele traçou a linha afiada com as costas do dedo, depois desceu para admirar seus olhos fechados, seu nariz e seus lábios levemente entreabertos. Não havia um único traço fora do lugar.
A mão de Shinu deslizou para cima, passando pelos fios macios do cabelo de Taebaek. Ele ainda brilhava em dourado — um vestígio do verão, quando Shinu sugerira que Taebaek tentasse ficar loiro. Logo no dia seguinte, Taebaek havia tingido o cabelo e, desde então, vinha mantendo o visual diligentemente com retoques na raiz.
Sob o sol forte do verão, seu cabelo loiro parecera incrivelmente lindo, balançando com a brisa. O Taebaek da primavera, o Taebaek do verão — todos eram novos e hipnotizantes para Shinu . Embora tivessem passado o outono e o inverno juntos na Coreia, cada estação com ele parecia nova e empolgante. Shinu não podia deixar de ansiar pelos dias vindouros, perguntando-se quantos momentos novos e felizes os aguardavam.
Sorrindo de leve, Shinu acariciou o cabelo de Taebaek. Bem nesse momento, Taebaek começou a se mexer, com os olhos abrindo-se devagar. O sono ainda se apegava às suas pálpebras ligeiramente inchadas enquanto ele fitava Shinu com os olhos semicerrados, como se tentasse discernir se ele era real ou um sonho.
Quando Shinu traçou gentilmente a sobrancelha dele com o polegar, Taebaek soltou um sorriso suave.
— Por que… você acordou tão cedo?
A voz de Taebaek era um murmúrio baixo, rouco de sono.
— Só deu vontade.
— Quer que eu levante também?
— Não, durma mais um pouco. Vou só ficar te olhando.
Diante disso, Taebaek fez um leve aceno com a cabeça e envolveu os braços firmemente ao redor da cintura de Shinu , enterrando o rosto contra o peito dele. Ele então pressionou um beijo no peito esquerdo de Shinu , bem em cima da tatuagem que havia se fixado ali.
↫─☫ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna