↫─História Paralela 1
↫─História Paralela 1
O Primeiro Inverno
Era de manhã cedo. Taebaek estava apoiado na janela, segurando uma xícara de chocolate quente com marshmallows por cima. Abaixo, bem abaixo, as pessoas andavam de um lado para o outro com pressa, provavelmente indo para o trabalho para ganhar a vida.
Talvez porque o ano novo tivesse acabado de começar, os passos de todos pareciam vivos. Apesar do frio cortante do inverno, com os ombros encolhidos e a respiração quente saindo como fumaça, havia uma alegria inexplicável no ar. A cena serena, tão diferente da Coreia, deixou um gosto amargo na boca de Taebaek.
Enquanto observava as pessoas, Taebaek colocou um marshmallow na boca, saboreando a doçura macia enquanto derretia em sua língua — um pequeno momento de felicidade.
Ele fechou os olhos lentamente, depois os abriu novamente, virando-se para olhar para trás. Na cama, sob um edredom grosso, jazia uma figura familiar. A visão trouxe um sorriso automático aos lábios de Taebaek.
Faziam dois meses desde que eles haviam escapado do Porto de Mokpo. Depois de passarem um mês em Jeju, Taebaek e Shinu tinham voado para Nova York três semanas atrás. Por que os EUA? Não havia nenhum motivo em particular além do fato de que Taebaek era dono de um prédio em Nova York. Claro, ele também tinha uma mansão na Califórnia, mas o inverno em Nova York tinha o seu charme, e Taebaek havia insistido para que viessem para cá.
Eles planejavam ir para a Califórnia até o verão. Taebaek já estava ansioso para ver Shinu nadar, vestido apenas com uma sunga justa que se moldava ao seu corpo tonificado.
Ao imaginar os ombros largos de Shinu , o peito firme e o abdômen, tudo levando até aquela linha da cintura provocantemente visível, a expressão de Taebaek tornou-se maliciosa. Suas sobrancelhas se arquearam e seus lábios se curvaram em um sorriso lascivo. Se Shinu o visse agora, provavelmente o repreenderia, dizendo para não estragar sua boa aparência com uma expressão daquelas.
Ainda assim, Taebaek não conseguiu se conter. O pensamento dos ombros largos e bem proporcionados de Shinu , seu peito e abdômen solidamente construídos, a curva profunda de sua espinha, a cintura esguia sem um pingo de gordura excedente e a saliência proeminente dos ossos de seu quadril — mal ocultados por uma sunga posicionada perigosamente baixa —, tudo levando às suas pernas longas e musculosas… era o suficiente para fazer o pau de Taebaek pulsar novamente.
— Haa…
Ele esfregou a própria testa aquecida em sinal de exasperação. Desejar alguém que estava dormindo pacificamente não era um crime, mas parecia um pouco sem-vergonha considerando que eles já haviam passado horas emaranhados um no outro mais cedo naquela noite.
Colocando a caneca vazia de lado, Taebaek caminhou na ponta dos pés até a cama. Entre o travesseiro e o edredom sobressaía o rosto de Shinu , sereno no sono.
Esses dias, Shinu vinha dormindo mais — na verdade, desde que deixaram a Coreia, seus hábitos de sono haviam mudado drasticamente. Ele mal se movia na cama, respirando de forma suave e constante, como se fosse um camundongo escondido. Ele se deitava às 23h e dormia profundamente até as 7h sem acordar uma única vez.
Para a maioria das pessoas, isso não pareceria excessivo, mas para Taebaek — que estava acostumado a ver Shinu passar três dias sem pregar o olho e ainda assim continuar atento —, era uma transformação fascinante. Assistir a Shinu dormir tão profundamente, alheio ao mundo, lembrava Taebaek de um filhote de cachorro recém-nascido.
Taebaek lembrou-se de uma conversa que tiveram durante os dias caóticos de sua fuga de Seul, quando o vírus estava se espalhando rapidamente.
— O que você costuma fazer quando está de folga?
— Apenas…
— Apenas o quê?
— Treinava, comia… e dormia.
Na época, Taebaek presumiu que fosse apenas conversa fiada. Mas agora ele percebia que Shinu realmente vinha tirando o atraso do sono sempre que podia. Fazia sentido — durante as missões ou treinamentos, o descanso adequado era um luxo. Como um urso armazenando energia para a hibernação, Shinu parecia descansar instintivamente sempre que surgia a chance.
Isso dava a Taebaek a oportunidade perfeita para admirá-lo o quanto quisesse.
— Lindo…
— …
— Como você consegue continuar tão bonito mesmo dormindo?
Sentado na borda da cama, apoiando o queixo nas mãos, Taebaek sussurrou para si mesmo. Seu olhar vagou para o pescoço e os ombros de Shinu que apareciam por baixo do cobertor, marcados com uma trilha de chupões da noite anterior. Taebaek riu baixinho, lembrando-se vividamente dos sons que Shinu havia feito e das expressões que ele usava enquanto aquelas marcas eram feitas.
O tempo passou sem que ele percebesse enquanto observava. Um olhar para o relógio digital na mesa de cabeceira revelou que eram — dois minutos antes de o alarme tocar.
Taebaek sorriu consigo mesmo e desligou o alarme preventivamente, uma pequena travessura. Dessa forma, ele poderia desfrutar de mais alguns momentos de paz enquanto ele mesmo acordava Shinu . Ele sempre fazia isso, deliciando-se com a chance de acordar Shinu pessoalmente.
Ainda assim, ele tomou o cuidado de não demorar muito. Shinu tinha uma tolerância estrita a atrasos — não mais do que cinco minutos. Taebaek havia aprendido essa lição da maneira mais difícil quando certa vez deixou Shinu dormir mais 30 minutos e levou uma bronca daquelas por causa disso.
Quando o relógio marcou, Taebaek pulou na cama. O impacto repentino fez o cenho de Shinu se franzir ligeiramente em seu sono. Sem hesitação, Taebaek envolveu-o em seus braços e sussurrou suavemente em seu ouvido.
— Capitão, hora de acordar.
Ao som da voz baixa de Taebaek, Shinu abriu os olhos lentamente. Embora estivesse dormindo mais ultimamente, ele nunca mostrava sinais de tontura ou fazia birra ao acordar. Uma única palavra era tudo o que bastava para despertá-lo do sono. Era ao mesmo tempo um pouco lamentável e ainda assim estranhamente admirável. Fazia-o parecer tão maduro.
Ao ver o rosto de Taebaek a poucos centímetros do seu, Shinu soltou uma risada frouxa. Aquele ridículo “Capitão”. Desde que soubera que “captain” era o equivalente em inglês ao seu posto de comandante de companhia, Taebaek passara a chamá-lo assim regularmente. Ele afirmava que era sexy.
Shinu não tinha ideia do que supostamente havia de sexy nisso, mas há muito tempo havia deixado de tentar entender o mundo de Taebaek. Era mais fácil apenas entrar na onda.
— Dormiu bem?
Shinu acariciou o cabelo de Taebaek enquanto perguntava, embora já soubesse que Taebaek estava acordado há horas. Era apenas uma saudação matinal. O movimento fez com que a pulseira simples, feita de forma rústica em volta do pulso de Shinu , tilintasse suavemente.
— Sim. E você, hyung?
Taebaek inclinou-se para dar beijos leves na bochecha de Shinu enquanto respondia.
— Dormi.
Shinu sorriu de leve diante da avalanche de afeto que vinha de Taebaek tão cedo pela manhã.
— Você está com cheiro de chocolate… Você já comeu isso?
— Sim. Está frio.
Diante da desculpa sem sentido, Shinu soltou uma risada seca, mas Taebaek já estava preocupado demais para se importar, seus lábios continuando sua exploração brincalhona.
Não contente em apenas beijar as bochechas de Shinu , Taebaek deixou seus lábios trilharem o caminho para baixo, roçando ao longo da curva de seu pescoço. Quando alcançou a cavidade da clavícula de Shinu , ele deu uma leve mordida na pele. Suas mãos, enquanto isso, tinham começado a vagar mais para baixo, massageando casualmente o quadril de Shinu . Dado que Shinu não havia se incomodado em colocar roupas após a noite de paixão algumas horas antes, era impossível evitar tocar em sua pele nua.
Taebaek exalou ar quente enquanto continuava a pressionar beijos pelo corpo de Shinu , suas mãos traçando os contornos familiares de seus músculos.
Shinu , contudo, estendeu a mão e deu um tapinha leve nas costas de Taebaek.
— Agora não.
Seu tom era calmo, mas firme, como um dono paciente repreendendo um filhote de cachorro entusiasmado demais. Taebaek gemeu e deixou o corpo amolecer, jogando-se sobre Shinu dramaticamente.
— Ugh… Isso é tão irritante. Eu realmente pensei que vir para cá significava que eu poderia fazer sexo com o hyung de manhã até a noite. Às segundas porque é segunda, às quartas porque estamos no meio da semana, às sextas porque é sexta e nos fins de semana só porque é fim de semana…
Taebaek enterrou o rosto na curva do pescoço de Shinu , resmungando como uma criança birrenta.
Em Jeju, Shinu estivera ocupado. Não Taebaek — Shinu . Entre criar vacinas, conceder entrevistas, receber pedidos de depoimentos para livros, participar de debates e ser convidado para se juntar ao governo provisório, ele mal tivera um momento para respirar. Assim que as vacinas foram concluídas, eles finalmente vieram para os EUA para escapar de tudo isso.
Mas aqui, também, Shinu estava ocupado. O Departamento de Defesa dos EUA o havia recrutado oficialmente como consultor — não como soldado, mas para fornecer inteligência sobre os infectados, oferecer conselhos operacionais e debater ideias para armas especializadas para combatê-los. Eles o chamavam de três a quatro vezes por semana, para grande irritação de Taebaek.
Eles chegaram a chamá-lo na véspera de Natal. Aquilo quase fizera Taebaek ter um colapso de fúria.
— Eu volto logo.
Shinu deu tapinhas reconfortantes nas costas de Taebaek. Não era uma organização qualquer — era o Departamento de Defesa dos EUA. Construir um bom relacionamento e manter uma relação positiva com eles não era uma má ideia. Poderia até mesmo resultar em apoio para os esforços de reconstrução da Coreia no futuro. Se não em ajuda direta, eles poderiam pelo menos conseguir armamento avançado.
Além disso, a assistência deles permitia que Shinu e Taebaek vivessem tranquilamente aqui. Sem isso, suas informações pessoais provavelmente teriam vazado, e sua residência teria se transformado em um espetáculo público, muito parecido com o que acontecera em Jeju.
Shinu havia explicado tudo isso a Taebaek — por que os benefícios superavam em muito os inconvenientes. Mas todas as manhãs, Taebaek ainda deixava claro o seu descontentamento. Não era que ele não entendesse. Ele simplesmente não queria entender.
Mais do que tudo, ele odiava ficar separado de Shinu .
Shinu olhou distraidamente para o lustre geométrico pendurado no teto, perdido em pensamentos. Então, como que por um capricho, ele se virou para Taebaek, que ainda estava agarrado a ele, e disse baixinho:
— Quer tomar banho junto?
Diante daquelas palavras, a cabeça de Taebaek ergueu-se num estalo, seus olhos brilhando de excitação.
— Sério?
Shinu não pôde deixar de rir da evidente ansiedade na resposta dele.
Para o café da manhã, Taebaek preparou uma mesa farta que incluía um sanduíche de salmão com abacate, salsicha de frango grelhada dourada, uma salada com queijo ricota e molho balsâmico, sopa de milho, pão de centeio com cream cheese de uma famosa queijaria de Manhattan e café fumegante. Era uma refeição saborosa e nutricionalmente equilibrada — perfeita em todos os sentidos.
Shinu , segurando o garfo e a faca, não pôde deixar de sorrir, as maçãs do rosto erguendo-se enquanto ele olhava para a mesa. Taebaek, sentado à sua frente, apoiava o queixo nas mãos, observando Shinu com um olhar divertido e afetuoso.
Shinu comeu alegremente, ocasionalmente oferecendo elogios desajeitados mas sinceros sobre o quanto tudo estava gostoso. De vez em quando, ele até dava um joinha para Taebaek.
Apesar de sua postura séria — ou talvez por causa dela —, não se esperaria que Shinu gostasse tanto de comida ocidental, mas ele era surpreendentemente aberto a ela. Embora parecesse o tipo de pessoa que preferia exclusivamente comida coreana, ele não tinha problemas em devorar pratos como massa coberta com molho cremoso, pizza grudenta e cheia de queijo, ou mesmo mac and cheese rico e pesado, tudo isso sem um único picles de acompanhamento.
Lá atrás, quando o vírus começou a se espalhar e eles estavam trancados em casa, Taebaek ficara surpreso ao ver Shinu saboreando massa. Na época, ele presumiu que fosse apenas porque não havia muito mais o que comer. Mas agora, depois de vir para os EUA, estava claro que Shinu realmente gostava daquela culinária.
Se ficassem aqui por mais seis meses, Taebaek tinha certeza de que Shinu poderia facilmente engordar uns 10 quilos. Suas bochechas ficariam mais redondas, suas coxas mais grossas e seus quadris mais macios — deliciosamente fofos.
— Lindo…
A palavra escapou da boca de Taebaek antes que ele se desse conta.
Shinu , com as bochechas completamente cheias de sanduíche, piscou surpreso, seus olhos redondos perguntando se Taebaek tinha acabado de dizer aquilo sobre ele.
— Sim, eu quis dizer você, hyung — Taebaek confirmou com um sorriso.
Ele estendeu a mão para limpar um pouco de molho do canto da boca de Shinu com o polegar, depois o levou aos próprios lábios e o chupou até limpar, com um beijo estalado e exagerado.
↫─☫ Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna