↫─Capítulo 20
↫─Capítulo 20
Shinu buscou urgentemente uma garrafa de água, ignorando Taebaek. Depois de enxaguar a boca com água fria, a doçura desapareceu. No entanto, a combinação de frescor e acidez deixou sua língua formigando.
Shinu colocou a língua para fora e a recolheu em seguida; Taebaek, que mal conseguira parar de rir, inclinou-se com um sorriso travesso e disse:
— Por que eu comeria algo que não é doce?
— …Você está se divertindo ao me provocar?
— Sim.
Taebaek respondeu com um sorriso e, como se para provar seu ponto, colocou outra bala de limão na boca. O som da bala rolando em sua boca era audível para Shinu. O cheiro suave de limão também flutuou por suas narinas. Isso fez Shinu se sentir ainda mais irritado.
Taebaek saiu da cozinha com um sorriso largo, enquanto Shinu o observava, estreitando os olhos.
Ele não podia exatamente bater nele… Apenas uma praga pequena e irritante… Ele choraria se levasse um soco… Embora fosse um adulto, Shinu pensou que deveria ser tolerante. Ainda assim, ele se perguntava se uma mera diferença de quatro anos tornava Taebaek tanto mais jovem e infantil.
Mas ele decidiu suportar.
…Ele realmente precisa? Considerando que ficariam sozinhos aqui por um tempo, talvez mostrar quem está no comando não fosse uma ideia tão ruim?
Só mais uma vez, se ele me provocar mais uma vez…
A garrafa de água de Shinu amassou com um estalo enquanto ele a apertava com força.
❖ ❖ ❖
Quatro dias se passaram. A cada noite, manchas de sangue apareciam com mais frequência nas estradas. No começo, havia uma mancha nova por dia, depois quatro, e então um carro colidiu contra um poste telefônico, deixando uma perna ensanguentada pendurada para fora através do para-brisa estilhaçado. Era um corpo composto apenas pelas pernas, sem a parte superior.
Era difícil dizer se era melhor o fato de não ter se transformado em um monstro ou se era lamentável que o corpo estivesse irreconhecível.
Mais quatro dias depois, a transmissão que vinha dando atualizações foi cortada. Especificamente, novas transmissões pararam. As notícias antigas ficavam se repetindo. Inicialmente, foi perturbador, mas depois, o fato de a eletricidade e a comunicação ainda estarem intactas pareceu um pequeno alívio.
O YouTube e as postagens em comunidades também tiveram uma diminuição significativa de conteúdo novo. Agora, apenas cerca de dez postagens por dia apareciam. Anteriormente, havia milhares de postagens diárias, tornando a situação grave.
Pelas raras atualizações, parecia que o vírus D-Vírus havia se espalhado não apenas em Seul, mas por todo o país.
Shinu desligou as notícias e buscou outras fontes de informação. Como o telejornal não fornecia mais atualizações, ele teve que colher informações em outros lugares.
Ele ouviu que pessoas haviam lutado por comida em um supermercado já vazio, resultando em assassinato. Elas se espancaram até a morte por um único pacote de lámen. Não era o monstro causando a morte; eram pessoas matando pessoas. Ninguém se importava, e o chão do supermercado estava coberto de sangue de pessoas pisoteando os cadáveres.
Vídeos também surgiram mostrando Devoradores em uniformes militares comendo soldados. A legenda dizia: [A operação dos soldados falhou. Não esperem por eles em casa. Para sobreviver, vocês devem ir para fora. A Ilha de Jeju ainda está segura. Mas não há barcos nem aviões.]
Fotos de Devoradores com barrigas tão inchadas que balançavam enquanto andavam também apareciam com frequência. Os estômagos, que ficaram dilatados por consumirem humanos, pendiam até as virilhas.
Postagens sobre o estado terrível do aeroporto também foram vistas. As pessoas estavam indo em massa para o aeroporto para fugir para o exterior, fazendo com que os monstros seguissem as presas, e muitas histórias circulavam sobre estradas estarem inutilizáveis devido a carros abandonados com manchas de sangue.
No entanto, não havia postagens sobre ter chegado ao aeroporto ou deixado a Coreia com sucesso. Os sites das companhias aéreas tinham apenas avisos dizendo que a emissão de passagens deveria ser feita diretamente no aeroporto devido à falta de informações.
Pouco depois, a internet e as comunicações foram cortadas. A última postagem que Shinu viu foi sobre um soldado confundindo o pai do autor da postagem com um monstro e atirando nele. O soldado não se desculpou e partiu sem olhar para trás. Quando o autor tentou impedi-lo e implorou, o soldado apontou a arma e disse que ele deveria apenas deixar para lá.
O mundo estava gradualmente sendo manchado de sangue.
— Ha…
Shinu exalou pesadamente enquanto fazia flexões, esticando os braços. Ele estava se exercitando sem camisa. Com os Devoradores atacando e ele permanecendo na casa de Taebaek, não conseguia se exercitar havia algum tempo. Ele voltou a treinar porque sentia que seu corpo estava perdendo o vigor.
Depois de recuperar o fôlego por um momento, Shinu retomou as flexões. A placa de identificação militar pendurada em seu pescoço fazia um som de tilintar ao tocar o chão e depois balançar para longe.
Sentindo a queimação nos músculos do braço e do abdômen, seu humor sombrio melhorou. No entanto, seus pensamentos desordenados permaneciam sem solução. Exercitar-se costumava clarear sua mente, mas desde que os monstros apareceram, nenhuma quantidade de esforço físico conseguia acalmar seus pensamentos. Os problemas eram complexos demais e insolúveis.
Depois de terminar as flexões, Shinu aproximou-se dos halteres organizados ordenadamente.
A casa de Taebaek tinha uma academia particular. De esteiras a racks de agachamento e barras de tração, estava totalmente equipada. Ele não conseguia entender por que Taebaek ia à academia todos os dias, apesar de ter todo esse equipamento em casa. Talvez ele apenas tivesse preenchido a sala com o que parecia bonito. Ele ponderava sobre isso quando um odor fraco e mofado cutucou seu nariz.
Cheirava a carne podre. Não seria muito diferente. Afinal, era o mesmo cheiro vindo do quarto onde a senhora era mantida.
O quarto onde a senhora estava ficava no canto mais distante da casa. Como a residência era muito grande, o cheiro do cadáver em decomposição não era tão forte, mas ocasionalmente o odor rançoso e mofado assaltava suas narinas.
Era como se estivesse lembrando-o de não esquecer a presença da senhora.
Eles poderiam ter movido o cadáver para fora ou simplesmente jogado pela janela, mas nem Shinu nem Taebaek disseram uma palavra sobre o odor repugnante. Era como se estivessem tentando suportar a morte da senhora.
Shinu franziu o nariz e aproximou-se da barra de tração. Ao se elevar, ouviu uma batida na porta.
— Hora do almoço.
Era Taebaek. Ele espiou pela fresta da porta e olhou para Shinu. Shinu, que havia descido da barra, vestiu a camiseta que deixara pendurada no equipamento. Seu corpo suado foi escondido pela roupa.
Taebaek estreitou levemente os olhos. Conforme o tempo que passavam juntos aumentava, ele via sem querer mais do corpo de Shinu. Anteriormente, pensara que Shinu tinha a pele estranhamente pálida para um soldado, mas ele era simplesmente alguém que não bronzeava com facilidade. Ele era, de fato, um soldado.
Havia várias cicatrizes em seus ombros, braços, costas e laterais. Algumas pareciam ferimentos de faca, enquanto outras, com a pele distorcida em formato circular, suspeitava-se serem marcas de tiros. Seu corpo falava de uma vida militar difícil.
— …
Shinu sentiu o olhar de Taebaek, mas não disse nada. Estava acostumado com tais olhares. Ainda assim, seus dedos esticaram o tecido da roupa.
Os dois seguiram para a cozinha juntos.
Como de costume, uma refeição esplêndida estava posta na mesa. Shinu e Taebaek faziam duas refeições por dia. Tinham um almoço adequado e mantinham o jantar o mais simples possível para conservar comida.
A comida na geladeira havia se esgotado. Apenas itens que não estragam rápido, como molhos e bebidas, restavam. No entanto, ainda havia o que comer. A pequena despensa anexa à cozinha tinha bastante estoque.
Por exemplo, massa. Mac and cheese. Geleia. Coisas assim.
— Massa de novo.
Hoje, era massa. Na verdade, fora massa ontem e anteontem. Felizmente, os molhos comprados variavam de tomate a creme e rosé, então não era tão ruim. Taebaek havia colecionado vários molhos de massa durante suas viagens ao exterior. Era um hábito afortunado, embora não restasse muito. No entanto, era uma refeição generosa, e Shinu não tinha queixas.
Os dois sentaram-se um de frente para o outro. Shinu disse: — Obrigado pela refeição — e pegou o garfo. Ele tentou comer a massa desajeitadamente. Como não comia com frequência, sua habilidade com o garfo era rudimentar.
Mas e daí? Contanto que o gosto esteja bom.
A massa de hoje era ao molho branco. Havia também algumas salsichas reservadas espalhadas. Com alho e cebola incluídos, era uma massa muito boa.
Shinu comeu com prazer. Não apenas por educação, mas realmente gostou. O molho cremoso e saboroso combinava com seu paladar. Mesmo sentindo falta de kimchi ou arroz, ver o prato se esvaziando era lamentável.
— Você cozinha muito bem, sinto isso todos os dias.
Shinu disse sinceramente enquanto comia. Taebaek, que terminara de comer e estava apoiado com o queixo na mão, sorriu brilhantemente.
— Na verdade, sabe…
— Sim?
— Eu não sou muito do tipo que cozinha para si mesmo, sabe? Acho cozinhar um incômodo.
— Ah…
Shinu mordeu o lábio inferior, perguntando-se se Taebaek estava dizendo que cozinhava apesar do incômodo porque Shinu comia tão bem, ou se estava sugerindo que já fizera o suficiente e que Shinu deveria se virar sozinho de agora em diante.
Enquanto Shinu tentava seriamente deduzir as intenções de Taebaek, este sorriu enquanto apoiava o queixo no outro lado.
— Mas ver você comer tão bem me faz querer continuar cozinhando para você.
— Sério?
— Acho que é por isso que as pessoas criam cachorros.
— ……
— Oh, você está cerrando o punho de novo? Vai me bater?
A mão de Shinu, segurando o garfo, tremeu levemente. Taebaek riu enquanto batia na mesa. Shinu o encarou ferozmente. O garfo era afiado e sólido. Com força suficiente, poderia facilmente perfurar a testa bonita de Taebaek.
Isso resolveria o problema do Devorador, não resolveria? Mas então ele pensou que isso seria assassinato e decidiu que não. Shinu pousou o garfo silenciosamente.
— Você não precisa mais cozinhar para mim. Estou bem apenas com shakes de proteína.
Alguns dias atrás, ele encontrara shakes de proteína no armário. Era algo que se esperaria encontrar na casa de alguém que se exercita. Shinu ficou entusiasmado ao descobri-los. Desde então, tem bebido um por dia. Taebaek disse que nem sabia da existência deles e falou para Shinu beber o quanto quisesse.
— Isso é um suplemento, não um substituto de refeição.
— Em uma emergência, ou melhor, em uma situação como esta, preocupar-se com a natureza da comida não faz sentido.
— Oh, sério? Eu vou continuar cozinhando para você.
Taebaek deu de ombros com seus ombros largos e piscou os cílios. Ver seu rosto bonito fazer uma expressão brincalhona era uma visão bastante agradável, mas também o tornava mais irritante.
Shinu, que encarava Taebaek, olhou para seu prato. Ainda restava um pouco de comida. Ele não era tão mimado a ponto de sair no meio de uma refeição por causa de raiva.
Com o rosto emburrado, Shinu pegou a colher e raspou o molho e o macarrão restantes do prato. Taebaek conteve o riso.
Justo quando o prato de Shinu estava sendo limpo,
Um estrondo súbito e pesado foi ouvido. Foi um som muito profundo e denso. Antes mesmo que ele pudesse reconhecer o que era, o mundo inteiro pareceu tremer. O chão e o teto, a mesa, os pratos e garfos, e a água no copo, tudo balançou.
A louça organizada ordenadamente no armário tilintou e colidiu. As taças de vinho penduradas no suporte bateram umas nas outras e quebraram. Os estalidos agudos soaram como fogos de artifício intermináveis. As luzes no teto balançaram, fazendo a iluminação piscar descontroladamente.
Então, todas as luzes da casa, que estavam brilhantemente acesas, subitamente se apagaram. O cômodo escureceu como se a noite tivesse engolido o dia.
Shinu e Taebaek olharam um para o outro em alarme.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna