↫─Capítulo 173
↫─Capítulo 173
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Pt. 01
Kim Hyunwoo vagava pelas ruas ofegando atrás de ar. Não importava para qual direção ele caminhasse — norte, sul, leste ou oeste —, o mesmo cenário continuava aparecendo. Ainda assim, havia um motivo para ele continuar caminhando e caminhando enquanto revirava prédios. Fazendo isso, comida e bebida ocasionalmente apareciam. Além disso, como as coisas apareciam às vezes mesmo quando se vasculhavam lugares já vasculhados, ele tinha que continuar vasculhando o mesmo cenário até perder a cabeça.
— Arf…!
Hoje sua sorte estava boa. Era um pão que ele havia encontrado depois de três dias. Embora cheirasse um pouco estragado, até aquilo era algo pelo que ser grato. Bem quando ele estava prestes a devorá-lo freneticamente, houve um chute que o atingiu. Era Ko Jaewon.
— Desgraçado de merda, eu sabia. Você está comendo tudo sozinho!
— Aaahhh! Não! Não! Eu não comi! Eu, eu também! Me dá também! Eu estou com fome!
Estivesse Kim Hyunwoo protestando ou não, Ko Jaewon devorou o pão estragado sem pensar. Dele vinha um fedor pior que o do pão. Seus olhos estavam completamente desfocados, meio fora de si, e a partir de certo ponto, orelhas, narizes e lábios haviam crescido aqui e ali na parte de trás de sua cabeça e em seu corpo. Embora Kim Hyunwoo implorasse choramingando por só uma mordida, ele foi apenas pisoteado até os ossos quebrarem, junto com xingamentos.
Kim Hyunwoo amaldiçoou a realidade. De onde diabos esse desgraçado demoníaco havia aparecido? Tinha sido bem melhor quando Ko Jaewon não estava ali. Então ele podia ao menos monopolizar a comida sozinho. Os membros da equipe eram só idiotas inúteis que nem ajudavam. Não poderiam lutar contra Ko Jaewon em situações assim! No entanto, era um lamento inútil, já que eles agora haviam se tornado como insetos rastejando no chão enquanto despedaçavam monstros, tendo perdido até as palavras e a razão.
Ko Jaewon, que havia devorado o pão com avidez, arregalou os olhos. Isso porque ele notou o olhar que os observava do terraço. Em certo momento, alguém dava risadinhas enquanto os observava. As pessoas que vinham assistir mudavam toda vez — hoje eram Joo Hoyoung e Yoon Seungryong. Eles se divertiam assistindo-os se comportar de forma miserável.
— Aaaahhh! Por favor! Por favor, me tirem daqui! Eu errei! Eu errei!
Kim Hyunwoo lamuriou-se enquanto corria na direção dos dois. No entanto, por mais que corresse, por algum motivo ele não chegava mais perto do prédio. Joo Hoyoung fez uma careta completa.
— Eca, por que diabos ele está completamente pelado? É ofuscante.
Só então Kim Hyunwoo percebeu seu corpo nu em certo momento. E em sua mente turva ele mal se lembrou de que havia jogado fora suas roupas porque estava quente demais. Fosse assim ou não, sem nem conhecer a vergonha, ele implorou enquanto soluçava.
— E-eu, eu vou, eu vou para a prisão. Eu errei! Por faaavor, por favor… Me mandem para a prisão!
Desde algum tempo antes, o calor havia se transformado numa dor escaldante que o atormentava extremamente. Incapaz de dormir direito, a dor se tornava ainda mais extrema. Além disso, estar ciente de que seu corpo se retorcia lentamente pela contaminação era realmente agonia e medo. Até então, Ko Jaewon ainda encarava Joo Hoyoung com os olhos arregalados. Então caiu de joelhos. Logo, sem hesitar, bateu a cabeça no chão e implorou desesperadamente.
— Ho, Hoyoung-ah! Seungryong-ah…! Eu estou implorando. Por favor… Me perdoem pelos velhos tempos. Eu faço qualquer coisa… Vocês podem me usar como escravo pela vida toda…
— Essas coisas conseguem falar palavras humanas?
A cabeça de Ko Jaewon se ergueu de supetão. Em certo momento, Seo Yakrin também assistia com os braços cruzados e um rosto descontente. Kim Hyunwoo rapidamente se prostrou e latiu. Ko Jaewon também emitiu gritos animalescos para não ficar atrás. Ele nem conseguia pensar em dignidade. Ele só queria escapar de ser como um inseto preso numa armadilha. Isso porque havia uma recompensa dada quando eles ocasionalmente eram clementes. Do contrário, ele desejava que preferissem matá-lo. Ele não queria viver.
Havia mais um olhar afiado. Era o de Lee Chanha. No entanto, Ko Jaewon nem conseguia erguer a cabeça na direção dele. Isso porque sabia bem que, se o ofendesse nem que fosse minimamente, aquele lugar mudaria para um lugar ainda mais cruel conforme a vontade de Lee Chanha.
Por exemplo, era assim: itens bastante úteis obtidos com esforço de repente apodreciam, ou comida boa ficava infestada de larvas. Ou, quando lutava com afinco contra monstros, ele caía em si e se via socando um prédio, ou xingamentos insultuosos que degradavam a personalidade eram ouvidos o dia todo, etc…
Até aquilo era até clemente. Quando ele mal escapava dali e voltava para casa, mas abria a porta da frente para ver aquele cenário de novo, ele realmente queria desabar e morrer ali mesmo. No entanto, nem morrer era algo que podia fazer livremente. Por mais que acabasse com a própria vida, ele abriria os olhos de novo no dia seguinte. E toda vez que tentava a morte, provações mais terríveis vinham.
— Com licença, com licençaaa…
Uma voz tênue foi ouvida. Era Park Seungmin aparecendo num estado lastimável de um canto. Incapaz de conseguir nem um gole de água direito, ele ofegava como se estivesse morrendo. Pedaços de carne haviam caído de marcas de mordida aqui e ali em seu corpo. Embora de baixo nível, ele era um purificador, então era o único não prejudicado pela contaminação. E era também um purificador impiedosamente explorado diariamente tanto por Ko Jaewon quanto por Kim Hyunwoo, respectivamente.
— E-eu tenho algo a dizer ao Yo, Yohan. Por favor, chamem o Yohan… Eu realmente tenho algo a dizer. É importante. Eu, eu ainda não, devolvi todo o dinheiro, ainda.
Park Seungmin também implorou e implorou em desespero. No entanto, a resposta foi impiedosa. Lee Hyunmook, que havia aparecido em certo momento, disse.
— Isso não vai dar. O nosso Yohan disse que nunca mais quer ver você.
Além dessas pessoas, havia outras que haviam caído naquele inferno. Hwang Yeongcheol e Kim Jongseok. Eles também vagavam pelas ruas incapazes de morrer, mas, como eram civis, sua velocidade de contaminação era tão rápida que agora sua aparência original nem podia ser reconhecida.
— Aaahhh! Por favor! Eu estou implorando assim! Eu quero morrer! Me matem! Prefiro que me matem!
Park Seungmin lamuriou-se em desespero. Toda vez que dormia, ele sonhava o sonho mais feliz. Era uma vida de despertar como purificador de alto nível e receber o elogio de todos enquanto vivia com arrogância. Porque ele havia de fato experimentado aquilo em vez de ser apenas um sonho, era mais vívido. E toda vez que acordava do sonho curto e doce, ele se desesperava terrivelmente a cada vez. A realidade era miserável demais comparada ao sonho.
Diante daquelas pessoas, lamuriando-se cada uma de um tipo diferente de desespero terrível, Lee Hyunmook tirou algo. Era uma bolsa contendo múltiplas seringas. Aqueles piores que feras pararam de chorar.
— Quando obtive isto pela primeira vez, eu esperava que uma situação para usá-lo não viesse… O Yohan provavelmente trouxe sabendo que seria usado em momentos assim. Vocês sabem o que é isto?
Lee Hyunmook falando com voz suave de algum modo parecia mais humano que antes. No entanto, aquilo não era muito importante para eles. Com todos se concentrando, Lee Hyunmook estreitou os olhos e informou gentilmente.
— É morfina.
Morfina…! Diante do nome do poderoso analgésico narcótico, olhares gananciosos apareceram em rostos sujos e manchados. Era a única coisa que podia fazê-los esquecer aquela dor nem que fosse um pouco. Lee Hyunmook lançou a seringa diante deles.
— Ahhh! É minha! Minha!
— Desgraçados de merda! Sumam daqui, seus desgraçados!
Todos se divertiram assistindo-os morder e despedaçar uns aos outros como demônios. Entre eles, quem venceu foi Ko Jaewon.
— Ah, ahhh…
O corpo de Ko Jaewon pendeu depois de ele rapidamente inserir e injetar a seringa. Ele ficou mole diante da paz que viera depois de muito tempo. Era ao ponto dele conseguir ignorar até Kim Hyunwoo, que o espancava desesperadamente depois de ter o analgésico roubado diante de seus olhos.
— Agora, vocês querem mais disto, né?
Seringas de morfina foram lançadas uma após a outra diante daqueles cujos olhos haviam ficado vermelhos. Não em lugares próximos como antes. Foram espalhadas longe, em lugares que nem podiam ser vistos. Os que viram gritaram e correram para onde as seringas haviam caído.
— Haha!
Assistindo àquilo, Lee Hyunmook riu pela primeira vez como alguém que se vinga. De qualquer forma, a morfina havia sido apenas aquela de antes — as demais eram todas seringas cheias de água. E será que eles sabiam? Que até aquilo era um momento menos infernal…
Eles ficariam presos na fenda para sempre até o dia em que algum dia fossem comidos pelo Abismo. Quando isso acontecesse, eles, absolutamente, nunca mais retornariam ali. Como era um lugar que dava trabalho até para Yohan, um purificador de alto nível, haveria limites apenas com Park Seungmin, um purificador de baixo nível, sozinho.
Num lugar onde até Lee Hyunmook, com vontade tão firme, e companheiros que haviam formado laços profundos lutaram — será que aquelas pessoas conseguiriam aguentar até o fim?
— Vamos. O nosso caçula deve estar esperando.
Seo Yakrin, que já havia perdido o interesse nos traidores parecidos com vermes, resmungou. Lee Hyunmook também concordou com a história de seu namorado esperando, então não olhou para trás. Por mais que espalhasse sua sombra, ele não queria deixar Yohan sozinho.