↫─❀ Capítulo 16.6
Epílogo
Final de agosto, sob uma luz solar que se fragmentava ao cair. O período em que as frutas de verão, que enriqueciam a mesa das pessoas, já haviam deixado cair todos os seus frutos e as raízes se aprofundavam para se preparar para a próxima estação.
A Hetrop House, situada à beira do lago, estava movimentada desde a manhã.
Pessoas entravam e saíam constantemente para os preparativos da festa, e vários itens de eventos, difíceis de serem vistos em dias comuns, estavam espalhados pelo pequeno jardim da Hetrop House.
Diante da determinação de Claude, que insistiu em organizar uma festa de celebração da gravidez, Damian, que estava com o corpo bem mais pesado, ficou horrorizado, mas o rosto de Claude, que levou a festa adiante, exibia uma expressão mais séria e animada do que nunca.
Sentado de forma inclinada perto da janela da sala de visitas do primeiro andar, que dava para o jardim, Damian cruzou olhares com Claude, que estava no centro do jardim controlando e direcionando a situação.
— Damian. Estava muito barulhento?
Correndo até ele em um piscar de olhos e beijando sua bochecha, ele perguntou.
— As pessoas fariam tudo sozinhas, então fiquei olhando para entender por que você está agindo assim.
— É uma ocasião para celebrar a sua gravidez, não posso fazer de qualquer jeito. Minha vontade era alugar o salão de festas de um hotel, mas como você se recusou terminantemente, pelo menos a festa precisa ser perfeita.
— De qualquer forma, não temos muitos convidados, então pegue leve.
Talvez por sentir um enorme aperto no coração por não ter podido anunciar a gravidez de imediato devido a várias circunstâncias, Claude parecia querer compensar esse arrependimento com a festa de celebração. Recentemente, o príncipe herdeiro havia ficado tão exausto com os exageros de Claude que chegou a ligar para Damian dizendo: “Contenha um pouco o seu alfa”.
Saber que aquele homem, que raramente demonstrava oscilações emocionais exceto quando lidava com ele próprio, estava exagerando a ponto de ouvir tais comentários dos outros o tornava, de certa forma, adorável.
— Eu cuido das coisas por aqui, então descanse bem até o início da festa. Você não dormiu direito ontem porque ficou gemendo de dor de madrugada.
— Sim. Por isso estou apenas observando daqui.
Apoiando o queixo na mão e olhando para cima em sua direção, recebeu um olhar infinitamente suave.
Contemplando o rosto de linhas marcantes, Damian acenou com o dedo, chamando-o. “Hum?”, ele inclinou a cabeça levemente.
Deu um beijo leve nos lábios dele que se aproximaram. Lambera de forma preguiçosa o canto da boca que exibia um sorriso e, quando Damian tentou afastar o corpo, teve o rosto segurado pelas mãos dele. A língua que invadiu começou a lamber a mucosa macia.
O aprofundamento do beijo foi um estalo. Metade do corpo dele se inclinou para o lado de dentro da janela.
Damian sugou a língua dele que vasculhava profundamente o interior e tateava a arcada dentária. As línguas enredadas exploraram a boca um do outro por um longo tempo, compartilhando a saliva. O beijo continuou de forma profunda e viscosa. Ele devorou o interior de Damian com avidez até que o fôlego dele se esgotasse.
A língua que se enredava de forma espessa foi se retirando lentamente e sugou de leve os lábios úmidos. Com os lábios encostados, as respirações de ambos se misturaram.
— Damian. Vamos para o quarto?
Diante do convite sussurrado de maneira preguiçosa, Damian empurrou levemente os ombros dele.
— Vá terminar o que estava fazendo. Eu vou descansar.
Lançando um olhar enviesado para as pupilas carregadas de um desejo denso, Damian recuou o tronco. Claude, que vistoriava Damian com um olhar cheio de lamentação, endireitou o corpo ao ouvir uma voz chamando-o por trás.
— É uma pena, mas não tenho escolha. Então, que tal eu voltar a preparar a festa que vai agradar perfeitamente ao seu coração?
Smack, os lábios tocaram a testa dele como uma pluma e se afastaram.
Claude se virou sem hesitação e seguiu em direção às pessoas que o chamavam.
Olhando para as costas largas e confiáveis dele, Damian tentou conter o sorriso que insistia em subir pelas maçãs do rosto.
— Olha só, está morrendo de amores, morrendo.
Assustado com a voz que veio de trás, virou-se e viu Erich estalar a língua com uma expressão de desagrado.
— É uma cena bonita de se ver, por que está agindo assim?
Quando Josua, que vinha logo atrás, chamou a atenção dele, Erich explodiu em reclamações: — É porque acho um absurdo, um completo absurdo. Onde foi parar aquele tempo em que ele dizia que não queria ter filhos e pedia tempo? Agora os dois não conseguem ficar separados por um segundo sequer.
— O Josua ficou tão ansioso por sua causa todo esse tempo… — continuou Erich resmungando, até levar um tapa nas costas dado por Josua, que se acomodou em frente a Damian.
— Disseram que Sua Alteza chegará em trinta minutos.
— Sim. Sinto que acabamos chamando uma pessoa ocupada sem necessidade.
— Já é uma sorte que Sua Majestade não tenha vindo. Se ele tivesse dito que viria, a preocupação com a escolta e tudo mais teria dobrado.
— O meu irmão queria vir. Ele chegou a cogitar empurrar o trabalho para Ilias.
— Que bom que as pessoas ao redor o impediram. — Erich balançou a cabeça de um lado para o outro como se detestasse a simples menção da ideia.
— Quando a festa terminar, ligue para Sua Majestade para prestar seus cumprimentos.
— Farei isso.
Concordando com a cabeça, Damian hesitou ao sentir uma sensação de agitação no baixo ventre. Tentou disfarçar a leve careta que se formou em seu rosto, mas Josua percebeu imediatamente.
— É o bebê se mexendo?
Direcionando o olhar naturalmente para o baixo ventre, Josua perguntou.
— Sim. Ele está dando chutes bem fortes.
Quando sentiu os primeiros movimentos do bebê, Damian ficou horrorizado com aquela sensação esquisita. Em vez de um amor materno emocionante, sentiu primeiro um incômodo e uma sensação estranha de que havia algo esquisito dentro de sua barriga. Claro que agora era diferente daquela época. Pois o afeto pelo filho dentro do ventre começara a surgir gradualmente.
Na verdade, mais do que o próprio Damian que estava grávido, Claude, que estava ao lado dele, foi quem sentiu os movimentos primeiro e ficou emocionado antes.
— Nessa época é comum ele se mexer com frequência. Como estão as contrações de treinamento?
— Bem, estão normais. Ontem à noite incomodou um pouco e não consegui dormir direito, mas…
— Onde, onde?
Erich colocou a mão sobre a barriga saliente de Damian e prendeu totalmente a respiração. No entanto, o ser vivo que há pouco afirmava sua existência permaneceu quietinho, como se nada tivesse acontecido.
— O que foi, garoto? Por que fica quieto logo quando eu coloco a mão? Ei. Você está mesmo aí dentro direito?
— Acha que a criança entende se você falar assim?
Josua achou a atitude dele lamentável e puxou a mão de Erich, que ficara dando leves batidinhas na barriga.
— O que acha de um homem que logo se tornará avô começar a agir de forma um pouco mais cordata?
— ……
Diante do título de avô, Erich murmurou desacreditado: — Avô… — e logo franziu as sobrancelhas com força.
— Eu, um avô… Por favor, não me chame por esse título. Sinto como se estivesse extremamente velho.
— Logo o seu neto vai nascer, então você está velho sim. Apenas aceite.
Ao contrário da reação indiferente de Josua, Erich estremeceu dizendo que não aceitaria. O olhar de Josua carregava uma ponta de desdém, como se olhasse para um filho que ainda não havia crescido.
Damian ouvia a conversa de seus pais distraidamente, deixando-se envolver pelo conforto que o cercava. As coisas com as quais se preocupara e se estressara agora pareciam distantes, como se fizessem muito tempo.
Embora tivesse se passado apenas pouco mais de um mês.
Desde aquele dia em que se marcara a Claude, Damian não sentira mais insegurança. Não que o mundo inteiro tivesse se tingido de rosa ou que a realidade parecesse perfeita. No entanto, a rotina de cada dia era agradável. Tudo o que compartilhava com ele ganhava um significado especial. Os gestos simples dele e o olhar direcionado a si. O tempo compartilhado trocando piadas sem importância. Aqueles sentimentos plenos e assombrosos, como se olhassem para a alma um do outro, preenchiam Damian por inteiro.
Mesmo distantes, uma sensação extremamente doce de estarem conectados como um só corpo dentro de um berço invisível e gigantesco, onde podiam se perceber a qualquer momento, envolvia-o com firmeza.
Até mesmo os sentimentos avassaladores que o cobriam intensamente às vezes, como se fosse atingido por uma forte correnteza, deixavam Damian contente. O simples fato de que a pessoa que lhe causava aquele sentimento era Claude já era o suficiente para deixá-lo plenamente satisfeito.
Olhando para Damian, que parecia muito mais relaxado e suave, Josua disse com uma expressão satisfeita:
— Fico feliz que você tenha encontrado a paz de espírito antes que fosse tarde demais.
— …Desculpe por ter causado preocupação todo esse tempo.
— Não há de quê. O importante é que encontrou o rumo certo.
— Se esta é a escolha certa ou não, só o tempo dirá. Vou continuar vigiando para ver se aquele tal de Claude vai se comportar bem.
Diante da atitude de Erich, que abria bem os olhos em tom de ameaça, Damian o chamou, parecendo sem jeito.
— Pai.
— Não ligue. O Erich está agindo assim porque está ressentido por você já ter saído de debaixo das asas dele. Quando a criança nascer, ele vai ficar tão focado nela que nem vai dar bola para o Claude.
Damian apenas riu diante do protesto de Erich pedindo para ele não dizer aquilo. O fato de o Duque Sabina adorar crianças era de conhecimento de todo o mundo. Erich sempre lamentara ter apenas Damian como filho. No entanto, como o parto de Josua para dar à luz Damian fora extremamente difícil, ele preferiu não ter mais filhos por medo de perder seu parceiro. Provavelmente, quando a criança nascesse, Erich tentaria dar tudo o que possuía a ela. Assim como fizera com Damian.
Esta criança, mesmo antes de nascer, estaria cercada por pessoas dotadas de um afeto absoluto, crescendo recebendo tanto amor quanto Damian recebera, ou melhor, ainda mais amor do que ele.
Contente com esse fato, Damian sorriu novamente.
A festa foi agradável. O jardim estava repleto de balões coloridos e do som das risadas animadas das pessoas. A luz do sol iluminava o gramado verde do jardim na medida certa, e o vento que soprava de tempos em tempos tocava a gola das roupas das pessoas como uma brincadeira.
Graças aos esforços e à dedicação de Claude e Theo nos preparativos, a festa contava com uma variedade de atrações e entretenimentos que eram suficientes para satisfazer a todos os presentes.
No início, devido à presença do príncipe herdeiro, a atmosfera ficou um pouco rígida por conta dos seguranças vestidos de terno preto espalhados por todo o jardim, mas essa sensação se desfez rapidamente quando o próprio príncipe herdeiro começou a socializar de maneira informal com as pessoas.
O mestre de cerimônias da festa era um comediante que gozava de grande popularidade no país por sua lábia inteligente e, fazendo jus à sua fama, sua habilidade em animar o ambiente era excepcional.
O comediante animava o público incluindo pequenos jogos de perguntas para evitar que as pessoas ficassem entediadas.
Por volta do momento em que os presentes direcionados a Damian começaram a se acumular como uma montanha, teve início o evento de revelação do sexo do bebê, que era o assunto que mais despertava a curiosidade de todos na festa.
— Bem, agora chegou o momento pelo qual todos vocês estavam tão curiosos! O questionário que pedi no início da festa está bem aqui em minhas mãos. Vamos ver qual é o sexo do bebê que todos imaginam?
Segurando o questionário trazido pela equipe de apoio da festa e dando uma olhada inicial, o comediante abriu bem os olhos como se estivesse surpreso com o resultado e soltou uma exclamação de admiração.
— É a primeira vez que vejo um resultado tão concentrado em um único lado! Parece que há muitas pessoas esperando por este sexo específico!
— Vamos logo com isso! — gritou alguém que não conseguia conter a curiosidade, ao que o comediante brincou: — Opa, será que enrolei demais? Mas peço que me entendam. É que fui contratado para esta festa por hora… — As pessoas riram da sagacidade do comediante.
— É verdade que combinou de pagar por hora? — perguntou o príncipe herdeiro ao lado de Damian, e Claude respondeu.
— Claro que não.
— Imaginei… De qualquer forma, Damian, você é mesmo terrível. Como pôde não contar nem para este irmão aqui? Hum?
— Você vai ficar sabendo logo, faria alguma diferença saber antes?
— Eu teria menos dificuldades para preparar o presente.
— Por favor, guarde os seus presentes. Já está exagerado, muito exagerado.
Quem em sã consciência presentearia uma casa para uma criança que nem sequer havia nascido? E ainda por cima, presenteara um iate para Damian.
Ninguém entre os presentes na festa havia dado um presente tão exagerado. Nas festas de celebração de gravidez, era costume os participantes darem presentes pequenos e simples que não representassem um fardo.
Enquanto Damian balançava a cabeça negativamente ao ver o príncipe herdeiro ignorar completamente as convenções para entregar presentes monumentais, o apresentador anunciou o resultado do questionário, aproveitando a reação do público.
— Todos estão torcendo por uma menina.
O príncipe herdeiro soltou um som pensativo ao ouvir o resultado e observou a expressão de Damian.
— Você também queria que fosse uma menina?
— Bem… Na verdade, eu não me importo muito, mas… Não é estranho que raramente nasçam meninas na família real? Por isso fico um pouco curioso. Se a criança que você vai dar à luz será uma menina ou um menino.
— Você saberá em breve.
Quando o apresentador chamou os protagonistas do dia, o casal de Duques de Enosh, Claude amparou Damian. A barriga de Damian, que antes mal dava indícios de crescimento, aumentava a cada dia, estando agora em um estado que não dava mais para esconder com as roupas.
Claro que, mesmo assim, vestindo uma camisa folgada que pressionava menos a barriga, Damian não precisava de ajuda, mas não rejeitou o amparo de Claude.
— Bem, vou conduzi-los por aqui!
O apresentador recebeu os dois com gestos exagerados, indicando o caminho. Quando subiram ao pequeno palanque, os gritos de comemoração das pessoas aumentaram.
O casal de Duques Sabina também os observava em meio à multidão com olhos cheios de expectativa. Eles também estavam no mesmo patamar dos outros, sem terem sido informados sobre o sexo da criança.
Em Ronen, existe o costume tradicional de tecer uma guirlanda de lavanda se nascer um menino, ou de folhas de sálvia se nascer uma menina, para pendurar na porta.
Na antiguidade, como não era possível saber o sexo da criança com antecedência, a guirlanda era pendurada após o parto, e esse costume se estendeu até os dias atuais, sendo frequentemente realizado por muitas pessoas em festas de celebração de gravidez.
Quando os dois se posicionaram no centro, a equipe do evento trouxe uma caixa branca ricamente decorada contendo a guirlanda. Diante da embalagem totalmente lacrada para evitar que o interior fosse visto, as pessoas insistiram para que abrissem logo.
— Você quer abrir?
— Pode ser.
Damian recebeu a caixa que havia sido entregue a Claude. Retirando o grande laço decorativo sem cerimônia, Damian desfez toda a embalagem e olhou para as pessoas cujos olhares estavam concentrados nele.
— Todos estão curiosos?
— Sim! — responderam em coro direcionados a Damian, que piscou para eles e disse com uma expressão travessa:
— De acordo com a tradição de Ronen, farei a revelação após o parto…
— Buuu! — Uma vaia ecoou em uníssono antes mesmo que Damian pudesse terminar de falar.
— Parece que a atmosfera vai ficar tensa se eu enrolar mais. Então, farei a revelação agora.
Damian percorreu os olhos pelos olhares concentrados nele e abriu a caixa devagar. Quando inclinou a caixa totalmente aberta para que as pessoas pudessem ver, suspiros e gritos de comemoração escaparam simultaneamente da boca das pessoas.
A revelação do sexo, que tinha alguns esperando por uma menina e outros prevendo um menino, mostrou de forma clara, através da guirlanda de lavanda ricamente decorada, que Damian daria à luz um menino.
— Parabéns!
Começando pelo grito de alguém, mais uma vez as pessoas gritaram felicitações para Damian. Erich, que no fundo desejava uma menina, ficou com as sobrancelhas caídas por um breve instante demonstrando lamentação, mas logo substituiu por um sorriso radiante, abraçando Damian com força para demonstrar sua emoção.
O príncipe herdeiro, que tinha uma agenda apertada, deixou a festa logo em seguida expressando sua lamentação, e com a saída da pessoa mais difícil e formal, a atmosfera ficou muito mais relaxada, permitindo que as pessoas comessem, bebessem e aproveitassem a festa.
Quando o jardim da Hetrop House escureceu e a festa estava no auge, acenderam fogos de artifício enquanto faziam uma oração conjunta desejando um parto seguro.
O show de fogos que iluminou o céu noturno foi esplêndido e belo, deixando uma impressão profunda em Damian antes que a longa festa chegasse ao fim.
Tarde da noite, depois que todos os convidados haviam retornado.
Damian, o protagonista da festa, não conseguia dormir apesar do cansaço devido a uma estranha efervescência no peito. Diante da insistência de Claude de que precisavam dar uma festa, pensara que seria uma perda de tempo, mas agora que a festa terminara, sentia-se bem. Pensando bem, nunca havia acolhido de verdade a criança que surgira de repente sem qualquer preparação. Ficara tão atordoado e furioso que sua mente estava focada apenas em como interromper a gravidez de qualquer maneira.
Aquele sentimento de que era uma criança que não seria bem-vinda e que, por isso, não deveria nascer, desaparecera por completo somente hoje. O arrependimento e a ponta de culpa que ele nem sabia que existiam também sumiram juntos.
Esta criança era a prova do fruto gerado pelo amor, nascendo sob a bênção de todos. Claro que a ordem das coisas ficara um pouco invertida, mas que importância tinha?
— O que está fazendo?
Diante do toque das mãos de Claude que envolveram sua cintura de mansinho, Damian apoiou o corpo para trás. O perfume e o calor familiares o abraçaram suavemente.
— Não está cansado?
— Obrigado.
— Hum? O que quer dizer com isso de repente?
— Por ter organizado a festa. Pensei que festas assim fossem apenas uma formalidade… Mas era algo de que eu precisava.
Virou o corpo apoiado para olhar para ele. O olhar suave dele estava totalmente focado em examinar minuciosamente a fisionomia de Damian.
— Por que está dizendo o óbvio? Não está sentindo dor em nenhum lugar, está?
Envolvendo a bochecha de Damian, Claude estreitou os olhos. O olhar que examinava se havia algum lugar dolorido era afiado.
Damian deu um sorriso contido diante daquele afeto carregado de preocupação que era despejado sobre ele. Com o desejo de compartilhar o sentimento que experimentava com ele, trouxera o assunto à tona, mas na hora de falar, uma sensação um tanto tímida passou de relance.
— Desde que soube da gravidez, não tive tempo para me alegrar. Como estava focado na ideia de que não deveria dar à luz, achava que precisava eliminar esta prova de qualquer maneira. Ficava apenas me lamentando por que algo assim tinha que acontecer logo comigo, então não acolhi a criança.
— Houve reviravoltas, mas, no final das contas, tudo terminou bem. Por acaso você estava se importando com isso?
— Não achava que estava me importando, mas a verdade é que eu estava. Percebi isso na festa de hoje. Aquele sentimento de estar atordoado, embaraçado e, às vezes, de considerar a criança uma intrusa, desapareceu somente hoje.
— Você não tinha motivos para sentir culpa. Naquela época, a situação não permitia outra reação.
— Eu sei. Mesmo assim, acho que eu precisava de um momento assim. Para mim também, esta festa de celebração foi um momento em que pude me alegrar de verdade. Por isso quis dizer obrigado.
Damian transmitiu seu sentimento com sinceridade, encarando as pupilas que oscilavam em dourado.
— Não acho que tenha feito algo tão bom a ponto de merecer um agradecimento. Pelo contrário, para mim, aquela criança foi uma sorte. Pois surgiu um elemento capaz de segurar você.
Diante da seriedade de Damian, Claude calou-se por um instante, parecendo escolher as palavras com cautela. Em seguida, murmurou tocando a bochecha e os lábios de Damian.
— Sinto como se tivesse me tornado um lixo. Talvez quem não tenha visto a criança como um fruto precioso tenha sido eu, e não você. Em vez de me alegrar com o fato de me tornar pai, vi a criança como um meio para segurar você.
— Desculpe. — Junto com o breve pedido de desculpas, os lábios dele pousaram na testa de Damian. Os corpos de ambos se encostaram. Claude, que envolvia a cintura dele, acariciou cuidadosamente a barriga de Damian e sussurrou:
— Espero que este garoto não fique chateado…
— Ele é um garoto que ainda nem consegue ouvir, que importância tem? E mesmo que tenha ouvido, não vai se lembrar de nada quando nascer.
— Excelente. Então, que tal começarmos a construir um vínculo com este garoto a partir de agora?
— O que você pretende fazer?
A voz que sussurrava baixinho carregava certa malícia. Quando Damian olhou para ele estreitando os olhos, os lábios masculinos dele exibiam um sorriso largo.
— O que mais seria? Um diálogo corporal.
— O quê? Que tipo de…! Uau! Es-Espera um pouco…! Claude!
Claude ergueu seu ômega que estava de olhos arregalados nos braços e seguiu direto para a cama. Damian, assustado com a atitude repentina dele, debateu-se por um instante, mas foi deitado sobre a cama macia num piscar de olhos.
— Eu estou cansado. Não posso fazer hoje. Absolutamente não!
— Vou só provar um gostinho, só um gostinho.
— Onde você aprende esse tipo de linguajar vulgar?
Empurrando levemente os ombros que o cobriam e o pressionavam instantaneamente, estalou a língua com uma expressão metade incrédula. Por ter sido criado em um ambiente extremamente peculiar, Damian às vezes ficava sobressaltado com as atitudes explícitas de Claude, que eram raras ao seu redor.
— Você já se esqueceu de que passei dez anos na vida militar? Você não sabe o quanto um espaço repleto de sujeitos cheios de energia pode ser animalesco. Claro que você não precisa saber disso.
Inclinando o corpo daquela forma, Claude distribuiu beijinhos nos lábios de Damian como uma brincadeira. A cada respiração exalada que o tocava, um afeto que causava cócegas brotava. Diante do toque das mãos que tateavam sua costela, uma risada escapou.
— Você não precisa fazer nada. Eu cuido de tudo sozinho.
— Como se isso fizesse sentido…
Apesar de soltar a reclamação, Damian exalou uma respiração doce diante do peso agradável que o pressionava por cima, puxando os ombros dele para um abraço.
Algumas carícias e beijos leves foram trocados. As peças de roupa retiradas como se removessem uma casca foram jogadas de qualquer jeito abaixo da cama. As respirações misturadas ficaram profundas e o toque das mãos que tateavam a pele tornou-se viscoso.
Um olhar profundo como se fosse engoli-lo foi despejado sobre ele. Diante do olhar de Claude que o cobiçava, Damian exalou uma respiração ardente.
— Damian…
A voz que escapou como um suspiro carregava um desejo denso. Diante do chamado de seu alfa, Damian agarrou os ombros dele e sussurrou no ouvido:
— Mostre-me o que é esse diálogo corporal de que você fala.
Diante da doce permissão de seu ômega, o alfa não conseguiu conter o desejo fervilhante. Claude saboreou cada centímetro do corpo de seu ômega com dedicação até que Damian se debatesse de prazer.
Tendo se marcado, o alfa e o ômega se enredaram como se fossem um só corpo. A união física com o parceiro marcado era sempre surreal.
A existência única um para o outro. Um vínculo poderoso onde ninguém no mundo seria capaz de se intrometer entre os dois.
Os feromônios de ambos se gravaram profundamente no corpo e na mente um do outro como se fossem um único ser. Damian sentiu êxtase diante da imensa sensação de satisfação e do sentimento de submissão que não podiam ser explicados em palavras.
O cansaço também fora esquecido em algum momento. Damian apenas soltava gemidos agudos em meio à onda de sensações proporcionada por Claude.
O interior do quarto estava repleto de um calor ardente. E aquele calor continuou por um bom tempo, cessando apenas quando Damian ficou exausto a ponto de desmaiar.
Sem grandes problemas, a criança cresceu de vento em popa na barriga de Damian.
Por volta do momento em que os preparativos finais para o parto estavam a todo vapor, a uma semana da data prevista, uma nevasca atípica caiu pesadamente sobre Ronen, que costumava ter um clima de inverno relativamente ameno.
A neve que começara a cair desde o início da noite cobriu o mundo inteiro de branco em um instante e não deu sinais de que pararia mesmo de madrugada. Foi exatamente naquela madrugada em que a neve caía de forma raramente vista em Ronen que as primeiras dores de parto de Damian começaram sem aviso.
Sabendo da notícia de que a ambulância não conseguiria chegar a tempo porque as estradas estavam totalmente congeladas pela neve, Claude assumiu o volante pessoalmente. Durante todo o trajeto até o hospital, Claude ficou inquieto e viajava entre o céu e o inferno a cada gemido de dor que ouvia.
Enfrentando a neve acumulada na estrada, quando finalmente chegaram ao hospital, o corpo inteiro de Claude estava encharcado de suor.
Deslocando-se junto para a sala de parto preparada, Claude sentou-se à cabeceira durante todo o trabalho de parto de Damian, limpando a testa úmida de seu ômega, sussurrando palavras de amor constantemente e controlando a respiração junto com ele.
O trabalho de parto longo e doloroso, em que cada minuto parecia durar dez horas, terminou em três horas, talvez porque o desejo ardente de Claude tivesse surtido efeito.
Assim que a criança que viera ao mundo soltou o primeiro choro, tanto Damian, que estava estirado e exausto, quanto Claude, que limpava o suor ao lado dele examinando sua fisionomia, foram tomados por uma emoção indescritivelmente assombrosa.
Assim que acolheu no colo a criança que passara pelos procedimentos pós-parto, Damian murmurou: — Sendo enrugadinho assim, parece um ET. — Mas o olhar dele, ao contrário das palavras, estava repleto de afeto.
— Com essas pupilas lindas como estrelas e o nariz empinado, é idêntico a você. É a primeira vez que vejo um bebê tão lindo. — Claude demonstrava grande agitação.
A enfermeira que ajudava nos procedimentos pós-parto também reforçou o comentário, dizendo que era o bebê mais lindo que vira nos últimos tempos.
O casal de Duques Sabina, que chegou atrasado ao hospital devido à forte nevasca, apaixonou-se pelo neto assim que o viu. Erich, que tinha grandes oscilações emocionais, esqueceu a compostura e ficou com as pupilas marejadas, enquanto Josua permaneceu em silêncio, apenas acolhendo a criança pequena e adorável no colo, observando-a calmamente.
Ao contrário de Josua, que sofrera enormemente com o parto, a saúde de Damian não apresentou qualquer anormalidade após dar à luz, e ele recebeu alta junto com a criança após permanecer exatamente uma semana no hospital.
A criança de Damian e Claude, que fizera o mundo tagarelar, recebeu do rei o nome de Florian Percy Knox.
O rei, que se alegrara enormemente com o nascimento de Florian, concedeu como benefício uma vila de verão que fazia parte dos ativos privados de propriedade do rei, além de entregar uma parte de ações blue-chip como presente.
Para não ficar atrás, o Duque Sabina transferiu uma parte das ações da empresa de energia em que era o acionista majoritário, presenteou com três propriedades imobiliárias de sua propriedade e até mesmo Josua, que tinha a reputação de ser racional, destinou uma parte de seus bens na forma de um fundo fiduciário para Florian.
Com isso, nem precisava dizer que Florian subira para o primeiro lugar no ranking dos bebês mais ricos do país assim que nasceu e, além disso, os cabelos negros como azeviche e os olhos azuis brilhantes como estrelas da criança eram idênticos aos de Damian, que era famoso por sua beleza, provocando um tremendo falatório assim que foi revelado ao público.
Assim como Damian fizera, Florian também deixou uma impressão profunda nas pessoas de Ronen e, sempre que seu rosto era exposto ao público ocasionalmente, varria as mídias sociais e as comunidades.
O casal de Duques de Enosh, que exibia suas figuras em ocasiões oficiais, não conseguia desviar o olhar um do outro, e aquela imagem recebia a inveja do público por inteiro.
A imagem daquela família harmoniosa que dedicava afeto mútuo servia de exemplo para muitas pessoas, elevando a imagem da família real.
Conforme a expectativa do público, o casal de Duques de Enosh viveu feliz por muito tempo depois disso.
FIM
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Fim do Epílogo
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello