↫─❀ Capítulo 09
Capítulo 9 Parte 1
『Exclusivo: Conde Grave faz doação massiva para “The Cradle” em nome do Duque de Enosh. O motivo?』
『Reportagem Especial! Conde Grave, outrora candidato a Princesa Herdeira, pego em um “clima romântico” com o Duque de Enosh?』
“As movimentações recentes do Conde Grave e do Duque de Enosh estão tudo menos comuns. Após a tempestade na mídia sobre a saúde do Conde, foi confirmado que o Duque de Enosh vem bombardeando o Conde com uma ofensiva implacável de presentes diários.”
“Como se estivesse respondendo, o Conde Grave doou uma quantia impressionante para a instituição “The Cradle”, especificamente sob o nome do Duque. Fontes próximas ao Conde afirmam que a doação foi meramente um gesto de retribuição pelos presentes do Duque, traçando uma linha firme contra qualquer outra interpretação.”
『 “No entanto, o valor era vasto demais para um simples “obrigado” e, mesmo para um gesto entre parentes, beirava o excessivo. Além disso, os dois não mostraram nenhuma movimentação pública notável desde o encontro no hipódromo. Embora os boatos de um relacionamento romântico estejam circulando freneticamente, os porta-vozes de ambos os lados permaneceram em silêncio. A reação do público ao comportamento recente do Conde, que era amplamente considerado um favorito para Princesa Herdeira, é de pura descrença… (Omitido)』”
— Você disse que me mostraria que tipo de pessoa você é… mas isso é um encontro.
— Para saber que tipo de homem eu sou, não precisamos passar um tempo juntos? Além disso, esta é uma excelente oportunidade para explorarmos nossos gostos artísticos.
Damian soltou uma risada frouxa diante da desculpa absurda, encarando o homem que estava ali com uma expressão que ousava perguntar qual era o problema. Tendo aceitado o pedido de se vestir formalmente para um “local importante”, Damian viu-se de pé no grande saguão do Teatro Nacional de Bordic.
— Nossos nomes estarão estampados em todos os jornais da manhã de novo amanhã.
Era tarde demais para voltar atrás agora. Já havia jornalistas demais seguindo-os; se partissem naquele momento, as manchetes de amanhã não seriam apenas sobre um escândalo, mas algo ainda mais ridículo.
— Faz muito tempo desde a última vez que estive aqui — comentou Claude, correndo os olhos pelos arredores opulentos do saguão do teatro.
— Quanto tempo? — perguntou Damian.
No momento em que entraram, a atmosfera ao redor deles transformou-se em um murmúrio baixo e agitado de sussurros.
“Nossa. É o Lorde Damian. Ele é ainda mais deslumbrante pessoalmente.”
“Os boatos sobre ele e o Duque de Enosh estarem namorando eram mesmo verdade?”
“Ouvi dizer que não era romance, apenas convivência familiar. Eles não eram vistos apenas em eventos reais oficiais?”
“Então quem será a Princesa Herdeira?”
“Não disseram que não era um encontro?”
“Você acreditou nisso? Eles sempre negam até que o noivado seja oficial.”
Os murmúrios dos pequenos grupos reunidos no saguão perfuraram os ouvidos de Damian como agulhas. Ele queria rebater dizendo que nunca teve a intenção de ser a Princesa Herdeira em primeiro lugar.
— Faz bem mais de uma década, acredito. Lembro-me de que foi um recital apenas para convidados de um pianista de renome mundial.
Os olhos de Claude moveram-se como se ele estivesse organizando memórias profundas. Sua expressão suavizou-se significativamente à medida que a lembrança se assentava.
“Com quem ele foi para ficar com uma expressão tão gentil?”
Damian sentiu uma pontada súbita e aguda de curiosidade. “Ele foi com alguém com quem estava saindo naquela época? Se foi há mais de dez anos, ele estaria na adolescência… Se ele foi a um recital de propósito, deve ter sido um encontro, certo?”
No momento em que a ideia de um encontro passou por sua mente, o humor de Damian azedou. Sua testa lisa franziu-se num instante. A pergunta escapou de sua boca antes que ele pudesse pensar em contê-la.
— Quem era sua companhia? Já que o senhor está com uma expressão tão agradável depois de dez anos, estou bastante curioso.
Damian ergueu o queixo, com os olhos faiscando em um vislumbre de puro desagrado. O violeta-azulado claro de suas íris escureceu com uma intensidade ondulante.
— Mmm? Por que esse lampejo repentino de raiva?
— O senhor está evitando a pergunta?
— Você fala como se estivesse me acusando de algo… O que eu poderia ter feito de errado?
Claude murmurou baixo, inclinando a cabeça. Enquanto acariciava lentamente o queixo, uma curta exclamação de realização escapou-lhe. Uma curva lenta e sutil formou-se em seus lábios firmes.
— Você está com ciúmes? Do meu encontro do passado?
— Ciúmes?! Eu? Se o senhor não quer dizer quem era, apenas diga. Não tente pintar a situação como se eu estivesse com ciúmes.
Uma risada baixa vibrou no ar. O olhar de Claude estava começando a irritar os nervos de Damian. “Por que ele está me olhando assim?” Era como se estivesse observando um filhote de cachorro pequeno e peludo tentando parecer valente.
— Minha mãe gostava de assistir a apresentações. Ocasionalmente, quando sua condição permitia, ela se esforçava para ir a um espetáculo.
— Ah…
Damian, que estava preparado para uma briga, viu-se gaguejando por uma resposta quando o nome inesperado deixou os lábios de Claude.
Enquanto isso, Claude correu os olhos pela multidão, sua atenção atraída pelo clique rítmico dos obturadores das câmeras que ecoavam há vários minutos.
— Mais importante, há muitas pessoas tirando fotos suas. Você realmente vai deixar que continuem?
Damian seguiu o olhar dele e viu várias pessoas apontando abertamente os celulares na direção deles.
— É um acontecimento diário. É o que é.
— Pode ser aceitável para você, mas me incomoda.
As sobrancelhas fortemente franzidas de Claude refletiam sua irritação crescente.
— O senhor não parecia se importar muito antes.
— Eu não gostava antes também. Só deixei passar porque você era muito indiferente a isso.
— Então deixe passar agora também. Não é como se o senhor pudesse controlar todas essas pessoas. Só precisa fingir que não percebe. As fotos só vão acabar nas redes sociais de qualquer forma.
Claude não escondeu sua desaprovação, verificando os rostos dos fotógrafos um por um. Sob o peso de sua aura opressiva e dominante, as pessoas recuavam e abaixavam os telefones.
— Pare de assustar pessoas inocentes e vamos apenas entrar no teatro.
— Eu tenho que proteger a sua imagem. Quem sabe onde essas fotos podem parar se forem deixadas sem controle?
Apesar das tentativas de Damian de impedi-lo, Claude continuou a ameaçar a multidão com o olhar. Ele irradiava uma intensidade feroz e avassaladora. Dois homens Alfas que vinham sendo os mais ativos com suas câmeras acabaram encolhendo a cauda e fugiram sob o peso do olhar dele. A multidão barulhenta começou a se dispersar.
— Pare de se preocupar com a minha imagem e ande. O que eles podem fazer com uma foto? Além disso, eles sabem o quão terríveis são as leis em relação ao insulto real.
— Você está exposto demais ao olhar do público. Não percebe que isso pode te colocar em perigo?
— Se algo perigoso fosse acontecer, teria acontecido quando eu era uma criança pequena e indefesa.
Embora fosse uma beleza de tirar o fôlego agora, quando criança, ele fora uma criatura etérea e angelical. Aqueles que se lembravam da infância de Damian costumavam elogiá-lo como um querubim saído dos mitos. Naquela época, se seus pais desviassem o olhar por um segundo sequer, alguém tentava tocá-lo; o Duque e a Duquesa precisavam mobilizar dezenas de guardas de segurança apenas para um passeio simples.
Estar com Claude parecia ter um pai superprotetor ao seu lado.
Não, não um pai. Aquilo era mais como um predador selvagem afastando quaisquer outros machos que rondassem sua parceira.
Damian não era fraco a ponto de precisar de proteção, nem jamais ansiara por isso. No entanto, por alguma razão, seu coração sentiu-se estranhamente aquecido. Um frio na barriga, como o de uma criança na véspera de uma excursão escolar, borbulhou dentro dele.
Damian sentiu suas orelhas começarem a queimar e rapidamente endureceu sua expressão.
— Se o senhor vai continuar parado aí, eu vou entrar primeiro.
Ele moveu-se antes de esperar por uma resposta. Claude colocou-se ao seu lado instantaneamente, deslizando um braço ao redor da cintura de Damian.
— Devemos ir juntos — sussurrou ele.
O contato repentino de sua respiração contra a orelha de Damian fez as bochechas do rapaz ganharem um tom visível de carmesim. Enquanto Damian rezava para que o rubor não fosse notado, Claude captou a visão do lóbulo da orelha avermelhado de seu ponto de vista mais alto. Sem saber a causa exata do rubor, Claude simplesmente ofereceu um sorriso agradável, pensando consigo mesmo: “Bem, uma coisa boa é uma coisa boa.”
O Camarote Real, reservado para a monarquia, proporcionava uma visão clara do palco, mantendo um grau de privacidade em relação ao resto do público. O teatro, especificamente a Sala 3, onde as apresentações orquestrais costumavam ser realizadas, já estava lotado.
Como ainda faltava algum tempo para o início, a sala estava um pouco barulhenta. Acima do som das pessoas procurando por seus assentos, o choro de uma criança inquieta ecoou pelo espaço. Um aviso sonoro ecoou, solicitando que todos ocupassem seus lugares, pois a apresentação estava prestes a começar.
Sentado no Camarote Real do terceiro andar, cada som vindo de baixo parecia amplificado, como se estivessem dentro de uma gigante caixa de ressonância. Apesar do barulho, Damian concentrou-se em folhear o programa da noite.
— Você toca algum instrumento?
Damian respondeu sem erguer os olhos.
— Estudei piano e violino brevemente quando criança, mas desisti antes de completarem alguns meses.
— Por quê?
Diante da pergunta, Damian finalmente ergueu a cabeça.
— Eu não tenho talento para apresentações. E achava andar a cavalo muito mais divertido do que praticar… E o senhor, Vossa Graça?
— Estudei muitas coisas. Continuei com o piano por bastante tempo, embora, assim como você, me faltasse talento para outros instrumentos.
“Ele tocava piano?”
Com seu porte massivo e ombros largos, Damian presumira que ele teria sido mais focado em atividades físicas; a ideia dele ao piano era difícil de acreditar.
— Isso é inesperado. O senhor, tocando piano?
— Aquele homem insistia que um nobre deve ser bem versado nas artes, fazendo um alvoroço enorme por causa disso. Fui forçado a estudar isso ao longo de toda a minha infância.
— Aquele homem?
— Meu pai exilado.
À menção de um homem que era praticamente um assunto tabu, Damian instintivamente checou a expressão de Claude. Ele sequer o chamava de “Pai” adequadamente. Perguntou-se se seria adequado perguntar mais. Hesitou, mas sua curiosidade venceu.
— Hum… posso perguntar que tipo de homem ele era?
— Não há necessidade de ser cauteloso. Falar sobre ele não me incomoda.
Notando a inquietude de Damian, Claude continuou com um sorriso fraco.
— Ele era um homem profundamente sobrecarregado por um complexo de inferioridade em relação ao seu nascimento. Estava sempre faminto de ciúmes pelo status nobre de minha mãe. Talvez por causa disso, era obsessivamente fixado em coisas como etiqueta e cultura nobre.
Seu tom era calmo, mas seus olhos de repente tornaram-se frios.
— O valor que ele deveria ter protegido não era a cultura, mas seu dever de fidelidade.
As palavras gélidas fizeram Damian recuar levemente, mas o rosto de Claude logo retornou à postura habitual.
— Isso é tudo o que há para dizer sobre ele. Não há mais nada que você precise saber. Ele foi um homem tolo que não entendeu o que deveria zelar, e acabou pagando o preço.
— Desde então… o senhor teve alguma notícia dele?
— Quem sabe? Alguém pode saber o paradeiro dele, mas eu certamente não sei. Se está morto ou vivo. E não tenho desejo de descobrir.
O ódio de Claude era tão profundo que Damian não sabia como oferecer conforto. Ele só podia observar o homem que agia de forma tão desapegada.
“Que tipo de infância ele teve?”
Damian quase não teve interação com ele naquela época. Por causa da diferença de idade e da saúde debilitada da Princesa Victoria, eles raramente compareciam a eventos oficiais. Damian guardava apenas uma lembrança vaga de um garoto bem mais velho com um rosto um tanto assustador.
— Parece que a apresentação está começando.
Claude deu um pequeno aceno de cabeça, indicando uma mudança de assunto. Damian olhou para baixo enquanto o maestro subia ao palco. O teatro barulhento silenciou em um instante.
O programa da noite tinha como tema a Primavera.
Ao gesto gracioso do maestro, a orquestra começou a tocar. A música, que imediatamente comandou a atenção do público, parecia como pisar na grama fresca sob o sol da primavera, ou talvez caminhar sob a chuva que anuncia o início da estação. As diversas facetas da primavera ecoavam pela sala de concertos na ponta da batuta do maestro. Melodias suaves preenchiam o espaço, misturando diferentes sons em uma rica e multifacetada tapeçaria de tons.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello