↫─❀ Capítulo 09.2
Capítulo 9 Parte 2
Seria de se esperar que alguém se perdesse em melodias tão elegantes e belas, mas, por alguma razão, Damian achou impossível se concentrar. Ele se pegou lançando olhares furtivos para o homem ao seu lado e, assustado com o próprio comportamento, forçou-se a olhar fixamente para o palco.
A voz do homem ao falar de seu passado ecoava nos ouvidos de Damian. Mesmo emanando um ódio profundo o suficiente para fazer a espinha de Damian formigar, havia uma camada oculta de agonia por trás daquela voz calma e afundada.
Damian havia crescido em um lar harmonioso. O Duque e a Duquesa de Sabina eram um casal de dar inveja a qualquer um, e eram totalmente interligados pelo laço de união. Até onde Damian conseguia se lembrar, eles nunca tinham tido uma grande briga ou realmente machucado um ao outro.
Tendo sido criado por tais pais, era difícil para Damian compreender totalmente a dor de Claude. Ele não queria oferecer uma simpatia superficial; não conseguiria confortá-lo sem entender de verdade.
No entanto, por alguma razão, o coração de Damian era atraído por ele. Sentia curiosidade sobre a infância do homem. Seu pai o maltratava? Cada dia era uma luta, assistindo à Princesa Victoria sofrer em seu leito de fofoca?
Ele se pegou divagando, com o coração dolorido pelo menino que Claude um dia fora. Assim que os pensamentos começaram, ele não conseguiu se livrar deles. Uma dor surda latejava em seu peito. Ele quis esticar a mão e pressioná-la contra o próprio coração, mas, em vez disso, cerrou os punhos. Se não o fizesse, sentia que poderia acidentalmente buscar a mão do homem.
Um pequeno vinco de angústia formou-se em sua testa elegante. Embora seus olhos estivessem no palco, cada nervo seu estava focado em Claude. Ele queria se virar e olhar para ele. Queria ver se ele estava sofrendo agora.
As pontas dos dedos de Damian, agarradas ao braço da poltrona, não conseguiam ficar paradas, agitando-se inquietas. Seu rosto, obscurecido por uma súbita turbulência interna, parecia melancólico. Uma luz fraca vinda do palco recaiu sobre seu rosto levemente inclinado.
Claude observava Damian, que estava sentado tão imóvel como se tivesse parado de respirar. Ele conseguia ver a tensão nas pontas dos dedos do rapaz num relance. Deslocou o olhar para o peito que subia e descia com respirações superficiais. Traçou a linha do pomo de Adão proeminente acima do colarinho da camisa, que estava abotoado até o topo.
Naquele momento, Damian engoliu em seco, com o pomo de Adão oscilando significativamente.
O olhar de Claude intensificou-se. Um calor surgiu em seu âmago, e o baixo ventre endureceu. Os cílios longos e caídos de Damian tremeram levemente. Um suspiro escapou por seus lábios firmemente fechados.
No momento em que Claude percebeu que o rapaz estava consciente de seu olhar, quis engolir aquele hálito doce por inteiro e torná-lo seu. O desejo, como sempre fazia, cutucou-o sem aviso. Até os dedos que vinham se agitando mais freneticamente por um momento pareciam obscenamente tentadores.
“Ele está fazendo isso de propósito? Ou seduzir os outros é apenas o instinto dele?”
Claude de repente sentiu uma pontada de arrependimento por não ter conhecido Damian melhor quando ele era mais jovem. Sabia que seu primo tinha um filho. Tinha até comparecido à cerimônia de batismo quando Damian era um bebê. Mas o encontro deles limitava-se a isso. Na época, a saúde de sua mãe deteriorava-se a cada dia que passava, e ele não queria sair do lado dela por um único momento. O mero ato de tirar os olhos dela o enchia de uma ansiedade incapacitante de que poderia perdê-la para sempre.
Seria quando Damian tinha quatro anos?
Por forte insistência de seu primo Erich, Claude comparecera a uma missa de Ano Novo na Grande Catedral. O bebê anjo que vira na cerimônia de batismo já havia crescido consideravelmente. O menino sentava-se com uma dignidade precoce, com as costas eretas, mas sua cabeça pequena e redonda girava constantemente para espiar os arredores, e seu bumbum se remexia inquieto no banco. À medida que o culto se arrastava, seu tédio ficava evidente; suas bochechas rosadas inflavam como balõezinhos antes de murcharem de novo.
Fascinado pelas expressões caleidoscópicas da criança, Claude percebeu que o sermão do Arcebispo ficara em segundo plano. Cada vez que aquela cabecinha se inclinava com curiosidade, Claude sentia seu olhar ser roubado. Foi durante uma dessas olhadas errantes que os olhos da criança encontraram os seus. Apesar da distância entre eles, aqueles olhos lindos — da cor de miosótis — arregalaram-se em choque.
O menino, parecendo aterrorizado por ter sido pego se comportando mal, exibiu uma expressão de puro pavor antes de se esquivar imediatamente para enterrar o rosto no flanco do Conde Quilly. Notando o apego repentino do filho, o Conde inclinou-se e sussurrou algo enquanto acariciava gentilmente a cabeça do garoto. Repreendido pelo Conde rigoroso, as bochechas da criança inflaram em um bico, e seus lábios se projetaram com uma sensação de injustiça ferida.
Só então Claude finalmente desviou o olhar.
Essa era a imagem de Damian que permanecia mais vívida na memória de Claude.
Quando finalmente cruzou caminhos com esse mesmo Damian na gala do Dia da Fundação Nacional, Claude percebeu pela primeira vez que esse homem era perigoso. Ele já havia encontrado inúmeros Ômegas no auge de seus períodos de cio, mas nunca havia se sentido tão perturbado quanto ali. O rosto corado e febril era idêntico ao da criança, mas evocava uma sensação inteiramente diferente nele. Aqueles lábios antes inocentes e carnudos haviam se tornado devastadoramente sensuais. O aroma de rosas pesadas e úmidas despertara seus instintos de Alfa instantaneamente — instintos que ele acabou falhando em reprimir.
Pensando na maneira como Damian havia se desfeito em seus braços naquela noite, uma sensação de aperto apoderou-se do baixo ventre de Claude, e uma fome incontrolável começou a se espiralar dentro dele.
Os dedos longos e elegantes de Damian agora estavam com as juntas brancas, agarrando o braço da poltrona com tanta força que as veias delicadas nas costas de sua mão destacavam-se em forte relevo.
Claude esticou a mão com uma lentidão agonizante. Quando seu dedo indicador roçou de leve sobre aquelas veias proeminentes, a mão inteira de Damian deu um tremor agudo e sobressaltado.
“Haa.” A respiração de Damian travou em sua garganta.
Claude esperava que Damian arrancasse a mão dali, mas o rapaz permaneceu tão imóvel quanto uma estátua, congelado no lugar. O dedo que vinha delineando sua pele deslizou para baixo, entrelaçando-se pelos dedos longos e graciosos de Damian. Como uma videira rastejante, a mão de Claude enredou a de Damian, prendendo os dedos pálidos nos seus.
A respiração de Damian fraturou-se. Seu peito arfava com o esforço de puxar o ar. Não sentindo rejeição, Claude tornou-se mais ousado. Ele entrelaçou os dedos firmemente, ancorando Damian a si, e inclinou o corpo mais para perto.
Embora Damian mantivesse o olhar fixo obstinadamente à frente, agindo como se estivesse alheio à presença de Claude, o tremular frenético de seus cílios espessos contava uma história diferente. Claude não viu motivos para recuar.
Ele ergueu a mão e embalou a bochecha de Damian. O puro calor que irradiava de sua palma agiu como um catalisador. O rosto de Damian, agora voltado para ele, estava corado em um carmesim profundo e lindo. No momento em que seus olhos — cheios de uma umidade cintilante — se encontraram, Claude apertou o aperto e puxou Damian em sua direção.
Ele reivindicou aqueles lábios macios e convidativos, mordendo-os como se fosse engoli-los por inteiro.
— Nngh.
Claude mergulhou na boca que havia se aberto para soltar um pequeno arquejo. Ele consumiu famintamente os lábios quentes e a respiração doce e frenética ali dentro. Sua mente era um turbilhão de puro êxtase, com a sensação de finalmente segurar seu Ômega de novo. Ele emaranhou sua língua com a de Damian, buscando a que tentava fugir e sugando-a com uma ganância desesperada.
Após um momento de hesitação assustada, o corpo de Damian rendeu-se completamente, desabando contra ele. Seus braços envolveram os ombros de Claude, com os dedos logo mergulhando fundo no cabelo grosso do homem.
Claude puxou-o ainda mais para perto, abraçando-o com uma força feroz, como se nunca pretendesse soltá-lo. Como se um sinal silencioso tivesse sido dado, suas línguas começaram a se entrelaçar com uma urgência molhada e desordenada.
A consciência de Damian dissolveu-se no prazer xaroposo que Claude proporcionava. Suas línguas colidiam e espiralavam, e a respiração tornou-se algo pesado e compartilhado que queimava em suas gargantas. Damian prendeu os braços ao redor daqueles ombros sólidos como garras, retribuindo o beijo com ganância.
A música da orquestra martelava contra as paredes de sua mente, o crescimento sinfônico servindo apenas para elevar o delírio doce e inescapável. Ele sentia uma necessidade agonizante de mais, uma fome que o deixava inquieto.
Um calafrio formigante desceu por sua espinha.
— Ugh, h-haa…
O som de seus lábios molhados se encontrando e se separando ecoava com um ritmo obsceno e estalado. Seus hálitos quentes derramavam-se um sobre o outro. Cada vez que se separavam para capturar um triz de ar, colidiam novamente em uma corrida frenética.
A música agia como uma barreira, isolando-os do mundo e levando suas emoções a um ponto febril.
Enquanto a língua de Claude vagava sem vergonha por sua boca, a cintura de Damian começou a tremer. Ele sentiu uma umidade súbita e pesada entre as coxas. Um fogo acendeu-se no fundo de seu âmago, queimando tão ferozmente que ele temeu que pudesse consumi-lo por inteiro. Sobrecarregado pela enxurrada de feromônios de Alfa, seu corpo vibrava com uma exigência por estimulação mais profunda. Ofegante por ar, as mãos de Damian começaram a se mover, agarrando freneticamente o tecido do colarinho de Claude.
— Damian.
A voz de Claude, um mero sopro contra seus lábios, havia se tornado perigosamente rouca.
— Vamos para outro lugar.
Era uma proposta que Damian, em circunstâncias normais, teria rejeitado instantaneamente. Mas agora, soava como a tentação mais irresistível do mundo.
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As mãos que haviam se estendido para ele agora se trancavam nos ombros de Claude como algemas de ferro. Suas línguas se emaranhavam com ganância. O beijo, uma exploração voraz das membranas sensíveis dentro de sua boca, era doce — tão doce que Damian agarrava-se a ele em um torpor, bebendo a saliva inebriante do homem.
Com os lábios ainda fundidos, eles começaram a rasgar as roupas um do outro, sem se importar com quem começara primeiro. Os paletós impecavelmente sob medida foram descartados, atirados ao chão com total indiferença.
— Você tem alguma ideia do que estamos fazendo?
A voz de Claude era um rosnado rouco enquanto ele mordia a cartilagem da orelha de Damian.
— Ah! Eu… eu sei…, mmm, heu.
— E você sabe que eu não tenho intenção de parar?
Os olhos de Claude brilharam com uma fome predatória enquanto ele mordiscava a longa coluna do pescoço de Damian. Suas mãos mergulharam por baixo da camisa de Damian, espalmando e massageando os montes firmes de seu peito.
— Claude!
A excitação era uma maré fervente que ele não conseguia mais conter. A voz de Claude, caída uma oitava pelo desejo, era um murmúrio constante de perguntas que Damian sequer entendia. Ele simplesmente assentia freneticamente, com as próprias mãos ocupadas vagando pelo corpo do homem.
Damian aspirava os feromônios do Alfa, um aroma que agia como um acelerador para sua luxúria crescente. Em um instante, sua mente foi arremessada de volta àquela noite de três meses atrás. Seu corpo sobressaltava com uma antecipação frenética.
Ele tocava os ombros e braços de Claude com uma intensidade desesperada, sentindo os músculos pesados sob suas palmas incharem e endurecerem. Uma onda incontrolável de emoção varreu-o; o impulso era um peso físico, desabando sobre ele.
Claude soltou uma respiração irregular, com o peito largo se expandindo. Sem um pingo de hesitação, ele rasgou a camisa de Damian. Botões se espalharam, matraqueando contra o chão como pedras de granizo.
A camisa caiu, deixando a pele nua de Damian exposta ao olhar perscrutador de Claude. Os olhos do homem estavam abrasados com luxúria pura. O corpo diante dele — esguio, atlético e moldado por anos de montaria — era o ápice da sensualidade. E esse corpo estava agora preso sob o seu, arquejando por ar.
O peito de Damian subia e descia em um ritmo rápido e superficial. Seus mamilos pálidos, já pontudos e duros como se implorassem por atenção, eram uma provocação direta.
Claude inclinou-se, tomando um mamilo entre os dentes e sugando-o para o calor de sua boca.
— Ugh. Mmm, nngh.
O corpo de Damian arqueou-se, com os dedos cravando-se nos ombros de Claude. Uma onda de sensação elétrica desabou sobre ele, vibrando por sua espinha. Ele soltou um gemido baixo e dolorido enquanto começava a puxar o tecido da camisa de Claude.
“Que se dane.”
Enquanto continuava a banquetear-se em seu peito, Claude despiu a própria camisa meio desfeita, despindo seu torso poderoso. Ele pressionou seu peso na cintura de Damian, com o colchão afundando sob o volume combinado de ambos.
Inclinando-se no limite, a língua de Claude vagava pela pele de Damian, lambendo um caminho desde os mamilos até a cintura enquanto despia sistematicamente as calças e a cueca dele. Suas mãos ásperas seguiram o exemplo, livrando-se de suas próprias calças incômodas e arremessando-as para fora da cama.
A visão da estrutura esguia e nua de Damian fez a respiração de Claude vacilar. No momento em que viu o membro de Damian, erguido e orgulhoso pela excitação, ele puxou o ar de forma aguda e profunda. Deixou sua língua deslizar pela pele viscosa de suor do baixo ventre de Damian. Claude pressionou os lábios repetidamente contra a barriga que carregava seu próprio filho.
— Ah, heut…
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello