↫─❀ Capítulo 04
Capítulo 4 Parte 1
A luz pálida e azulada do amanhecer brilhava nas gotículas de água que se apegavam às folhas úmidas. Dentro do modesto, mas requintado jardim de rosas, a fragrância fresca da primavera infiltrava-se pelo ar. À medida que as sombras índigo do início da manhã recuavam gradualmente, o céu acima do Chalé Roseten começava a sangrar com pinceladas de ouro. As folhas verdes e viçosas das nogueiras que cercavam o chalé balançavam com a brisa, espalhando a água da chuva restante como uma névoa suave.
Antes que o resto do Chalé Roseten despertasse, Peter, o mordomo, saiu de seus aposentos. Ele vestia um terno de três peças passado sem um único vinco, seus cabelos brancos como a neve penteados rigidamente para trás. Ele fez uma última checagem no espelho para garantir que nenhum fio estivesse fora do lugar antes de começar o seu dia.
O Chalé Roseten, um presente do Rei Persi III para Damian junto com o seu título de conde, era uma residência charmosa que consistia em um edifício principal e uma ala de hóspedes. Enquanto Peter caminhava pelo corredor em direção à casa principal, notou que o chão ainda estava úmido da chuva da noite anterior. Embora parecesse caminhar com um passo lento, seus olhos afiados estavam ocupados inspecionando a limpeza dos corredores e dos batentes das janelas. Como o mestre da casa não gostava de ter muitos empregados, apenas três funcionários, incluindo Peter, moravam no local. O resto da equipe vinha diariamente. Com uma equipe residente tão pequena, quaisquer problemas imediatos com as condições da propriedade nem sempre podiam ser corrigidos na hora. Peter havia sugerido aumentar o número de funcionários várias vezes, mas seu jovem mestre recusava obstinadamente.
Ao chegar ao edifício principal, Peter foi direto para a cozinha, o domínio do chef responsável pelas refeições do mestre. Era uma hora em que o mestre ainda deveria estar em um sono profundo. Peter pretendia começar sua manhã com uma xícara de café tranquila, mas, ao passar pela sala de estar, uma silhueta em sua visão periférica o fez parar abruptamente.
— Mestre? O que o senhor está fazendo aqui a esta hora?
Surpreso ao encontrar Damian ali em vez de em seu quarto, Peter correu para o cômodo.
— Eu acordei cedo. Afinal, passei o dia de ontem inteiro deitado. Dormiu bem, Peter?
— O senhor não precisa se preocupar com este velho. Mais importante, como está o seu tornozelo? O senhor deveria ter ficado na cama.
— Não dói. E meu corpo parecia rígido por ficar parado por muito tempo — Damian respondeu, com o tornozelo enfaixado apoiado sobre um descanso para os pés.
— Quer que eu lhe traga um chá antes da refeição?
— Você faria isso?
— Por favor, aguarde apenas um momento. Volto num piscar de olhos.
O mordomo correu para a cozinha e informou à equipe que o mestre já estava acordado, solicitando o chá imediatamente. Enquanto o chef começava a se movimentar apressadamente, os funcionários que vinham de fora começaram a chegar um por um.
Damian, que não havia pregado o olho, recostou-se no sofá e piscou lentamente. Ele passou a noite inteira rolando de um lado para o outro na cama, revendo mentalmente sua conversa com Theo. A ansiedade o mantivera acordado. Ele temia que, se fechasse os olhos, cairia de volta naqueles sonhos escandalosos daquela noite. Se Peter o tivesse observado mais de perto, certamente teria notado o quão abatido Damian parecia.
Enquanto Damian esfregava o rosto cansado com as palmas das mãos, uma empregada entrou carregando uma pilha de jornais matinais.
— Poderia me entregá-los?
Damian pegou os jornais da mão dela. Ele empurrou os semanários de negócios e atualidades para o lado e desdobrou o “Royal Today”, uma publicação reservada exclusivamente para a nobreza. Se o Duque tivesse tomado qualquer medida oficial, apareceria ali primeiro.
Felizmente, não havia manchetes escandalosas. Os artigos de maior destaque apresentavam a agenda oficial do Príncipe Herdeiro e uma futura videoconferência com dignitários internacionais para uma cúpula de coalizão¹. O resto estava preenchido com notícias de noivados nobres.
Obs: Uma reunião dos líderes políticos, como uma conferência ou encontro estratégico.
Damian soltou um suspiro de alívio. Com o peso da preocupação removido, seus olhos pousaram em um aviso específico: um anúncio de leilão da família Akdel para um potro gerado por seus premiados cavalos árabes. Para qualquer nobre amante de cavalos, um animal certificado pelos Akdels era o padrão ouro. Damian não era exceção.
— Então eles finalmente publicaram o aviso de leilão.
Os boatos de que Gaia, a égua mais valiosa atualmente em existência, finalmente teria seu potro haviam desencadeado uma guerra silenciosa entre a nobreza para garantir a linhagem de sangue. A família Akdel fora sobrecarregada por tantos pedidos que adiaram a venda, receosa de parecer favorecer uma casa nobre em detrimento de outra e ser apanhada no fogo cruzado da política social. Damian estava entre os que enviaram uma consulta, mas não conseguiram fechar um acordo privado.
Tendo vivido uma vida de abundância desde o nascimento, Damian raramente sentia uma ganância obsessiva por qualquer coisa — exceto por cavalos. Desde que seus pais lhe presentearam com um potro castanho em seu décimo aniversário, os cavalos eram seu único apego verdadeiro. Se os Akdels tivessem entregado o potro a um indivíduo específico, ele teria que desistir, mas um leilão público significava que ele tinha uma chance.
“Não importa quanto custe, eu preciso trazer o potro da Gaia para casa desta vez.”
— Encontrou algo interessante nas notícias?
Peter se aproximou com uma bandeja de chá e lanches leves, espiando a mesa.
— A família Akdel decidiu fazer um leilão público para o potro.
— Aquele que o senhor tanto cobiçava, Mestre? Essa é uma notícia maravilhosa.
— Não é?
A cor finalmente voltou ao rosto que estava pálido e exaurido por dias. Peter observou com um sorriso paternal enquanto os olhos de Damian brilhavam.
“Ele se parece exatamente como quando era um menino.”
Peter permaneceu ali em silêncio enquanto Damian examinava os detalhes do leilão repetidas vezes. Embora ainda o visse como um garotinho, Peter sentiu uma onda de orgulho ao vê-lo cumprir seu papel como herdeiro da Casa de Sabina. Ele ficou feliz em ignorar os gastos ocasionalmente extravagantes de Damian. Alguns cavalos certamente não faliriam o Ducado.
— Eu me pergunto se posso vê-lo antes do início dos lances. Há apenas uma foto aqui, então não consigo ter uma boa visão. Com certeza eles farão uma exibição para os licitantes?
— Imagino que sim. Com uma competição tão feroz, eles não esperariam que as pessoas dessem lances baseados em uma única fotografia.
— Verdade. Só espero que a concorrência não seja esmagadora demais…
— Vai dar tudo certo, Mestre.
— Eu não deveria ficar apenas sentado aqui. Preciso dizer ao Oscar para descobrir quem são os concorrentes.
Desde a sua lesão, Damian havia interrompido todos os negócios não urgentes, dando alguns dias de folga ao seu secretário. Ele se sentia um pouco culpado por ligar para alguém a quem dissera para descansar, mas imaginou que Oscar entenderia dada a importância do potro. Damian ligou para ele e passou as instruções.
Saborizando o chá que Peter havia preparado meticulosamente, Damian se entregou a fantasias agradáveis. Não importava quantos rivais houvesse, o potro iria para quem desse o maior lance. Ele venceria a qualquer custo. Pela primeira vez em algum tempo, seus ânimos estavam elevados.
“Vamos parar de nos preocupar com coisas inúteis. Mesmo que o Duque tenha dito aquelas coisas, ele não vai realmente agir de acordo. Eu não sou o único que ficaria em uma posição difícil.”
O dia de Damian parecia estar começando com uma nota refrescantemente positiva — até que ele recebeu uma ligação indesejada.
— A que devo a honra de uma ligação direta de Vossa Alteza?
— Você parece tão frio para alguém para quem liguei por preocupação com a sua lesão.
— É apenas porque estou impressionado que alguém tão ocupado quanto você me ligaria diretamente em vez de usar um assessor.
— Você parece estar de mau humor. O que de fato deixou meu primo tão irritável?
— Apenas me diga por que ligou.
— Haa.
Um suspiro dramático ecoou pelo telefone. Seu primo, o Príncipe Herdeiro, desfrutava de popularidade absoluta com o público e sempre mantinha uma fachada gentil, mas qualquer um que se distraísse com seus belos sorrisos em formato de lua crescente veria sua alma desnuda em um instante. Damian o respeitava como seu futuro monarca, mas estava exausto com a proeza manipuladora de seu primo desde a infância. Sempre que o Príncipe usava esse tom, a guarda de Damian subia imediatamente.
Quantas vezes ele fora enganado pelo Príncipe para realizar deveres reais indesejados? Que tipo de armadilha ele estava preparando com aquela voz doce e melódica desta vez?
— Precisamos ter um motivo específico para nos falar, Damian? Estou genuinamente magoado.
— Você está dizendo que isso é apenas uma checagem de bem-estar porque soube que me machuquei? Quanta generosidade! Sinto muito por incomodar um homem tão ocupado com um assunto tão trivial. Estou perfeitamente bem, então não precisa se preocupar. Vou desligar agora
— Damian. Vamos jantar juntos esta noite?
— Não.
Ele respondeu instantaneamente, sem um pingo de hesitação.
— Venha ao Palácio de Lótus. 19:30. Não se atrase.
— Vossa Alteza!
— Eu…
A linha ficou muda antes que ele pudesse terminar sua recusa.
— Ah…
Damian encarou o telefone com uma expressão contrariada. Sempre mandando nas pessoas como bem entendia! Ele não conseguia sequer adivinhar o que esse primo autoritário queria que ele fizesse desta vez. Parecia que seria um jantar exaustivo. Ele só esperava não ter indigestão. Damian soltou um suspiro e esfregou as bochechas.
Durante a Dinastia Castia, o Castelo Pelne fora a residência real. No entanto, quando Persi I estabeleceu a nova dinastia, ele mudou a corte para a Rua Leah, na parte ocidental da capital, para gerenciar as questões de Estado de forma mais eficiente — sendo a razão principal o fato de que o Castelo Pelne e seus arredores haviam sido dizimados durante a guerra de conquista. Desde então, o atual Rei, Persi III, também residia no Palácio Hubel. A Rua Leah, onde o Rei residia, também abrigava o Conselho, várias agências governamentais e os gabinetes dos ministros, permitindo respostas rápidas durante emergências nacionais.
Como era o coração do poder da nação, soldados do Comando de Defesa da Capital estavam apostados em cada esquina. À medida que alguém se aproximava do Palácio Hubel, os Guardas Reais a cavalo tornavam-se mais visíveis. Se alguém virasse para o leste a partir da praça central e dirigisse por cerca de dez minutos, chegaria ao Palácio de Lótus, a residência do Príncipe Herdeiro.
No verão, o vasto lago no jardim norte do Palácio de Lótus ficava repleto de lírios-d’água desabrochados, criando uma visão magnífica. Persi I construíra o palácio para sua rainha que amava lírios-d’água, e o exterior era famoso por sua beleza. Atualmente, servia como escritório e residência do Príncipe Herdeiro, decorado com um toque moderno para se adequar aos seus gostos.
Depois de passar pelas rigorosas checagens de segurança da Guarda Real, o palácio de telhado azul finalmente apareceu. Quando seu carro entrou na rampa de acesso ao lado do jardim verde e viçoso voltado para a frente do palácio, o secretário-chefe do Príncipe Herdeiro já estava esperando na entrada. Quando o carro parou, o secretário se aproximou.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello