↫─❀ Capítulo 03.2
Capítulo 3 Parte 2
Damian escutava com atenção absoluta, ignorando o fato de que seu chá estava ficando completamente frio.
— Mas ele era totalmente inocente. Não é como se ele pudesse ter impedido o caso do pai…
— Exatamente. O Rei tentou dissuadi-lo, mas a determinação de Lorde Claude era inabalável. Ele apenas ficou o tempo suficiente para terminar a universidade, a pedido fervoroso do Rei. Depois disso, ele deixou Ronen sem nenhum rastro de arrependimento e se alistou nas forças armadas, o que o levou a vagar pelo Extremo Oriente até agora.
Não deve ter sido uma decisão fácil. Escolher tal caminho quando o pecado pertencia ao pai e, quanto ao filho, não carregava nenhuma responsabilidade por isso.
Não é uma escolha que a maioria das pessoas não conseguiria fazer?
Ele é muito mais rígido e orgulhoso do que eu pensava. Ou talvez seu senso de responsabilidade seja apenas excessivamente forte.
Damian não conseguia compreender totalmente aquilo.
— Até mesmo seu pai ficou tão de coração partido que continuou tentando impedir Vossa Graça de se alistar.
— Meu pai? Eles eram próximos?
— Sim. Embora sejam primos, a diferença de idade é grande o suficiente para que o mestre estimasse Vossa Graça quase como um filho. O mestre ficou muito satisfeito com a recente decisão de Vossa Graça de retornar.
Peter acrescentou com um aceno alegre: — É um alívio que Vossa Graça tenha finalmente encerrado sua peregrinação e decidido se estabelecer aqui. O senhor deveria se aproximar dele, Jovem Mestre. Ele é realmente um excelente homem.
Esqueça se aproximar, eu nunca mais quero me envolver com ele. Engolindo as palavras que não podia dizer ao idoso mordomo, Damian mudou de assunto.
— Chame o Oscar para mim.
Ele precisava preparar uma contra-medida antes que a notícia se espalhasse ainda mais. Embora seu tornozelo não estivesse gravemente ferido, ele latejava toda vez que ele se movia, tornando inevitável um ajuste na agenda.
— Sim. Vou entrar em contato com o senhor Lindelof.
Assim que Peter terminou de falar, houve uma batida na porta.
— Eu disse a eles para não nos incomodarem — Peter murmurou, suas sobrancelhas brancas contraindo-se enquanto abria a porta. A empregada, Sharon, estava ali com uma expressão preocupada.
— Eu acredito ter dito para não incomodar o jovem mestre?
— Um convidado chegou.
— Um convidado? Eu estava sob a impressão de que não havia compromissos hoje.
Damian escutava as vozes abafadas. Um convidado? Quem poderia ser? Havia alguém esperado para uma visita?
Enquanto ele revisava mentalmente sua agenda, Peter de repente soltou uma exclamação alta.
— O quê? Verdade?!
— Eu não podia exatamente mandá-lo embora…
Peter de repente começou a se movimentar em pânico, fazendo com que Damian pousasse sua xícara e olhasse para ele.
— Quem é?
— Jovem Mestre! O senhor… O senhor por acaso tinha um compromisso com Vossa Graça?! Oh, se tinha, deveria ter me avisado com antecedência!
Perdendo a compostura, Peter falou apressadamente.
— Não é hora para isso. Fique aqui por um momento, Jovem Mestre. Vou descer imediatamente e acompanhá-lo até a sala de estar. O senhor provavelmente deveria trocar de roupa.
— O quê? Por que ele está aqui…? Vovô, eu não quero ver—
Antes que Damian pudesse terminar sua frase, Peter saiu apressado do quarto com Sharon, seu rosto uma máscara de excitação nervosa.
Deixado sozinho no quarto, Damian piscou em um desconcerto atordoado.
Por que ele havia vindo aqui?
Tanto ontem quanto hoje, suas ações foram completamente imprevistas.
Como diabos eu devo interpretar isso?
Damian não queria vê-lo. Ele queria chamar de volta o fugitivo Peter e recusar a visita, com tudo, ele sabia que o mordomo, uma vez que começava a fazer um alvoroço daquele jeito, não obedeceria simplesmente.
Além disso, se ele expulsasse o Duque agora, um artigo poderia aparecer dizendo que Damian o havia desfeiteado na porta. A mídia estava atualmente hiperfocada em cada passo do Duque. Não havia necessidade de agravar as coisas.
Relutantemente, Damian levantou-se, movendo-se com cuidado em direção ao closet para evitar colocar peso em seu pé enfaixado. Ele tateou por suas roupas organizadas ordenadamente. Tendo permanecido na cama desde que acordou, ele parecia uma bagunça.
Por que não há nada adequado?
Ele puxou um suéter de tricô, mas o segurou e decidiu que era casual demais. Ele o pousou e puxou uma camisa azul-clara impecável. Ele a combinou com um colete de seda cinza-escuro, mas também não ficou satisfeito com isso e o jogou de lado.
Uma vez que começou a escolher, não houve fim para isso. Não demorou muito para que o closet perfeitamente organizado se tornasse uma zona de desastre.
Depois de escolher e selecionar dezenas de vezes, ele de repente congelou.
Isto nem sequer é uma ocasião formal, por que estou fazendo isso?
Quando ele caiu em si, roupas estavam espalhadas por toda parte.
É quase como se… eu estivesse consciente dele.
Damian balançou a cabeça violentamente em choque, vestiu as primeiras coisas que suas mãos agarraram e saiu do quarto.
No momento em que entrou na sala de estar, seus olhos encontraram os do Duque, que estava sentado tão confortavelmente como se estivesse em sua própria casa.
Vestido com um terno risca-de-giz em tom discreto, ele parecia um executivo de alto escalão de um conglomerado ou talvez um modelo de um anúncio de ternos. As linhas do terno bem cortado enfatizavam seus ombros largos.
No momento em que seus olhares se encontraram, as costas de Damian ficaram rígidas.
Ele engoliu em seco. As pontas de seus dedos, apoiadas em sua bengala, pareciam dormentes. Algo profundo dentro dele estava agitando-se descontroladamente, tornando difícil encontrar o equilíbrio.
— Peço desculpas por fazê-lo esperar.
Depois de fazer tanto alvoroço para receber um convidado, Peter havia conseguido servir lanches leves e chá e estava atualmente atendendo a ele. Damian havia passado mais tempo do que imaginava escolhendo roupas no closet.
Lançando um olhar furtivo para a mesa, Damian moveu seu corpo rígido para frente.
No entanto, antes mesmo que ele pudesse alcançar o sofá, o Duque de repente estava ali, amparando o claudicante Damian.
— Não havia necessidade de você descer até aqui. Eu poderia ter subido até você.
— Até o meu quarto? Devo recusar isso. Não é como se minha perna estivesse quebrada.
— Eu estava apenas sendo educado. Ficaria magoado se você recusasse.
Ele respondeu sem vergonha, segurando o braço de Damian ainda mais firme enquanto o guiava até o sofá.
Peter estava observando os dois com um brilho curioso em seus olhos.
— Vovô. Poderia nos dar um momento?
— Jovem Mestre, eu deveria atender ao—
— Não preciso de atendimento.
Com uma expressão relutante, os lábios de Peter se estreitaram, mas pressionado pelo tom firme de Damian, ele finalmente deixou a sala de estar, dizendo-lhes para chamar se precisassem de algo.
— Parece que você não está satisfeito por eu ter vindo.
— Não tenho ideia do que o senhor está pensando, Vossa Graça.
Claude, que estava desfrutando de seu chá em uma postura notavelmente relaxada, riu baixinho.
— Vossa Graça? Entre nós? Me chame de Claude.
— Essa expressão “entre nós” é inadequada para a situação, Vossa Graça. Mais importante, por favor, declare o seu assunto.
— Este é um lugar onde eu não deveria estar? Você se feriu ontem. Naturalmente, vim para uma visita de enfermo.
Apesar da resposta afiada de Damian, Claude permaneceu perfeitamente composto. Seu olhar varreu Damian lentamente, como se checasse sua fisionomia, fazendo com que Damian quisesse fugir correndo da sala.
— O senhor confirmou meu estado com meu médico, então sabe que não fui gravemente ferido, não sabe?
— Recebi o relatório de que você estava bem, mas não vi com meus próprios olhos. Não está sendo um pouco frio com o homem que até jogou uma partida em seu lugar?
Damian sentiu uma onda de irritação. Por que ele estava jogando jogos?
— Isso não é o que importa. Por que o senhor viria aqui tão de repente? E por que agiu daquela forma ontem?
— Há uma razão para eu não dever vir aqui?
— Não temos contato regular, no entanto, o senhor de repente apareceu na minha casa. As pessoas vão entender errado. O senhor não viu os artigos?
— Ah, esses artigos. Não vi nada de estranho neles. É um fato que eu ajudei você, e é um fato que eu pessoalmente o carreguei.
Por que ele continua se fazendo de desentendido?
— Vossa Graça! O senhor sabe que não é isso que quero dizer.
— Eu lhe disse, me chame de Claude. Oficialmente, estou aqui para uma visita de enfermo. Não tenho outras intenções além disso. No entanto…
Claude pousou sua xícara de chá, entrelaçou os dedos sobre o joelho e encarou Damian. Seus raros olhos dourados oscilaram com um lampejo de emoção.
— Eu não sabia que tinha que relatar cada passo meu para você.
— Não é isso que estou dizendo. Estou dizendo que o senhor não parece perceber que essas ações apenas vão alimentar os mal-entendidos.
— Mal-entendidos? A que “mal-entendidos” você está se referindo? Que pessoas podem pensar que compartilhamos um relacionamento especial? Isso não seria uma suposição incorreta, seria?
Mesmo sabendo que estavam sozinhos, o coração de Damian quase parou. Ele cerrou os punhos em tensão e encarou o homem.
— Meça suas palavras. Não compartilhamos relacionamento nenhum.
— “Nenhum relacionamento”? Estou ferido. Você sempre trata alguém com quem compartilhou uma noite tão mal assim?
— Aquela noite foi um acidente! O senhor não pensou assim também, Vossa Graça? O senhor não me contatou nenhuma vez até agora.
— Não me diga que estava esperando pela minha ligação? Pensei que você precisasse de tempo para processar tudo. Estava esperando que você entrasse em contato, mas como não o fez, vim encontrá-lo eu mesmo, apenas para ser repreendido… Um “obrigado” não deveria vir primeiro?
— Eu não estava esperando pela sua ligação. E aquele incidente foi um acidente temporário que ocorreu por necessidade. O senhor apenas por acaso estava lá e foi pego nisso.
Aterrorizado com a possibilidade de Claude estar se aproximando dele com outros motivos, Damian falou com absoluta finalidade.
— Já que as coisas chegaram a este ponto, serei claro. Sou grato por o senhor ter me ajudado na época. Mas não atribuo nenhum significado a isso. Aquela noite foi simplesmente um Alfa e um Ômega que encontraram um cio inesperado e passaram uma noite juntos. Não é nada especial nem notável.
Damian não esperava dizer tais coisas ele mesmo. Ele simplesmente queria seguir em frente e fingir que nunca aconteceu. Ele nunca sonhou que o homem se aproximaria dele enquanto trazia à tona aquela noite.
Os olhos dourados pareceram escurecer. Por um momento, a testa de Claude contraiu-se como se tivesse ouvido algo completamente inesperado.
Haha. Ele soltou uma risada seca e zombeteira e afastou o cabelo para trás. Seu paletó de terno puxou firmemente, abrindo-se ligeiramente no peito. Logo, feromônios que ele não conseguia esconder começaram a vazar.
O aroma de uma tempestade de areia soprando por uma paisagem seca e desolada trouxe aquela noite de volta instantaneamente.
Seus feromônios deixaram Damian ainda mais desconfortável. Um calor começou a subir do fundo do seu âmago. Memórias que ele queria enterrar começaram a abalar sua determinação.
— Parece que tais coisas são muito familiares para você. “Nenhum significado” … então você quer que eu finja que nunca aconteceu?
Ele murmurou as palavras, prolongando o fim da frase, antes de se levantar. Ele ergueu-se imponente sobre Damian.
— E se eu não quiser?
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello