Parte 09
Projection Vol. 6.9
Extra 2: Amnistia
O apartamento onde Cheon Seju e Sejin moravam ficava perto da Floresta de Seul. Depois de terminar o trabalho, para ir para casa, ele precisava obrigatoriamente passar perto da Ponte Seongsu, e, por haver uma fábrica de concreto nas redondezas, o tráfego de caminhões grandes e veículos de construção era intenso. Além disso, com o início da reconstrução do apartamento vizinho ao prédio onde moravam, escavadeiras e caminhões de carga passaram a circular por aquela via. Cada vez que o trânsito ficava engarrafado, Cheon Seju costumava repreender Sejin, dizendo-lhe para não andar por aquele caminho. Era porque os grandes caminhões de carga que passavam entre os veículos menores pareciam extremamente perigosos.
No entanto, até o momento em que fazia essas repreensões, Cheon Seju não sabia. Que quem precisava ter cuidado não era Sejin, mas ele mesmo.
— O que tem para o jantar hoje?
Cheon Seju, que estava relaxado enquanto segurava o volante, perguntou com um sorriso. Sua casa estava logo ali. Como o trabalho atrasou mais do que o habitual e ele não pôde voltar para casa junto com Sejin, que havia terminado as aulas, ele só conseguiu chegar ao semáforo, de onde se via o prédio do apartamento, quando já se aproximava das oito horas. À pergunta feita com suavidade, Sejin, que preparava o jantar em casa, respondeu:
— Ensopado de gochujang e bulgogi de Gwangyang.
— Ótimo. Estou com fome.
— Sim. O quanto você já andou?
— Estou no semáforo em frente à Floresta de Seul agora. Se olhar da sala alfa, acho que dá para ver.
Ao erguer o olhar, ele viu o alto condomínio residencial. Era uma posição de onde, se ele se debruçasse na janela da sala alfa no 41º andar, poderia ver o carro em que ele estava. Assim que Cheon Seju terminou de falar, ouviu-se o som de Sejin abrindo a janela, talvez porque quisesse vê-lo logo. Cheon Seju, com os cantos da boca erguidos, piscou os faróis altos. O carro do outro lado ficaria confuso, mas isso não importava.
— Está me vendo?
— Sim, estou vendo.
— Então me dê um beijo.
— …
Sejin de repente ficou em silêncio. Cheon Seju riu em silêncio, imaginando Sejin franzindo a testa enquanto hesitava, e então o apressou. Ao ouvir a palavra carinhosa de incentivo, logo um som baixo de beijo soou pelo alto-falante. Ele caiu na gargalhada ao imaginar Sejin, com o rosto todo vermelho, pressionando os lábios contra o celular. Cheon Seju riu alto e retribuiu o beijo para Sejin.
Com o som de beijo, ao juntar e separar os lábios, ele sentiu que Sejin também estava sorrindo. Com aquele riso fraco, sentiu seu peito aquecer. Cheon Seju, pensando que queria chegar logo em casa, disse-lhe:
— Já estou indo.
— Certo. Tenha cuidado.
— Sim, precisa que eu compre algo no caminho? Quer que eu compre fraldas?
Embora estivesse logo abaixo de casa, Cheon Seju fez uma brincadeira, rindo, por causa do pedido para ter cuidado. Desde que Sejin fez algo semelhante a xixi na barriga de Cheon Seju, ele não perdia a chance de provocá-lo. Sejin, que queria esquecer completamente aquele episódio, ficou em silêncio por um momento. Ele soltou um suspiro como se estivesse envergonhado e irritado, e disse “desliga”, encerrando a chamada.
Cheon Seju soltou um riso baixo e verificou o semáforo. No painel central, a mensagem de que a chamada via Bluetooth havia sido encerrada surgiu, e, no momento em que ele tirou o pé do freio, prevendo que o sinal mudaria em breve:
Com um longo som de buzina vindo da esquerda, uma luz brilhante atingiu a lateral de seu rosto. Ao virar o olhar imediatamente, seus olhos viram um enorme caminhão basculante avançando em sua direção. O farol alto, que piscava incessantemente, era irrealisticamente brilhante. Com a luz entrando e irritando seus olhos como se estivessem apontando uma lanterna para suas pupilas, Cheon Seju não teve dificuldade em entender a situação.
— Ah, que se dane.
Junto com o xingamento, ele pisou no acelerador apressadamente. Enquanto o carro, com aceleração rápida, saltava para frente, a traseira do veículo colidiu com o caminhão. Um impacto imenso cobriu todo o seu corpo. Com o som dos airbags estourando, a última coisa que surgiu em sua mente, enquanto perdia a consciência, foi o rosto de Sejin.
Ele não deve ter visto, né? Cheon Seju desmaiou enquanto esperava que Sejin tivesse fechado a janela da sala alfa e voltado para a cozinha.
─── ✧・゚: * ✧・゚:*
— Ugh…
Alguém soltou um gemido. Estava barulhento. Cheon Seju franziu a testa e se mexeu. Então, uma dor aguda atingiu seu braço esquerdo. Percebendo, ao despertar com aquela dor, que o som que ecoava em seus ouvidos era seu próprio gemido, ele abriu os olhos.
A visão, como se estivesse coberta por névoa, era toda branca. Ele duvidou de que tivesse morrido e, ao virar a cabeça, viu alguém sentado ao lado. Um rosto pequeno com olhos e lábios avermelhados. Não via claramente, mas apenas pela sensação, ele sabia quem era. Era Sejin.
— Cheon Seju… Cheon Seju! Está consciente?
A voz que chamava seu nome desesperadamente não tinha força alguma. Cheon Seju ia perguntar “você chorou?”, mas ficou em silêncio sem terminar a frase, devido à voz rouca que saiu de sua boca. Com a voz fraca de Sejin, só então ele conseguiu entender a situação. O telefonema com Sejin e o caminhão basculante.
Ao perceber que sofreu um acidente, a dor que sentia por todo o corpo tornou-se compreensível. Parecia que havia sido ontem que ele era insensível à dor, mas agora as dores excruciantes sentidas em várias partes eram excessivamente vívidas. Cheon Seju engoliu o xingamento que estava prestes a escapar e levantou o braço direito. Embora estivesse um pouco rígido, felizmente conseguia movê-lo, então os ossos devem estar intactos.
— Sejin.
Ele abriu a boca depois de engolir seco várias vezes. Cheon Seju estendeu a mão para o rosto de Sejin e acariciou seus olhos. As bochechas e os cantos dos olhos estavam todos molhados, como se ele estivesse chorando. Ele queria beijar Sejin, que esfregava o rosto contra a palma de sua mão, mas não era fácil, então Cheon Seju apenas limpou suas lágrimas e o consolou, cheio de remorso.
Parece que ele adormeceu de exaustão em algum momento depois disso. Quando recuperou a consciência novamente, sua visão estava um pouco mais nítida do que quando acordou pela primeira vez. Embora estivesse mais turva do que o normal, se ele franzisse a testa, conseguia ver claramente o rosto de Sejin sentado logo ao lado.
— Oi.
Ele não conseguia pedir desculpas nem perguntar se ele estava bem. Ao cumprimentá-lo, sem saber o que dizer, Sejin mordeu os lábios com força e estreitou os olhos. Provavelmente não estava com raiva, mas sim chateado. Como parecia que apenas dizer “estou bem” deixaria o coração de Sejin ainda mais dolorido, Cheon Seju tentou forçar os cantos da boca para cima e gemeu para ele.
— Estou com tanta dor.
— …
— Dói demais, estou morrendo.
— Não diga essas coisas.
Com a menção de “morrer”, Sejin imediatamente levantou os olhos. Parecia que as lágrimas rolariam a qualquer momento de seus olhos úmidos. Bem, ele deve ter se preocupado muito, então falar que estava morrendo foi um pouco demais. Cheon Seju reconheceu seu erro e sorriu. Ele estendeu a mão novamente, entrelaçou seus dedos com os de Sejin, que estavam sobre a cama, e fechou os olhos. Queria conversar mais, mas não tinha forças. Como o sono insistia em vir, talvez por causa dos analgésicos, e era difícil manter os olhos abertos, Cheon Seju adormeceu novamente enquanto segurava firmemente a mão de Sejin.
Quando acordou pela terceira vez, sua mente estava clara. A dor que estava espalhada por todo o corpo havia diminuído consideravelmente e sua garganta também não doía.
— Paciente Cheon Seju? Está consciente?
A enfermeira estava trocando o soro ao lado. Quando Cheon Seju assentiu silenciosamente, a enfermeira chamou a equipe médica e verificou seu estado.
— Há algum lugar que esteja doendo?
— Meu braço esquerdo e… minha cabeça.
— O braço esquerdo estava quebrado, então fizemos uma cirurgia para ajustar o osso. Pode haver um pouco de dor, mas se for particularmente intensa ou se parecer que você está com febre, precisa nos avisar. Como é a dor na cabeça? É enxaqueca?
— Não, a nuca está um pouco dolorida.
Respondendo assim e olhando ao redor, ele não viu nenhuma outra figura além da enfermeira. Parecia que Sejin tinha se ausentado por um momento.
A enfermeira estava escrevendo no prontuário e verificando seus sinais vitais. Cheon Seju explicou-lhe sobre outra anomalia.
— E… eu não estou conseguindo enxergar direito.
— Não está conseguindo enxergar direito? Hum, você consegue ler o que está escrito aqui?
Surpresa com a fala de Cheon Seju, a enfermeira recuou e apontou para o crachá em seu uniforme, mas ele não conseguia ver. Quando Cheon Seju balançou a cabeça, ela soltou um gemido, verificou o soro pela última vez e se afastou, dizendo:
— Por favor, espere um momento. Vou avisar o médico quando ele chegar. Às vezes, a visão fica temporariamente turva devido a um impacto na nuca, então não se preocupe muito.
— Sim, obrigado.
Cheon Seju sorriu levemente e assentiu. Parecia ser esse o caso, na opinião dele também. Devido à forte batida na nuca durante o acidente, parecia que o nervo óptico havia sido danificado por uma concussão. Nesses casos, como geralmente se recupera ao normal com o passar do tempo, ele não estava muito preocupado.
No entanto, a enfermeira, talvez preocupada que Cheon Seju entrasse em pânico pelo fato de não enxergar bem, tranquilizou-o várias vezes de que era um caso comum e saiu do quarto.
Quando a porta se fechou, um silêncio calmo desceu sobre o quarto. Cheon Seju pressionou o controle remoto pendurado na grade da cama para elevar o tronco e, franzindo os olhos, olhou ao redor. Sobre a mesa de cabeceira logo ao lado, estava seu celular com a tela quebrada. Parecia estar completamente estragado, já que não ligava mesmo quando ele pressionava.
Para onde terá ido Kwon Sejin? Ele estava mais curioso sobre onde ele estava e o que estava fazendo do que sobre seu próprio estado. Ele deve ter se assustado muito, e pensou que precisava consolá-lo.
Quando Cheon Seju se perguntava sobre sua ausência, ouviu-se o som da porta do quarto se abrindo. Pensando se seria Sejin, ele virou a cabeça lentamente e viu uma figura preta entrando.
“Que se dane, é o ceifeiro?” Cheon Seju, sentindo-se subitamente assustado, franziu a testa e encarou o indivíduo. Enquanto fazia isso, logo ouviu o som de alguém estalando a língua do outro lado.
— Tsc, você está bem? Vim aqui preocupado, e a primeira coisa que faz é me encarar assim. Estou ofendido.
Era um ser humano tão pouco bem-vindo quanto um ceifeiro. Com a aparição repentina de Chae Bumjun, Cheon Seju baixou a cama novamente sem responder. “Para onde foi Kwon Sejin?”. Enquanto ele respirava fundo e se acalmava, Chae Bumjun puxou uma cadeira, sentou-se ao lado e disse:
— Ficou sabendo que o carro foi dado como perda total?
— O quê?
Perda total? O acidente foi tão grave assim? Cheon Seju desviou o olhar, incrédulo, e Chae Bumjun levantou-se. Ele vasculhou a geladeira sem permissão, pegou uma bebida que com certeza Sejin deve ter comprado, abriu-a, bebeu tudo de uma vez e continuou:
— Se o carro estivesse um pouco mais atrás, você teria morrido.
Era como Chae Bumjun dizia. O caminhão basculante invadiu a estrada devido a uma aceleração repentina. Ele avançou em direção ao veículo de Cheon Seju, que esperava o sinal na primeira fila com os freios falhando. Se não fosse pela sua visão dinâmica superior e pelo Lamborghini em que estava, Cheon Seju teria morrido na hora.
Assim que avistou o carro vindo em sua direção, Cheon Seju pisou no acelerador, e o carro, com uma aceleração de 0 a 100 em apenas 3,2 segundos, disparou para frente. O caminhão basculante colidiu com a parte traseira do veículo de Cheon Seju, e seu Lamborghini deslizou pela estrada. O lado do passageiro do veículo, que girou duas vezes, atingiu uma árvore, amassando a lateral e a traseira como papel, mas o banco do motorista permaneceu intacto.
Se ele não tivesse pisado no acelerador, teria sido atingido pelo caminhão e não restaria nem sinal de sua forma. Cheon Seju engoliu seco, sentindo arrepios tardios. Enquanto pensava que tinha sido uma sorte imensa, ele se preocupou se Sejin teria visto a cena do acidente de cima. Se ele tivesse visto aquela cena da sala alfa, nem conseguia imaginar o quanto Sejin deve ter ficado assustado até correr para fora de casa e confirmar que ele estava seguro.
— Por acaso Sejin viu? A cena do acidente.
— Não sei. Eu também estava fora de mim e ouvi apenas por alto, mas ele não viu diretamente, ele disse que estava fechando a porta e ouviu o barulho, então olhou de novo? Acho que foi assim. Ele parecia estar bem, então não se preocupe tanto.
Se fosse esse o caso, era um alívio. Teria sido pior se ele tivesse visto o momento exato em que os veículos colidiram. Quando Cheon Seju soltou um suspiro de alívio, Chae Bumjun estalou a língua como se estivesse descontente e disse:
— Vocês não vivem um sem o outro, né. Acho que antes você me disse algo sobre não ter a menor chance de acontecer algo assim com um garoto doze anos mais novo, mas, na verdade, o Chefe Cheon também não tem consciência, né?
— Vá embora. Está barulhento.
Ignorando as palavras ditas por puro ciúme, Cheon Seju fechou os olhos. Estar ao lado de Chae Bumjun drenava sua energia. Era cansativo lidar com ele. Só então Chae Bumjun estalou a língua e levantou-se. Talvez pensando que não poderia atormentar mais um paciente, ele colocou a cadeira no lugar e, por fim, explicou a situação.
— A equipe de processamento está sendo liderada por Moon Seonhyuk. Não há nada urgente no momento, então não se preocupe e cuide-se. O representante irá chamá-lo quando você tiver alta e se recuperar um pouco. Até lá, não se preocupe com nada e fique de boa. Talvez você possa até fazer uma viagem com aquele seu amante mais novo, com quem você não consegue viver sem.
A ideia de uma viagem pareceu interessante. Cheon Seju ficou pensativo enquanto ouvia o som de Chae Bumjun saindo do quarto.
Embora o braço estivesse quebrado, isso era uma lesão insignificante. O importante era a visão. Quanto tempo levaria para a visão se recuperar? Talvez esse estado pudesse durar alguns anos. Ou, se ele tivesse azar, poderia nunca se recuperar.
Com um corpo desses, ele conseguiria continuar trabalhando na equipe de processamento? A equipe de processamento era um lugar que tratava de assuntos que deveriam ser mantidos em segredo. Havia muitas tarefas que exigiam o corpo, e ele não era bom com computadores como Yoon Cheolju, então, com o corpo assim, ele não conseguiria cumprir sua parte lá.
Por um momento, Cheon Seju pensou que, talvez, assim como no dia em que Chae Bumjun apareceu no centro de detenção, este acidente pudesse levar sua vida em uma direção diferente. Não haveria como deixar um lugar vago na equipe de processamento enquanto ele se recuperava, e, se isso se tornasse uma lesão permanente, o que Shin Kyoyeon tentaria fazer com ele, que se tornaria inútil? Embora não combinasse com ele, Shin Kyoyeon não era uma pessoa que tratava os outros como descartáveis, então ele provavelmente tentaria encontrar outro uso para ele.
Fora daqui, o que eu posso fazer? Cheon Seju pensou profundamente, mas logo sua cabeça começou a doer e ele dissipou os pensamentos.
Era um problema que não adiantava nada considerar agora. Ninguém conseguia entender o pensamento daquele psicopata, Shin Kyoyeon, então o melhor era pensar sobre isso quando chegasse a hora. Ao se resignar assim, a ausência de Sejin, que havia se afastado, tornou-se cada vez mais evidente. Cheon Seju chamou a enfermeira, pensando se ele saberia, mesmo achando que era um paciente problemático.
— Paciente Cheon Seju? Está tudo bem? Está desconfortável com algo?
— Desculpe, sei que está ocupada. Não é dor, mas queria saber se sabe onde está meu acompanhante. Como meu celular está assim, nem consigo ligar.
Ao olhar para o celular com a tela quebrada, a enfermeira assentiu e respondeu:
— Ah, ele disse que foi em casa buscar algumas coisas. Então, a pessoa que veio aqui mais cedo me disse que ficaria no lugar dele até ele voltar. Vou ajustar a velocidade do soro. O professor virá em breve.
Pensando que ele tinha ido para casa, parecia que Chae Bumjun estava guardando o lugar do lado de fora.
Como quase morou no hospital durante o mês antes de Kim Kyung-kyung morrer, Sejin sabia exatamente o que era necessário para a vida hospitalar. Provavelmente ele tinha ido buscar itens para usar durante a internação, incluindo toalhas.
Pelo estado dele, não parecia que a internação seria muito longa. Como os hospitais tendem a dar alta aos pacientes mais cedo do que se pensa, e ele não estava inconsciente nem tinha outros problemas que precisassem ser monitorados, Cheon Seju achou que não ficaria no hospital por mais de duas semanas.
No entanto, Sejin parecia pensar de forma diferente. 30 minutos depois, Cheon Seju piscou atordoado ao ver Sejin chegando carregado de bagagens. Havia tantas coisas em suas mãos que cobriam sua visão turva.
— Você está se mudando?
Sejin, que virou a cabeça rapidamente com a voz de Cheon Seju, largou a bolsa no chão e se aproximou. Suas mãos mornas envolveram as bochechas de Cheon Seju. O cheiro úmido do verão emanava de Sejin, que acabara de chegar. O rosto que se aproximou parecia de alguma forma abatido. Olhando diretamente nos olhos de Cheon Seju, que o examinava, Sejin perguntou com uma voz carinhosa:
— Quando você acordou, Cheon Seju? Como está se sentindo?
Sejin abraçou a cabeça de Cheon Seju com mãos cuidadosas. Ele beijou seus cabelos várias vezes, acariciou suas costas com a palma da mão e, após confirmar que Cheon Seju estava bem, recuou o corpo para trás para se afastar.
Cheon Seju, consciente de Sejin se afastando, estendeu a mão direita intacta e puxou sua nuca. Não sabia se a porta estava aberta ou fechada, mas como queria beijar Sejin, ele beijou várias vezes ao redor de suas bochechas e lábios e, por fim, beijou profundamente a área dos olhos, que estava prestes a derramar lágrimas novamente, antes de se afastar.
— Acordei agora pouco. Estou bem. Nada mal.
Com essas palavras, Sejin soltou um suspiro de alívio. Ainda assim, como se não ficasse tranquilo, Sejin, que percorreu todo o corpo de Cheon Seju com os olhos, logo puxou uma cadeira, sentou-se ao seu lado e perguntou:
— Não está doendo nada? Não sente náuseas?
— Sim. Parece estar tudo bem, mas… por que trouxe tanta coisa?
Cheon Seju disse, perdendo o fio da meada e apontando para a bagagem que Sejin largou no chão. Então, Sejin levantou-se de um salto como se tivesse esquecido, disse “espere um momento” e começou a organizar as coisas.
Ao olhar estreitando os olhos, ele conseguiu distinguir vagamente o que estava na bolsa. Umidificador, toalhas, mini aspirador de pó, espanador, lenços descartáveis, livros e cadernos de exercícios, edredom e travesseiro, sabonete líquido e shampoo. Como se tivessem feito uma mudança, todos os pertences da casa saíram um por um de dentro da bolsa.
Parecia que Sejin achava que Cheon Seju tinha se machucado muito. Ele deve ter trazido tanta coisa porque achava que a internação seria longa, e, ao entender esse sentimento, senti um aperto no peito sem motivo. Cheon Seju engoliu o sentimento que surgia, observou Sejin organizando as coisas e perguntou cautelosamente:
— Você ficou preocupado?
— …Claro que sim, né? Você não faz ideia do quanto eu me assustei…
Sejin, que virou as costas, respondeu com uma voz trêmula como se fosse chorar a qualquer momento.
Ao tentar voltar para a cozinha depois de fechar a janela da sala alfa, houve um barulho alto de estrondo. Pensando no que teria acontecido, ele levantou a cabeça e olhou para fora, e viu que o lugar onde Cheon Seju estava parado estava vazio, e, ao lado dele, um novo caminhão basculante tinha atingido uma árvore e um ponto de ônibus. O veículo em que Cheon Seju estava não podia ser visto em lugar nenhum. Sejin correu segurando o coração que desabou naquele momento.
Sem sequer vestir um casaco, ele chegou ao térreo vestindo apenas um avental sobre o pijama e correu em direção à estrada. Ele odiava o fato de que, quando suas emoções ficavam intensas, as lágrimas vinham primeiro, mas percebeu que, se o choque fosse muito grande, ele não tinha nem essa reação. Sejin, sem conseguir demonstrar qualquer reação, correu apenas em direção à cena do acidente, encontrou pessoas reunidas longe do caminhão e, com uma intuição que lhe passou pela cabeça, correu até lá.
A carroceria branca do carro, miseravelmente amassada, soltava fumaça sob a árvore. No momento em que ele descobriu Cheon Seju pálido através da janela quebrada, o tempo pareceu parar. Sua figura, sem um movimento sequer, parecia a de uma pessoa morta. Ele sentiu tontura e náuseas.
No entanto, ao ver Cheon Seju movendo os lábios com os olhos inquietos por um momento, Sejin finalmente recuperou a consciência com dificuldade. Ele chamou a ambulância e ajudou as pessoas que lutavam para tirar Cheon Seju de dentro da porta amassada. Cheon Seju, que foi retirado assim, não tinha outras lesões externas, exceto o braço machucado e arranhões no rosto devido aos cacos de vidro. Foi o suficiente para dizer que o céu realmente o ajudou.
A ambulância chegou logo, e Cheon Seju não recuperou a consciência até chegar ao hospital. Como ele ficou aliviado ao ouvir o paramédico dizer que não parecia haver perigo de vida. Só então Sejin derramou lágrimas. O paramédico ficou tão confuso que até perguntou se o acompanhante também estava ferido em algum lugar.
Ao chegar ao hospital, ele ouviu dizer que o osso do braço de Cheon Seju estava estilhaçado. Enquanto esperava por ele, que entrou imediatamente em cirurgia de emergência, Sejin vasculhou o celular de Cheon Seju. Era porque ele achava que precisava entrar em contato com a empresa dele. Mas o celular com a tela quebrada era impossível de operar, e Sejin acabou passando a noite sentado sozinho no corredor da sala de cirurgia.
Chae Bumjun apareceu na madrugada do dia seguinte ao acidente. Enquanto voltava para casa depois da meia-noite, ele reconheceu o carro amassado na beira da estrada como sendo o de Cheon Seju e, após investigar, encontrou o hospital.
Ao ver Sejin guardando o lugar sozinho, Chae Bumjun estalou a língua com inveja e partiu depois de resolver várias coisas sobre o quarto do hospital que Sejin não tinha conseguido atender.
Ao ouvir a explicação de Sejin sobre o contexto de como ele veio parar no quarto especial, o remorso começou a crescer em seu coração. Ele sabia que não era sua culpa, mas ainda se importava com o fato de ter preocupado Sejin. Cheon Seju estendeu o braço direito intacto, envolveu a cintura de Sejin e encostou o rosto em seu peito.
— Desculpe… Estou realmente bem. Agora não precisa mais se preocupar.
— Por que você tem que pedir desculpas? Não diga essas coisas.
A voz que respondia assim estava carrancuda. Sejin, que não gostava que Cheon Seju se culpasse, acariciou seu cabelo, enterrou os lábios nos fios curtos e beijou-o suavemente repetidas vezes.
— De qualquer forma, que bom… Está tudo bem, já que você está seguro.
Parecia que vinha um som de fungada do topo de sua cabeça, mas desta vez ele decidiu fingir que não ouviu. Cheon Seju sentiu o coração de Sejin batendo forte e ficou aliviado por ele estar ao seu lado.
De repente, ocorreu-lhe um pensamento. Se algo assim tivesse acontecido antes de conhecer Sejin, ele pensou que não teria tomado nenhuma atitude mesmo vendo o caminhão basculante se aproximando.
No entanto, no momento em que viu o caminhão, o pensamento de que não poderia deixar Kwon Sejin para trás surgiu, e seus pés se moveram imediatamente. Foi a existência de Sejin que salvou Cheon Seju. Porque você existe, eu vivo. Cheon Seju engoliu o agradecimento em silêncio e encostou o corpo nele.
— Paciente Cheon Seju, como está se sentindo?
Enquanto estavam assim, logo o médico apareceu com uma batida na porta. O médico examinou-o, deu várias instruções de exame e logo se retirou.
Como havia suspeita de dano ao nervo óptico, ele foi direto para o departamento de radiologia a pedido de fazer uma ressonância magnética. Era estranho andar pelo hospital enquanto estava sentado na cadeira de rodas empurrada por Sejin. Ele nunca tinha sido objeto de cuidado de ninguém em sua vida, mas, estranhamente, sentia um formigamento no peito.
O resultado foi, como Cheon Seju esperava, que o nervo óptico da nuca foi danificado devido à concussão, e seguiu-se a opinião do oftalmologista de que ele se recuperaria em breve se tomasse os remédios corretamente sem tratamento especial. Ao contrário da expectativa, o problema não era a visão, mas o braço. Ele achava que era apenas uma fratura, mas, como era uma fratura cominutiva, Cheon Seju teve que ficar internado por duas semanas inteiras para observar a evolução da cirurgia.
O tempo no hospital não foi tão entediante, afinal. Foi graças ao fato de que, como Sejin ficava grudado ao lado de Cheon Seju, o tempo que podiam passar juntos era, na verdade, mais longo do que o normal.
─── ✧・゚: * ✧・゚:* ───
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna