⋅⋆ Capítulo 06
Um fim de semana tranquilo.
Ki Giyeonghan encarava o monitor com o olhar vazio.
Fulminou com o olhar os espaços em branco do relatório que o professor havia criado, colocando força nos olhos. Relatório de atividades, que porra é um relatório de atividades. Era algo que alunos do ensino fundamental fariam. Relatório de atividades, o que você sentiu, uma avaliação em uma linha, o que você quer fazer no próximo encontro.
— O que eu quero fazer, uma ova…
Ki Giyeonghan desviou o olhar para o calendário sobre a mesa. Ainda era março. Quanto tempo teria que esperar até o fim de junho? Suspirou sem nem se dar conta.
— ……
Ki Giyeonghan, com a testa franzida, bateu no teclado algumas vezes e então se concentrou no monitor.
Havia um espaço para escrever o número de matrícula da outra pessoa, e ele não queria entrar em contato com Yoon Yejun só para perguntar, então pesquisou no sistema do portal da faculdade para encontrá-lo.
Escreveu o relatório de atividades.
Eles se encontraram num café às 9h, e ele se atrasou dois minutos, mas, quando Ki Giyeonghan tentou deixar passar, Yoon Yejun discutiu com ele em vez disso. Ele não se sentiu bem, então ia para casa, mas Yoon Yejun sugeriu assistirem a um filme. O motivo… porque não havia nada para escrever no relatório… Depois de hesitar, acabou apagando essa parte. Em vez disso, mudou para dizer que aceitou porque não havia motivo para recusar.
Yoon Yejun não perguntou de que tipo de filme a outra pessoa gostava e reservou os ingressos com antecedência por conta própria. Ele se sentiu muito incomodado. Comprou petiscos porque se sentiu em dívida por Yoon Yejun ter reservado os ingressos, mas Yoon Yejun nem os comeu direito e simplesmente dormiu o filme inteiro.
— ……
E│
O cursor piscava diante dos seus olhos.
E│
E
E│
Ele se lembrou de Yoon Yejun apoiando a cabeça pequena em seu ombro. No começo, afastou a cabeça dele com um peteleco porque era irritante, mas Yoon Yejun se apoiou nele de novo. Repetiu isso várias vezes. No fim, ele desistiu porque era irritante e assistiu ao filme, e Yoon Yejun, teimoso, inclinava a cabeça para um lado e depois dormia com ela do outro.
A cabeça de Yoon Yejun era pequena para um homem. Ki Giyeonghan também ouvia, aonde quer que fosse, que tinha a cabeça pequena, mas a de Yoon Yejun era ainda menor que a sua. O corpo que se apoiava nele, respirando superficialmente… tinha uma estrutura magra. Ele era bem pequeno.
— Ah, porra…
Ki Giyeonghan não aguentou e xingou imediatamente. Não havia motivo para aquilo vir à mente, mas veio. Xingou e apagou tudo o que tinha escrito até então. Depois, ignorou os sentimentos e o relatório de atividades e foi direto para a avaliação em uma linha. Sem hesitar, deu sua avaliação de Yoon Yejun.
A primeira impressão é a pior, mas o peso da cabeça é leve.
── ⋆⋅𖤓⋅⋆ ──
— Ei. Yoon.
Yoon Yejun levantou a cabeça diante do dedo que cutucou com força a lateral do seu corpo. Era Kim Donghoon, um colega de turma de quem era próximo. Kim Donghoon estalou os lábios, fazendo um som de tragada. Poderia simplesmente dizer que ia sair para fumar, mas sempre agia assim. Enfim, os héteros na Coreia tinham a vida fácil.
Yoon Yejun se levantou do assento. Kim Donghoon e Yoon Yejun saíram do auditório lado a lado. Esperaram o elevador para ir à área de fumantes no primeiro andar. Demorou bastante para ele subir até o nono andar.
Enquanto isso, os dois tiveram conversas bobas. A comida do bandejão é barata. Quero matar os desgraçados que fumam no banheiro. O professor perguntou que disciplina Yoon Yejun estava fazendo. A maior parte saiu da boca de Kim Donghoon.
Ding, as portas do elevador se abriram. Yoon Yejun deu um passo à frente e, naturalmente, voltou o olhar para dentro. Deu de cara com um rosto familiar.
— ……
— ……
Era Ki Giyeonghan. Estranhamente, ele esbarrava nele com frequência depois de ter se familiarizado com o seu rosto. Provavelmente porque usavam o mesmo prédio de ciências sociais. Ki Giyeonghan sempre tinha o rosto emburrado. Os olhares se encontraram naturalmente.
Será que devo cumprimentar…? Refletiu brevemente, mas não havia necessidade. Ki Giyeonghan passou por Yoon Yejun como se fossem estranhos. Normalmente, se você esbarra fora da aula com alguém com quem está fazendo um trabalho em grupo, pelo menos faz contato visual, certo? Que desgraçado mal-educado. Não é à toa que ninguém gosta dele.
Ele entrou no elevador. Bem quando as portas estavam prestes a se fechar, ouviu uma voz.
— Ei, Giyeonghan-ah!
Era um tom alegre e bastante amigável. Então ele tem amigos. Isso é uma coisa boa? Não que eu fosse me importar se aquele cara não tivesse nenhum amigo. Ele não parecia do tipo que era particularmente bom com os amigos.
E, como esperado.
— Ei, eu não sou surdo. Fala mais baixo.
Ele é assim até com os amigos. Isso é realmente impressionante. As portas se fecharam lentamente. A última coisa que ouviu foi a voz do amigo de Ki Giyeonghan, que insistia com ele para irem beber e fazer alguma coisa. Será que alguém assim ao menos bebe? De repente, ficou curioso.
— Yejun-ah, você não trabalha hoje, né?
— Não.
— Quer tomar uma? O Hyung Min-seok abriu um bar. Vive falando pra gente ir lá.
Era um veterano que cuidava dele desde o primeiro ano da faculdade. Pensando bem, quantos anos o veterano tem? Sabia que ele estava no fim dos 20, mas não sabia exatamente a idade. À medida que passava mais tempo na faculdade, os veteranos também envelheciam, e em algum momento ele tinha esquecido.
Tinha ouvido que o veterano abriu um bar no começo do ano, quando trocaram cumprimentos. O veterano sempre foi famoso por ter uma família de boa condição. Não dava muita atenção aos estudos, mas, assim que se formou, abriu um bar ali perto. É verdade que o dinheiro faz o mundo girar. Era diferente dele, que nem tinha tempo para dormir por causa dos trabalhos de meio período. Yoon Yejun sorriu com amargura e endireitou os lábios.
— Vamos?
— Vamos, vamos. O Hyung Min-seok disse que vai dar um monte de cortesia se a gente aparecer.
Parecia que seria bom tomar um drinque depois de muito tempo. Ele normalmente levava uma vida consumida por trabalhos de meio período, então não seria ruim fazer uma pausa e relaxar por um ou dois dias.
Pensando bem, que horas é minha aula amanhã? Não teria problema, contanto que não fosse de manhã. Amanhã é terça, então… Yoon Yejun repassou sua grade. A primeira aula era às 13h. Tudo bem.
Yoon Yejun assentiu de leve. Um drinque depois de muito tempo seria bom. Assim que ele concordou, Kim Donghoon pegou o celular, todo feliz. Ding, ao mesmo tempo, o elevador chegou ao primeiro andar.
── ⋆⋅𖤓⋅⋆ ──
Depois da aula, ele passou o tempo com os amigos e, quando se deu conta, já era hora do jantar. Yoon Yejun e os amigos, que tinham ficado à toa cada um no seu quarto, se encontraram em frente ao bar que o veterano abriu e entraram.
Tinha uma atmosfera escura, do tipo em que calouros se reuniriam e ficariam só enchendo os copos no começo do semestre. Era um bar comum, como os que se veem com frequência em bairros universitários.
Yoon Yejun, que tinha parado na entrada, ficou imóvel.
Havia dois tipos de bar de que ele particularmente não gostava: um era o room salon numa área movimentada, onde parecia que ninguém se importava com o que ninguém fazia, e o outro era um bar escuro e úmido, com esse tipo de atmosfera, num bairro universitário.
Se tivesse que dar um motivo…
Provavelmente era porque lembrava alguém do passado. Na vida de Yoon Yejun, que em geral havia sido vivida com convicção, foi uma época em que ele esteve particularmente indeciso, abalado, como um veleiro encharcado flutuando num mar agitado e tempestuoso.
— ……
Yoon Yejun, com a expressão endurecida, ficou parado. Os colegas, exceto Yoon Yejun, ficaram na entrada, tagarelando alto. Acenaram, dizendo:
— Hyung Min-seok.
O veterano, que estava de pé no salão aproveitando a sensação de ser um jovem dono de negócio, percebeu a agitação e se aproximou deles.
— Ei, vocês vieram mesmo?
— Ah, Hyung, por que você está assim? Foi você quem falou pra gente vir primeiro.
Kim Donghoon falou com o veterano, que ia de um lado para o outro todo animado, com um rosto bem-humorado. Enquanto observava aquela conversa leve e animada, as imagens remanescentes do passado foram se desfazendo lentamente.
Yoon Yejun deixou os caras que se aglomeravam ao redor do veterano conversando e olhou ao redor do estabelecimento. Embora não fosse tarde, o interior estava escuro. Vendo que a atmosfera favorecia a bebida, parecia que seria difícil sair sóbrio naquele dia.
— Venham por aqui. Por aqui.
Yoon Yejun foi e se sentou no lugar para onde o veterano o conduzia. O veterano os levou até o centro e entregou um cardápio bem organizado.
— Veterano, você parece mesmo o dono, hein?
Quando os colegas brincaram, o veterano riu com vontade.
Como era no lugar de uma refeição, pediram uma sopa apimentada e frituras como petisco, e 3000cc de cerveja e quatro garrafas de soju de antemão.
O veterano, que parecia de bom humor, deu uma risadinha e disse que pagaria tudo naquele dia, então que comessem o que quisessem, e entrou na cozinha.
— Vocês sabem por que o veterano convidou a gente?
— Quem liga.
— Os colegas de turma do veterano são todos feios pra caramba.
— Aquela turma era famosa. Os homens eram amaldiçoados.
— Mesmo assim, a gente é bem bonito, né?
Yoon Yejun, que ouvia os cochichos deles com uma cara entediada, apoiou o queixo em uma das mãos e mexeu no celular com a outra. Era uma conversa sem rumo. Ele não tinha intenção de entrar na tagarelice. Com uma expressão apática, esperou a comida sair e deslizou o polegar pela tela ao entrar no aplicativo de mensagens.
[Departamento de Ciência Política e Diplomacia Ki Giyeonghan]
O cara realmente bonito está bem aqui.
Yoon Yejun encarou por um momento o perfil, que não tinha nem foto nem mensagem de status.
Não era como se ele visse todos os homens como possíveis parceiros românticos, e, mesmo não sendo o seu tipo, Ki Giyeonghan era bonito. Não era fácil ser ao mesmo tempo bonito e másculo, mas ele conseguia. Um maxilar marcado, olhos profundos e cílios longos. Tinha uma aparência bonita, mas também um lado másculo por causa do nariz firme.
Ele seria ainda melhor se falasse menos. Se fosse assim, talvez conseguissem se dar bem. Não é fácil dois caras ficarem sem jeito fazendo um trabalho em grupo em que vivem brigando.
— Ei, vocês têm que ficar o máximo possível antes de irem embora, hein?
O veterano, que em algum momento se aproximou, colocou uma sopa meio cozida no fogareiro a gás e falou.
— Ainda não está totalmente pronta, então comam provando o tempero. Ah, e peguem a bebida ali e se sirvam.
O veterano apontou para a geladeira com o queixo enquanto falava de um jeito muito generoso, e Yoon Yejun fechou o celular que segurava. Devia beber um pouco. Colocou alguns petiscos no prato e ergueu o copo. Enquanto passava o tempo bebendo um copo atrás do outro, o número de pessoas entrando aumentou. O interior ficou bem cheio.
— Ei, até que tem bastante gente.
Yoon Yejun assentiu diante das palavras do colega. Então levou o copo de soju à sua frente até a boca e o esvaziou.
A conversa estava a todo vapor. Não era como se estivessem bebendo e rindo de forma tão desenfreada quanto na época de calouros, mas agora era confortável. Yoon Yejun estava moderadamente bêbado. Ele não era completamente fraco para bebida, já que precisava de três ou quatro garrafas de soju para ficar bêbado, mas talvez fosse porque fazia muito tempo que não bebia. Sentia-se bem alegre.
Um colega que tinha ido ao banheiro e conversado com o veterano voltou ao seu lugar e disse:
— Ei, acabei de ouvir uma coisa do Hyung Min-seok.
— O quê?
Em vez de perguntar, Yoon Yejun inclinou a cabeça e fez contato visual.
— O Hyung Jae-ui vai voltar pra Coreia em breve.
— ……
A expressão de Yoon Yejun, que esteve levemente animada pelo álcool, afundou lentamente. Os lábios endureceram. Ele torceu levemente o lábio inferior e o mordeu. Aplacou a boca seca com água. Como esperado, uma pergunta voou na direção dele.
— Jun-ah, você não era próximo do Hyung Jae-ui?
— O Hyung Jae-ui te dava tanto valor. Estava sempre com você.
— ……
— Por isso eu achava que vocês dois estavam namorando. Desconfiei um pouco.
— Não, mas o Hyung Jae-ui parece que poderia curtir essas coisas. Ouvi dizer que ele morou muito tempo nos Estados Unidos.
— Do que vocês estão falando…
Yoon Yejun tentou desconversar de forma brincalhona, mas suas palavras soaram pesadas. Estava ferrado. Apertou os olhos com força e os abriu. Sentiu vontade do soju que balançava no copo.
Aquela possibilidade era besteira. Mesmo que fosse, ele era só uma pessoa curiosa. Quem de fato gostava dele era eu.
Devia ter havido épocas em que ele estava sempre comigo. Foi quando eu estava vacilando, sem firmeza nenhuma. Como deve ter sido fácil brincar comigo. Ele deve ter sentido meu afeto pelos meus olhos. Yoon Yejun inclinou a cabeça. Hoje à noite eu vou ficar bêbado. Não conseguiu nem sorrir com amargura, com medo de que os colegas perguntassem o que havia de errado.
— Eu nem falo mais com ele. Perdemos contato depois que ele voltou pros Estados Unidos.
— Ah, é? Mas, vendo que ele entra em contato com o Hyung Min-seok, parece que ainda fala com o pessoal da faculdade.
— Tanto faz. Vamos beber.
Yoon Yejun voltou à expressão de sempre. Um rosto que mantinha uma fachada adequada, era moderadamente astuto e ria das coisas na medida certa.
Ergueu o copo com naturalidade e propôs um brinde. O leve tilintar dos copos se misturou à música que tocava alto no bar.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna