❖ Mind Your Loved One, 02.2
❖ Mind Your Loved One, 02.2
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Como acabaram demorando mais do que o planejado no banheiro, os dois chegaram em cima da hora.
Nathan estacionou o carro em uma pequena área residencial perto de Hampstead Heath. Enquanto ele ia pegar o bilhete de estacionamento, Alex observava os arredores. O fato de visitar aquela casa o fazia recordar o passado — o bairro de Nathan, onde ficava o beco onde o relacionamento deles teve um fim.
Ele não sabia por que pensara que a casa seria no mesmo lugar. Como eles haviam se mudado para outra cidade e só depois retornado, era óbvio que aquela casa antiga fora vendida. Provavelmente era apenas o nervosismo. Mesmo achando que tudo já tinha passado, voltar àquele lugar parecia significar confrontar seus erros novamente.
Graças a Nathan, o passado esquecido retornou, deixando-o um pouco intimidado. Agora que estava ali, o medo surgiu. “Será que a mãe do Nathan sabe que ele passou por aquilo por minha causa? Provavelmente não. Se soubesse, jamais teria permitido isso.”
“E se ela descobrir a verdade mais tarde?”
Tomado pelo pavor, ele se virou. Definitivamente fora uma má ideia. Quem era ele para conhecer a mãe de Nathan? Se ele não tivesse se apaixonado por Nathan, nada daquilo teria acontecido. Nathan não teria mudado de escola, não teria sofrido de insônia. Sem ele, a vida de Nathan teria sido perfeita.
— Aonde você vai?
Nathan o segurou quando Alex tentou dar meia-volta, pressionado pela ansiedade. Ao olhar para cima, Alex viu que a expressão de Nathan não era das melhores.
— E por que essa cara de novo?
Uma mão branca se estendeu e acariciou seu rosto. Segurando firmemente sua bochecha, Nathan buscou seus olhos. Ergueu levemente o queixo de Alex.
— No que você estava pensando agora, hein?
A confusão mental de Alex se acalmou um pouco. A voz calma de Nathan tranquilizou seu interior trêmulo. Hesitante, ele abriu a boca:
— Tudo bem eu conhecer sua mãe? Acho que ela vai me odiar.
— Por que minha mãe te odiaria?
A expressão dele era séria. Alex sabia que Nathan detestava quando ele se desculpava. Sabia que ficaria bravo se dissesse aquilo, mas a culpa que ressurgira o pressionava.
— É que… por minha causa… coisas ruins aconteceram com você.
Ele falou baixo, com sinceridade. Nathan impediu que ele baixasse o olhar.
— Por que você acha que foi por sua causa?
Ele perguntou, encarando Alex fixamente, sem expressão. Ele abriu e fechou os punhos antes de falar:
— Porque eu comecei a gostar de você primeiro… Você não precisava passar por aquilo, mas por minha causa… você se envolveu nos meus problemas. Se eu não existisse, você…
— Gostar de você foi uma escolha minha.
O rosto dele se aproximou. Nathan o observava com um olho semicerrado, visivelmente irritado.
— Não importa quem começou. Você nunca me forçou a nada. Eu também gostava de você, e você também não podia evitar gostar de mim. Éramos jovens, e tanto eu quanto você tomamos decisões imaturas. Além disso, você sabe muito bem: o culpado de tudo foi David Mack.
Mesmo sendo detetive e sabendo que a culpa é de quem comete o crime, a culpa às vezes se manifestava dessa forma. Ele sabia que Nathan estava certo, mas seu coração ainda hesitava.
— Mas, do ponto de vista da sua mãe… ela pode ter ressentimento contra mim. Se eu não estivesse lá, você não precisaria ter mudado de escola. Não teria se machucado. Não teria passado por nada daquilo.
— Isso é uma suposição inútil.
Nathan manteve a expressão rígida, mas suspirou e encostou sua testa na dele.
— Agora você está ao meu lado, e tudo isso é passado. Se eu finalmente encontrei estabilidade no meio de tudo o que aconteceu, foi porque você estava lá.
Nathan sussurrou, roçando a ponta do nariz na dele. A pele em contato aqueceu-se.
— Eu sou feliz com você. Não consigo fazer nada sem você. Por isso, minha mãe também vai gostar de você. Porque esse é o único caminho para a minha felicidade.
A confissão que fluía suavemente em seu ouvido parecia derreter sua alma. O coração instável e bagunçado acalmou-se gradualmente. Por que aquela voz seca soava tão doce e amorosa?
— …Obrigado.
— E não dá para evitar esse encontro para sempre. Vamos ficar juntos a vida toda, então vocês tinham que se conhecer eventualmente.
Alex piscou ao ouvir a palavra “vida toda”. Talvez ele estivesse se precipitando, mas ouvir aquilo trouxe algo à tona. Sua nuca ficou vermelha.
— A vida toda?
Ele perguntou de volta, achando que ouvira errado. Nathan finalmente deixou um sorriso bonito surgir em seu olhar. Ele o observava com carinho, como se o achasse adorável.
— É. Você não pretende ficar comigo para sempre?
Alex balançou a cabeça apressadamente.
— Não, eu quero ficar com você.
Ele desejara inúmeras vezes que pudessem viver assim para sempre, mas nunca tinham falado sobre isso abertamente. Sentia-se como se estivesse recebendo a confirmação de algo que só ele desejava. Sua insegurança derreteu instantaneamente.
— Então pare de ter medo e vamos logo. Se estiver com muito medo, pode vir logo atrás de mim, como um cachorrinho.
Ao ouvir “cachorrinho”, o rosto de Alex ficou vermelho como brasa. Ele sabia que Nathan dissera aquilo para quebrar o clima, mas lembrou-se do que aconteceu na sala na noite anterior. Com os olhos brilhando em um tom avermelhado, ele olhou para Nathan com reprovação. Nathan recuou o rosto e deu tapinhas leves na bochecha de Alex.
— O quê?
— …Nada.
— Já estamos muito atrasados, vai ficar parado aí?
Nathan estendeu a mão. Vendo como ele escapava da situação de forma tão charmosa que impedia qualquer reclamação, Alex acabou rindo também. Ele conteve o riso, mas os cantos da boca subiram. Segurando firmemente a mão estendida, os dois caminharam em direção à entrada.
Enquanto esperavam a porta abrir após tocarem a campainha, Alex observou a casa. O jardim da pequena residência estava decorado com diversas plantas. Ele viu ervas, incluindo manjericão. Nathan comentou:
— Ela é péssima na cozinha, mas é ótima cultivando plantas comestíveis. Um esforço inútil.
Assim que Nathan terminou seu comentário sarcástico, a porta se abriu. Alex ficou rígido de tensão no mesmo instante.
— Chegaram?
Quem veio recebê-los não foi a mãe de Nathan, mas sim o segundo irmão. O homem que apareceu ao abrir a porta era um pouco mais baixo que Nathan, mas bem apessoado. Como ele não exalava feromônios, era um Beta. Alex lembrou-se de Nathan dizendo que todos em sua casa eram Betas, exceto o irmão mais velho.
— Olá…!
Assim que o homem apareceu, Alex curvou-se rapidamente para cumprimentá-lo. Inconscientemente, ele se curvou profundamente como costumava fazer com os mais velhos no passado, e ouviu o riso de Nathan.
— Ah, olá. Não precisa de tanto. Você é o Alex, certo?
Alex endireitou o corpo timidamente, e Nathan acariciou a mão que ainda seguravam. Nathan disse, com um olhar de quem o achava a coisa mais fofa do mundo:
— Alex, este é o Neil, meu segundo irmão.
— Pode ficar à vontade, Alex. Vamos nos ver com frequência.
Só então Alex pôde observar o outro detalhadamente. Neil tinha a pele clara e cabelos loiros como os de Nathan, mas o tom do loiro era mais vivo. Sob as sobrancelhas bem desenhadas de cor loiro-acinzentada, seus olhos eram uma mistura de verde e castanho. O cabelo repartido ao meio lhe dava uma aparência organizada. No geral, ele era um homem bonito que passava uma forte impressão de bondade.
— Por favor, me trate com naturalidade também.
— Sim, farei isso. Não se assuste se eu falar de forma mais informal na próxima vez.
Dito isso, Neil deu tapinhas no ombro de Nathan e riu.
— Chegaram bem?
— Sim. Parece que você conseguiu um tempo livre depois de muito tempo.
Diante do comentário de Nathan, Neil sorriu gentilmente e coçou a bochecha.
— Ah… a empresa estava agitada. Mas com certeza não menos que você. Só tive muito trabalho.
Enquanto falava, Neil de repente virou-se para trás e fez um sinal urgente com a mão.
— Ei, estou sentindo cheiro de queimado. Vamos rápido, temos que entrar e impedir a mamãe antes que ela comece a cozinhar.
Neil puxou Nathan bruscamente e suplicou a Alex:
— Ouvi do Nathan que você vai cozinhar hoje, certo? Por favor, eu imploro. Qualquer pessoa cozinha melhor que a nossa mãe.
Diante daquela urgência óbvia, Alex apressou-se para entrar. Ele viera vestido com uma camisa de manga curta estilo social e calças pretas, usando sapatos formais, mas trocou-os rapidamente por chinelos de quarto, sem tempo para se descalçar com calma. Neil conduziu Nathan diretamente para a cozinha.
— Mãe, o Nathan chegou! Venha ver, deixe a comida para depois.
Alex ouviu o grito urgente de Neil. Nathan olhou para trás e fez um sinal para Alex segui-lo. Mesmo hesitante, aproximou-se rapidamente dele.
— Nathan, você chegou? Mas vocês devem estar com fome.
Ao lado de Nathan, Alex viu uma mulher de meia-idade saindo da cozinha. Usando uma calça leve e elegante, uma camisa branca confortável e um avental, dava para perceber à primeira vista que ela era a mãe de Nathan.
Limpando as mãos no avental enquanto se aproximava, ela avistou Alex. Uma expressão de surpresa surgiu em seu rosto antes neutro.
— Vocês chegaram?
A mãe de Nathan aproximou-se apressadamente e, com um sorriso calmo, estendeu a mão. Alex deu um passo à frente e segurou a mão dela com ambas as mãos. Enquanto realizava essa sequência de ações, sua mente estava em branco. Não conseguia pensar em nada.
— Olá, meu nome é Alex Yeon.
Seu nervosismo era tamanho que sua voz talvez tenha tremido. Ele falou de forma rígida, como se estivesse diante de um superior, e ouviu Nathan rir atrás dele. Após o cumprimento formal, a mãe de Nathan sorriu.
— Eu sou Nora. Pode me chamar como preferir. Estava muito curiosa para saber quem era o namorado que o Nathan tanto ama. Obrigada por vir.
As costas de sua mão levemente enrugada eram frias e ao mesmo tempo quentes, como as de Nathan. Nervoso, Alex assentiu e respondeu:
— O-obrigado.
“Ah, que idiota.”
De tão tenso, ele acabou gaguejando. Nathan aproximou-se e envolveu os ombros dele.
— Pode descansar, mãe. O Alex disse que vai cozinhar, então nós dois cuidamos disso.
— Ora, onde já se viu pedir isso a um convidado? Alex, fique à vontade. Pode demorar um pouco, quer tomar um chá e comer biscoitos primeiro?
Diante das palavras de Nora, Neil balançou a cabeça freneticamente às costas dela. Vendo aquilo involuntariamente, Alex hesitou, mas criou coragem.
— Se a senhora não se importar, poderia me deixar ajudar? Eu… gosto muito de cozinhar.
Seu pedido soou tão genuíno que Nora piscou e olhou para ele. Em seguida, olhou para Nathan e disse:
— Ele é mais fofo do que eu imaginei, Nathan.
— Ele é meu, então não diga essas coisas.
— Olhe só para ele, não era assim quando criança e agora mudou. Mamãe está magoada.
Mesmo dizendo isso, Nora voltou a sorrir e assentiu.
— Então, quer me dar uma mãozinha? Se é o que você quer, Alex.
— Sim!
Ao receber a permissão de Nora, o rosto de Alex iluminou-se. Nora olhou em volta, pegou um avental pendurado em uma cadeira e entregou a ele. Quando Nathan e Neil tentaram entrar na cozinha com eles, ela fez um sinal para pararem.
— Nenhum de vocês ajuda muito, então vão arrumar a mesa.
Neil retrucou o comentário de Nora:
— As habilidades culinárias da mamãe também não ajudam muito…
Neil não conseguiu terminar a frase. Diante do olhar silencioso de Nora, ele recuou rapidamente para trás de Nathan. Logo em seguida, começou a levar os pratos empilhados para a mesa.
Nathan, com um leve franzir de testa, observava Nora e Alex. Quando Alex assentiu dizendo que estava tudo bem, Nathan relutantemente começou a ajudar Neil.
Deixando os dois irmãos na mesa, Nora levou Alex para a cozinha. Era um lugar pequeno, mas bem equipado. Tomates, cenouras, aipo e outros vegetais já estavam na tábua, recém-cortados. Havia também uma panela grande de ensopado.
— Como hoje temos mais gente, pensei em fazer um ensopado. Comi uma comida húngara perto de Soho Square outro dia e estava deliciosa. Acho que se chama Goulash…? É o que pretendo fazer.
Goulash era um prato que Alex já fizera algumas vezes. Para um ensopado, não demorava tanto, mas era um prato exigente, pois o sabor dependia muito do uso correto das especiarias.
— Pode falar comigo de forma informal, por favor. Eu insisto — pediu Alex a Nora.
Ele nunca passara por uma situação dessas, e como os únicos adultos que conhecia eram seus parentes de ascendência coreana, o modo formal e educado de Nora o deixava quase intimidado de tanta pressão.
— Você prefere assim?
— Sim, por favor!
— Tudo bem, então.
Nora dirigiu-se ao local onde estava a carne de vaca reservada.
— Então me ajude com as coisas simples, Alex. Eu faço o resto.
Alex decidiu primeiro observar como ela agia.
— Certo, eu vou terminar de preparar os vegetais.
Aproximando-se dos vegetais que estavam cortados de forma irregular, Alex começou a moldar e cortar as cenouras em rodelas uniformes. Após picar rapidamente as batatas e cebolas, ele checou os temperos. Em seguida, deu uma olhada furtiva em como Nora cozinhava.
Nora estava prestes a temperar a carne cortada diretamente em uma tigela redonda com sal e pimenta. Vendo aquilo, Alex aproximou-se cautelosamente.
— Com licença, se não se importar, posso fazer de um jeito diferente?
— Sim?
— Ao fazer ensopado, o ideal é fazer o “deglaze” e refogar a carne antes de colocar na panela, mas isso demora. Então, é melhor passar a carne na farinha antes de refogar.
Diante da explicação de Alex, Nora olhou para ele com curiosidade e assentiu. Quando ela se afastou, Alex procurou ao redor. Como não havia farinha à vista, parecia que ela não tinha pensado nisso.
— Teria farinha por aqui?
— Eu pego para você.
Nora fez menção de abrir o armário. Embora ela fosse alta, Alex era consideravelmente mais alto. Ele aproximou-se rapidamente e pegou a farinha no armário superior.
— Não se esforce, eu pego — disse ele suavemente ao retirar o pacote. Nora o observou fixamente.
Mesmo tenso, Alex colocou um pouco de farinha em outra tigela, temperou com sal e pimenta e passou os pedaços de carne na mistura.
— O Nathan me disse que você cozinhava bem, vejo que é verdade.
— Acho que… cozinho o suficiente para o Nathan gostar.
Ao ouvir que ele o elogiara, um sorriso tímido surgiu. Com as orelhas levemente vermelhas, Alex terminou de preparar a carne.
— Onde ficam as frigideiras?
Nora perguntou, confusa:
— Não podemos refogar tudo direto na panela?
— Bem…
Carne e vegetais precisavam ser preparados separadamente, com intensidades de fogo diferentes.
— Fica um pouco mais saboroso se fizermos separadamente. Eu lavo a louça depois, não se preocupe.
Ao falar com cuidado, Nora sorriu. Ela abriu o armário inferior e tirou as frigideiras.
— Escolha a que preferir.
— Obrigado.
Após tirar duas frigideiras grandes, Alex colocou-as simultaneamente no fogo. Despejou azeite e começou a refogar a carne e os vegetais separadamente, ajustando as chamas.
A carne cortada em cubos foi selada rapidamente em fogo alto até dourar por fora. Os vegetais foram cozidos em fogo baixo. Além dos vegetais cortados, Alex picou alguns dentes de alho e os adicionou; Nora aproximou-se para observar.
— Você é muito mais rápido do que eu.
Nora comentou com admiração. Temendo ter causado algum desconforto, Alex rapidamente olhou para ela, buscando sua reação. Mas Nora sorriu de volta.
— Estou dizendo isso porque você é bom. Na verdade, eu não gosto muito de cozinhar. Fiz por obrigação para sustentar meus filhos, mas…
Ao dizer isso, Nora cruzou os braços com uma expressão melancólica.
— Quem cozinhava bem era Gideon. Nathan deve ter contado, meu falecido marido.
Alex já sabia disso há muito tempo. Ele a observou com cautela. Alex também sabia como era a sensação de perder alguém. A diferença era que a família que ele amava o abandonara primeiro. Devia ser diferente de um caso em que ambos se amavam profundamente antes da separação.
— Sinto muito por sua perda.
— Não se preocupe, foi há muito tempo. Está tudo bem.
Nora acenou com a mão e continuou observando Alex cozinhar. Inclinando levemente a cabeça, ela continuou sorrindo:
— Diferente de Gideon, eu só sabia trabalhar. Não pude dar muita atenção aos meus filhos. Meu filho mais velho praticamente cuidou dos irmãos enquanto eu lutava para sobreviver. Tenho muitos arrependimentos.
Em seguida, Nora olhou para Nathan e Neil, que conversavam enquanto arrumavam a mesa. Ao olhar na mesma direção, Alex sentiu que Nathan parecia mesmo um irmão mais novo. Era fofo. Um pequeno sorriso escapou sem que ele percebesse. Nora, observando aquele sorriso, disse:
— Obrigada por cuidar bem do Nathan. Como fui uma mãe ausente, há muita coisa que não pude fazer por ele.
Ao ouvir a voz carregada de remorso, Alex piscou. Como nunca tivera esse tipo de conversa, não sabia quais palavras seriam apropriadas. Hesitante, ele disse suavemente:
— Aos meus olhos… a senhora é incrível.
Nora encontrou o olhar de Alex. Ele hesitou. Como Nathan não era de sair espalhando sua vida, provavelmente não contara os detalhes da família de Alex para ela. Sendo sincero, não haveria vantagem em dizer que a pessoa com quem estava namorando era quase um órfão.
Contudo, Alex não queria criar uma fachada para si mesmo.
— As pessoas são assim, não é? Quando estamos ocupados apenas tentando sobreviver, é difícil cuidar de si mesmo, quanto mais fazer o que a senhora fez. E o Nathan sabe disso.
Sua própria “culpa”, que o atormentava desde antes de chegar, veio à tona. O suor frio brotou em sua espinha devido à tensão. Alex baixou a cabeça enquanto mexia os vegetais. Então, disse baixinho:
— Ouvi dizer que a senhora fez o máximo para cuidar dele quando ele mudou de escola. Quando soube, achei admirável. Foi algo que a senhora fez pelo seu filho. Meus pais me abandonaram para seguirem suas próprias vidas. Cada um pensa de um jeito, mas, para mim, a senhora é… uma pessoa muito forte e gentil. Assim como o Nathan.
O silêncio pairou. Alex arrependeu-se assim que falou. Definitivamente não era um assunto para se tratar em um primeiro encontro, naquela situação. Por que ele era sempre tão desajeitado? Nunca sabia o momento certo de falar e acabava estragando as coisas que podiam dar certo.
Desligando lentamente o fogo onde refogava os vegetais, Alex prendeu a respiração. Engolindo em seco, olhou cautelosamente para Nora; ela o encarava fixamente. Com certeza ele quebrara o clima. Precisava pedir desculpas imediatamente.
— Você é gentil — disse Nora finalmente. Ela continuou enquanto limpava o canto dos olhos: — É a primeira vez que ouço algo assim.
Nora murmurou como se falasse consigo mesma, hesitou e estendeu a mão para dar tapinhas carinhosos no braço de Alex.
— Como fui uma mãe falha, tive muitos conflitos com meus filhos. Acho que você me vê de uma forma bondosa demais… mas, mesmo assim, obrigada.
— Não é isso, eu falei sério. Se eu tivesse alguém como a senhora ao meu lado, eu… ficaria muito feliz. O simples fato de alguém se importar já é algo para ser grato. Por isso eu… gosto muito, muito do Nathan.
Sem conseguir se conter, Alex acabou soltando sua confissão de amor por Nathan. Diante de sua sinceridade, Nora sorriu e aproximou-se.
— Você sabia de uma coisa?
— Sim?
— O Nathan também te ama muito. É a primeira vez que ele namora alguém. Você é a única pessoa cujo nome ele me disse pessoalmente.
Se já fora emocionante ouvir isso de Nathan, ouvir a confirmação da boca de Nora o deixou comovido. Enquanto ele permanecia paralisado sem saber o que fazer, Nora acrescentou:
— E agora que te conheci pessoalmente, entendo o motivo. O Nathan tem bom gosto.
— Eu… tenho muitas falhas. O Nathan é areia demais para o meu caminhão.
Nora balançou a cabeça e perguntou:
— Soube que você também é detetive. Como o Gideon.
— …Sim.
— No começo, fiquei preocupada ao saber disso. Não é uma profissão segura. Por esse motivo, impedi por muito tempo que o Nathan se tornasse detetive. Ainda me sinto inquieta, mas… vendo você, eu me lembrei.
Nora falou com um rosto muito mais relaxado do que antes.
— De como meu marido detetive era uma pessoa gentil e maravilhosa.
Ela olhou alternadamente para Alex e para a comida que ele preparava, sussurrando com doçura:
— Obrigada por me fazer lembrar do que eu tinha esquecido. Cuide bem do Nathan.
Então, ela retirou o avental e disse suas últimas palavras:
— Definitivamente é melhor você cozinhar. Sinto que vou apenas te atrapalhar. O que você gostaria de beber?
Diante da reação calorosa e das palavras gentis que nunca esperara, Alex precisou de um momento para recuperar o fôlego. Com a garganta embargada, ele conseguiu responder:
— …Teria leite achocolatado?
Ao ouvir “leite achocolatado”, Nora soltou uma gargalhada alta. Em seguida, virou-se para Nathan e gritou:
— Nathan! Então o motivo de você comprar leite achocolatado do nada antigamente era por causa do Alex?
Diante do grito dela, Nathan, que estava arrumando a mesa, parou bruscamente. Ele parecia envergonhado. Quando Alex olhou para os dois com curiosidade, Nora acenou com a mão.
— Fique aí. Eu trago para você, querido.
Nora deu tapinhas suaves no braço de Alex e caminhou em direção à geladeira. Era a primeira vez que se viam, mas, estranhamente… ele se sentia mais à vontade do que quando estava com sua própria mãe.
Era uma sensação estranha. Mas ele não detestava.
↫─ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna
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⚠️ Aviso: Todos os fatos, personagens e situações retratados nesta obra são inteiramente fictícios. Não contendo nenhuma relação com a realidade.⚠️