❖ Mind the language, 01.1
❖ Mind the language, 01.1
00.
Como as coisas chegaram a este ponto?
Enquanto preparava o molho da lasanha na cozinha de Matthew, Alex pensava melancolicamente. O molho de tomate borbulhava sombriamente, soltando um som de “puck” antes de assentar. Muita coisa estava errada. Normalmente, a esta hora, ele deveria estar fazendo o jantar ao lado de Nathan, conversando alegremente sobre o que fariam no fim de semana.
— Está pronto? Estou com fome.
E não aqui, preparando o jantar de Matthew como pagamento pela estadia.
— Vá comendo a salada.
Matthew percebeu o tom deprimido na resposta e ficou observando. Ele hesitou por um momento, como se fosse dizer algo, mas acabou pegando seu notebook e indo para a mesa.
Alex voltou a encarar o molho de tomate sem energia e deu uma olhada rápida no celular que havia deixado de lado. A tela estava silenciosa. Sem mensagens, sem ligações. A pessoa de quem ele esperava contato era Nathan. A pessoa que Alex mais amava no mundo. Seu namorado há mais de seis meses. O homem mais bonito da Inglaterra — não, do mundo inteiro.
Alex havia brigado com esse Nathan. E, para piorar, foi ele quem ficou bravo e saiu de casa. Se perguntassem por que brigaram, ele teria que voltar ao último sábado. Ele deveria ter percebido desde que começou a ter aqueles sonhos inquietos. Se tivesse ido à igreja rezar, talvez não tivessem brigado assim.
Com certeza, tudo foi por causa do pesadelo que teve no fim de semana.
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1.
O verão havia chegado. Era a época em que o horário de verão começava e o sol não se punha até tarde da noite. Ventos azedos misturados com o frescor da vegetação sopravam por todos os lados, e pessoas sentavam-se em pátios bebendo cerveja até tarde. O início de julho era deslumbrante.
Alex também gostava dessa estação, quando os ventos cinzentos e sombrios não sopravam. Ele tinha muitas lembranças boas do verão.
A nuca branca de Nathan enquanto ele observava o campo de esportes sentado nos degraus sob o sol escaldante, a água gelada que bebiam após jogarem futebol até ficarem encharcados de suor, as risadas de Tina e Jude conversando com ele. A primeira lembrança de caminharem de mãos dadas sob a lua branca, ou o cheiro aconchegante do edredom ao adormecer no quarto de Nathan com a janela aberta.
As memórias que antes haviam se transformado em dor voltaram a ter cores lindas, decorando as lembranças de verão. Tudo estava iluminado e havia um bom perfume em todo lugar. Somente ao chegar ao fim dos seus vinte anos é que Alex conseguiu ver, depois de muito tempo, as cores reais do verão.
Ao longo dos últimos meses, Alex começou a se adaptar gradualmente à sua boa sorte. Ele estava absurdamente feliz. Cada dia era calmo demais para parecer realidade e não havia preocupações. Era bom não ter que se preocupar com o aluguel do apartamento ou com dívidas, mas o que era inacreditavelmente bom era não se sentir mais sozinho. Saber que Nathan estaria lá ao acordar, e que estaria presente no início e no fim do seu dia.
A melancolia que corroía seu coração como umidade desapareceu ao ser tocada pela luz. As feridas causadas por seu pai e sua mãe transformaram-se em rastros tênues em sua mente. Desde o momento em que expressou sua opinião para sua mãe e sua tia pelo telefone, diante do olhar atento de Nathan. Todas foram mudanças que ocorreram por estar com ele.
No entanto, isso também significava que já estava na hora de algo ruim acontecer. Afinal, ninguém pode ser feliz o tempo todo. Alex era alguém acostumado com a infelicidade e acreditava na superstição de que, após uma sequência de sorte, sempre vem um preço correspondente.
E sua ansiedade leve logo se tornou realidade.
Era um dia em que Nathan finalmente teve uma folga no fim de semana. Nathan, que andava extremamente ocupado desde que começou sua especialização médica, só começou a ter um pouco de tempo livre recentemente. Até poucos dias atrás, houve casos em que ele passou a noite no hospital, e muitos dias em que sua agenda era irregular. Alex percebeu novamente o quanto Nathan havia sido atencioso e permanecido ao seu lado na época em que ele esteve hospitalizado.
— Vamos para lá.
— Sim!
Eles decidiram passar o precioso dia de folga que finalmente coincidiu em um encontro. Às seis da tarde, com o sol ainda brilhando, os dois caminharam de mãos dadas por Shoreditch. Como a casa de Nathan não era longe do centro de Shoreditch, havia muitos lugares para ir. O cheiro de cerveja e o barulho das conversas das pessoas vinham embalados pelo vento morno.
Nathan naturalmente decidia para onde ir. Alex, que não tinha muitas preferências, geralmente seguia a liderança de Nathan em seus encontros. Curiosamente, todos os lugares que Nathan o levava serviam comidas deliciosas que agradavam ao seu paladar, então esse fluxo já era natural agora.
Nathan parecia ter reservado um pátio, pois foram conduzidos a uma mesa ao ar livre. Músicas recentes das paradas de sucesso tocavam alegremente, e o lugar estava cheio de pessoas produzidas. Todos pareciam estar a caminho de alguma boate, dada a extravagância de suas roupas. Pareciam pessoas de um mundo muito distante deles. Ou melhor, especificamente apenas de Alex.
— Já escolheu?
Alex, que olhava o cardápio sentindo-se um pouco intimidado, levantou a cabeça. Nathan não estava usando um terno formal, vestia apenas uma camisa social branca e calças de alfaiataria, mas ainda assim estava maravilhoso. Ele chegava a brilhar mais do que as pessoas super produzidas ao redor. Seu cabelo loiro platinado chamativo e sua pele clara faziam suas sobrancelhas castanho-douradas e seus olhos verdes vibrantes se destacarem.
— Sim, escolhi. E você, Nate?
Quando seus olhares se cruzaram, as pontas das orelhas de Alex ficaram levemente vermelhas. Mesmo após tanto tempo, Alex sentia timidez toda vez que olhava para Nathan, várias vezes ao dia. Era bom demais para ser verdade, e Nathan era bonito demais.
— Sim. Vou lá fazer o pedido. Fique sentado.
Nathan parecia muito natural em lugares como aquele. Diferente dele, que viveu sem nunca frequentar pubs ou boates. Na época em que os outros iam a festas ou se divertiam, Alex jogava futebol e, quando ficava sozinho, trabalhava meio período. Ele conseguiu um emprego logo em seguida e apenas trabalhava. Resumindo, era uma vida entediante de tão sem graça.
Mas Nathan devia ser diferente. Como sempre se viam nos respectivos trabalhos ou ficavam juntos em casa, ele não havia percebido, mas hoje aquilo saltou aos seus olhos.
— Quer que eu vá também?
— Está tudo bem. Está lotado, fique aqui.
A sugestão que deu timidamente por não querer se afastar de Nathan foi rejeitada. Nathan costumava não deixar Alex fazer nada, desde abrir e fechar portas até qualquer tarefa incômoda, de uma forma quase exagerada.
— É que sinto que sempre deixo as coisas chatas para você — disse Alex, olhando para Nathan que se levantava.
Ao ouvir isso, Nathan arqueou levemente as sobrancelhas e, em seguida, soltou uma risada baixa e estendeu a mão. Nathan afastou o cabelo de Alex, inclinou o tronco e encontrou seu olhar.
— Eu disse que, quando eu ficasse maior que você, não deixaria você mover um dedo, não disse?
Em um piscar de olhos, Nathan encostou os lábios em sua bochecha. Após um beijo curto, ele tocou o cabelo de Alex mais uma vez e se virou sem dar tempo para uma resposta.
Alex só recuperou os sentidos alguns segundos depois daquela resposta inesperada. O calor subiu para seu rosto tardiamente. Ele moveu os lábios e levou a mão ao rosto. A bochecha que ele esfregou desajeitadamente estava quente. Um formigamento veio logo em seguida.
“Ele se lembra. Das coisas que eu disse.”
Toda vez que enfrentava momentos inesperados como esse, Alex sentia um nó na garganta. Era como se todo tipo de emoção preenchesse seu peito. O agora, onde podiam se reencontrar e rir das memórias do passado, era precioso demais.
Depois de esfregar a bochecha por um longo tempo, Alex virou o corpo para olhar na direção onde Nathan tinha ido. Graças à sua altura superior à dos outros, Nathan era facilmente visível mesmo através da janela do pub. Apesar de Nathan ter acabado de sair, Alex já sentia saudades e esperava ansiosamente por sua volta.
Nathan estava encostado de lado no balcão, conversando com um funcionário homem com uma expressão neutra. Ver que ele não sorria para a outra pessoa, que falava com ele animadamente, dava a Alex até um certo orgulho bobo. Ele gostava que alguém que parecesse tão indiferente mostrasse um lado carinhoso e atencioso em cada detalhe diante dele. Ele já o tinha visto até chorar.
“Provavelmente esse lado do Nathan é só meu…”
Foi nesse instante que ele pensou isso. Ele viu um grupo de mulheres se aproximando de Nathan. E a mulher mais alta entre elas chegou a tocar o ombro dele.
Os olhos de Alex, que observava em silêncio, se arregalaram. Quem seria ela? Um sentimento de alerta disparou. Nathan virou a cabeça sem mudar a expressão. No entanto, para surpresa de Alex, contrariando sua expectativa de que ele as ignoraria, Nathan não o fez.
“O que está acontecendo?”
Nathan não sorriu, mas trocou palavras com a mulher. A mulher loira de cabelos compridos, que parecia visivelmente feliz em vê-lo, era esguia e bonita como uma modelo, assim como suas amigas.
A ansiedade cresceu instantaneamente. Alex levantou-se levemente da cadeira sem perceber e começou a ficar visivelmente inquieto. “Eu deveria ir lá?” Ele pensou que Nathan poderia não gostar se ele se aproximasse agora, mas era difícil ficar parado.
Todo tipo de imaginação começou a crescer. “Será que ela gostou do Nathan?” Como Nathan era mais bonito que qualquer modelo, era natural que dessem em cima dele. Sinceramente, se alguém passasse por ele por um segundo já se apaixonaria, então era de se esperar que atraísse interesse em um lugar como aquele.
“Mas o Nathan é meu. Não posso deixar as coisas assim, posso? Ou será que estou exagerando?”
Foi quando a ansiedade de Alex atingiu o ápice. Nathan, carregando dois copos de pint que demoraram uma eternidade para sair, finalmente se moveu. Ele parecia estar se despedindo apenas com palavras e se virando, quando a mulher loira tentou abraçá-lo. A mão de Alex apertou o encosto da cadeira com força. No momento em que seu corpo quase saltou, ele viu Nathan recusar o abraço e sair do local.
— Por que você está assim?
Nathan, que voltou para a mesa externa sob os olhares das pessoas, perguntou intrigado. Só então Alex percebeu que sua postura estava cômica. Ele estava meio levantado, em uma posição incerta.
— É que… você estava demorando tanto que eu ia te procurar — disse Alex lentamente. Sua mente estava tão cheia da cena de antes que era difícil pensar no que dizer. Ele conteve, por enquanto, a vontade de perguntar imediatamente quem era ela.
Isso porque Alex nunca tinha demonstrado ciúmes externamente em toda a sua vida. O ciúme em si era algo que ele sentia sozinho inúmeras vezes desde que nutria um amor não correspondido por Nathan. Ele não sabia se era um instinto de sua natureza Alpha ou sua personalidade, mas mesmo quando gostava dele sozinho, costumava ficar em guarda com quem estava ao redor.
Mas esse era o limite da posição de Alex. Alguém que ama sem ser correspondido não tem o direito de demonstrar ciúmes. Todo o turbilhão de emoções complexas flutuava apenas em seu interior, e Alex mostrava apenas sorrisos ou seu jeito desajeitado para Nathan.
— Foi por isso?
Nathan colocou os copos de pint sobre a mesa e abriu um sorriso relaxado. Quando aquele sorriso, que ele definitivamente não mostrou lá dentro, apareceu em seu rosto, Alex se sentiu mais aliviado. Então, uma tristeza sem motivo aparente o atingiu. Alex levantou-se num salto e abraçou Nathan. Ele se afundou no peito dele e esfregou o rosto. Ao sentir o perfume de Nathan, ele foi se acalmando gradualmente. Os braços de Nathan envolveram sua cintura naturalmente.
— É complicado se você agir de forma fofa em público. Me dá vontade de voltar para casa agora mesmo.
Em vez de perguntar por que ele estava agindo assim de repente, Nathan abraçou Alex com força e encostou os lábios em seu pescoço. Uma sensação suave se espalhou. Mesmo estremecendo, Alex não agiu com a timidez de sempre; ele se aninhou mais no abraço e refletiu. Ele não esqueceu de apertar mais os braços que envolviam o corpo firme de Nathan. “Posso perguntar? Acho que tudo bem, né? Agora eu sou o namorado do Nathan.”
A dúvida não durou muito. Embora tivesse medo de que Nathan passasse a detestá-lo, Alex percebeu que não conseguiria dormir hoje se não perguntasse isso. O ciúme venceu o medo. Uma pequena ponta de confiança de que Nathan não deixaria de gostar dele por algo assim também ajudou.
— Sabe, Nathan…
— Hum — Nathan respondeu enquanto esfregava os lábios em seu pescoço.
Mesmo soltando um som de “ugh” por causa do formigamento, Alex continuou firmemente com a pergunta. Conquistar Nathan era mais importante do que ser tímido.
— Posso perguntar quem era a pessoa que falou com você agora há pouco?
Nathan, que estava acariciando seu pescoço com os lábios, parou. Ele ficou paralisado por um momento, depois endireitou a postura lentamente e olhou para Alex com uma expressão levemente perturbada. Alex fixou o olhar em Nathan com os olhos bem abertos. Era difícil até respirar. Nem o resultado do vestibular o deixou tão nervoso.
— Você viu?
Não era a resposta que ele esperava. Alex, que esperava uma resposta do tipo “alguém que eu não conheço falou comigo e eu ignorei”, sentiu seu coração disparar. Sua garganta secou de tensão.
— Sim, ela falou com você… então pensei que fossem próximos…
— Não é isso.
Nathan massageou levemente o queixo e disse, franzindo um olho.
— …Foi alguém com quem saí por um tempo.
Veio uma resposta muito distante da que Alex desejava. Teria sido melhor se ele tivesse dito que ela deu em cima dele lá dentro. Alex olhou para Nathan atordoado e finalmente conseguiu piscar, soltando um “ah”.
— Entendi.
Uma decepção difícil de descrever o atingiu. Parecia também uma mágoa. Era difícil saber exatamente o que era, pois era um sentimento que ele nunca havia sentido na vida.
— Nós não namoramos. Fomos apresentados e nos vimos apenas algumas vezes.
Mesmo que Alex ainda não tivesse dito nada, Nathan apressou-se em acrescentar. Ao ouvir que não namoraram, o humor de Alex, que estava caindo em direção ao chão, melhorou um pouco. Alex estava confuso consigo mesmo pela forma como suas emoções oscilaram em poucos segundos. Com uma expressão de choro, Alex perguntou de volta:
— Verdade?
— Depois que me separei de você, não namorei ninguém.
Alex percebeu o constrangimento no rosto indiferente de Nathan. Enquanto Nathan sussurrava segurando seus ombros com força, Alex disse baixinho:
— Vocês só saíram em encontros?
— …Sim.
— Tá, entendi.
Mesmo que tivessem namorado, era algo que já passou e não era da conta dele. Nathan o odiou, ele o magoou, e nem sabia o que tinha acontecido. Além do mais, eles não eram nada naquela época.
Não adiantaria falar mais nada. Ele estava magoado, mas não sabia o que fazer para mudar isso. Era difícil encontrar um rumo.
Um ar estranho pairou por um momento. Alex se esforçou para sorrir, mesmo sem saber exatamente qual era o problema. Ele não deveria estragar o encontro de tanto tempo com uma pergunta estranha. Teria sido melhor fingir que não viu. Porque, no momento em que ouviu aquilo, ficou ainda mais difícil pegar no sono.
— Aqui está o pedido.
Bem na hora, o garçom trouxe a comida. Alex sentiu uma raiva silenciosa pela rapidez com que a comida saiu, sendo que os dois pints demoraram uma eternidade. Suprimindo a raiva com um sorriso, Alex disse alegremente:
— Vamos comer, Nate. Você está com fome.
— Alex.
Nathan segurou sua mão. O nó no coração começou a se desfazer suavemente.
— Eu te amo. Não pense coisas estranhas.
Alex assentiu. Nathan soltou um suspiro, aproximou-se cautelosamente e deixou um beijo suave no cabelo de Alex. Enquanto era abraçado com força, Alex esfregou o rosto na nuca branca dele. Ao pensar que, no fim das contas, ele seria o único a ver esse lado de Nathan, ele começou a se acalmar novamente.
“Sim, é algo que já passou!”
Embora Nathan sempre tivesse namoradas ou pessoas querendo apresentá-lo a alguém desde que começaram a se conhecer, e embora Amy também gostasse de Nathan, ele não gostava delas da mesma forma que o amava. O importante era isso. Alex, que voltou rapidamente a ser positivo, começou a ter pensamentos felizes enquanto inspirava profundamente o cheiro de Nathan. Então, seu humor melhorou novamente.
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↫─☫ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna