Capítulo 04.3
❖ Capítulo 04 – The Last Car on The Train, Parte 03
No elevador, havia pessoas de outros departamentos. Após trocarem cumprimentos formais, Alex permaneceu com as costas eretas olhando para frente. Os dois alfas atrás dele pareciam ser amigos e continuaram uma conversa pessoal.
— E então, o que você fez com seu namorado? Mandou ele sair?
Alex, que observava a mudança dos andares, estremeceu com aquelas palavras. Não se deve ouvir a conversa dos outros, mas não havia jeito. Ele estava dentro do elevador e não tinha para onde fugir. Acabou prestando atenção sem querer.
— Não consigo dizer. Quando o aceitei porque ele não tinha para onde ir temporariamente, eu também achei divertido e estava tudo bem, mas agora que está virando quase um casamento, sinto que vou enlouquecer. Eu ainda não tinha pensado nisso. Nem penso em casar, quanto mais em morar junto.
O suor frio brotou em suas costas. Seu coração deu um solavanco. Por mais que ouvisse, parecia a sua situação.
— Ele não tem semancol. Então só tem um jeito.
— Qual?
Alex também segurou a respiração e se concentrou. Sem perceber, ele já estava ouvindo a conversa com os punhos cerrados.
— Termine.
— Ah, droga. No fim, só resta esse jeito?
— Se não, você vai ficar preso.
O conselho que parecia uma sentença de morte terminou ao mesmo tempo que a porta se abriu. Alex esqueceu de descer por um momento e, só após sentir um olhar de dúvida vindo de trás, saiu apressadamente antes que a porta se fechasse. Ouviu-se o som da porta se fechando suavemente. Alex ficou parado no corredor remoendo a conversa de agora pouco. A resposta apareceu.
“Eu não tive semancol.”
O que teria acontecido se ele não tivesse ouvido aquela conversa por uma coincidência incrível? Ele sabe que Nathan o ama, mas Nathan poderia se cansar dele, que estava grudado sem noção.
Além disso, ele estava em uma situação de parasita. Ele morava na casa de Nathan, que não se comparava ao seu apartamento humilde, e nem sequer pagava aluguel. Mesmo que Nathan o tenha impedido de pagar, ele deveria ter dado um jeito de pagar. Nos últimos meses, ele apenas recebeu tudo.
O medo bateu de repente. Acostumado com a vida confortável, ele falhou em cumprir o papel de um namorado em quem se pudesse confiar. Alex pensou seriamente no que tinha feito por Nathan nos últimos meses. Ele cozinhou. Mas foi só. Ele tinha confiança de que limparia bem, mas não tinha confiança na lavanderia, então não fez, e nem o deixaram fazer.
“Nossa, eu sou realmente o pior.”
— Alex, o que está fazendo aí fora sem entrar?
Foi só quando Matthew deu um tapinha em suas costas que Alex recobrou os sentidos. Ele tinha chegado em frente ao departamento, mas não estava entrando.
— Oi, Matthew.
— Você está com uma cara péssima. Brigou com o doutor?
— Não.
Matthew passou o cartão e entrou. Alex o seguiu, trocando cumprimentos sem alma. Matthew jogou a mochila na mesa como se a estivesse arremessando e continuou:
— Então por que está assim? Passou os últimos meses sorrindo o dia todo, deixando a gente com inveja.
— Quando foi que eu te provoquei?
— Quem via sentia isso. A Anna também está se dando bem com uma ômega ultimamente. Só eu que não tenho namorado.
Matthew reclamou em tom de brincadeira. Alex não conseguiu concordar. Se Matthew quisesse, arranjar um namorado não seria nada difícil.
— Nós também estamos nos dando bem.
— Mas por que está com essa cara? Problemas de família?
Ele tinha esquecido de seus próprios problemas. Ele enviava dinheiro para sua mãe ou sua tia todo mês, mas, como passou a gastar menos estando com Nathan, não tinha pensado muito nisso. Mesmo assim, o dinheiro que sobrava não era o suficiente para fazer uma poupança.
— Não, nada demais. É que eu preciso voltar para o meu apartamento logo e estou com preguiça de mudar as coisas.
— O quê? Voltar? Vocês não estavam morando juntos?
Matthew perguntou como se achasse estranho. Alex ficou chocado novamente pelo fato de que até para os outros parecia assim. Aos olhos do próprio Nathan, o quanto ele, que parecia querer morar junto sem dizer nada, teria parecido sem noção?
— Sim, era para eu ficar só enquanto estivesse ferido.
— Nossa, que falta de consideração.
— O que você quer dizer com isso? O Nathan é tão bondoso.
Alex rebateu Matthew sem hesitar diante da crítica a Nathan. Matthew rebateu de volta como se não acreditasse. Enquanto trocavam respostas infantis, Anna passou lançando um olhar de soslaio para eles.
— Eu sei que sua situação é difícil, mas mandar sair assim que melhora é falta de consideração. Cara, se ele é tão rico assim, honestamente eu viveria explorando ele.
— O Nathan ganha muito melhor do que eu, mas ele não é rico.
Além disso, Nathan se atrasou hoje. Se ele continuasse com essa falta de pontualidade, poderia ser demitido. Nesse caso, a responsabilidade de sustentá-lo seria de Alex. Matthew soltou um longo suspiro e se irritou.
— Anda de Mercedes, tem casa própria, e o parente é um nobre de família tradicional, e ele não é rico?
Isso era verdade. Especialmente aquele homem chamado Carlisle, que ele viu de relance no aeroporto, tinha o sobrenome Frost e era de uma família de marqueses aterrorizante. A existência da nobreza era algo que Alex só conhecia de longe em eventos nacionais ou em dramas, então não parecia real.
— O Nathan não fez nada de errado.
“Sou eu que estou tentando não levar um fora…”
Ouvindo Matthew, ele percebeu novamente a diferença de contexto. A única coisa que Alex tinha era sua força física. E, pelo que viu ontem, parecia que perdia até nisso para Nathan. Teria que se exercitar com mais afinco. Deveria voltar a jogar futebol?
— Então, quando é a mudança?
Matthew mudou de assunto. Alex pensou bem. “Bata no ferro enquanto está quente”, ele decidiu realizar isso ainda esta semana. Afinal, precisava de tempo para se despedir.
— Quero levar as coisas pesadas primeiro hoje, você pode me ajudar?
— Por que não pede para o seu namorado?
— Já abusei demais da bondade dele.
Ele não queria mais ser um peso. Alex disse tristemente. Matthew estalou a língua e aceitou, pedindo em troca que Alex preparasse o almoço para ele por mais dois dias. Alex o encarou indignado, e Matthew riu.
Nos últimos três meses, Matthew realmente confiscou os almoços que Alex preparava “pessoalmente”. Dizendo que estava sendo compreensivo por ele ser um ferido, ele passou a exigir o almoço desde o fim de janeiro.
Não era uma tarefa fácil. Alex cuidava das refeições de Matthew em segredo, como se estivesse filmando um filme de espionagem. Isso porque Nathan reagia de forma extremamente sensível quando Matthew estava envolvido; se Alex dissesse que estava cozinhando o almoço dele separadamente, Nathan certamente ficaria furioso.
O método que Alex escolheu, afinal, foi separar secretamente a porção de Matthew enquanto preparava o jantar deles. Dessa forma, Alex aguentou os últimos três meses.
Sem ter escolha a não ser concordar, Matthew exibiu uma expressão satisfeita. Ele chegou a decidir o cardápio com antecedência, dizendo que a lasanha que comeu da última vez seria uma boa pedida.
Como ainda não havia casos atribuídos, Matthew e Alex saíram cedo do trabalho. Nathan, por ter que iniciar sua residência médica a partir deste ano, tinha horários de entrada e saída instáveis. Mesmo com uma escala de serviço, era assim. Às vezes, ele passava a noite no hospital e chegava apenas pela manhã.
De acordo com a memória de Alex, Nathan chegaria em casa hoje mais tarde que ele. Portanto, havia tempo. Após abrir a porta com a chave que o próprio Nathan lhe entregara, Alex levou Matthew para dentro da casa. Matthew percorreu o ambiente com o olhar.
— Onde fica o seu quarto?
— No segundo andar.
Enquanto subiam as escadas, Alex sentiu um aperto repentino no peito. Como estava namorando Nathan, visitaria o local com frequência no futuro, mas, talvez por ter se apegado sem perceber sua própria posição, aquele lugar começara a parecer mais um lar para ele. Se não tivesse ouvido a conversa no elevador hoje, ele nem pensaria em tocar no assunto primeiro.
Embora nunca tivesse vivido com folga, Alex, na mesma medida, nunca tentou ser um fardo para os outros. Era verdade que ele não dependia de ninguém e, desde o início, vivia sem ambições. Nathan foi a única coisa que ele desejou com todas as forças. Ele deveria ser grato apenas por ter ao seu lado a pessoa que mais queria, mas, como seu corpo e mente ficaram relaxados, acabou agindo sem cautela. De agora em diante, ele teria que trabalhar mais para comprar muitas coisas gostosas para ele.
— Mas tudo bem eu entrar aqui?
— Por quê?
— Pelo jeito que aquele cara age, não acho que ele vá gostar de me ver nesta casa.
Matthew continuava falando de Nathan de um jeito estranho. Nathan era apenas reservado. Ele era igualmente frio com todos, não é que ele odiasse Matthew especificamente.
Bem, na verdade, parecia que ele odiava sim…
— Por que o Nathan faria isso?
No entanto, Nathan era muito gentil e não era o tipo de pessoa que odiaria alguém propositalmente. Alex negou a afirmação de Matthew em nome dele.
— Deixa para lá.
Matthew acenou com a mão e seguiu pelo corredor. Alex o guiou até o seu quarto — ou melhor, o quarto de hóspedes. Ao lado do notebook pessoal que Nathan comprara para comemorar sua alta hospitalar, havia um urso de pelúcia de cachorro.
Ao ver aquilo, as lágrimas quase saltaram de seus olhos. Alex descobriu, depois de se mudar para a casa de Nathan, que não era o único a se lembrar dele. Ele chorou um pouco ao perceber que Nathan guardara até hoje o primeiro boneco que ele lhe dera de presente.
Mas, pensando bem, aquele fora o único presente que dera a Nathan. Alex Yeon estava vivendo como um parasita em Nathan, como um percevejo.
— Eu sou realmente o pior namorado do mundo.
— O que foi agora?
— Vou trabalhar duro a partir de amanhã.
Por isso, ele precisava comprar um presente bom. Alex decidiu fazer horas extras.
— Você sabe que está muito imprevisível hoje, né? Esquece, o que eu tenho que levar?
— Só um momento.
Alex encontrou no armário a caixa que usara para transportar seus pertences e começou a colocar suas roupas nela. Ele pegou dois dos casacos, que agora eram vários, e guardou primeiro as roupas que usava menos.
— Mas precisa mesmo se mudar com tanta pressa hoje?
Com essas palavras, Alex hesitou. Será? Mas a condição para morarem juntos era até ele se recuperar totalmente e, se teria que se mudar de qualquer jeito, seria mais fácil fazer isso com antecedência para quando voltasse. E ele também precisava dar uma olhada no apartamento.
— Preciso.
Após controlar o coração que queria se apegar, Alex guardou as roupas de qualquer jeito. Depois de pegar o notebook, ele fez um sinal com os olhos para Matthew enquanto segurava a caixa. Matthew o seguiu para fora do quarto, hesitante.
No momento em que saíram, deram de cara com Nathan parado no fim do corredor que levava às escadas. Como ele estava ali sem fazer o menor ruído, Alex quase o confundiu com um fantasma por um instante.
— Ah, droga.
Assim que viu Nathan, Matthew resmungou sozinho. Alex arregalou os olhos e olhou para frente. Quando ele chegou? Nem ouvi o barulho dele vindo?
— Nathan, você saiu cedo do trabalho hoje?
— Sim.
A voz que retornou era assustadoramente fria, sem que ele entendesse o motivo. Por alguns segundos, ninguém se moveu. O primeiro a agir foi Nathan. Com o tronco longo ereto, ele se aproximou com passos rítmicos. Ele estava de chinelos, mas seus passos eram tão precisos que chegavam a dar a ilusão de que usava sapatos sociais.
Ele parou diante de Alex e baixou levemente a cabeça. Seus cílios dourados se ergueram. O rosto inexpressivo fitou a caixa que Alex segurava nos braços. Alex viu Nathan levantar a mão lentamente. Ele pegou uma peça de roupa e abriu a boca.
— Parece que você está indo a algum lugar.
O moletom caiu no chão, “toque”.
— Parece até que você está se mudando sem eu saber.
Desta vez, uma camisa caiu. Matthew, ao ver a cena, olhou para Alex uma vez e se moveu silenciosamente. Afastando-se de Nathan o máximo possível, como se evitasse material perigoso, ele abandonou Alex. Nathan nem sequer olhou para Matthew. Enquanto Alex olhava incrédulo para as costas de quem o abandonara e desaparecia rapidamente pelo corredor, Nathan falou novamente.
— O que você pensa que está fazendo agora?
Ele estava furioso.
Alex recuou cautelosamente, puxando a caixa contra o peito. “O que eu fiz de errado?” Nathan estava bravo, então ele precisava acalmá-lo, mas Nathan furioso era sempre assustador. Ser odiado por Nathan era a coisa mais temida no mundo de Alex.
— Nathan, sabe… você está bravo?
Quando ele perguntou com a voz encolhida, Nathan fez contato visual. “Ele está bravo mesmo.” Alex recuou mais um pouco. Desta vez, em direção ao seu quarto. Nathan observava calmamente o que ele estava fazendo.
— Não, é que… a condição era eu ficar aqui só até melhorar. No hospital e você também disse hoje que eu já estava curado, então achei que já era hora de eu sair.
No momento em que viu o belo cenho de Nathan se franzir levemente, Alex entrou no quarto. Recuando até a cama, ele colocou a caixa no chão timidamente.
Nathan retomou o movimento. Era um gesto calmo, mas ameaçador, como o de um animal caçando.
— E você decidiu isso de repente?
Nathan não parecia estar perguntando, mas Alex deu uma desculpa com dificuldade. Sua fala foi ficando cada vez mais rápida.
— É que eu sinto que só estou causando transtorno… Não pago aluguel e só recebi coisas de você.
— Eu alguma vez disse algo desse tipo?
— Não é isso, mas, originalmente, essas coisas eu deveria perceber por conta própria…
— Sente-se.
Nathan soltou um suspiro, “hu”, e começou a afrouxar a gravata. Ao comando para se sentar, Alex sentou-se apressadamente na cama. Como ele claramente estava bravo, Alex achou que seria bronqueado, mas estava com medo de como seria a punição desta vez. “Será que ele vai dizer para eu ficar três dias sem comer?” Ele já não comia muito.
Nathan desamarrou a gravata bruscamente e tirou o casaco. Após pendurar a roupa na cadeira, ele se sentou ao lado de Alex. Alex, completamente tenso, endireitou a coluna.
No entanto, Nathan ficou em silêncio por um longo tempo. Alex, cada vez mais temeroso, observou a reação dele e segurou cautelosamente o dedo de Nathan.
— Você está muito bravo…? Me desculpe.
Ele não sabia por que Nathan estava bravo, mas sentia muito de verdade. Quando ele segurou levemente seu dedo, Nathan baixou o olhar. Depois de olhar fixamente para a mão de Alex, ele virou a palma da mão e entrelaçou seus dedos. O coração encolhido de Alex se reanimou um pouco.
— Eu ia te perguntar quando você melhorasse.
Nathan, segurando sua mão com força, finalmente falou.
— O quê?
— O que você achava de continuarmos morando juntos assim. Aqui fica a uma distância adequada do seu trabalho. Ou poderíamos nos mudar para um lugar ainda mais perto.
Alex arregalou os olhos diante do conteúdo inacreditável.
— Sério?
— Sim. Era o que eu queria. Mas parece que eu pensei errado.
Nathan disse com a voz baixa.
— Eu também quero!
Com pressa, Alex falou em voz alta. Nathan o encarou silenciosamente.
— Mas eu… a gente deveria trocar coisas, mas eu só recebo de você. E se morarmos juntos, eu quero pagar o aluguel, não quero que o fardo fique só para você. Mas eu…
Alex hesitou. Ele sabia que era o momento de dizer a verdade. No entanto, confessar sua situação financeira diante de Nathan era extremamente vergonhoso. Ele queria causar uma boa impressão, queria ser alguém em quem Nathan pudesse confiar, mas sentia que só causava transtorno. Após hesitar, ele superou a vergonha e abriu a boca lentamente. Sua voz soava resignada e calma.
— Eu não tenho tanto dinheiro assim. Não seria o suficiente para arcar com o aluguel de um lugar como este. Aqui é o centro de Londres.
Ao ouvir isso, Nathan soltou sua mão e se levantou. Alex, muito surpreso, olhou para Nathan com uma expressão de choro. Nathan olhou para Alex por um momento, virou-se e saiu do quarto. Alex pensou se deveria continuar sentado, mas, incapaz de fazê-lo, seguiu Nathan apressadamente.
Ao entrar no quarto, Nathan tirou um documento de sua escrivaninha, que estava sempre bem organizada. Olhando para Alex, que o seguira, Nathan disse:
— Quando você foi ao hospital, por causa do procedimento de contato com o responsável, vi Matthew Wayne entrando em contato com pessoas próximas. Descobri algo naquela hora.
O documento foi estendido. Alex o aceitou.
— Sua mãe disse que não poderia vir porque estava viajando, mesmo o filho estando em uma situação crítica. E seu pai, que está desaparecido, nem deve saber disso. Não, ele não está desaparecido.
O documento continha outros registros, além da foto do pai que Matthew investigara. Endereço, profissão, relações familiares, de tudo. Alex já sentira isso antes, mas de onde Nathan tirava essas coisas? Certamente não era legal, então Alex decidiu que desta vez trabalharia duro para ser promovido.
— O salário de um detetive não é muito, mas também não é pouco. Agora, não estou falando do aluguel desta casa. Nunca quis que você me desse dinheiro. Apenas estou perguntando onde você está gastando seu salário.
Nathan falou com cautela desta vez. Alex apertou o documento e olhou para ele por um longo tempo. Ele achava que era algo que deveria fazer, e agia assim há muito tempo, mas em um canto do seu coração, muitas vezes se sentia exausto. O dinheiro que dava para sua mãe, tudo bem, era natural…
— Meu pai ficou devendo para minha tia. E para minha mãe, estou pagando mensalmente as despesas de subsistência que devo a ela. Depois que aquilo aconteceu com você… eu não tinha para onde ir e recebi ajuda dela, então estou tentando retribuir.
— Por que você tem que pagar por isso?
A voz de Nathan estava calma, mas, ainda assim, ele parecia furioso.
— Porque o dinheiro que meu pai gastou foi usado para eu jogar futebol, e para minha mãe, é claro que…
— Pessoas que nem se preocupam com você são pais? Alguém que nem pensa em vir quando o filho está morrendo?
Alex calou-se. Seu coração pesou. A resposta já estava clara. Alex não tinha pais. Sua mãe não o amava. Nem o considerava um filho. O mesmo valia para seu pai. Era um fato tão evidente que nem o mais tolo deixaria de notar.
No entanto, Alex não queria admitir isso. Pois se o fizesse, sentiria que estava realmente sozinho. Sem pais e sem laços, ele seria o único isolado no mundo.
— Não estou brigando com você, Alex. Venha cá.
Nathan se aproximou lentamente. Enquanto Alex ficava parado, Nathan envolveu sua cintura com os braços e o abraçou apertado. Alex sentiu uma sensação de estabilidade.
— Eu não gosto que você se sacrifique por pessoas que nem te amam.
Alex assentiu. Enterrando-se no peito de Nathan, ele inalou silenciosamente o cheiro dele. Embora a temperatura corporal de Nathan fosse sempre um pouco fria, seu abraço era muito quente.
— Pense apenas em quem te ama.
— …Sim.
— Eu estou aqui.
— É verdade.
Um pequeno riso escapou. Enquanto ele sorria timidamente e esfregava o rosto contra ele, Nathan beijou suavemente o topo de sua cabeça.
— Então pare com isso. Era responsabilidade da sua mãe cuidar do paradeiro do filho menor de idade, e ela não é pobre. Diga ao seu pai para pagar as dívidas que ele mesmo fez, já que ele está vivo.
— Eu posso fazer isso?
— Pode.
Nathan foi categórico.
— Mostre isso para sua tia. Diga para ela cobrar o dinheiro do próprio irmão que está vivinho da Silva. Se for difícil para você, eu mesmo entrego.
Alex inalou profundamente o aroma de Nathan, que era como madeira seca, mas refrescante. O calor que o abraçava e a preocupação escondida em sua voz seca tocaram seu coração.
Ele estava feliz.
“Eu não estou mais sozinho.”
Portanto, não precisava viver preso a pais que nem sequer pensavam nele. Ele podia se libertar. O futebol não era algo que o próprio Alex quisera fazer. Em nenhum ato de seu pai sua vontade foi refletida.
Ele também se lembrou do rosto frio de sua mãe dizendo para ele pagar o dinheiro gasto. O tempo em que ele dependera dela foi cerca de um ano, quando entrou na faculdade. Ele trabalhou em vários empregos de meio período para pagar o aluguel e se formou com empréstimos estudantis. Ele já havia devolvido o depósito que sua mãe lhe emprestara.
Olhando para trás, fora algo realmente inútil. Mesmo assim, Alex achava que viver daquela forma era menos solitário.
— Não, eu farei isso. É assunto meu.
Nathan respondeu apertando-o com mais força. Sua mão subiu e acariciou seu cabelo, como se dissesse que ele agira bem.
— Se for difícil, me diga a qualquer momento.
— Obrigado.
Um sussurro foi ouvido.
— Se você faz tanta questão de pagar aluguel, vamos criar uma conta poupança conjunta. Se você não tiver gastos desnecessários, estará livre. Com esse dinheiro, faremos algo juntos depois.
Só de ouvir aquilo, Alex já se sentiu bem. Ele levantou a cabeça e olhou nos olhos de Nathan. Parecia que a raiva passara.
— Eu quero.
— Então não faça coisas que me deixem louco sem dizer nada.
“Talvez a raiva não tenha passado completamente…”
Nathan o soltou. Com uma expressão severa novamente, Nathan começou a desabotoar a camisa e disse:
— Vá tomar banho.
Alex observou sua reação e perguntou baixinho:
— Por que de repente?
— Você tem que receber um castigo por me deixar agoniado.
Algo estava estranho. Alex olhou para Nathan com um rosto ansioso.
— Sério?
— Vá tomar banho em vinte minutos. Se demorar, você é quem vai sofrer.
“Que tipo de castigo eu vou receber?” Um medo repentino o atingiu. Mesmo hesitando, Alex respondeu “entendido…” e seguiu para o banheiro. Era verdade que ele deixara Nathan bravo, então precisava acalmar o humor dele primeiro.
☂
Nathan dera vinte minutos, mas como Alex estava preocupado com o castigo que receberia, acabou saindo do banheiro só depois de trinta minutos. Havia um motivo justo para isso. Era a primeira vez que ele tentava lavar a parte de trás sozinho.
“Mas por que eu lavei lá?”
Alex percebeu mais uma coisa. Nathan apenas dissera para ele tomar banho, não havia necessidade de lavar até ali. “Será que eu estava esperando algo?”
Com o rosto levemente pálido, Alex saiu do banheiro. A casa estava silenciosa. Após dar uma olhada rápida em seu quarto, Alex cobriu o corpo com um roupão de banho e caminhou até o quarto de Nathan. Nathan vestia uma camisa leve de ficar em casa e calças pretas. Ele estava sentado em uma cadeira, lendo documentos que trouxera do hospital, e parecia mais bonito do que nunca. “De quem é esse namorado tão lindo?” Um sentimento de orgulho surgiu.
— Trinta e cinco minutos.
Nathan começou a falar assim que Alex entrou.
— Levou trinta e cinco minutos.
— É que, normalmente não demora tanto, mas hoje…
— Deite-se de bruços na cama.
Nathan colocou os documentos bruscamente na mesa e se levantou. Havia uma força desconhecida em seu tom de voz calmo. Alex, mesmo hesitando, foi até a cama. Deitou-se desajeitadamente. Ouviu-se o som de gavetas da escrivaninha abrindo e fechando e, então, Nathan aproximou-se da cama e arrancou o roupão dele bruscamente.
— E-espera um pouco…!
— Junte as mãos atrás das costas.
— Por… por que as mãos?
Mesmo questionando, Alex obedeceu fielmente. Ao juntar as mãos atrás das costas como se estivesse sendo preso, algo frio como metal tocou seus pulsos. *Click*. Sobressaltado, ele virou a cabeça e viu Nathan colocando algemas nele.
— Essas são as minhas algemas?
— Já peguei a chave.
— Nathan, isso é ilegal…!
O canto da boca de Nathan se curvou levemente. Com um sorriso cínico, ele se posicionou entre as pernas de Alex. Como os pulsos estavam algemados atrás das costas, era difícil se mover.
— N-N-Nathan!
Não houve resposta. Desta vez, ouviu-se o som de algo como uma tampa sendo aberta. Alex, que se debatia levemente, soltou um gemido, “hic”, ao sentir um líquido frio sendo despejado generosamente no sulco entre as nádegas. Sem perceber, ele ergueu os quadris e enterrou o rosto na cama. Sentiu um calafrio arrepiante.
— De re-repente, isso, uhmm…!
O gel foi aplicado em excesso no sulco das nádegas, no períneo e ao redor da abertura. Dedos longos e firmes espalharam o gel e entraram cautelosamente na abertura. O gel que entrou começou a derreter rapidamente com a temperatura quente das paredes internas. “Haa”, uma respiração ofegante escapou dele.
Em um estado de total rigidez, Alex esperava com medo o que Nathan pretendia fazer. Os dedos espalharam o gel por cada canto interno. Como se não fosse suficiente, mais lubrificante foi empurrado para dentro. Mesmo sem ter a próstata pressionada, o ato em si era tão erótico que o membro de Alex já estava meio ereto.
— Trinta e cinco minutos.
Nathan repetiu aquelas palavras. A dúvida sobre o que ele pretendia fazer para mencionar o tempo repetidamente foi resolvida pouco depois.
Algo como um bastão redondo entrou na abertura. O bastão, que tinha uma sensação levemente irregular, não era muito grosso, mas foi empurrado profundamente.
— Nathan, isso, o quê…!
Quando o objeto estranho entrou, a parede interna se contraiu naturalmente. Uma covinha se formou nas nádegas firmes. A palma da mão de Nathan atingiu as nádegas de Alex com um estalo, *pla*.
— Ah, uht!
Alex arregalou os olhos, assustado. No intervalo em que ele se contraiu e depois relaxou, o objeto penetrou ainda mais. A extremidade mais romba e grossa entrou profundamente, pressionou a próstata e parou. Os dedos dos pés se esticaram instantaneamente. “Saaah”, um prazer leve percorreu suas costas.
— Reflita sobre o que fez.
Assim que Nathan terminou de falar, algo estranho aconteceu lá dentro. O bastão redondo que pressionava a próstata começou a vibrar. Ele nunca tinha ouvido falar ou visto algo assim.
Abrindo bem os lábios, Alex soltou uma respiração arquejante, “hã”. Um prazer absurdo, como se tivesse levado um choque, explodiu. Suas coxas tremiam e sua cintura se arqueava.
— Bom garoto.
Nathan arrumou o cabelo dele suavemente e saiu da cama. A porta se fechou.
— N-Nathan, uhn, uuht, uhn…!
Com a voz amedrontada, Alex chamou Nathan fervorosamente. Ele não conseguia entender o que estava acontecendo. Não tinha cabeça para isso. Onde ele conseguira aquilo, o que aquilo fazia — as perguntas que surgiram brevemente foram dissipadas pela vibração que se espalhava pelo seu corpo. Seu queixo tremia.
— A-aht, uh, hic, isso… é estranho, hic, hic…
Desejando que Nathan o ouvisse, Alex implorou ofegante. Como o estímulo era muito forte, seu membro estava erguido e pulsando. Retorcendo o corpo, Alex tentava de todas as formas receber menos estímulo. No entanto, quanto mais ele se movia, mais o bastão pressionava sua próstata. As lágrimas transbordaram.
— Ha, uht, tira isso, tira, haa, ah, uhn…!
O corpo, que nunca passara por um estímulo de vibração, atingiu o clímax em uma velocidade absurda. O membro avermelhado se contraiu e o sêmen jorrou da glande. Como ele viera expelindo muito sêmen desde ontem, a cor estava clara. Gozando no lençol recém-trocado, Alex esfregou o corpo na cama. Ele tremia, emitindo sons de “uhmm, uhn”.
A parte enlouquecedora começou depois disso.
Estímulos foram aplicados incessantemente ao corpo, que ficara extremamente sensível devido ao orgasmo. A vibração não parava. Algo que dava choques, a ponto de parecer que ele poderia morrer, arranhava sua coluna. Ele abria e fechava as coxas repetidamente. Ele retorcia a cintura e tentava desesperadamente baixar os braços para tirar o que estava lá dentro. Mas quanto mais ele se movia, mais o bastão penetrava profundamente.
— Hic, estra-estranho, eu, eu, Nate, me tira… ah, aaa!
Os gemidos banhados em lágrimas foram ficando mais altos. Fazendo sons de “hic, hic”, ele agitava os pés no lençol. Por causa dos movimentos bruscos, o lençol caiu no chão. Seu rosto e corpo, tudo estava avermelhado. No meio daquela confusão, Alex gozou novamente de forma semicompulsiva. O sêmen, que parecia água, jorrou.
— Eu errei, hic, ah, uhn, uhmm, Nate, eu errei!
Ele se sentia triste e assustado. O medo de enlouquecer o atingiu. Esfregando as bochechas molhadas no lençol, Alex pediu perdão. Rezando para que Nathan ouvisse aquilo lá fora.
E, como se realmente tivesse surtido efeito, a vibração que zumbia fortemente foi diminuindo. No entanto, não desligou completamente, continuando a estimular o interior de forma fraca e suave.
Recuperando um pouco da consciência, Alex tentou sair da cama soluçando. No entanto, não conseguia manter o equilíbrio. Ao tentar dar força às coxas para levantar o corpo, suas nádegas se contraíram, e então o bastão que pressionava a próstata foi apertado, enviando um prazer intenso pelo seu corpo.
— Uhmm…
Caindo na cama, Alex soltou respirações ofegantes, “hã, hã”. Enterrando a testa suada no lençol, ele balançou a cabeça de um lado para o outro. Abrindo bem as coxas, ele deu força aos joelhos para tentar se levantar. Mas não teve sucesso. Em vez disso, ele sentiu o estímulo interno na posição de bruços, com as nádegas empinadas.
Parece que os trinta e cinco minutos eram sobre isso. Alex pensou nisso em um estado de torpor. Quanto tempo se passara? Para ele, parecia que já fazia mais de uma hora. Ele odiava aquilo. Já era triste sentir prazer por trás, mas passar por aquela situação com um aparelho, e não com Nathan, era realmente estranho.
Mesmo pensando assim, a excitação ia se acumulando em seu corpo. Como não havia vibração, o bastão estava apenas pressionando a próstata, o que lhe dava a sensação de que faltava algo. Piscando os olhos avermelhados com o olhar vago, Alex balançou levemente a cintura. Não a vibração, mas outra coisa… a coisa de Nathan, grossa e que arranhava levemente o interior…
Embora tivesse atingido o clímax, a sensação era diferente de gozar sendo penetrado por Nathan. Algo parecia vazio. Mesmo sabendo que não deveria pensar assim, ele não conseguia parar de imaginar. Eles haviam se unido ontem mesmo. Com as pernas abertas até o limite, ele acolheu o membro grosso e quente dentro de si. Ele se lembrava constantemente de Nathan, que golpeava forte o interior, esfregava e depois se movia rudemente para frente e para trás.
— Haa, ha, uht…
Sua cabeça esquentou. Ele ficou ansioso. Conforme imaginava, seu corpo ficava mais excitado, e Alex retorceu as mãos presas nas algemas. Seria melhor se ele pudesse pelo menos se penetrar com o que estava lá dentro. Não, em vez disso, ele queria que Nathan o penetrasse.
— Nate, eu, haa, eu… me penetra…
Uma vez que pensou nisso, sua razão se esvaiu. Sua cabeça ficou em branco, como se estivesse no cio. A única coisa em que conseguia pensar agora era no prazer que Nathan proporcionava. Ser penetrado por um membro grande que exalava calor era incomparavelmente melhor. Ele gostava dos olhos que o fitavam diretamente e da sensação lá embaixo que colidia dolorosamente.
— Coloca, uhmm, eu quero que você coloque…
Seu choro aumentou. Ele sentia que poderia enlouquecer a qualquer momento. Ele queria o membro de Nathan agora mesmo.
— Nate, por favor, eu errei, me penetra…
Em vez de pedir para ser solto, ele implorava para ser penetrado. Foi então que a porta se abriu. Virando levemente o rosto manchado de lágrimas, Alex olhou para o lado. Viu Nathan vestindo um roupão.
— Hic, Nathan, eu, dentro… faz, faz em mim…
Com as mãos amarradas atrás das costas e apenas as nádegas empinadas, implorando pela inserção, Alex suplicou. Enquanto o olhava com os olhos vagos e semiconscientes, ouviu-se o som de uma respiração baixa. Nathan aproximou-se com passos largos e posicionou-se atrás dele. Ouviu-se o som do roupão caindo no chão, “toque”.
— Você refletiu?
— Refleti, refleti, então, isso… hic!
A vibração, que estava calma, aumentou subitamente por um momento. Alex arqueou a cintura e tremeu violentamente. A saliva escorreu de sua boca aberta. Ele estava em um estado deplorável. O sêmen pingava de seu membro, que se mantinha ereto há algum tempo.
— Com educação.
A mão esfregou suas nádegas por trás, como se fosse tirar o bastão, mas hesitando. Alex obedeceu à ordem de falar com educação.
— E-eu errei, uht, uhmm!
— Sério, você…
Nathan soltou um resmungo que parecia um palavrão. Ouviu-se o som de um preservativo sendo aberto. Segurando a ponta do bastão, ele o retirou com um movimento apressado. O bastão irregular, que saía lentamente, deslizou raspando o interior. Por um momento, surgiu um sentimento de vazio. Mas, antes que pudesse sentir mais do que isso, outra coisa preencheu a parede interna.
A glande abriu fortemente a entrada que estava levemente entreaberta. Como se acalmasse a abertura que pulsava, o membro foi enterrado de uma vez. Alex ergueu a cabeça quando o membro preencheu a parede interna, raspando diretamente a próstata. Sentiu como se uma luz tivesse explodido diante de seus olhos. Era como se o prazer estivesse golpeando fortemente sua nuca.
Apenas por ser penetrado, Alex sentiu o clímax. Era tão bom, tão bom que ele sentia que enlouqueceria. Seu queixo tremia. Fazendo sons de “ah, aaa”, Alex apertou fortemente a abertura.
— Tão erótico que goza sem eu nem fazer nada.
Ele ia perguntar o que aquilo significava, mas seu corpo foi sacudido rudemente. Mãos grandes e firmes seguraram sua cintura com força. Nathan, segurando sua cintura a ponto de deixar marcas de dedos, golpeou-o com força. O som do impacto ecoou, *pah*.
— Ah, aaa, ah!
Nathan começou a se mover como alguém que perdera a razão, não muito diferente de ontem. Com o corpo sobreposto por trás, o membro penetrava profundamente. O som de sua voz aumentou com a sensação de preenchimento do vazio. A sensação de orgasmo não terminava. Alex, em um estado de prazer contínuo, perdeu a razão e soltou gemidos. Não havia como conter.
— Haa, ah, uhn, uhmm, bom, Nate, hic, aí…!
— Eu sei.
— Ah, uhmm, sinto que vou enlouquecer, huht, uht, o que eu faço…
Hic, ele começou a chorar. Parecia que seu corpo não sentia nada além de prazer. Longe de doer, era apenas bom. Embora a abertura castigada estivesse um pouco dolorida, até mesmo essa dor se transformava em prazer, levando Alex à loucura. Sem nem saber mais pelo que se desculpava, Alex implorava.
— Eu errei, uhmm, para, ah, hic, ah, aaa!
— De agora em diante, os castigos serão assim, hu, você vai receber.
Ele balançou a cabeça freneticamente. Ao ouvir a voz severa, Alex lembrou-se das palavras de Nathan sobre “ser educado”. Sem perceber, Alex começou a falar formalmente e implorou.
— Sim, hic, sim, eu não farei mais isso, uht, haa, aí, para…!
Agora ele já não sabia o que queria. Despejando qualquer palavra, Alex tentava compartilhar, mesmo que um pouco, o prazer difícil de suportar. Mas Nathan, como sempre, não parava. Mesmo que ele chorasse e gozasse, em vez de parar, ele golpeava os pontos de prazer até doer. Seus olhos viraram com o ato de remexer e penetrar o interior repetidamente, seguido de estocadas retas.
— Eu, vou, vou, vou…!
O quarto clímax chegou. Foi igual ao anterior. Não, foi um pouco mais forte. Ele sentiu muita força no abdômen. Esticando bem as pernas, ele abriu bem os dedos dos pés. Seu tronco estremeceu.
Alex revirou os olhos, envolvido por um prazer imenso que nunca sentira na vida. No entanto, nenhum sêmen fluiu de sua glande ereta. Ele não tinha consciência para perceber isso.
Ofegos escapavam de sua boca aberta. Nathan enterrou-se profundamente com o ato de apertar a parede interna como se a espremesse. Abraçando-o por trás, Nathan mordeu o seu pescoço com força. A dor foi convertida em prazer.
— Você não vai dormir hoje.
Um eco baixo, como metal raspando, soou em seu ouvido. Diante da sucessão de estímulos que nunca experimentara na vida, Alex perdeu metade da consciência e começou a balançar conforme os movimentos de Nathan.
☂
Nathan era uma pessoa que sempre cumpria o que dizia. Alex sentiu esse fato de forma renovada. Felizmente, hoje era fim de semana. Pelo menos Alex não precisava ir trabalhar. Foi a primeira vez que ele ficou feliz por não ter casos atribuídos.
Alex, que desmaiara e dormira de madrugada, acordou de manhã sem ter dormido muito. Era porque estava com muita sede. Nathan dormia silenciosamente ao seu lado, com seu rosto bonito.
Abrindo levemente os olhos, Alex observou o Nathan adormecido. Suas costas estavam cobertas por marcas de unhas que ele deixara. O cabelo loiro platinado, bagunçado e caindo para frente, era fofo. Como uma pessoa podia ser assim?
Depois de olhar para o rosto pálido que dormia sem nem o som da respiração, Alex saiu lentamente da cama. No momento em que pisou no chão, sentiu a força sumir de sua cintura e quase caiu, mas conseguiu se segurar. A resolução de que precisava se exercitar seriamente passou por sua cabeça.
Nathan, por ser sensível, acordava facilmente, e Alex descobriu que ele também sofria de insônia. Ele não dizia o motivo, mas Alex sentiu que ele era a causa e sofreu muito no início.
No entanto, conforme passavam mais tempo juntos, Nathan costumava dormir bem quando tinha Alex ao seu lado, então Alex se sentia mais tranquilo ultimamente. Por causa disso, havia muito mais dias em que ele dormia na cama de Nathan. Ele também não se sentia desconfortável com Nathan; pelo contrário, seu coração ficava aquecido e ele conseguia dormir tranquilamente.
Alex pegou um roupão de banho, vestiu-o de qualquer jeito e desceu para a cozinha. Já eram 9 horas da manhã. Vendo-o dormir daquele jeito, Nathan provavelmente também estava de folga. Ao abrir a geladeira, Alex sorriu ao ver o leite achocolatado lá dentro.
Depois de beber um copo de água do purificador, Alex percorreu a cozinha lentamente e abriu os armários. Ao lado da aveia que Nathan comia, havia cereais doces para ele, e ao lado da caixa de chá preto, havia vários tipos de chocolates. Estava tudo cheio de vestígios dele.
Ao ver aquilo, ele realmente sentiu que estavam morando juntos.
Ele não estava sozinho. Ele não morava sozinho. No banheiro, havia duas escovas de dentes usadas juntas, dois pares de chinelos e as coisas doces que Nathan sempre guardava para ele. Alex estava desfrutando agora de uma vida feliz que nunca ousara imaginar nem em sonhos.
Depois de observar a cozinha por um longo tempo, Alex percebeu que estava com fome. Embora tivesse dormido pouco, hoje era fim de semana. Um dia em que se podia dormir até tarde, até o sol preencher o quarto à tarde. Um fim de semana dos dois em que podiam relaxar um pouco.
De repente, uma promessa não cumprida passou por sua cabeça. Alex, que prometera fazer panquecas de banana, fugira naquele dia. Alex riu baixinho ao lembrar do jovem Nathan que reclamava da comida de sua mãe, Nora.
Ele abriu o armário e pegou os ingredientes. Despejou farinha de trigo, fermento em pó, açúcar e um pouco de sal em uma tigela de vidro redonda. Pegou as bananas da cesta de frutas, cortou-as em pedaços pequenos, colocou-as em outra tigela e as amassou com um garfo. Quebrou ovos amarelos, misturou-os ali e despejou um pouco de leite. O cheiro doce de banana espalhou-se suavemente pela cozinha.
Deixando a mistura de lado, ele colocou a frigideira no fogão de indução. Derreteu um pouco de manteiga na frigideira aquecida e colocou outra porção de manteiga na mistura de ovos e banana. Depois de misturar os ingredientes para fazer a massa, Alex começou a fazer panquecas em um tamanho bom para comer.
Quando o cheiro doce e saboroso começou a se espalhar, ouviu-se o som de alguém descendo as escadas. Viu Nathan, com seu rosto branco inexpressivo, vestindo apenas o roupão, caminhando descalço.
— Bom dia, Nate.
Enquanto colocava a panqueca recém assada no prato, Alex sorriu levemente. Nathan, observando o sorriso tímido, aproximou-se dele. Um sorriso lânguido surgiu em seu rosto pálido.
— Olá.
Enquanto Alex servia mais panquecas, Nathan o abraçou e deixou um beijo suave em sua testa.
— Por que você não dormiu e desceu?
— Porque você não estava ao meu lado.
Um riso baixo escapou dele. Ele despejou xarope de bordo sobre as várias panquecas assadas. Nathan desta vez o beijou no pescoço.
— Panquecas de banana.
— Sim, eu prometi que faria, mas não fiz.
— Você fugiu.
Nathan sussurrou, como se obviamente se lembrasse. Sua voz matinal, baixa e rouca, era suave e densa.
— Você é mal-educado.
Ele falava em tom de bronca. Alex sorriu sem jeito e colocou o restante das bananas cortadas sobre as panquecas. O café da manhã estava pronto. Nathan segurou o prato.
— Você me deu muita bronca ontem…
— Eu peguei leve.
Quando ele protestou timidamente, Nathan disse com firmeza. Virando-se para a mesa de jantar, ele colocou o prato. Alex abriu a geladeira e pegou suco de lichia e leite achocolatado.
— Entendido.
Quando ele levou o suco para a mesa, Nathan colocou os copos. Frente a frente, os dois puxaram as cadeiras e se sentaram. A luz do sol entrava intensamente pela grande janela da sala. O som dos pássaros era ouvido de longe. A primavera estava chegando.
— Obrigado pela comida.
Nathan disse, segurando o garfo e fazendo contato visual. Alex, observando o cabelo dele desgrenhado, também pegou o garfo. E então disse:
— Bom apetite.
Sorrisos silenciosos formaram-se nos rostos dos dois. Depois de se olharem por um longo tempo, os dois estenderam as mãos para o prato de panquecas. O som do garfo raspando levemente o prato ecoou primeiro, e logo o som de uma conversa amigável preencheu a cozinha.
Era uma cena de uma manhã tranquila de sábado.
↫─☫ ❖ Mind the Gap – Fim da História Principal
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki, Othello&Belladonna