Extra 05 ❖ And Now 02.4
❖ And Now 1.3
Lembrando-se do passado, um sorriso alegre surgiu em seu rosto.
— O suéter de Natal que Alex trouxe naquela época foi incrível.
Lembrando-se do primeiro presente constrangedor, Alex arregalou os olhos. Mexendo os lábios, procurando palavras, ele lembrou-se do dia na Liberty e se explicou:
— E-eu, queria comprar outras coisas também, além do suéter! De verdade!
— Que bom que não comprou. Nunca pensei que aquele Carlisle usaria um suéter da Primark. Depois que você chegou, muitas coisas engraçadas aconteceram, Alex.
Nick riu alto e pegou o peru bem embrulhado do porta-malas. Envolto em papel e colocado em um saco plástico, o peru era pesado o suficiente para alimentar dez pessoas. Levantando o peso considerável com facilidade, ele fechou o porta-malas com o cotovelo. Alex, que perdeu a chance de ajudar, estendeu a mão e implorou:
— Deixa eu carregar, Nick. Você já fez compras hoje.
— Já que me esforcei até aqui, é melhor continuar para fazer valer. Tudo bem. Você se deu ao trabalho de comprar.
Nick observou o rosto surpreso de Alex com satisfação e soltou um suspiro de contentamento.
— Como não teríamos outra oportunidade de conversar com tanta gente, chamei você. Obrigado por estar sempre ao lado de Nathan. Por causa da grande diferença de idade entre eu e ele e o Neil, ele sempre estava sozinho em casa e devia se sentir solitário. Embora ele achasse que não…
Seguindo os pensamentos de Nick, Alex também lembrou do Nathan do passado distante. Ao contrário de Alex, que era instável, Nathan sempre parecia calmo, mas em retrospectiva, ele não passava de um menino como qualquer outro. O fato de convidá-lo para jogar, ou insistir para ele vir à sua casa, provavelmente era por causa da solidão que Nick mencionou.
Alex refletiu sobre o caminho que percorreram. Conseguiu sobreviver a incidentes assustadores em que não podia prever o futuro. Foi porque sabia que sua vida, que ele achava que nunca mudaria, poderia se tornar como é hoje, que ele lutou para sobreviver?
Lembrou-se de que sempre foi azarado. Antes dos vinte e sete, ele acreditava que nunca tinha sorte. Achava que nenhum de seus desejos se realizava, mas, na verdade, Alex tinha muita sorte.
Porque conheceu Nathan.
Sobreviver a ferimentos quase fatais, o Natal que sempre passava sozinho deixar de ser algo odiado, tudo isso foi por causa de Nathan.
Talvez todos os seus desejos não tivessem sido realizados antes para que ele pudesse receber um presente tão grande. Alex olhou para o rosto grato de Nick e disse algo que nunca poderia contar a Nathan:
— Na verdade, eu odiava o Natal.
Agora que se tornou seu feriado favorito, ele nunca tinha dito isso a Nathan, mas ao olhar nos olhos de Nick, as lembranças antigas vieram à tona.
— Eu me sentia muito solitário sozinho.
O cheiro do molho gravy que subia do chão, o frango despedaçado, a mãe deitada de costas na escuridão…
— Mas depois que conheci Nathan, tornou-se meu feriado favorito.
O jovem Alex, que passou por momentos difíceis, agora estava entre pessoas que o valorizavam. A tristeza do garoto sentado sozinho diante da tela escura da TV não desapareceria, mas uma alegria ainda maior esperava por Alex.
— Então, vou garantir que Nathan nunca se sinta solitário. Minha vida mudou completamente desde que conheci Nathan.
Parecendo ter dito algo que só se diz aos pais de Nathan, Alex se sentiu envergonhado. Mas pensando bem, Nick foi quem criou Nathan no lugar do pai, que faleceu cedo. Lembrou-se de Nathan falando de seu irmão com olhos cheios de respeito. Sempre que precisava de ajuda, ele procurava o irmão, e embora a atitude tivesse mudado, ele provavelmente ainda o via como uma figura paterna.
Nick franziu ligeiramente os olhos e desviou o olhar por um momento. Fazendo uma expressão semelhante à de Nathan quando está envergonhado, ele pigarreou e balançou a cabeça.
— Natal é uma estação sentimental demais.
Antes que Alex pudesse pedir desculpas por hábito, Nick olhou em seus olhos e sorriu como sempre.
— Obrigado, Alex.
Era Alex quem deveria estar grato por tudo, mas Nick lhe disse obrigado. Antes que pudesse dizer que não era nada, ele cerrou os lábios, com a garganta apertada. Ele viveu a vida toda sentindo que não pertencia a lugar nenhum, que estava sempre do lado de fora. Houve um tempo em que acreditou que ninguém gostaria de alguém tão mediano e sem graça como ele.
Mas ele não pensa mais assim.
Nathan o fez mudar. Sendo amado todos os dias mais do que merecia, ele começou a pensar que era uma pessoa que valia a pena. Acreditou que havia pessoas neste mundo que o amavam. Não apenas Nathan, mas várias pessoas.
— Não chore. Se você chorar, Nathan vai me torturar a noite toda.
— Eu não estou chorando!
— Tudo bem. Então vamos entrar?
Alex assentiu e abriu rapidamente a porta da garagem, e Nick entrou por ela. À medida que se aproximavam da cozinha pelo corredor, ouviam Nathan e Nora conversando. Suas vozes, discutindo baixinho sobre como fazer as coisas, fizeram os dois trocarem olhares. Riram ao mesmo tempo.
— Os dois são impossíveis. A única pessoa aqui que sabe cozinhar é você, Alex, mas eles mexem em tudo e só atrapalham.
Alex assentiu. Na verdade, isso também se aplicava a Nick, mas ele decidiu ficar em silêncio.
— Ah, verdade. Você tem supressor de feromônio em casa?
— Sim, tem. Deve estar no sapateiro.
— Preciso pegar emprestado. Kyle é sensível ao cheiro de outros Alphas. E como você deve saber… Ele também é muito ciumento.
— Pode usar à vontade, o efeito é bom.
Imaginando Kyle seguindo Nick como se tivesse nascido só para ele, Alex também riu.
— Ah, e leve também o presente que está na mesa da sala.
— Mas não vamos trocar presentes amanhã?
— Isso mesmo. O que trouxe hoje são enfeites que comprei na viagem de trabalho.
Parando no final do corredor que se dividia entre a sala e a cozinha, Nick ajustou o peru nos braços e disse:
— Vocês colecionam essas coisas, não? Como foi comprado de presente, perde o sentido? Pensei que seria bom ter algo de outro país. É um presente do Catar, então pelo menos abram.
Nick, sorrindo bondosamente, foi primeiro para a cozinha. Assim que viu Nick voltando com o peru, Nathan saiu da cozinha. Com uma expressão ligeiramente irritada, ele se aproximou de Alex e perguntou:
— O que vocês dois conversaram para demorar tanto?
“Deve ter sido uns 10 minutos?” Alex olhou para o relógio e riu. A irritação de Nathan era fofa. A cada ano, ele descobria algo novo sobre Nathan que não sabia, apesar de pensar que o conhecia bem. Às vezes, até discutia com sua mãe.
— Nick trouxe enfeites.
— É?
— Sim. Vamos abrir juntos.
— Espero que não sejam coisas estranhas.
Nick, que sempre estava cheio de travessuras, tinha o talento de escolher coisas estranhas para os cartões de Natal todo ano. Lembrando-se disso, Nathan fez uma expressão preocupada. Mas, Nathan… Entre os enfeites que você escolheu, também há alguns bem estranhos. Desta vez, Alex engoliu a verdade que não podia contar a Nathan.
Os dois se sentaram no sofá da sala. Por coincidência, uma caixa com uma cor semelhante à da sacola roxa da Liberty apareceu. Alex estendeu a mão lentamente e segurou a tampa da caixa. Nathan fez um sinal com os olhos, como quem diz “abra” .
Ele aplicou força nos dedos e abriu a caixa. Um cartão envolto em amortecedores de isopor coloridos foi o primeiro a aparecer. Pegando o cartão lentamente e abrindo-o, uma frase escrita em caligrafia elegante apareceu:
” Vocês gostam de leões e cachorros, não? Escolhemos com Kyle. ”
Nathan riu baixinho e remexeu sob os amortecedores. Logo, um leão majestoso pendurado em um cordão dourado e um cachorro sorrindo fofamente apareceram. Eram enfeites em miniatura. Ver aquilo fez os dois rirem. Já não procuravam mais ativamente, mas quando tinham vinte e sete anos, eles costumavam procurar animais que se parecessem um com o outro.
— Finalmente escolheu algo decente.
Nathan balançou o leão com satisfação. Alex também pegou o cachorro, rindo com um sorriso que parecia dizer “que fofo” .
— Eu e você parecemos?
— Sim, você ri fofo.
— Mas Nate, você combina mais com um pintinho do que com um leão.
— Isso já é história de quando eu era criança.
Trocando brincadeiras, os dois se levantaram do sofá. Indo até a árvore de Natal na janela da sala, eles examinaram lentamente os enfeites acumulados. Com o tempo juntos, haviam comprado muitos enfeites enquanto viajavam. A árvore estava ricamente decorada com as memórias do casal.
— A essa altura, isso já é uma tradição?
Logo abaixo da estrela brilhante no topo da árvore, ele pendurou o cachorro. Ao lado, Nathan colocou o leão.
— É uma tradição, sim.
— É o nosso próprio ritual.
— Sim.
Virando a cabeça, ele viu olhos verdes que o observavam. Como sempre, um olhar fixo em Alex.
— No futuro, vai ter ainda mais.
Lembrou-se de quando Nathan segurou sua mão e andou pela Carnaby Street. Naquele dia, Nathan falou sobre o futuro de Alex, algo que nem mesmo ele conseguia prever. Suas palavras de que eles estariam juntos para sempre se cumpriram.
Ele sabia que não há nada garantido no mundo.
Mesmo assim, ele sentia que passariam a vida juntos.
── 💉 ── 🚓 Fim Mind The Gap
Nota da equipe:
Obrigado a todos que estiveram até aqui conosco! Espero vê-los em outras obras por ai.
♡ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello ♧