Extra 03 ❖ Bridge The Gap 02.7
❖ Bridge The Gap 2.7
Esse fato era tão triste que algo quente subiu do fundo de sua garganta. Ele mal conteve o choro que ameaçava sair. Embora estivesse sofrendo tanto que parecia que ia morrer, ele não podia chorar descontroladamente na sua idade. Ainda com esperança, ele olhou para a frente várias vezes e depois abaixou a cabeça lentamente. Ele levantou a mão para examinar o ferimento. Pequenas marcas de arranhões na palma da mão sangravam levemente.
A luz vermelha do poste iluminava sua palma. Gotas de chuva caíam e se misturavam ao sangue. “Preciso levantar.” Ele pensou, mas seu corpo não se movia. Toda a sua energia havia se esgotado, levada pela água da chuva. Então, em breve, uma bicicleta que vinha pela estrada parou à sua frente e tocou a campainha. Pii, pii, pii. Com a chuva tornando o chão escorregadio, o som apressado da campainha ecoou enquanto a bicicleta acelerava.
No momento em que ele tentava se levantar apoiando as mãos no chão, uma força forte o puxou para cima. Puxado pelo casaco, Alex se levantou cambaleando. Assim que virou a cabeça, foi envolvido por um abraço com um cheiro familiar.
– …Nathan?
– O que você estava fazendo sentado aí?
Uma voz apressada soou perto de seu ouvido. Enquanto ele piscava os olhos, surpreso, ambas as mãos seguraram suas bochechas. A sensação era tão fria quanto a dele. No entanto, estranhamente, parecia quente. Seguindo a força que apertava suas bochechas, ele levantou a cabeça e viu sobrancelhas douradas franzidas e olhos verdes.
Era uma expressão semelhante à de antes, mas completamente diferente. Alex leu primeiro a forte preocupação nos olhos verdes e bonitos. Olhando com atenção, o rosto pálido de Nathan estava cheio de surpresa. Sua respiração ofegante e seu peito subindo e descendo rapidamente indicavam que ele havia corrido.
– Voltei e não te vi… huff, onde você foi… huff, droga.
Franzindo a testa bonita, Nathan estendeu brevemente o pescoço. Alex não disse nada, apenas manteve os lábios firmemente cerrados. Com a força concentrada na ponta do nariz para não chorar, seu rosto devia estar feio.
– Você se machucou?
Vendo seus olhos avermelhados, Nathan perguntou apressadamente. Alex balançou a cabeça vigorosamente. Os dedos que seguravam suas bochechas apertaram com mais força, pressionando levemente sua pele. Longe de doer, aquela dor era bem-vinda. Apenas um dia. Um dia separado, e ele estava morrendo de saudade do toque de Nathan. Não era exagero, era verdade.
Os dois se olharam.
Como se seus olhares estivessem conectados, olho no olho. Apenas olhando profundamente nos olhos um do outro, uma emoção intensa era sentida. Saudade e amor surgiam densamente. Era como se ele pudesse ler a alma e entender como Nathan o via.
Ouvindo o som da chuva cair, eles trocaram olhares infinitos. Então, como se tivessem combinado, abriram a boca ao mesmo tempo.
– Há pouco eu…
– Vamos nos casar.
Nathan piscou os olhos. Vendo suas sobrancelhas ligeiramente franzidas em confusão, Alex repetiu:
– Case comigo, Nate.
No momento em que Nathan não entendeu o que ouviu, seus olhos verdes se arregalaram com a segunda fala de Alex. Suas pupilas dilatadas fixaram Alex. Sabendo o quão bagunçado devia estar seu reflexo naqueles olhos, Alex disse novamente:
– Case comigo, Nathan. Quero me casar com você. Quero… Ser seu marido… Já penso nisso há muito tempo.
Dizendo isso, ele percebeu o quão absurdas tinham sido suas palavras anteriores. “Vamos conversar mais tarde” – ele que estava esperando por este momento.
– Você parecia não ter planos imediatos de casamento… então eu. Queria. Falar primeiro. Mas como eu tinha o anel, pensei que poderia falar alguma coisa, então tenho procurado recentemente. Por isso me atrasei algumas vezes. Desculpe, Nate. Não queria te deixar ansioso.
– …Espera.
– Eu só queria, fazer uma surpresa memorável… Ontem eu falei errado.
As lágrimas escorriam. Pensando novamente, foi um erro tão idiota que ele queria se bater.
– Não é que eu não queira me casar com você…
– Alex.
Franzindo a ponta do nariz e soluçando alto, Nathan envolveu suas bochechas e sussurrou baixinho. Inclinando levemente a cabeça, ele encostou seus rostos. Suas testas se esfregaram suavemente.
– Não chore.
– Hmm…
– Se você chorar, vou enlouquecer, então pare de chorar.
As palavras gentis, que aqueciam seu coração só de ouvi-las, fizeram seus olhos arderem ainda mais. Mas Alex mordeu os lábios com força para conter as lágrimas de alguma forma. O polegar que esfregava suas bochechas desceu até seus lábios e tocou suavemente seus lábios trêmulos.
– Vai machucar seus lábios.
Assim que ouviu a voz carinhosa, as lágrimas escorreram. Alex fez força para não franzir a testa e chorar. Abrindo ligeiramente os lábios, uma respiração ofegante escapou.
– Eu te amo, Nate…
Querendo transmitir seu coração de alguma forma, ele sussurrou com uma voz trêmula. Nathan esfregou suas bochechas e acenou com a cabeça.
– Sim. Eu sei.
– De verdade?
Lembrando-se das costas que se viraram friamente, Alex murmurou baixinho.
– Eu pensei que você… Estava desapontado comigo… E que tinha esfriado.
Então Nathan soltou uma risada baixa e irônica. Rindo assim, todo molhado, ele parecia incrivelmente sexy. Seu coração disparou dolorosamente.
– Mesmo como brincadeira, não diga isso. Alex, eu…
“Ha”, uma risada irônica ecoou, abafada. Nathan passou a mão pelos cabelos molhados de chuva e disse:
– Sou o tipo de pessoa que enlouquece de ciúmes só de você desviar o olhar de mim por um momento.
Seus lábios se fecharam. Não para conter o choro como antes, mas porque uma sensação de formigamento o dominou.
– Fico ansioso pensando que talvez eu não seja a prioridade máxima na sua vida.
Nathan franziu os olhos e sorriu com um ar de vergonha. Era a primeira vez que ele via aquela expressão.
– É um pensamento tão infantil que eu nunca tive intenção de dizer isso.
Passando a mão pelos cabelos mais uma vez, ele encarou Alex diretamente nos olhos. Com um rosto mais composto, Alex olhou para ele. Nathan tocou levemente os olhos de Alex, avermelhados de tanto chorar.
– Desculpe por ter te deixado. Não vou fazer isso de novo.
– …Você promete?
– Prometo.
– Prefiro que você fique com raiva, Nate. Quando você vai embora sem dizer nada… fiquei com muito medo.
– Tudo bem.
Assim que ouviu que Alex estava com medo, Nathan o abraçou. As roupas molhadas se esfregaram pesadamente, mas ele não se sentiu incomodado. Pelo contrário, ficou mais quente. A respiração de cada um ecoava perto de seus ouvidos. Alex enterrou o rosto em seu peito e respirou fundo. O cheiro de Nathan o envolveu. Finalmente, uma sensação de alívio chegou. Sua mente, que esteve em outro lugar o dia inteiro, finalmente voltou ao lugar.
– …Vamos pegar um resfriado.
– É verdade.
Depois de se abraçarem por um longo tempo, eles finalmente trocaram essas palavras e lentamente se soltaram. Ao sair do abraço, Alex viu um guarda-chuva azul caído no chão. A luz azul refletia na água da chuva que corria pelo chão de pedra. Ao ver o guarda-chuva de Nathan, um sorriso lentamente se formou em seus lábios.
– Nathan.
Virando a cabeça, ele encontrou os olhos verdes de Nathan, que o observavam. Vendo seus olhos que o fitavam calmamente, como se dissessem “fale”, Alex perguntou:
– Você aceitou… Não foi?
Ele sabia que Nathan não diria que não, já que havia corrido de volta para ele, mas ainda assim queria ouvir claramente. Assim que viu Alex perguntar timidamente, os cantos da boca de Nathan se curvaram. Um sorriso radiante se espalhou por todo o seu rosto como uma flor. Franzindo as sobrancelhas e apertando os olhos, ele sorriu mais radiante do que nunca e disse:
– Sim.
Alex observou fixamente seus olhos verdes, curvados em arco. Era um sorriso que ele nunca tinha visto, um sorriso que transbordava alegria. Nathan sempre lhe mostrava sorrisos bonitos que os outros não viam, mas nunca tinha sorrido tão abertamente, sem esconder sua felicidade como agora.
– Vamos nos casar, Alex.
Ao sussurrar assim, o homem, ligeiramente envergonhado, tocou os lábios e inclinou levemente a cabeça. Através do rosto inclinado, ele pôde ver os cantos da boca erguidos e os olhos cheios de sorriso. Ao ver aquilo, ele não pôde mais se conter.
Alex estendeu as duas mãos. Assim como Nathan havia feito antes, ele envolveu as bochechas de Nathan e, em seguida, engoliu os lábios de Nathan, que soltou uma risada baixa. Assim que os lábios de Alex tocaram os seus, Nathan envolveu sua cintura. Seguindo a força que o puxava com força, Alex se entregou de bom grado e pressionou os lábios.
Os lábios molhados de chuva de Nathan tinham um gosto doce.
Gotas de chuva caíam sobre o guarda-chuva azul caído aos seus pés, fazendo um som leve. Era pouco depois da meia-noite, e não havia ninguém por perto.
Os dois homens, que se beijavam com o rio Tâmisa ao fundo, seguraram as mãos um do outro e foram juntos para casa.
Era o primeiro sábado de dezembro.
── 💉 ── 🚓 Continua…
♡ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello ♧