Extra 03 ❖ Bridge The Gap 02.6
❖ Bridge The Gap 2.6
[…] Alex ouviu a palavra “ansiosa” e moveu os lábios. Nathan estava longe de ser uma pessoa ansiosa…
Ele ia dizer “longe disso”, mas então lembrou-se de Nathan na noite anterior. Ultimamente, Nathan parecia ter algo em mente. Ele também mencionou que Alex estava chegando mais tarde. E disse que o incomodava o fato de Alex não ter falado sobre o vídeo.
“Será que Nathan também sente ansiedade?”
Nunca havia pensado nisso dessa forma. Ele já tinha visto Nathan sentir ciúmes, mas achava que era uma emoção distante da ansiedade. Acreditava que, se alguém se sentisse inseguro na relação, esse alguém seria sempre ele. Afinal, Nathan tinha muito mais experiência em relacionamentos.
No entanto, durante todo o namoro, Alex raramente se sentia ansioso em relação a isso. Nathan o fez sentir-se assim. Ele impedia que fofocas desnecessárias chegassem aos ouvidos de Alex e compartilhava todos os detalhes de sua vida cotidiana. Ele dedicava todo o seu tempo livre a Alex, e sempre dizia que o amava e que ele era bonito, para que Alex não duidasse de si mesmo. No início, havia muitas razões para ciúmes, mas em algum momento… Alex passou a acreditar verdadeiramente que Nathan o amava profundamente.
Seu coração disparou. Ao lembrar-se subitamente de quanto Nathan se esforçava por ele, ele sentiu uma vontade insuportável de vê-lo. Com ansiedade, Alex olhou pela janela do carro. Felizmente, a barreira da sede da polícia já estava visível à frente.
Assim que Noah estacionou o carro no nível do solo e desligou o motor, Alex abriu a porta do veículo. Ele queria entrar rapidamente, pegar sua bolsa e ir para casa. Pensando assim, ele saiu do carro. A chuva estava muito mais forte do que antes. “Onde foi que eu deixei meu guarda-chuva?” Pensando bem, Alex concluiu que seu guarda-chuva devia estar em alguma loja em Peckham. Em algum momento, ele tinha começado a compartilhar o guarda-chuva com Noah.
– Detetive, o guarda-chuva!
Naquele momento, Noah saiu correndo do carro. Ele veio em direção a Alex, que estava sob a chuva, e estendeu o guarda-chuva.
– Está chovendo muito, use isso.
– E você, o que vai usar?
– Eu vou de carro.
Noah abriu o guarda-chuva como se quisesse que Alex o pegasse. Embora ficasse grato pela gentileza, por algum motivo, ele relutava em pegar o guarda-chuva emprestado.
– Pode me devolver amanhã. Vamos, você está todo molhado.
Como se dissesse “está vendo?”, Noah estendeu o braço e tocou o cabelo molhado de Alex. Era um toque íntimo demais. Só então Alex pensou que as palavras de Noah talvez não fossem apenas bajulação. No entanto, a percepção veio tarde. Noah, que estava alisando o cabelo de Alex, olhou para trás dele e fez uma expressão surpresa.
– …Aquele homem, por acaso é seu namorado?
Assim que ouviu suas palavras, Alex virou o corpo. Com olhos arregalados de surpresa, ele olhou para trás e viu um homem usando um casaco preto, segurando um guarda-chuva, olhando para eles. A luz branca do poste perto do muro, do lado de fora da sede da polícia, banhava o rosto de Nathan com um tom pálido. Seu cabelo loiro, sob o guarda-chuva, estava molhado, parecendo quase sem cor. Como a expressão de Nathan.
– Vou indo.
Sem tempo para ouvir a resposta de Noah, Alex correu em direção a Nathan. No momento em que correu em direção à barreira que parecia separá-los, Nathan virou o corpo. Mesmo tendo visto Alex correndo, ele se virou.
Seu coração afundou. Seguindo um medo que ele não sentia há muito tempo, Alex correu apressadamente. No entanto, a distância entre ele e Nathan não diminuía facilmente. Embora não estivesse correndo como Alex, Nathan se movia rapidamente com suas pernas longas, continuando a avançar.
– Nate!
Seu coração se apertou. Alex gritou alto com uma voz trêmula. Sentindo o pequeno tremor, a figura que ia à frente parou por um momento. Aproveitando a brecha, Alex correu rapidamente. Como se estivesse perseguindo um criminoso, ele correu como um louco.
– Nate, onde você vai?
Vendo Nathan apenas de costas, sem mostrar seu rosto bonito, Alex sentiu que ia chorar. Parecia que ele havia entendido tudo errado, e isso o deixava loucamente ansioso. Especialmente depois da resposta que ele dera no dia anterior, era perfeitamente compreensível.
Mas Alex nunca tinha pensado em ninguém além de Nathan, nem mesmo em sonhos.
– Nate!
Ele finalmente alcançou Nathan, que estava prestes a se mover novamente. Com medo de que se afastasse ainda mais, ele estendeu o braço longo e segurou a barra do casaco de Nathan. Sua respiração estava tão ofegante que parecia que seus pulmões iam se revirar.
– Nate, quando, você chegou?
Ele disse que ia se atrasar. Ele disse para não esperar. Mas o casaco na mão de Nathan estava molhado. Não parecia que ele tinha ficado na chuva por pouco tempo.
– Está frio… Por que… Não entrou…
Quanto tempo ele esperou? Alex ansiava por saber isso imediatamente. Ele puxou Nathan com força pela barra do casaco, e seu perfil pálido apareceu. De perto, o cabelo e os ombros de Nathan estavam completamente encharcados. Embora não estivesse todo molhado, por ter ficado muito tempo do lado de fora, a chuva parecia ter penetrado em vários lugares.
– Meu Deus. Você está com frio? Desculpe por fazer você esperar, Nate.
Alex o examinou, sem saber o que fazer. Com medo de que Nathan fugisse se soltasse o casaco, ele cuidadosamente tentou segurar a mão de Nathan com a outra mão. Ele tentou.
Nathan desviou o braço no momento em que seus dedos tocaram. Soltando um suspiro profundo, ele virou meio corpo e olhou para Alex. Suas sobrancelhas douradas franzidas e seus olhos verdes contraídos eram visíveis. Era uma expressão que parecia misturar raiva e sofrimento.
Parecia que sua respiração ia parar. Embora soubesse que não era o caso, por um momento, o medo de que Nathan tivesse perdido o interesse por ele surgiu.
– …Vamos conversar amanhã.
Nathan falou com uma voz grave e baixa. Parecia abafada, como se estivesse submersa na água.
– Eu… Vou ficar em um hotel ou na casa da minha mãe.
Ao ouvir as palavras seguintes, Alex arregalou os olhos.
– …Você não vai comigo?
– Por hoje… Vá sozinho.
– Por quê?
A ansiedade crescia incontrolavelmente. Seus dedos começaram a tremer levemente. A noite anterior, quando Nathan dormiu de costas, passou por sua mente. A sensação de estarem juntos, mas distantes, o dominou. A cena do caso anterior, onde um casal que se amava terminou com a morte de um deles, também passou por sua cabeça sem motivo.
Sabia que não era o caso, mas o medo de que aquele pudesse ser o fim deles surgiu, fazendo-o sentir que ia enlouquecer.
– Se eu ficar, vou acabar perdendo a paciência. Por isso, vamos conversar amanhã.
– Então, por que você não fica com raiva de uma vez?
Alex tentou segurar a mão de Nathan novamente. Ele tinha certeza de que estaria muito fria, e queria segurá-la e aquecê-la com o calor do seu corpo. Mas Nathan desviou a mão que ele estendeu. Ele balançou a cabeça e virou as costas. Seu rosto bonito ficou escondido, e apenas suas costas eram visíveis.
– Não quero brigar com você.
Assim que as palavras terminaram, Nathan se virou e foi embora. Alex ficou paralisado por um momento. O passado distante se sobrepôs à cena. Nathan saindo do quarto de hotel sem nenhum arrependimento, deixando-o para trás, ou o momento em que ele ficou sozinho no apartamento, despedindo-se dele.
Um calafrio o percorreu. As gotas de chuva que caíam em sua cabeça eram frias e cortantes como agulhas, fazendo seu couro cabeludo doer. Suas bochechas estavam frias e dormentes. Seus lábios, rapidamente empalidecidos, batiam uns contra os outros enquanto seus dentes batiam. Cada vez que ele expirava, a respiração branca se dispersava.
Enquanto isso, Nathan se afastava. Se ele deixasse Nathan ir assim, ele voltaria para casa sozinho. Para a casa de Nathan, sem Nathan.
Ele realmente odiava isso.
“Seria melhor se ele ficasse com raiva.”
Ele não sabia se aquela era a escolha certa. A decisão madura seria dar a Nathan tempo para processar suas emoções. Todo mundo tem esses momentos. Dias em que não querem mostrar o lado feio.
Se ele respeitasse Nathan, talvez fosse melhor deixá-lo ir agora.
Mas Alex Yeon não era uma pessoa tão madura. Era quase impossível para ele preparar eventos em segredo, como Nathan ou o Sr. Jones, e ele ainda não sabia como lidar habilmente com situações desconfortáveis. Embora tivesse se esforçado muito para mudar, ainda havia muitas áreas em que era desajeitado.
Para se tornar um marido, não apenas um namorado, ele achava que precisava corrigir imediatamente essas falhas. Assim, poderia se tornar alguém de quem Nathan não tivesse vergonha.
Mas Nathan o amava exatamente como ele era, com todas as suas imperfeições.
Nunca, nem uma única vez, Nathan pediu para ele mudar. Embora algumas coisas tivessem mudado naturalmente com o tempo juntos, Alex na verdade não havia mudado muito. Não houve amadurecimento repentino que combinasse com seus trinta e dois anos. Alex ainda tinha muito medo quando Nathan lhe dava as costas.
Provavelmente, isso nunca mudaria.
– Nate!
No momento em que achou que a distância era grande demais, Alex começou a correr novamente. Parado por um momento, seu corpo estava rígido com o frio, e ele não conseguia correr tão rápido como antes. Várias vezes, ele limpou a água da chuva que escorria pelo seu rosto com a palma da mão. Esfregando os olhos avermelhados, ele exalava ar quente.
“Vamos para casa juntos.”
“Pode ficar com raiva, mas vamos para casa juntos.”
A água fria da chuva e as lágrimas quentes se misturavam e se espalhavam para fora. “Estou chorando na minha idade.” Mesmo pensando assim, seus olhos ardiam. Por que diabos ele estava tentando fazer uma proposta de casamento secreta, com aquela atuação terrível?
Uma ladeira apareceu. Correndo pelo meio da estrada ladeada por postes de luz, Alex quase caiu várias vezes. Seus dedos dos pés dentro dos tênis encharcados estavam rígidos. A estação Charing Cross era visível ao longe. Mas Nathan não estava em lugar nenhum. Não havia ninguém na rua vazia.
No momento em que viu a rua vazia, Alex caiu.
Seus pés se enroscaram e seu corpo inclinou. Ele apoiou a mão no chão apressadamente e rasgou o joelho. Uma dor aguda se espalhou pela palma da mão. Uma sensação de queimação se espalhou perto do joelho. Parecia que a calça havia rasgado.
Alex levantou a cabeça lentamente. Ele olhou para a frente, atordoado, mas ainda não via ninguém. Seus olhos, sob os cílios negros molhados pela chuva, estavam cheios de tristeza. Com os lábios cerrados, ele engoliu a respiração úmida. A água da chuva escorria por sua cabeça. Seu corpo estava todo molhado.
“…Ele realmente foi embora.”
── 💉 ── 🚓 Continua…
♡ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello ♧