Capítulo 75
↫─Matched with a Disaster Grade Esper ↫⚝↬ 75
Zero Nine moveu-se para as coordenadas sem hesitação assim que verificou os números. No momento em que ele deixou a cobertura, o local tornou-se um vácuo vazio como se nada jamais o tivesse ocupado, como um lugar ao qual ninguém jamais retornaria.
Lentamente, Zero Nine abriu os olhos. Onde a extensão do jardim e o caminho da floresta antes ficavam atrás de grandes janelas de vidro, um escritório arrumado e monocromático agora os substituía. Ele ficou parado, olhando vagamente para a parede quando uma voz veio de trás.
— O que você espera encontrar apenas olhando para lá?
Era a voz de Damian. Zero Nine virou-se lentamente para encará-lo. Damian estava parado ali em trajes semi-formais, segurando um copo de uísque em uma mão. Por um momento, Zero Nine se perguntou se aquilo era um bar em vez de um escritório. Mas a mesa, os sofás de visita e outros móveis indicavam claramente que era de fato um escritório.
— Sente-se.
Damian tomou um gole de seu uísque e sentou-se no sofá. Zero Nine olhou ao redor. Ao contrário da aparência chamativa de Damian, o escritório era comum e calmo. Enquanto Zero Nine inspecionava a sala, Damian colocou seu copo de uísque na mesa e perguntou.
— É fascinante ver alguém trotando com permissão para onde quer que vá?
Damian perguntou, como se fosse a coisa mais natural do mundo implicar.
— Sim.
Zero Nine não mordeu a isca como Damian provavelmente esperava.
— Ah, qual é.
Damian passou a mão pelo cabelo em frustração, lembrando um golden retriever sacudindo a cabeça. Zero Nine, combinando sua expressão com a imagem, finalmente sentou-se à frente de Damian. Assim que ele se sentou, Damian sorriu e perguntou.
— Então por que a visita repentina? Separação ou algo assim?
— ……
Zero Nine não conseguiu responder imediatamente, então Damian zombou divertido.
— Claro que não. Honestamente, você acha que conseguiria se separar de Hexion?
Zero Nine corrigiu a interpretação errônea de Damian com um sorriso relutante.
— Você sabe que não temos esse tipo de relacionamento.
— Se um esper e um guia se encontrando não é um relacionamento, então como você chama isso?
Damian pousou o uísque e tirou algo para mastigar do bolso. A substância minúscula e branca parecia suspeita, fazendo Zero Nine apertar os olhos em escrutínio. Damian lançou-lhe um olhar desinteressado enquanto mastigava ruidosamente.
— O que você está encarando? Nunca viu alguém mascar xilitol?
Como Zero Nine não tinha ideia do que isso significava, decidiu considerar como algum tipo de droga. O que quer que Damian consumisse, Zero Nine achou irrelevante e colocou as mãos nos joelhos, cerrando os punhos.
— Vim te perguntar uma coisa.
— Sobre o quê?
— É sobre Hexion.
Damian franziu a testa instintivamente.
— Certamente você o conhece melhor do que eu.
Zero Nine balançou a cabeça.
— Não, eu não sei nada.
Um sorriso amargo espalhou-se por seu rosto.
— Eu não sei nada de jeito nenhum.
O tom baixo e ríspido na voz de Zero Nine fez Damian estalar a língua em desdém. Na verdade, Damian só queria expulsar o Esper mimado e acabar logo com isso. No entanto, estava claro que qualquer confronto terminaria desfavoravelmente para ele. Damian mastigou seu xilitol e tomou um gole de uísque, irritado com a mistura de goma e álcool.
— Então, o que você quer saber?
Damian falou com um ar de leve curiosidade, enquanto Zero Nine hesitou, abrindo os lábios várias vezes como se contemplasse como proceder. Embora tivesse vindo em busca de respostas, percebeu que não sabia exatamente o que perguntar sobre Hexion. Observando-o vacilar, Damian cuspiu seu chiclete mastigado no chão do escritório, como se suas expectativas fossem justificadas.
— Quanta ganância.
— Perdão?
— No fim das contas, você está curioso sobre o Hexion que existia antes de você, estou certo?
Damian cruzou as pernas preguiçosamente e encarou Zero Nine.
— Pessoas como você são todas iguais; nunca contentes com o que lhes é dado, sempre querendo tudo.
— …Eu nunca pensei isso.
— Então, o quê? Você decidiu se distanciar de Hexion?
Desta vez, Zero Nine franziu a testa.
— Como você sabe disso?
— O esper notório como um desastre andando por aí desacompanhado de um guia — você achou que não haveria boatos?
— ……
— Quando você estava com Hexion, não percebia. Isso porque Hexion cuidava de tudo para você.
Damian zombou de Zero Nine, que estava sentado em silêncio.
— Se alguém lhe oferece algo, apenas aceite. Não exagere. Os espers não podem evitar, afinal.
— O que você quer dizer com não podem evitar?
Damian pausou, olhando para o nada como se lembrasse de alguma memória distante. Por um momento, seus olhos vagaram antes que um sorriso fantasmagórico surgisse em seus lábios.
— …Viver uma vida com uma coleira segurada por um guia.
Damian riu selvagemente, mostrando os dentes.
— Aquele primeiro gosto do guia — eu nunca poderei esquecer.
Ele sussurrou, e Zero Nine entendeu rapidamente o momento a que ele se referia; quando Damian fazia parte da unidade Esper, isolado em uma caverna com Hexion. Aprofundando-se em sua recordação, embora nunca se afastando muito da companhia presente, Damian refletiu em voz alta.
— Como eu poderia esquecer?
Sua voz rachou como um deserto ressequido.
— A sensação de respirar pela primeira vez desde o nascimento.
↫─⚝─↬ Tradução, revisão e Raws: Bella Cheng&Belladonna
Mesmo com cabelos dourados que lembravam mel derretido e um rosto bonito, ele era um esper que nunca poderia usar esse talento para muita coisa. As drogas nublavam tanto sua mente que ele nem conseguia lembrar quando se tornou um esper. Uma vez, ele parecia saber seu nome, mas depois de receber grandes doses de agentes indutores do sono e calmantes, foi lançado nas linhas inimigas como uma bomba, nada mais do que uma arma prestes a explodir.
Os quartéis militares foram lançados ao caos com a chegada inesperada de cinco espers. Eles eram como bombas imprevisíveis; ninguém conseguia se aproximar descuidadamente. Em zonas de guerra onde não havia meios eficazes para combater Espers, a retirada era a única opção diante de um Esper enfurecido.
Damian, um daqueles Espers à beira de entrar em colapso, nem sequer estava ciente de seus próprios poderes causando estragos. Mesmo enquanto suas habilidades queimavam sua pele, ele não conseguia sentir dor. Um grito escapou dele, mas nada conseguia dissipar a agonia. A garganta queimava, as veias pareciam agulhas picando por dentro. Cambaleando para frente cegamente, ele instintivamente sentiu seu fim iminente.
— Tsk.
Uma voz estranha cortou o caos — desconcertantemente calma. Sentidos aguçados focaram em uma figura parada ao longe. Um homem alto em um uniforme militar sujo, porém seu cabelo não era preto, mas de um cinza profundo.
— Atirem.
O homem de cabelos grisalhos ordenou pelo rádio e, naquele momento, dezenas de tiros ecoaram. Balas lançadas com sons explosivos começaram a atingir os corpos dos Espers. Algumas munições foram estilhaçadas ou derretidas por suas habilidades, mas choviam implacavelmente como uma tempestade. Enquanto disparavam persistentemente contra os Espers, um soldado ao lado do homem chamado Hexion perguntou.
— Isso não vai resolver!
— E os Guias identificados?
— Apenas dois, senhor…
— Dois, hein.
Apesar de franzir a testa, Hexion sorriu.
— Um é o suficiente.
— Perdão?
— Há uma caverna a cerca de 800 metros daqui.
— S-Sim.
— Tranque aqueles que estão prestes a explodir, custe o que custar.
Hexion jogou o rádio no peito do soldado.
— Eu cuido do resto.
— O que o senhor planeja fazer…?
Com um ar indiferente, Hexion refletiu baixinho.
— Se eu morrer, a mamãe ficará aliviada ou incomodada?
Difícil encontrar outro como eu. Hexion cedeu o comando ao seu subordinado e buscou uma estratégia para encurralar os Espers na caverna. Dado seu estado dopado, o frenesi completo parecia provável em cerca de seis horas. Até mesmo estar perto desses Espers enfurecidos representava perigo, pois seus poderes golpeavam descontroladamente.
— Eles os alimentaram com todo tipo de droga, de sedativos a energéticos.
Eles eram essencialmente depósitos de drogas ambulantes. As tropas haviam recuado, deixando apenas uma força mínima para evitar o envolvimento com os Espers em fúria, enquanto Hexion subia pragmaticamente em um jipe abandonado ao lado do acampamento. Com um pisão forte no acelerador, as rodas levantaram uma tempestade de areia enquanto derrapavam para frente. Indo primeiro em direção à caverna, Hexion observou enquanto os esforços conduziam os Espers para mais perto da armadilha.
Várias armas antitanque enfraquecidas de batalhas anteriores provocaram bombardeios que desencadearam explosões ensurdecedoras. Ele acelerou enquanto dirigia, sorrindo de forma provocadora.
— Vamos ver quem vive e quem morre.
Os olhos cinzentos de Hexion brilharam secamente.
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Continua…
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↫─⚝ Tradução, revisão e Raws: Bella Cheng&Belladonna