Capítulo 02
↫─Matched with a Disaster Grade Esper ↫⚝↬ 02
Os olhos de Zero Nine se curvaram levemente, uma característica peculiar onde um olho se fechava sutilmente enquanto o outro permanecia praticamente inalterado. Hexion, encontrando esse olhar pouco convencional, inclinou a cabeça de leve e ergueu os cantos da boca.
— Um beijo despertou você.
Como uma princesa de um conto de fadas. Com uma expressão curiosa, Zero Nine perguntou.
— … Nós nos beijamos?
— Sim, sob as ordens de alguém — respondeu Hexion.
— Porque você estava em surto.
As palavras de Elijah foram completamente ignoradas por ambos.
— Então você me fez sentir tão bem com apenas um beijo?
— Eu fiz.
Zero Nine piscou, sua expressão era inocente. Ele segurou o pulso de Hexion, sua voz sendo apenas um sussurro.
— Então, você me beijaria apenas mais uma vez?
Seus lábios estavam cortados e ensanguentados, as bochechas encovadas, e as pontas de suas orelhas estavam vermelhas, como se ele ainda tivesse febre apesar da palidez da pele. Hexion olhou para os lábios machucados e sangrentos.
— Abra a boca.
Zero Nine fez o que lhe foi dito. Hexion o beijou, um beijo longo e terno, destinado à cura. Guia, o único método descoberto para estabilizar espers, que surgiram um dia no mundo. No meio do laboratório caótico, os dois homens compartilharam um beijo profundo e terapêutico.
Um pesquisador, aliviado por terem sobrevivido, começou a aplaudir. Hexion riu internamente. Quem aplaude em uma situação como esta? Mas logo, os aplausos aumentaram e todos se juntaram. Elijah ergueu as mãos em alívio, batendo palmas vigorosamente. Hexion revirou os olhos.
Hexion levantou o olhar para verificar uma tela de exibição. Nível de Surto 0,51%. Situação resolvida. Confirmando isso, Hexion se afastou dos lábios de Zero Nine. Qualquer contato físico adicional era desnecessário. Zero Nine deixou escapar um som de decepção por seus lábios.
— Suponho que você queira pelo menos saber o nome da pessoa que beijou. Hexion Theobald.
Zero Nine piscou, seus olhos eram gentis. Era uma expressão imprópria para um esper de nível desastre. Aquele rosto estranho que parecia estar sorrindo e, ao mesmo tempo, sem expressão.
— Se quiser outro beijo, basta pedir.
— Com certeza, Zero Nine.
Os lábios de Zero Nine se curvaram em um leve sorriso com as palavras de Hexion. Quase poderia ser chamado de sorriso. Aquele sorriso permaneceu estranhamente na mente de Hexion. Justo então, o smartphone de Elijah tocou alto. Ele atendeu, respondendo em voz baixa antes de erguer a cabeça com confiança. Algo parecia errado nisso.
— Primeiro, verifique Zero Nine. Hexion Theobald, aqui.
— Por quê?
Elijah sorriu, quase com desdém.
— Chegaram ordens da Alemanha para o seu retorno ao serviço militar.
A guerra Esper. Tendo vivido um conflito que alguns chamavam de Terceira Guerra Mundial, Hexion se aposentou aos trinta anos. Ele sorriu ironicamente.
— Ah, imaginando todos aqueles oficiais estragando tudo de novo.
Hexion olhou para Zero Nine deitado calmamente na mesa de exames, depois voltou o olhar para Elijah, exigindo silenciosamente uma explicação. Elijah, ainda sorrindo, elaborou.
— É um pedido do governo alemão. Eles querem você de volta ao exército como um guia para controlar o esper de estágio inicial Zero Nine, classificado como uma ameaça de nível desastre. Você tem o dever de proteger a nação… — Elijah mostrou a ele o pedido de cooperação em um tablet com o entusiasmo de um agente imobiliário exibindo uma propriedade. Hexion tocou na tela com desdém.
— Cooperação, meu rabo.
O descontentamento de Hexion era claro ao receber o que era essencialmente um comando. Elijah, tendo cumprido sua tarefa urgente, sorriu ainda mais amplamente, indiferente agora. Quando ocorresse um surto, eles viriam rastejando novamente.
— Vá direto ao ponto.
Hexion cruzou os braços e arqueou uma sobrancelha. Elijah limpou a garganta e respondeu.
— É apenas que, devido à propriedade de Zero Nine pertencer aos Estados Unidos, Hexion Theobald deve ser transferido da Alemanha para os EUA na forma de destacamento…
— O ponto principal.
— Você deve ficar em um local designado pelo governo com Zero Nine e responder quando convocado caso haja um surto. Além disso, por que você continua falando informalmente…
— Continue.
— Ah, que droga. Você será designado para a Unidade Especial de Gestão de Espers como um oficial especial.
Hexion interrompeu bruscamente: — Capitão?
— Coronel.
— Uma bela promoção.
O sarcasmo de Hexion era evidente. Elijah, por outro lado, sentia-se satisfeito, tendo feito seu trabalho. Conter o recém-manifestado esper Zero Nine, entregar o pedido de cooperação — suas tarefas estavam quase completas. Tinha sido uma jornada infernal.
— Zero Nine deve se estabilizar rapidamente agora que foi guiado. Assim que os sedativos passarem, ele deve ficar coerente.
— Você o entupiu com o suficiente para derrubar um elefante.
— Espers não morrem com essa quantidade.
Espers não eram vistos como humanos. Hexion franziu o cenho, achando inútil discutir. Os espers só recentemente tinham sido chamados assim; antes disso, eram monstros, humanos modificados. Sem um guia, eram bombas-relógio ambulantes.
Os pesquisadores terminaram de verificar Zero Nine e começaram a remover os equipamentos presos a ele. Zero Nine, ainda parecendo sonolento, observava os pesquisadores.
— Quando ele vai acordar adequadamente?
Espers sob forte sedação e orientação costumavam ser dóceis. Hexion se perguntou se Zero Nine se lembraria do beijo deles. Elijah coçou a cabeça.
— Leva um tempo para os tranquilizantes passarem. Você sabe como os espers são.
— Certo. Como ele é normalmente? Ele parecia bem manso agora, quase fofo.
— Fofo, não tenho certeza. Mas ele costuma ser cooperativo e manso, principalmente porque foi sequestrado e usado em experimentos pela Argus quando criança. Ele nunca causou grandes problemas.
— Tiveram problemas para gerenciá-lo devido à falta de guias de alta compatibilidade?
— Isso mesmo. Agora isso está resolvido.
Elijah assentiu, satisfeito. Hexion deu um tapinha em seu ombro, sinalizando para ele parar. A ideia de retornar ao serviço militar o fez fazer mais perguntas.
— Qual é o estado da Argus hoje em dia?
— Depois de perderem a guerra, estão quietos. Seus membros foram cortados; eles não podem fazer muito.
Argus, uma república socialista na Ásia Central, havia iniciado a Terceira Guerra Mundial, a Guerra Esper. Hexion sorriu com a lembrança. A guerra durou nove anos. Dar seus vinte anos para a guerra não era um exagero.
— Argus perdeu todos os seus espers para os Aliados. Quaisquer novos espers descobertos lá estarão sob vigilância estrita, incapazes de agir como antes.
Argus foi o primeiro país no qual espers foram descobertos. Eles esconderam este fato, treinando espers como armas humanas, preparando-os para lutar. Argus também vasculhou o mundo, sequestrando todos os que poderiam potencialmente ser um esper, fazendo-lhes lavagem cerebral com sucesso depois.
O país foi capaz de esconder espers por vários anos e iniciou a guerra com eles como uma força de ataque proeminente. Sem saber dos espers e de seus poderes destrutivos, outros países sofreram grandes perdas. Aqueles que não podiam ser mortos por armas comuns, independentemente de quantas vezes fossem baleados, eram chamados de monstros pelas pessoas comuns.
— Sofremos no início pela falta de espers, mas não é mais o caso.
Elijah falou enquanto Hexion relembrava sobre Argus. Durante a guerra, Argus teve as estratégias mais desprezíveis, tratando os espers como armas descartáveis. A ausência de guias foi desastrosa. Ninguém sabia que os espers precisavam de guias, nem mesmo Argus, que os transformou em armas.
No auge da guerra, alguns Espers da Argus enlouqueceram e arrasaram o acampamento Aliado. Ironicamente, os próprios espers que Argus desenvolveu como armas se voltaram contra eles. Sem o conhecimento de guias naquela época, presume-se que eles suportaram inúmeras dificuldades. A questão real era que a estratégia deles pós-sofrimento era nada menos que desumana.
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Continua…
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↫─⚝ Tradução, revisão e Raws: Bella Cheng&Belladonna