• Capítulo 16
• Capítulo 16
Siyul ofegou, cobrindo a boca. Uma mensagem acabara de chegar de Woo Hyunse. A resposta sobre se ele estava ocupado finalmente tinha chegado.
Considerando o tempo de espera, não poderia deixar de parecer uma resposta insincera. Ainda assim, Siyul mordeu o lábio. Os cantos de sua boca se levantaram involuntariamente. Suas bochechas se arredondaram, e uma luz dançava em seus olhos enquanto ele olhava para o telefone.
Ele sabia que ligar a esta hora tardia seria indelicado, mas ver a mensagem de repente o fez desejar desesperadamente ouvir aquela voz. E aquele riso que se espalhava como um riacho. Se fosse o poder da madrugada ou sua mente exausta se soltando depois de terminar o trabalho, era difícil controlar seus impulsos.
Siyul mordeu o lábio e enfiou as mãos entre as coxas, balançando as pernas ansiosamente. Ele tentou resistir. Embora pudesse ser aceitável com Kwon Yuwon, ligar para outra pessoa a esta hora seria insensível.
[Você não liga ultimamente]
Ele se conteve com dificuldade e moveu os dedos. Desta vez, foi lido imediatamente. Siyul se viu mordendo até as unhas enquanto esperava uma resposta.
[Ocupado]
[Quer conversar?]
Woo Hyunse acertou em cheio. Siyul segurou o telefone com as duas mãos e baixou a cabeça. Ele estava se segurando, mas com aquela mensagem perguntando se ele queria conversar, seu coração se agitou muito.
No final, Siyul teclou o número de Woo Hyunse. Repetindo internamente que seria melhor se o outro não atendesse, ele fez a chamada.
— Alô.
Mas quando os desejos de Siyul já se realizaram? Woo Hyunse atendeu o telefone. A voz que vinha do receptor era baixa e um pouco rouca, como se estivesse embriagado de sono.
— Ah, hum, você está muito ocupado?
Tendo agido por impulso, ele não tinha preparado o que dizer. Siyul jogou o que vinha à mente. Ele estava curioso sobre por que Woo Hyunse não estava vindo ao bar ultimamente, por que ele estava demorando para responder às mensagens, mas era embaraçoso demais para perguntar diretamente.
— Hmm… Sim, um pouco.
— Eu te acordei?
Um fraco: — Só um momento — foi ouvido ao longe na linha. Parecia que ele estava sussurrando para outra pessoa ali. Siyul pressionou o telefone firmemente contra o ouvido. Ele estava curioso sobre quem estava com Woo Hyunse naquele momento. Um amante, talvez, ou um amigo, ou talvez um associado de negócios.
— Não. Mas qual é a ocasião? Kwon Siyul ligando…
Ele não podia responder honestamente que só queria ouvir a voz do outro. Siyul coçou a nuca e chutou o chão com os dedos dos pés.
— Comida… Eu queria perguntar quando seria bom comprar.
Uma vez que saiu de sua boca, ele percebeu o quão patética a desculpa soava. Repetindo algo que já haviam discutido por mensagem – Siyul bagunçou o cabelo rudemente, frustrado com sua falta de raciocínio rápido. Mas ao contrário de Siyul, que estava sem graça com vergonha, Woo Hyunse parecia achar bastante engraçado, pois seu riso habitual veio pelo receptor.
— Poderíamos decidir isso quando nos encontrarmos, sabe.
— Só me sinto em dívida.
— …É mesmo?
Sua voz se tornou lânguida, como se estivesse com sono. Embora Woo Hyunse tivesse negado, parecia que ele tinha sido acordado ou estava muito cansado. Siyul queria continuar a chamada, mas sentiu que provavelmente deveria deixar Woo Hyunse ir em breve. Escondendo sua decepção, Siyul falou:
— Você parece muito cansado, então vamos decidir na próxima vez que nos encontrarmos. Durma bem. Desculpe pela ligação tardia.
Siyul até inclinou a cabeça como se estivesse encarando alguém pessoalmente. Um “hmm” se sobrepôs a um som “uhm”. A respiração parecia um pouco rouca. Ele soava quase doente. Siyul afastou o telefone do ouvido e pairou o dedo sobre o botão de encerrar chamada. Ele só tinha que deslizar.
Naquele momento, um som fraco chegou aos seus ouvidos. Era um som distante, como se Woo Hyunse pensasse que Siyul já tinha desligado. Siyul rapidamente pressionou o telefone de volta ao ouvido. Ele cobriu a boca e o nariz, concentrando toda a sua atenção no que vinha pelo receptor.
Uma voz fina e aguda como a de um pássaro perguntou: — Amante? Em contraste, uma voz grave próxima ao telefone disse claramente: — Não — impossível de perder.
— …
Siyul deslizou o botão de encerrar chamada um segundo atrasado. O gemido sugestivo que havia começado foi cortado num instante.
Depois de debater entre soju e cerveja, ele escolheu cerveja. Ele planejava beber lá fora, mas ver bêbados gritando no beco escuro e urinando nas paredes matou seu apetite. Decidindo que seria melhor beber em silêncio, ele entrou. Kwon Yuwon estava estendido, tendo chutado seu cobertor.
Sem ligar a TV ou as luzes, Siyul sentou-se no canto e abriu uma lata de cerveja. Deve ter sido agitada no caminho, pois espuma branca borbulhou, fazendo-o colocá-la apressadamente nos lábios. Talvez por causa do som alto de beber, Kwon Yuwon se mexeu debaixo das cobertas.
Siyul congelou, mas o sono do outro parecia já ter voado. Esfregando os olhos, Kwon Yuwon sentou-se.
— Você voltou? Que horas são?
A voz de Kwon Yuwon estava rouca como a de outra pessoa. Siyul tocou seu telefone para ver as horas.
— 3:40. Volte a dormir.
— Estou bem acordado agora.
Esticando-se como um gato, Kwon Yuwon ligou a TV. Considerando o isolamento acústico ruim, ele manteve o volume baixo. A luz esverdeada da tela iluminou seus rostos.
— Por que a cerveja?
— Quer um pouco?
Quando ele assentiu, Siyul pegou uma lata da bolsa e a entregou. Apesar de ter acabado de acordar com o cabelo bagunçado, Kwon Yuwon bebeu a cerveja bem. Siyul pensou que era um bom momento, já que beber sozinho teria sido chato. Ele se sentou encolhido com as pernas juntas.
— Yuwon, eu sou um incômodo quando estou bêbado?
— Não. Você só dorme, não dorme?
— Sério, só durmo?
— Sim. Você nem acorda quando é sacudido. Por quê? Alguém te chamou de incômodo? Com quem você bebeu? Foi uma mulher?
Kwon Yuwon cutucou o lado de Siyul com o dedo indicador, implicando. Seus olhos eram surpreendentemente brilhantes para alguém que acabara de acordar. Siyul ignorou com um: — Só perguntando.
Sendo tarde da noite, o filme na TV era bastante explícito. Uma classificação “19” era proeminentemente exibida no canto superior direito. Com o som baixo, gemidos embaraçosos não podiam ser ouvidos, mas os dois protagonistas na tela estavam ocupados esfregando seus corpos nus um no outro. Até o título era vulgar. “O Caso Daquele Alfa” – pesquisando, era um filme antigo lançado há mais de 15 anos.
Ainda assim, era sugestivo. Observando o protagonista jogar a cabeça para trás, Siyul de repente recordou os sons de gato que tinha ouvido mais cedo. As risadinhas e as respirações cada vez mais quentes que tinham vindo pelo telefone, como amantes compartilhando intimidade. Aqueles sons que o faziam sentir-se culpado, como se estivesse espiando através de um buraco no papel.
— Isso é tão bom assim?
Kwon Yuwon parou de beber sua cerveja e olhou para Siyul. — Oh — Kwon Yuwon disse, abrindo os olhos maliciosamente.
— Você finalmente está se interessando por esse tipo de coisa? Uau, pensei que nosso Siyul fosse impotente até agora.
— Impotente? Eu tenho ereção matinal muito bem. Que besteira.
— Ugh, não fale sobre isso, é nojento. Mas o que você está curioso? Seu irmão mais velho vai te contar tudo.
Kwon Yuwon estufou o peito orgulhosamente. Como se ele pudesse contar qualquer coisa – pelo que Siyul sabia, Kwon Yuwon também não tinha experiência. Ele sofria durante os cios, mas ser tocado por alfas era horrível. Ele fugia apenas para voltar chorando toda vez. Siyul examinou Kwon Yuwon de cima a baixo com ceticismo.
— Você?
— Eu sei mais do que você.
Interessado, mas inexperiente – isso era verdade tanto para Kwon Yuwon quanto para Siyul. Ainda assim, como um Ômega, Kwon Yuwon poderia ter ouvido e visto um pouco mais do que ele. Siyul umedeceu a garganta ardente com cerveja. Ele levou a lata aos lábios, hesitou e perguntou como se estivesse completamente desinteressado:
— Dizem que é bom dormir com um Alfa?
A expressão de Kwon Yuwon, que estava focada no filme, instantaneamente se azedou. Era a cara que ele fazia quando bebia leite que tinha azedado. Siyul pensou: — Viu? — e desviou os olhos de volta para a TV. Kwon Yuwon provavelmente também não sabia – era inútil perguntar.
— O que poderia ser bom em fazer isso com um Alfa? É como acasalar com uma fera no cio. Você não deveria se envolver com esse tipo. Apenas faça com uma mulher, por que um Alfa… Espera. Por que você está curioso sobre isso?
Kwon Yuwon, que estava divagando, de repente calou a boca e olhou para Siyul. Ele abriu bem os olhos e se inclinou para perto, examinando-o de todos os ângulos. Ele dilatou as narinas, cheirando, então seus olhos brilharam ferozmente.
— Não me diga que você manifestou.
— Você está louco? Não manifestei.
— Então, por que perguntar sobre fazer isso com um Alfa? Você nunca mostrou interesse nisso antes.
— Só surgiu no filme, por que você está virando isso contra mim? Nada aconteceu. Não vou me envolver com um Alfa, e sou um Beta.
— Agora que penso nisso, aquele porco estava em cima de você da última vez também. Deixei passar pensando que ele só tinha mau gosto, mas… Kwon Siyul, você.
Kwon Yuwon largou sua cerveja e agarrou os ombros de Siyul. Virando seu corpo completamente em direção a Siyul, ele aconselhou seriamente:
— Você toma cuidado com Alfas.
— Você ainda está meio dormindo?
— Não, ouça o que seu irmão mais velho diz. Você acha que não vi filhos da puta Alfas antes? Deixei passar com aquele porco, mas olhando agora, você é exatamente o tipo que os Alfas procurariam. Há alguns filhos da puta Alfas loucos que gostam de Betas, sabe. Não, mesmo que não seja esse o caso… Merda. Apenas me ouça. Se houver um Alfa por perto, evite-os a todo custo e construa um muro de ferro. É assim que você sobrevive.
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Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna