• Capítulo 120
Capítulo 120
Kwon Siyul enfiou rapidamente as fotos no bolso e se virou.
— Hyung—! — chamou alegremente e se enterrou nos braços de Woo Hyunse enquanto o outro abria a porta e entrava em casa. Woo Hyunse ergueu Kwon Siyul bem alto nos braços por hábito. Estampou beijos por todo o seu rosto, inclusive nos lábios.
— Você já jantou?
— Não. Estava esperando para comer com o hyung.
Estava um pouco tarde para o jantar, mas ele não podia perder a oportunidade de comer com Woo Hyunse. Woo Hyunse deu tapinhas na bunda de Kwon Siyul como se estivesse impressionado e foi trocar de roupa.
No passado, uma ajudante vinha regularmente fazer acompanhamentos e sopa, mas recentemente Woo Hyunse tinha se interessado por cozinhar e fazia as refeições de Kwon Siyul ele mesmo sempre que tinha tempo.
— Qual é o cardápio de hoje?
Ele se agarrou às costas de Woo Hyunse como uma cigarra e enfiou a cabeça entre suas axilas. Embora houvesse algo nele que fazia os outros pensarem que ele só sabia fazer massa ou comida ocidental, acontece que Woo Hyunse também era bom em fazer comida coreana.
— Adivinha.
— Doenjang-guk e tteokgalbi?
— Correto.
Não era um tteokgalbi qualquer comprado pronto, mas tteokgalbi de alta qualidade espetado num palito. A visão da carne suculenta fez sua boca salivar. Como o outro conseguia fazer essas coisas com tanta facilidade? Woo Hyunse tinha nascido com tudo, incluindo talento para cozinhar e para trabalhos manuais.
Uma refeição deliciosa foi rapidamente preparada com o cardápio que Woo Hyunse tinha planejado. Kwon Siyul se sentou à sua frente com um sorriso radiante. Ele tinha vergonha demais de dizer, mas não conseguia se livrar da sensação de que era como uma lua de mel toda vez. Só de pensar na palavra, a ponta de suas orelhas ficava vermelha.
Depois de terminar a refeição, deixaram a louça na máquina. Woo Hyunse tomou uma xícara de café, e Kwon Siyul, um chá gelado doce, e voltaram para a sala.
— Soube que você tirou sua foto do passaporte hoje. Cadê a foto?
Ele estava apoiando a cabeça no ombro do outro e bebendo chá gelado quando se sobressaltou. Deveria ter se livrado dela rapidamente, mas perdeu a chance de sumir com a foto porque estava seguindo Woo Hyunse por toda parte.
— Ah, é que…
— Você tem que me mostrar.
— Não posso não mostrar? Ficou tão ruim.
Ele queria esconder agora, mas, já que tinha tirado o passaporte, não conseguiria escondê-la do outro. Quando Kwon Siyul hesitou, Woo Hyunse o encarou. De repente, estendeu a mão e a enfiou em seu bolso. Como ele sabia que ele tinha colocado ali? Ele era vidente? Por sorte, tinha colocado o chá gelado na mesa, senão teria derramado.
Ele facilmente agarrou o saquinho plástico transparente contendo a foto e o tirou. Estava amassado porque tinha sido enfiado de qualquer jeito. Woo Hyunse olhou para ela dentro do saquinho. Para a foto simples com fundo branco.
— Ah, não olha!
Não só o rosto de Kwon Siyul, mas também seus lóbulos estavam vermelhos. Ele deu um pulo e tentou arrancar sua foto da mão de Woo Hyunse. Mas não havia como Woo Hyunse deixar. Ele manteve o braço bem alto e fora de alcance, mantendo os olhos fixos na foto o tempo todo.
— É fofa. Por que você não quer me mostrar?
— Não é nada fofa. Me dá. Ah, hyung!
Onde estava a fofura em seu cabelo desgrenhado, rosto inexpressivo e olhos sonolentos? Kwon Siyul se agarrou a Woo Hyunse e lutou para pegar a foto. Mas não adiantou.
Woo Hyunse envolveu a cintura de Kwon Siyul com um braço para impedi-lo de se mexer e olhou a foto. Por mais que se olhasse, estava amassada e feia, mas Woo Hyunse examinou a foto com até um sorriso leve, como se fosse o filhote de animal mais fofo do mundo.
— Vou ficar com uma.
— Não.
— Obrigado.
Mesmo com ele claramente recusando, Woo Hyunse sorriu radiante e tirou a foto. Mesmo quando Kwon Siyul choramingou e disse que tiraria uma foto nova amanhã, o outro disse que aquela foto já era boa o suficiente. A foto acabou indo parar na carteira de Woo Hyunse.
— Me dá a do hyung também. É injusto se só eu der a minha.
— Eu não tenho nenhuma.
— …Então me mostra a foto do seu passaporte.
As bochechas de Kwon Siyul incharam. Woo Hyunse segurou suas bochechas sem machucá-lo e as sacudiu antes de trazer seu passaporte. Ele tinha ouvido dizer que fotos de passaporte originalmente saíam piores que o normal, não só a dele. Abriu o passaporte com os olhos bem abertos, tentando encontrar nem que fosse um pequeno defeito para provocá-lo.
— O hyung também não…
Deveria ter saído feia. A foto colada ali não tinha defeito algum, mesmo olhando com os olhos bem abertos. Kwon Siyul abriu a boca e encarou a foto como se estivesse possuído. Ali estava Woo Hyunse, parecendo mais jovem do que agora.
Parecia uma foto tirada sem nenhum cuidado, mas não havia nada de feio nela. Seu nariz afilado e suas pálpebras sombreadas, e a ausência de seu sorriso habitual, faziam seus olhos parecerem ainda mais profundos. Como se ele pudesse enxergar através do coração de Kwon Siyul desde o outro lado da foto.
Ele deve tirar fotos para as fotos de passaporte dele.
Woo Hyunse sorriu levemente, como se tivesse notado a admiração de Kwon Siyul. Kwon Siyul olhou alternadamente para ele e para a foto. Ela ainda não capturava seu verdadeiro charme, mas a expressão sem sorriso era revigorante e difícil de desviar os olhos.
— Hyung, você realmente não tem nenhuma outra foto?
Era um desperdício tão grande usar uma foto tão boa só para o passaporte. Kwon Siyul perguntou, passando a mão sobre ela sem motivo.
— Eu joguei todas fora.
— Você não devia ter jogado fora. Eu quero uma.
— Eu te dou a primeira quando tirar mais da próxima vez.
— Você prometeu. Você vai me dar a primeira.
Não confiando só nas palavras dele, Kwon Siyul estendeu o dedo mindinho. Podia ser infantil para alguém da idade dele, mas ele fazia isso com tanta frequência com Kwon Yuwon que Kwon Siyul não pensou muito a respeito.
Woo Hyunse riu e entrelaçou o dedo com o de Kwon Siyul. Não satisfeito só com isso, Kwon Siyul pressionou as palmas deles uma contra a outra e as esfregou. Só depois de fazer uma cópia é que se sentiu confiante o bastante para soltar a mão do outro.
Mesmo que fossem para o exterior, ele achava que seria algum lugar próximo, como Hong Kong ou o Sudeste Asiático, mas não esperava que fosse tão mais longe. Era uma ilha do Pacífico Sul famosa por seus resorts, e só o voo durava mais de dez horas. Kwon Siyul, que estava nervoso desde o dia anterior, adormeceu profundamente sem nem aproveitar o fato de que seu assento era na primeira classe.
Chegar ao aeroporto não era o fim. Eles tiveram que pegar um helicóptero para chegar ao resort. Kwon Siyul sofreu de enjoo o tempo todo, então nem chegou a ver as águas esmeralda.
Seu enjoo só passou depois de chegar ao resort. Kwon Siyul manteve os olhos bem abertos e olhou ao redor. Tudo o que via era algo que só tinha visto na TV. O gramado verde e exuberante, os coqueiros gigantes que pareciam tocar o céu e o infindável mar azul profundo eram todas visões que ele não tinha visto na Ilha de Jeju.
Ele não conseguia acreditar que estava realmente num lugar assim. Respirou fundo. O cheiro de grama era fresco, a brisa do mar em suas bochechas era salgada mas revigorante, e a luz do sol que brilhava sobre ele era morna, nem quente nem fria demais, na temperatura certa.
Foi levado a uma vila particular num buggy. A primeira coisa que notou foi a cama king size que caberiam três homens adultos e os móveis feitos à mão com cascas de coco.
Tum— Ao som das ondas quebrando, Kwon Siyul se dirigiu à varanda como se estivesse obcecado por toda aquela paisagem. A piscina privativa era pequena mas funda, e dava para ver o mar além dos coqueiros que eram mais altos que o telhado.
— Hyung, dá pra ver o mar daqui!
Kwon Siyul gritou, as narinas dilatadas. Uma rajada de vento bagunçou seu cabelo negro. Woo Hyunse, que tinha vindo ao seu lado, afastou o cabelo embaraçado e beijou de leve sua testa exposta.
— Você gostou?
— Amei. Como você achou um lugar assim?
— Eu pesquisei muito. Para poder passar um tempo com Kwon Siyul aqui.
O voo longo foi cansativo, mas ver as ondas rolando e o horizonte infinito fez tudo valer a pena. Ele queria correr para o mar imediatamente, mas havia um motivo para o velho ditado “Até o Monte Geumgang é melhor visto depois de uma refeição” existir. Ele tinha perdido a refeição de bordo porque estava dormindo, e seu estômago roncava, insistindo para que reabastecesse rápido.
— A gente devia comer primeiro? Estou com fome.
Decidiram encher a barriga primeiro e se dirigiram a um restaurante próximo. Era o único restaurante e pub da ilha. Os cardápios eram todos em inglês. Ele tentou lê-los, mas tinha desistido do inglês havia muito tempo. Só sabia que o preto era o alfabeto e o branco era o papel, então não havia como ele conseguir ler. Não teve outra escolha a não ser deixar Woo Hyunse escolher.
Olhando ao redor, todos pareciam ter um ou dois coquetéis na mesa. Kwon Siyul também queria um, então abriu a boca com cautela.
— Posso pedir um coquetel?
— Um sem álcool. Ainda é dia. Seria um desperdício ficar bêbado.
— Ei, hyung, eu tenho bem mais de vinte anos. Tudo bem se for um fraco, né? Você sabe que eu bebo três garrafas de soju. Não vou ficar bêbado com um coquetel só.
Ele não gostava de ser tratado como criança, então trouxe à tona sua tolerância ao álcool, que Woo Hyunse conhecia bem. Por mais forte que fosse um coquetel, não poderia ser tão forte quanto soju. Ele se inclinou para perto, inclinando a cabeça para lá e para cá, como fazia com frequência com Kwon Yuwon, e Woo Hyunse relutantemente pediu o coquetel que Kwon Siyul tinha escolhido.
Mas o funcionário olhou alternadamente para Kwon Siyul e Woo Hyunse e balançou a cabeça. Sem saber o que ele estava dizendo, eles só se entreolharam sem expressão enquanto trocavam palavras, e Woo Hyunse mordeu o lábio como se tentasse conter o riso, então pigarreou.
— Eles dizem que não podem vender álcool para menores de idade.
— Hã? É porque eu sou asiático e eles não conseguem dizer minha idade? Eu não pareço tão jovem assim, né?
Ele tinha ouvido bastante que parecia jovem, mas tinha idade suficiente para comprar bebida numa loja de conveniência sem que pedissem documento. Kwon Siyul tentou mostrar sua idade abrindo e dobrando os dedos com entusiasmo, mas o funcionário foi firme. Ele não seria autorizado até mostrar o passaporte.
Era bem longe do resort, então ele não podia ir e voltar a pé. Não havia nada que pudesse fazer, então só deixou Woo Hyunse pedir a cerveja só para ele mesmo.
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Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna