⋆。˚ ◉ Capítulo 69
Capítulo 69
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— Você é fofo pra caramba.
Assim que Kangsan viu Cahaya, tentou lhe dar um cavalinho, mas quase acabou com um buraco no estômago.
Apesar do tamanho pequeno, o poder de Cahaya continuava o mesmo, deixando Han Donhee lamentando não poder mexer com ele.
— Ei, sereia, por que esse moleque está vestido de grife da cabeça aos pés? Mimar ele desse jeito só vai estragar o caráter dele.
— Seowoon-ah, o Han Donhee está se tirando sarro de mim.
— Argh, esse pirralho. Acho que eu vou ter que deixar passar, já que o adulto aqui sou eu — Han Donhee murmurou, cerrando o punho.
— Eu não comprei. Eu pedi para a gerente — Seowoon disse.
Yoochan apoiou o queixo na mão, encarando Cahaya com atenção.
— Eu normalmente odeio crianças, mas esse aqui é fofo demais.
— Yoochan-ah, quer que eu te despedace?
Cahaya sorriu docemente e ergueu a mãozinha rechonchuda. Ao ver a aura branca girando entre os dedos dele, Yoochan rapidamente tirou a mão do queixo.
Para evitar mostrar o estado de Cahaya aos outros, eles se reuniram na sala do líder da guilda, no último andar, que costumava pertencer ao tio de Cahaya.
Ao contrário de outras guildas que investiam pesado na sala do líder por prestígio, o tio de Cahaya não tinha interesse nenhum nisso. A sala era tão simples quanto a de Cahaya, só com uma mesa, um computador e uma mesa de reuniões.
— Cahaya hyung, você acabou assim mesmo por causa daquela água-viva? Isso quer dizer que a gente pode virar imortal agora?
Yoochan bateu palmas, dizendo que aquela era a descoberta do século.
— O caminho para a imortalidade foi despedaçado pelas mãos do Cahaya, então eu declaro por meio desta que o Cahaya é o inimigo de toda a humanidade.
Han Donhee atacou Cahaya de forma mais leve que o normal, mas Cahaya apenas sorveu seu refrigerante pelo canudo, imperturbável.
Zombarias foram dirigidas a Cahaya por ter arruinado a chance da humanidade de prolongar a vida. Até Kangsan, que geralmente ficava do lado de Cahaya, se juntou à oposição dessa vez.
— Ei, moleques da Tacheon, vamos só começar a reunião. E aquilo não é imortalidade; é só uma reação à toxina. Tudo vai voltar ao normal assim que a toxina passar. De agora em diante, só quem tiver direito à palavra vai poder falar. A gente vai discutir isso com o Abdul hyung quando voltar a Naraka.
Os demais deram acenos preguiçosos a Seowoon enquanto ele assumia o comando.
Seowoon achava estranho ver uma presença pequena e preciosa sentada entre os grandalhões. O maior deles era quem tinha encolhido mais, o que deixava tudo ainda mais bizarro. Então Seowoon manteve os olhos ocupados e evitou olhar naquela direção.
Seowoon resumiu rapidamente a conversa que teve com a guilda Ohsung e explicou os planos futuros. Ele esperava um debate acalorado sobre entrar ou não para a Aliança, mas a reação foi inesperada.
— Em outras palavras, a gente vai ser espião, né?
Yoochan, que tinha direito à palavra, levantou a mão e falou.
— Não exatamente espiões, mas, já que a Aliança quer guardar todas as informações para si, a gente precisa colocar um pé lá dentro. Kangsan, pode falar.
Tendo levantado a mão em segundo lugar, Kangsan começou a falar:
— E se a Aliança começar a jogar todas as tarefas chatas em cima da gente?
— Aí a gente se retira imediatamente.
Seowoon respondeu na hora, o que fez Cahaya dar risadinhas. Parecia mais que ele estava rindo e concordando com: “Claro, eu topo também, musaranhozinho!”
— Então por mim tudo bem também!
— Por mim também, vice-líder hyung.
Yoochan também concordou, não querendo ficar atrás de Kangsan.
— Donhee, e você?
Han Donhee estava excepcionalmente perdido em pensamentos. Seowoon entendia sua decepção; não era uma decisão fácil de tomar em tão pouco tempo.
— O que foi? Você precisa de mais tempo para pensar?
— Não, eu concordo com você. Mas agora eu queria muito dar um belo soco naquele desgraçado do Cahaya por agir daquele jeito. Só que eu fico me sentindo tão fraco perto dele que me dá vontade de furar os meus próprios olhos.
Han Donhee parecia estar tendo uma dissonância cognitiva por causa da aparência adorável do jovem Cahaya. Cahaya piscou com inocência para Han Donhee, inclinando a cabeça.
— Porra! Os meus olhos!
Han Donhee realmente enfiou o dedo nos próprios olhos. Cahaya riu com malícia e o chamou de “desgraçado burro”. Pois é, só porque a aparência dele tinha mudado não significava que a personalidade também. Enquanto isso, Kangsan e Yoochan imploravam para Cahaya inclinar a cabeça de novo, só mais uma vez.
Antes que as coisas ficassem ainda mais caóticas, Seowoon bateu na mesa.
— Vamos encerrar por hoje e nos dispersar. Quem chegar primeiro a Naraka, garanta que vai falar com o Abdul hyung sobre isso, tá?
De novo, eles responderam sim com preguiça. Enquanto saía, Kangsan tentou dar um cavalinho em Cahaya, só para acabar levando um soco de Cahaya que o mandou para o corredor.
Seowoon se sentia completamente esgotado sempre que os poucos membros da guilda se reuniam.
Depois da breve reunião, Seowoon se jogou no sofá como alguém que tinha tido a alma sugada. Cahaya, como sempre, subiu na mesa do tio.
A sala do líder da guilda era desoladora, sem sequer uma única obra de arte. Parecia um espaço projetado por alguém sempre pronto para partir. Era por isso que Seowoon tinha ficado tão chocado quando viu o quarto de Cahaya pela primeira vez. O quarto de Cahaya era igualmente vazio, o que dava a impressão de que ele poderia partir a qualquer momento.
Por algum motivo, Seowoon queria preencher aquele espaço vazio por ele. Ver o jovem Cahaya deitado sozinho na cama às vezes lhe dava uma inesperada sensação de vazio.
— Cha Seowoon, você gosta mesmo de crianças, hein?
— Você vendeu os móveis da sua casa para doar?
As perguntas saíram quase ao mesmo tempo.
— Não é mais estranho não gostar de crianças?
Seowoon respondeu primeiro, e Cahaya deixou a frase morrer, como se ponderasse a resposta. Atrás dele, a paisagem urbana se desenrolava, fazendo com que ele parecesse um menino de família rica, em contraste com o seu antigo eu.
— Será que a gente devia comprar um piano e uma adega para a minha casa também?
— Do que você está falando? Quando você voltar ao normal, você vai encher o lugar inteiro sozinho.
— Você disse que ia morar comigo.
— É, só até você voltar ao normal.
Seowoon de repente ergueu o inexpressivo Cahaya; ele pareceu descontente, talvez por não esperar ser levantado assim de novo.
“Eu só quero dar um abraço nele, mas por que ele detesta tanto isso?”
Seowoon se sentiu um pouco desafiador. Cahaya se contorceu sem jeito como um menino que nunca tinha sido tratado daquela maneira.
— Me põe no chão.
Mesmo que Cahaya tentasse parecer sério, não surtia muito efeito.
— Por quê? Quer que eu te dê um cavalinho como o Kangsan fez?
Seowoon balançou Cahaya delicadamente como se fosse um bebê. O jeito como ele o erguia e o baixava lhe dava uma sensação estranha. Embora, na realidade, Cahaya fosse provavelmente mais forte que ele, era tão pequeno que era fácil esquecer esse fato.
— Cahayazinho, este hyung vai te dar um passeio de avião.
Bem quando ele estava prestes a acomodá-lo ao seu lado—
— Ugh!
Cahaya de repente se curvou. Tremendo como se estivesse tendo um espasmo, ele agarrou com força a camisa de Seowoon com seu punho pequeno, até ele ficar branco.
— Por que você está assim? Ei!
Assustado, Seowoon abraçou Cahaya e o examinou.
— ……Solta.
Cahaya murmurou de dentes cerrados. Para surpresa de Seowoon, um fluido vermelho-escuro começou a escorrer da sua pele. Ele enxugou às pressas a testa de Cahaya como se estivesse limpando suor, e não sangue.
— Ei! O que está acontecendo com você?!
Jo Kyungmin tinha garantido que Cahaya ficaria bem, mas agora ele se contorcia de dor. Conforme seu corpo ia ficando mais pesado, Seowoon não conseguiu suportar o peso e caiu para trás. Cahaya cerrou os dentes e se esforçou para não esmagar Seowoon, usando os dois braços para sustentar o próprio corpo.
— Ugh.
Os músculos de Cahaya se contorciam violentamente, e cada tendão do seu corpo se tensionava. Seowoon cobriu com urgência o rosto dele, desesperado para protegê-lo dos ossos retorcidos.
— Você está bem? O que está acontecendo com você?!
Por mais alto que Seowoon gritasse, Cahaya apenas gemia de agonia, como alguém mortalmente ferido.
Conforme suas roupas se rasgavam, o processo de voltar ao normal era parecido com o de um animal arriscando a vida para trocar de pele.
Seowoon abraçou Cahaya com força enquanto o corpo dele tremia incontrolavelmente. Ele não tinha certeza se as provocações e o abraço tinham causado aquele fenômeno repentino. Uma sensação de culpa de repente o invadiu.
— Desculpa, me desculpa mesmo. Você vai ficar bem. Só aguenta mais um pouquinho…
Seowoon continuou tentando acalmá-lo. Quando o fluido vermelho-escuro se transformou em suor frio e escorreu pela sua pele, o corpo de Cahaya voltou ao estado original. Por fim, o calor parecia emanar do seu corpo nu.
— Haa…….
Expirando fundo, Cahaya se ergueu apoiando as palmas das mãos no chão. Seowoon ainda estava cheio de ansiedade.
— Você está bem agora?
Cahaya olhou para os olhos violeta, cheios de todas as preocupações do mundo e brilhando contra a pele pálida. Ele sentia o corpo dolorido de um jeito incomparável aos nematocistos do mutante.
Ele conseguia aguentar quando Seowoon o alimentava como um bebê de verdade, mas não conseguiu quando Seowoon o pegou no colo e o abraçou daquele jeito.
Por quê?
Porque ele não queria parecer uma criança para ele.
— Ei… Eu estou preocupado com você. Você está bem?
— Eu voltei ao normal!
Ele sacudiu o cabelo molhado, incapaz de segurar por mais tempo.
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☪ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello