⋆。˚ ◉ Capítulo 67
Capítulo 67
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Seowoon virou meia garrafa de água de uma vez, e só então percebeu o quanto estava com sede. Sua garganta ainda parecia seca, então terminou o resto da garrafa. Ele soltou um suspiro longo e aliviado, sentindo-se finalmente hidratado.
Depois de abalá-lo e então sumir sem dizer nada, Cahaya tinha voltado, soltado umas besteiras estranhas e agora tinha virado criança.
Seowoon pressionou a mão contra os olhos, se sentindo completamente esgotado.
Mas, quando ouviu um farfalhar, ele se virou e viu Cahaya se mexendo. O jovem Cahaya se sentou, parecendo atordoado. Enquanto Seowoon se aproximava dele do jeito de sempre para não assustá-lo, os olhos de Cahaya parecidos com nebulosas piscaram.
No instante em que Cahaya viu Seowoon, seus olhos se arregalaram e ele deu um pulo.
— Cha Seowoon.
Ele imediatamente levou as mãos à própria garganta.
— Que diabos?
Sua voz infantil era inesperadamente fofa. Depois de tentar falar de novo, ele estendeu a mão para a frente. O jovem Cahaya então virou as mãos para lá e para cá, examinando-as.
— Ei! Aonde você vai?!
Cahaya tinha saltado da cama e disparado. Seowoon o seguiu às pressas, achando que ele estava tentando sair do quarto, mas o destino de Cahaya era o banheiro.
Sem conseguir ver seu reflexo direito no espelho alto, ele subiu na tampa da privada para enxergar melhor. O garoto chocado encarou o próprio reflexo em silêncio.
— …Não surta. Ouvi dizer que é porque você foi envenenado pelo mutante.
Cahaya se virou bruscamente. Seus olhos límpidos o faziam parecer uma boneca viva. Seus olhos e nariz delicados eram tão adoráveis que, se ele fosse filho de Seowoon, ele o encheria de beijos todos os dias.
— …Porra.
Se ao menos ele falasse de um jeito um pouco mais fofo.
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— Ei, não se preocupe demais. Ouvi dizer que você vai voltar ao normal assim que a toxina sair.
Mesmo que Seowoon tivesse explicado o motivo de ter chamado Jo Kyungmin e sobre o estado de pólipo, Cahaya continuou deitado de costas para ele. Era raro vê-lo em tamanho desespero.
— Você está com fome?
— Não, só vai embora.
O garoto, agora completamente escondido debaixo do cobertor, parecia não querer sequer mostrar sua aparência mais nova. Normalmente, Seowoon poderia ter se magoado com aquelas palavras ríspidas, mas, vendo Cahaya em forma de criança, ele estava mais preocupado do que qualquer outra coisa.
— Eu vou pegar comida.
— Eu não estou com fome.
— Me escuta. Você não pode sair por aí desse jeito, pode?
— Eu vou para a sua casa quando eu melhorar, então só vai embora.
— Eu abri mão da minha casa por sua causa. E eu não tenho mais casa, então vou ficar aqui um tempo.
Cahaya de repente jogou o cobertor longe e se sentou. Seowoon, tentando acalmá-lo, passou a mão pelo cabelo bagunçado de Cahaya, alisando-o.
Cahaya olhou para cima na direção dele, diferente do normal, e Seowoon deu um sorriso tranquilizador, tentando parecer calmo.
— É porque eu briguei com o Geom Jigeon?
Era um alívio que, apesar de parecer uma criança, sua personalidade essencial continuasse a mesma.
— É, eu fui despejado por causa daquela briga.
“Por que você me beijou? Foi mesmo porque você queria chupar os meus lábios?”
Seowoon não conseguiu se forçar a perguntar aquilo ao rosto angelical à sua frente. De todo jeito, assim que a toxina passasse, Cahaya voltaria a ser ele mesmo, e ele poderia fazer a pergunta então.
— Mas por que eles te expulsaram se fui eu que briguei com aquele desgraçado?
A voz mais aguda de Cahaya o fazia soar como se estivesse fazendo bico.
— Eu só não gostava daquele condomínio, então saí. E o Uhm Jigeon admitiu que a culpa foi dele. Ele disse que ficou bravo porque você não o recomendou.
— Cha Seowoon.
— Ei, guri, você está falando comigo sem cerimônia agora?
Seowoon bagunçou o cabelo dele de brincadeira.
— Eu sou mesmo um lixo?
— Do que você está falando? Eu já te falei, eu não fui expulso por sua causa. E é estranho te ouvir falando assim quando você parece um anjo agora.
— Eu pareço um anjo?
Os olhos dele pareciam tão brilhantes e cheios de encanto. Parecia que, se você desse um toquinho neles, estrelas jorrariam de repente.
— É, como você cresceu para ficar tão nojento?
— Você disse que eu era bonito.
Cahaya puxou o cobertor sobre a cabeça de novo. A visão do cobertor inflando era adorável, mas Seowoon não deixou transparecer.
— Ei, eu vou pegar comida. Qual é a senha da porta?
Quando entrou, ele usou a digital de Cahaya, então não sabia o código. Seowoon ergueu a voz enquanto seguia até a porta.
— Me diz a senha.
— 9585.
Até sua voz melodiosa era tão adorável.
— Eu vou pegar a comida.
Seowoon parou quando estava prestes a sair.
“9585?”
Essa era a senha da casa de meio-porão de Cahaya. Também eram os quatro últimos dígitos do seu antigo número de telefone. Na época, foi uma coincidência divertida, mas ele já tinha mudado de número fazia muito tempo.
Diferente dele, Cahaya parecia inalterado. Enquanto Seowoon se afastava do passado compartilhado deles, Cahaya sempre esteve no mesmo lugar.
Era sempre Seowoon que mudava. Ele desenvolveu sentimentos pelo amigo e se distanciou porque não conseguia ser fiel aos seus sentimentos.
E, mesmo assim, Cahaya era como uma estrela na vida dele. Assim como uma estrela imóvel é chamada de estrela fixa, Seowoon não teve escolha a não ser orbitar em torno do inalterado Cahaya. Semelhante à Terra, que não pode deixar o sistema solar só porque não gosta do Sol.
“Se o Cahaya fosse o Sol, eu preferiria ser Plutão, que foi expulso do sistema solar. Um planeta anão distante e fraco combina perfeitamente comigo agora.”
Alimentar sentimentos não correspondidos torcia suas emoções em algo imaturo. Antes que pudesse destruir por completo seus sentimentos internos, Seowoon fechou a porta com cuidado.
“Será que eu devo pegar uma comida mais leve, já que ele é criança agora?”
Ele desceu até o segundo andar, absorto em preocupações que nunca tinha experimentado antes. Ainda assim, era inegável seu alívio por não ter que perguntar imediatamente sobre o beijo.
Se não tivesse sentimentos por Cahaya, talvez tivesse beliscado a bochecha dele e exigido saber por que ele fez uma coisa tão maluca. Mas, sinceramente, ele tinha medo da resposta que Cahaya poderia dar.
Não importava o que fosse, ele não esperava uma resposta que o satisfizesse.
“Você é o único que me dá vontade de verdade de chupar.” [capítulo 64]
As palavras de Cahaya antes de ele desmaiar não paravam de ecoar em seus ouvidos.
Se Cahaya lhe dissesse que só o chupou porque teve vontade… Teria sido de partir o coração, e até humilhante para Seowoon. Mas a parte mais desanimadora era que aquilo parecia algo que Cahaya realmente faria.
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Cahaya jogou longe o cobertor cheio da sua respiração.
“Que desgraçado patético.”
Ele murmurou, olhando para as próprias mãos pequenas. Não era intenção dele virar criança para escapar daquilo. Ele precisava confessar a coisa baixa que tinha feito com Seowoon, mas sua boca secou no instante em que o viu.
Ele realmente queria beijá-lo de novo por impulso. Ele já conhecia a sensação daqueles lábios. Se não fosse por esse corpo infantil, talvez tivesse corrido até Seowoon e mordido seus lábios no momento em que o viu de pé no quarto.
“Você parece um anjo agora.”
“Anjo o cacete.”
Cahaya pensou enquanto tocava a testa com sua mãozinha, perdido na angústia.
Como era de se esperar, a resposta estava mesmo com Seowoon. A conclusão, que não chegou nem quando ele sumiu, surgiu assim que ele viu Seowoon.
“Eu sou igual àqueles desgraçados daquele site maldito…….”
Ele também estava olhando para Seowoon daquele jeito.
Cahaya olhou de novo para as próprias mãos. Ele era lixo num corpo puro.
Ele desamarrou a camisa presa na cintura e foi até o banheiro. Embora o fedor do mutante parecesse ter se dissipado, já que Seowoon o tinha limpado enquanto estava inconsciente, seu cabelo estava desconfortável. Se ele parecia tão angelical quanto sua aparência sugeria, deveria pelo menos estar limpo.
Cahaya olhou para o chuveiro pendurado bem no alto, de braços cruzados. Como estava fora de alcance mesmo esticando a mão, ele agarrou a mangueira do chuveiro e a levantou com um puxão.
“Porra.”
Seus movimentos estavam tão desajeitados, talvez porque seu corpo ainda não tivesse crescido por completo.
Sem outra escolha, ele se agachou e enfiou a cabeça na pia abaixo. Por sorte, o frasco de xampu estava ao alcance.
“Sorte dentro do azar, como dizem.”
Graças ao corpo menor, o banho não demorou muito.
Cahaya ficou na ponta dos pés para pegar a toalha pendurada no toalheiro e se secou. Depois pegou uma camiseta nova e amarrou com força a barra folgada em volta da cintura.
Enquanto se deitava na cama, ele cruzou as pernas como um monge que tinha se ajeitado antes de meditar.
Fechando os olhos, Cahaya tentou concentrar a mente, esperando encontrar a toxicidade que tinha se infiltrado no seu corpo. Mas, de repente, a imagem de Seowoon surgiu com uma garrafa de água mineral na mão. Os olhos dele também o encaravam de cima com preocupação.
Cahaya tentou apagar aquela imagem e começou a rastrear o veneno deixado pelo mutante.
Teria sido mais fácil remover se a toxicidade tivesse permanecido nítida, mas ela estava emaranhada em seu cosmos, neutralizada, o que dificultava a extração. Forçar demais poderia até liberar sua vitalidade restante. Não era isso que chamavam de “não jogue fora o bebê junto com a água do banho”?
Se soubesse da toxicidade, dos pólipos ou seja lá o que fosse, ele não teria se deixado envenenar, para começar.
“Se você cuida assim de um amigo, imagina como você seria com um filho seu.” [capítulo 66]
Em meio à turbulência das suas mudanças físicas, a sensação de alguém massageando seus braços e pernas foi nítida como o dia. Ele não resistiu, sabendo que era o toque de Seowoon, mas a voz desagradável o trouxe de volta ao foco.
Ele normalmente não pensava nada sobre Jo Kyungmin, mas a mera existência daquele cara o irritava tanto quanto a daquele Uhm Jigeon.
Seowoon voltou com a fechadura da porta destravando com um clique. Ele tinha comprado alguma coisa, junto com uma sacola de compras de uma marca de luxo.
— Eu pedi para a gerente trazer uma coisa para mim.
Seowoon não tinha certeza se serviria, mas tirou uma caixa da sacola e disse a Cahaya para experimentar.
Dentro da caixa que Seowoon abriu, havia um macacão jardineira e uma camiseta branca de manga curta.
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Nota:
Relembrando: Chupar/Lavar = beijo.
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☪ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello