⋆。˚ ◉ Capítulo 63
Capítulo 63
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Seowoon não conseguia se livrar da sensação de estar sendo visto como um criminoso em potencial. No entanto, como foi ele quem trouxe Cahaya, a causa do problema, ele apenas ficou calado.
— Eu vou redigir um memorando declarando que deixarei o condomínio imediatamente se algo parecido acontecer no futuro. E o senhor, vice-líder-nim?
Uhm Jigeon lhe lançou um olhar que dizia: “A gente não devia fazer isso?”
— Eu também vou pagar metade do custo para restaurar a passarela do condomínio. Se houver qualquer indenização psicológica ou outros custos incorridos pelos moradores, por favor, tratem disso com o advogado da Tacheon. Eu vou contatar o meu advogado separadamente assim que sair daqui.
— Ah, não precisa ir tão longe…
Quando o CEO manifestou sua desaprovação, Seowoon se levantou.
— Eu vou deixar o Synergy até o fim do dia de hoje, e vou vender o imóvel o mais rápido possível. Eu causei muito transtorno ao senhor.
Uhm Jigeon suspirou.
O CEO só tinha uma expressão desconfortável no rosto, sem saber se aquilo era bom ou ruim.
E se a Tacheon não ajudar quando aparecer um mutante de alto risco? Esse pensamento estava claramente em sua mente. Mas, enquanto Uhm Jigeon estivesse por perto, ele poderia contar com a ajuda dele. E, se precisassem da assistência da Tacheon, Seowoon poderia intervir sem demonstrar muita emoção.
Seowoon fez suas despedidas finais e saiu, com Uhm Jigeon seguindo logo atrás.
— Ei, vice-líder-nim. Você não parecia, mas é bem rigoroso.
Uhm Jigeon, que tinha alcançado Seowoon, fingiu estar sem fôlego sem motivo nenhum.
— Por que você começou uma briga ontem?
— O Cahaya não te contou?
Seowoon apenas continuou andando sem responder.
Pelo bem ou pelo mal, se não fosse por Uhm Jigeon, Seowoon não teria deixado sua casa. Só Seowoon sabia o quanto tinha se esforçado para conseguir aquele lugar.
Sua casa era o único lugar de onde ele podia observar o trânsito da cidade de um só olhar, e sua privacidade era rigorosamente garantida.
— Na verdade, ontem… Eu fui um pouco atrevido.
Uhm Jigeon apertou os olhos, parecendo um pouco sem graça.
— Do que vocês estavam falando?
Seowoon se perguntou se conseguiria encontrar alguma pista sobre o comportamento estranho de Cahaya. Uhm Jigeon coçou a nuca, claramente constrangido.
— Todos os outros membros da guilda da Tacheon decidiram me recomendar, mas eu fiquei meio irritado quando o Cahaya disse que não adiantaria nada a menos que você desse sinal verde.
— Eu já deixei claro. Se você conseguir a recomendação deles, eu penso no caso.
Foi o que ele disse, mas, se todos os membros da guilda o tivessem recomendado por unanimidade, ele teria recrutado Uhm Jigeon, um do mais alto escalão, sem ser tão teimoso. Gostando dele como pessoa ou não.
— Talvez pareça errado eu entrar depois do que aconteceu ontem, mas que tal estabelecer comigo uma relação tipo aliança? É só me chamar quando precisar. Sou bom de se ter por perto, né?
Uhm Jigeon levou a mão ao peito, fingindo humildade.
— Só se chegar a esse ponto. Bom, eu tenho que começar a fazer as malas, então vou indo primeiro.
— Você vai embora mesmo? Agora eu me sinto ainda pior.
— Não se preocupe com isso.
Seowoon baixou a cabeça e seguiu para o elevador.
— Você está bravo porque não vão deixar o Cahaya entrar?
Diante daquelas palavras que o seguraram pelo tornozelo, Seowoon se virou rapidamente, sem deixar escapar nenhuma mudança.
— Isso é parte do motivo.
— Uau, que inveja. A amizade de vocês é muito especial, hein?
Ver Uhm Jigeon cruzar os braços e balançar a cabeça foi um pouco grosseiro. Seowoon não olhou para trás, apenas seguiu seu caminho. Ele checou o celular, mas a tela continuava escura.
Depois de ver que a marca de não lida ainda estava lá, Seowoon enviou outra mensagem:
[Onde você está agora? Eu também não tenho mais casa.]
Ele achou que receberia uma ligação na hora, mas ainda assim não houve resposta.
Ele foi para casa e arrumou o essencial em duas malas. Planejava mudar o resto dos móveis assim que encontrasse um novo lugar, então conferiu tudo para garantir que não houvesse arranhões. Por último, pegou o alto-falante com IA.
Ele abriu a janela de mensagens de Cahaya de novo, mas suas mensagens continuavam não lidas mesmo depois de três horas.
Tinham sido só três horas, mas ele devia ter checado pelo menos umas 50 vezes. Se fosse um pedaço de papel em vez de um celular, já estaria gasto a essa altura.
“É tão vazio não conseguir falar com ele.”
Mesmo enquanto fazia outras coisas, Seowoon ficou grudado no celular o dia todo. Ele até levou o aparelho para o banho, com medo de perder uma ligação. E quantas vezes tinha acendido a tela de ansiedade?
“O que foi que eu fiz com o Cahaya no passado?”
Ele tinha se envolvido tanto no próprio sofrimento que ignorou todas as ligações dele…
Seowoon encostou os lábios no canto do celular. Era duro e frio.
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— Au, au, arrrr.
Um filhote do tamanho de um punho mostrou os dentes para o homem. Do ponto de vista do filhote, o homem era grande como um gigante, então ele latia com todas as forças. O dono, que vinha puxando a guia e mandando ele parar, acabou pegando o filhote no colo.
— Desculpa, o meu cachorro normalmente não é tão bravo. Ele te assustou?
O homem de boné nem se abalou.
Sentado num banco do parque como uma estátua, o homem acompanhava com os olhos qualquer filhote branco e fofinho que passasse. Alguns cachorros encaravam seu olhar com olhos grandes e curiosos, enquanto outros perdiam a paciência e latiam para ele, mandando parar de encarar — como o filhote de antes.
Um vira-lata de olhos claros ergueu a cabeça para o homem que o encarava enquanto passava. Interessado naquela figura imóvel, ele cheirou e cutucou o tornozelo do homem com o focinho. O dono se desculpou e tentou puxar o filhote, mas o homem baixou a mão e coçou gentilmente o queixo do cachorro.
O filhote abanou o rabo como uma hélice.
— O meu cachorro é meio amigável.
O homem pareceu assentir de leve, embora fosse quase imperceptível. Ele afagou a cabeça do filhote, e ele rolou de barriga para cima, ofegante.
— Nossa, o meu cachorro não é pequeno, mas as suas mãos são realmente grandes.
— Você quer que eu dê um beijo nele?
O dono pareceu um pouco assustado, embora satisfeito de ver o homem gostando do seu filhote.
— …Como é?
— Neste filhote. Você quer que eu dê um beijo nele?
O homem apenas cobriu a barriga macia e rechonchuda do cachorro com as mãos.
— Ah, esse aqui não gosta disso, então eu raramente faço…
— Se você não gosta, por que fez?
“Será que esse cara é meio ruim da cabeça?”
O dono se apressou em pegar o filhote, que tinha rolado de costas. Segurando o filhote com cautela, ele observou o homem se levantar de repente. O homem era muito mais alto que o dono do filhote, que normalmente se orgulhava de ser alto.
Só então ele viu o rosto do homem sob o boné, e murmurou: — Hã? — antes de exclamar:
“Essa pessoa! Qual era mesmo o nome dele? Droga, qual era o nome desse cara?”
Ele o reconheceu como alguém famoso, mas não conseguiu lembrar o nome de imediato. Depois de pensar por um instante, o dono do filhote finalmente ergueu os olhos.
— Cahaya!
Mas o homem já tinha desaparecido do parque.
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Anteontem, Seowoon se encontrou com o advogado da Tacheon para tratar de questões relacionadas ao condomínio. Ele mencionou que Cahaya tinha mentido sobre a venda do prédio do escritório da Tacheon, mas o advogado nunca tinha ouvido falar disso.
Três dias depois que o searcher da Ohsung, Kim Seokyung, chegou a Seul, ele previu com precisão os mutantes que apareceram em várias partes do país. Claro, Seowoon também conseguia detectá-los por meio do Mensageiro, mas todos eram abaixo do nível 3.
Um dia ou dois se passaram, e Seowoon não aguentou mais. Ele ligou para Cahaya, mas o celular dele estava desligado.
“Será que ele me beijou por engano mesmo e depois escolheu sumir para cair na real?”
Suas hipóteses, que tinham se ramificado em muitos galhos, estavam se reduzindo a uma só.
A ligação que Seowoon esperava nunca veio, e só a Aliança o incomodava dia e noite. No fim, Seowoon decidiu se encontrar com Lee Gwanwoong, um lanceiro e um dos fundadores da Ohsung.
Lee Gwanwoong tinha sugerido se encontrarem no escritório da guilda Ohsung, mas Seowoon o mandou vir à Tacheon com ousadia. Seowoon vinha colocando em dia o trabalho acumulado desde que se encontrou com o advogado, e estava recontratando antigos funcionários e reorganizando o prédio do escritório.
Ele normalmente levava o tio de Cahaya consigo ao se reunir com executivos, mas, como isso não era possível agora, teve que chamar Han Donhee. Se Cahaya estivesse ali, teria ido com ele, mas…
Uma águia velha vale mais que um corvo jovem, e Seowoon achou que Han Donhee seria útil.
No entanto, Han Donhee estava só ocupado jogando videogame.
Como se lutar contra mutantes na vida real não fosse cansativo o bastante, ele também estava caçando orcs no jogo, batendo neles com um cajado. Se ia fazer isso, por que escolheu ser mago? Ele era um cara muito estranho.
— Você não achou o Cahaya? Onde ele está e que porra ele está fazendo?
Era exatamente o que Seowoon também queria perguntar.
— Você acha que eu saberia? Eu só deixei uma mensagem dizendo que ia me reunir com o pessoal da Ohsung por enquanto.
— É ridículo ter uma dupla que adora sumir sem dizer nada.
Então Han Donhee começou a reclamar de como não suportava gente com o sobrenome “Cha”. Ele sabia que o sobrenome de Cahaya não era Cha, mas usou o caso de Seowoon como desculpa para desabafar.
— Ah, é. Dá uma olhada no que o Kangsan mandou. Ouvi dizer que aquele desgraçado maluco soprou na barriga do cachorro dos outros.
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♤ Nada contido se refere a realidade♧
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☪ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello