⋆。˚ ◉ Capítulo 45
Capítulo 45
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Cahaya massageou as mãos e os pés gelados de Seowoon.
Quando estava prestes a perguntar a Seowoon desde quando ele gostava de ter habilidades como as de um searcher, ele notou que os outros caras já dormiam profundamente, esparramados sem a menor preocupação.
Era por isso que todo mundo na guilda tinha ido embora, deixando só os combatentes. Não dava para achar nada de bom naquelas pessoas nem lavando bem os olhos. Se não fosse por ele e por Seowoon, eles não teriam se virado desse jeito.
Assim que a temperatura corporal de Seowoon subiu um pouco, Cahaya o acomodou confortavelmente sobre a própria coxa para que ele pudesse se deitar à vontade. Usando o cosmos, ao qual tinha se acostumado depois de algumas vezes, Cahaya emitiu um calor moderado para o chão. Ele não se deu ao trabalho de aquecer a área onde os outros dormiam; focou apenas no espaço em volta de Seowoon.
O corpo encolhido de Seowoon foi relaxando aos poucos sobre a coxa de Cahaya, mas ele ainda parecia sofrer, muito parecido com a última noite da excursão escolar deles.
Naquela viagem, o tempo estava frio demais para nadar no mar, mas eles bravamente entraram na água um por um, incluindo Seowoon. Cahaya, que entrou na água primeiro, notou os lábios carnudos de Seowoon ficando azuis em tempo real. Enquanto os outros, que gritavam que estava frio aqui e ali, rapidamente se acostumaram com a água do mar, Seowoon, que entrou por último, foi o primeiro a recuar.
Naquela noite, só Seowoon tremeu a noite inteira.
Seowoon pegava resfriado com frequência, mas alegava estar bem mesmo quando claramente não estava. Qual era o sentido de comer ovos caros e comida orgânica, afinal? Ele ficou vulnerável a todo tipo de vírus por causa dessa criação.
Além disso, como vice-líder, ele era secretamente relapso. Ele dizia que ia dar uma surra nele, mas acabava se deixando levar antes de perceber.
“Eu te dou mais 500 mil wons.”
Cahaya não conseguiu evitar cair na gargalhada e rapidamente olhou para o rosto de Seowoon. Por sorte, Seowoon parecia exausto demais da caminhada árdua para sequer mexer as pálpebras.
A sensação de Seowoon se agarrando a ele com força, com medo de ser derrubado, inundou a mente de Cahaya mais uma vez. O peito dele apertou ao lembrar de Seowoon o abraçando, olhos roxos o encarando, implorando para que ele não soltasse.
Diferente do incômodo Youngil de antes, a sensação de ter a vida de Seowoon nas mãos era maravilhosa.
“Droga, por que eu estou ficando de pau duro numa hora dessas?”
O rosto sorridente de Cahaya endureceu, e ele estalou a língua, frustrado.
Naquele momento, Seowoon estendeu a mão e agarrou a perna de Cahaya, gemendo como se tivesse um pesadelo. Cahaya deixou que ele se segurasse pelo tempo necessário até se sentir seguro de novo.
Cahaya recordou as memórias de quando morava em Sulawesi.
Seowoon costumava perguntar bastante sobre a vida dele na Indonésia, mas Cahaya sempre desconversava. Desde então, Seowoon parou de tocar no assunto por completo.
Não fosse por um dia como aquele, ele não teria olhado para trás e pensado nos velhos tempos.
A casa de infância de Cahaya ficava numa região montanhosa do Sul de Sulawesi, conhecida pela agricultura de corte e queima.
Cahaya entrou naquele lugar de mãos dadas com o tio, mas as pessoas do clã não o receberam com muito entusiasmo. Claro que ele também não as odiava. Ele passava os dias vagando pelos celeiros do vilarejo e, quando grandes funerais eram realizados, era vestido com roupas pretas, mas limpas.
A maior parte dos dias do jovem Cahaya era passada sentado nos telhados em forma de barco ou na caverna onde os caixões eram consagrados.
Talvez sentindo pena da solidão do sobrinho, o tio de Cahaya trouxe certa vez do mercado um filhote branco para casa.
Ele disse a Cahaya para ser gentil com o filhote e, a partir de então, Cahaya passou a maior parte do tempo com ele.
Cahaya geralmente gostava de passar tempo com o filhote, mas se sentia mais feliz quando estava no telhado. Assim que subia, o filhote enrijeceu e se agarrou com força a ele.
Quanto mais tempo passava com o filhote, mais ele preferia estar no telhado a ir à caverna.
Conforme subia mais alto, o filhote tremia e enrolava as patas dianteiras nos pulsos de Cahaya. Cahaya gostava do toque quente, e os olhos pretos que olhavam para ele como se só tivessem ele eram tão fofos.
Lá no telhado, Cahaya era o ser absoluto para o filhote.
“Não se preocupe, eu estou com você.”
Cahaya segurava o filhote perto e olhava do telhado, mostrando o vilarejo do alto, sem saber que o corpo macio do filhote enrijecia de medo.
Depois de descer do telhado, o filhote evitava Cahaya por um tempo. Como isso já tinha acontecido várias vezes, o jovem Cahaya nunca mais procurou o telhado.
Cahaya fazia aquilo com boa intenção, mas pode ter sido muito aterrorizante para uma criatura tão pequena e frágil. Ele percebeu isso sem que ninguém lhe dissesse.
Dali em diante, Cahaya cuidou do filhote até ele envelhecer e morrer. Fazia muito tempo que ele não sentia aquele desespero na mão.
Cahaya colocou o dedo indicador no aperto de Seowoon, mas Seowoon não o segurou, apenas se sobressaltando de leve.
— Ei, o que você está fazendo?
Han Donhee, deitado ali perto, se apoiou no cotovelo.
— Estou de guarda, já que vocês estão todos apagados.
— De guarda encarando o Cha Seowoon? Você sabe que às vezes isso é esquisito pra caralho, né?
— Você sabe que devia parar de dizer que não tem interesse em mim, né?
— Enfim, é esquisito pra caralho.
Han Donhee se acomodou de volta, roncando de leve, como se tivesse acabado de falar dormindo. Cahaya ficou irritado por algum motivo e soltou uma rajada de ar frio no chão onde Han Donhee estava deitado.
Só quando Han Donhee estava prestes a congelar é que ele rolou até Kangsan e Yoochan.
Han Donhee ficou esparramado no chão com os outros dois caras debaixo dele.
— O Cha Seowoon precisa cair na real e se afastar de um babaca louco como você—ugh, porra, entrou na minha boca.
Han Donhee levantou o dedo do meio.
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— Empurra eles para o lado!
Os olhos de Seowoon se arregalaram diante do grito repentino — ele se sobressaltou de surpresa.
O corpo dele tremia enquanto ele olhava para baixo. O chão embaixo, coberto de folhas caídas, tremia como num terremoto. Seowoon se viu sendo carregado de cabeça para baixo por alguém, completamente perplexo.
“Que diabos está acontecendo?”
A última coisa de que ele lembrava era ter adormecido enquanto tremia de frio. Conforme os olhos se ajustavam à luz, ele se endireitou.
Algo enorme o perseguia lá de baixo. Era uma lagarta do tamanho de um caminhão de uma tonelada. Dezenas delas enxameavam com as bocas escancaradas, dentes afiados reluzindo ameaçadoramente.
— Aah! Que porra é essa?!
— Você acordou?
Seowoon se puxou para cima e se agarrou à cintura de Cahaya enquanto eles disparavam montanha abaixo. O Mensageiro só tinha aparecido uma vez desde que entraram no túnel. Agora, Seowoon não fazia ideia de onde ele estava nem do que estava fazendo, já que não havia sinal.
Os dentes da lagarta pareciam afiados o bastante para rasgar a pele com um mero toque. Apesar da boca escancarada, ela não fazia barulho nenhum, o que a tornava ainda mais grotesca.
Seowoon ergueu o tronco com toda a força e começou a avaliar a situação. Mas a corrida de Cahaya o sacudia, e ele teve que se abaixar de novo.
“O que mais eu acabei de ver……?”
Seowoon tinha achado no começo que as lagartas os perseguiam, mas então notou Kangsan e Yoochan cortando-as por baixo e as empurrando para cima.
Desamparado, agarrado a Cahaya, Seowoon observou o cara cravar a espada numa árvore colossal que parecia ter vivido mil anos, se impulsionando para uma posição muito acima da própria altura.
Usando o punho da espada como apoio, Cahaya subiu ainda mais pela árvore. Ele acomodou Seowoon num galho firme, lá em cima, na altura de um quinto andar de um apartamento. Era grosso e robusto, sustentado por outros galhos.
— Ei! O que você vai fazer comigo?!
Seowoon gritou, agarrando ao força ao galho.
— Fica aqui.
Num instante, Cahaya saltou para o chão sem chance de ser segurado. Aconteceu tão rápido que Seowoon nem teria notado que aquele cara tinha sacado a espada se tivesse piscado.
Sozinho, Cahaya correu rapidamente por um caminho diagonal, eliminando com precisão qualquer obstáculo no caminho. Não havia nada que se pudesse chamar de estrada ali, mas Cahaya cortava com habilidade as árvores e o mato que bloqueavam o caminho.
Seowoon, ainda agachado e agarrado ao galho, finalmente ergueu o tronco. Ele apertou o galho arredondado com firmeza entre as pernas, examinando a cena lá embaixo.
Yoochan e Kangsan por baixo, e Han Donhee do topo da montanha — todos empurravam um número enorme de lagartas marrom-escuras na mesma direção para onde Cahaya tinha ido.
Cada lagarta parecia ter de dez a vinte patas e era coberta de pelos densos pelo corpo inteiro. Os pelos, que deveriam ser pequenos e finos, eram tão grandes quanto o próprio mutante.
Insetos parecidos com piolhos pendiam dos pelos da lagarta, e um deles até tinha rosto humano. Lagartas com espinhos afiados como ouriços disparavam os pelos em todas as direções.
“Será que uma formiga sente esse nojo quando vê cabelo humano?”
Seowoon de repente se sentiu um anão.
Uma variedade de larvas, que teriam fascinado entomólogos, enxameavam na direção de Cahaya.
Não era engano sentir que havia um terremoto na montanha, com mais de cem daquelas criaturas enormes de mais de uma tonelada cada se movendo. Como se as larvas não bastassem, dezenas de centopeias rastejavam pelo chão de terra, tão aterrorizantes que pareciam monstros emergindo do inferno.
Cahaya desencadeou o cosmos branco do corpo inteiro, cravando a espada no chão com toda a força.
BUUUM!
O chão afundou como se estivesse sob pressão gravitacional imensa. Poeira subiu como uma nuvem de fumaça e depois se dissipou, deixando uma cratera parecida com o Lago Baengnokdam. Até Seowoon, a uma distância grande, sentiu o vento gerado pela onda de choque.
Seowoon se agachou mais, abraçando o tronco da árvore para não ser levado. Se não fossem as raízes profundas, a árvore teria sido arrancada como as árvores velhas ali perto.
No centro da cratera, Cahaya estava ali, esperando os monstros empurrados pelos membros da guilda.
Um por um, eles caíram na cratera, atacando Cahaya com as bocas abertas como se ostentassem a falta de inteligência. O corpo de Cahaya ficava coberto de gosma a cada mutante que ele retalhava. A máscara dele já tinha sido removida, provavelmente porque estava ficando incômoda demais.
Quando os caçadores de rebanho chegaram perto da cratera, Cahaya cravou a espada na parede de terra e saltou. Uma centopéia tentou morder a perna dele, mas ele escapou da cratera primeiro por pouco.
Era uma boa distância até onde Cahaya estava, mas Seowoon sentia que Cahaya estava sempre de olho nele.
Ele começou a retalhar lagartas e centopeias que rastejavam umas sobre as outras. Então, em certo momento, as chamas que vinham se espalhando em linha reta viraram um pilar de fogo altíssimo, disparando em todas as direções. Uma nuvem enorme em forma de cogumelo subiu como uma bomba atômica, pairando sobre a cratera flamejante lá embaixo.
Seowoon encarou a cratera em chamas de boca aberta. As chamas se enfureceram, impossíveis de apagar, alimentadas pelo tamanho dos mutantes. Aquilo o lembrou do cheiro que ele tinha sentido no ar no refeitório da Tacheon não fazia muito tempo. Foi quando ele percebeu que estava com fome.
Scriiiich……, scriich?
Seowoon, distraído pelas chamas, virou a cabeça na direção do som.
Scriiiiich—!
O som penetrante de uma fera ecoou a uma curta distância dele.
Empoleirado na ponta do galho em que ele estava havia um pássaro com penas em forma de chifre.
Era um pouco menor, mas parecia igualzinho ao mutante galinha que ele tinha visto no dia anterior, a cauda comprida como uma cobra posicionada como se estivesse pronta para atacar.
Seowoon estendeu a mão devagar para a Matahari nas costas, o coração acelerado de medo.
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Nota:
Telhado em forma de barco: uma característica marcante do “Tongkonan”, as moradias ancestrais tradicionais do povo Toraja, no Sul de Sulawesi, Indonésia.
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♤ Nada contido se refere a realidade♧
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☪ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello