⋆。˚ ◉ Capítulo 138
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CAPÍTULO 138
— Cha Seoha.
Cahaya chamou, mas a criança só remexeu o bumbum na cadeira, pedindo silenciosamente para ser girada de novo.
— Cha Byeonjong.
— Sim!
A criança ergueu a mão bem alto com entusiasmo, seus olhos heterocromáticos cintilando. Parecia que ele tinha aceitado “Cha Byeonjong” como seu nome.
— Nossa, olha a disciplina desse garoto.
Han Donhee murmurou, fuzilando Cahaya com o olhar, acusando-o de treinar a criança secretamente pelas costas deles. Seowoon se ajoelhou para encontrar o olhar do menino, segurando gentilmente suas mãozinhas.
— Byeonjong não é uma palavra boa. Por isso, não vamos mais te chamar de Cha Byeonjong. Vamos te chamar de Cha Seoha. Entendeu?
— Sim!
Se ele entendeu por completo ou não, não estava claro, mas sua resposta foi firme.
— Cha Byeonjong.
Cahaya chamou de novo, e a criança se sobressaltou, antes de dobrar quietamente as mãos no colo.
— Droga, esse garoto é esperto.
Yoochan estendeu a mão para tocar a bochecha da criança, mas o menino arreganhou seus dentinhos, rosnando em resposta.
— Seoha, esse cara é nosso amigo. Você não pode morder ele, tá?
Kangsan, aquele que o tinha batizado, sorriu com carinho, tentando oferecer a própria mão para o menino morder no lugar.
Eles estavam aliviados por finalmente terem superado toda a situação do Cha Byeonjong, mas o problema maior era descobrir como cuidar da criança.
Claro, eram adultos, mas nenhum deles tinha qualquer experiência criando uma criança. Nenhum era casado e, além disso, os cinco eram crianças eles mesmos.
Consideraram brevemente deixá-lo com o tio de Cahaya, mas parecia errado sobrecarregar um homem de meia-idade com a responsabilidade de criar uma criança de novo. Agora que a criança tinha aprendido a agir como um humano, teria que sobreviver na Terra… mas Seowoon ainda não entendia completamente por que o Mensageiro tinha lhe dito para matar a criança, nem por que alegava que o mundo acabaria quando um mutante humano de outro planeta aparecesse, mas uma coisa era clara ele não podia confiar completamente nas palavras do Mensageiro.
Estranhamente, as aparições do Mensageiro também tinham se tornado notavelmente menos frequentes. Seowoon suspeitava que isso pudesse ter algo a ver com ele achar que o Mensageiro era Cahaya, porque o chamava de “musaranho”. Embora, tecnicamente, tivesse sido o Mensageiro quem o chamara de “musaranho-elefante” primeiro.
Apesar das incontáveis perguntas girando em sua mente, Seowoon sabia de uma coisa com certeza.
— De agora em diante, nós vamos impedir a destruição da Terra.
Seowoon ergueu a criança nos braços. O corpinho quente do menino parecia um bolinho recheado gorducho. Não ajudava que a camisa que a gerente tinha colocado nele tivesse um bolinho de bochechas vermelhas desenhado.
— O Cha Seowoon acabou de falar algo bem foda, mas por que soa como algo que uma criança do segundo ano diria?
Han Donhee passou a mão pelo ombro como se limpasse os arrepios.
— Ralador de queijo [1], tudo preparado e pronto.
Cahaya bateu na espada pendurada ao lado do corpo. O uniforme da guilda tinha sido modificado com um cinto, facilitando carregar uma espada. No entanto, antes que Han Donhee pudesse retrucar, Seowoon falou primeiro.
— Mas, sério, a gente não pode criar a criança — quer dizer, a gente não pode criar o Seoha aqui, né?
A sede da Tacheon não era um lugar adequado para criar uma criança. Países estrangeiros tinham começado a enviar pedidos de cooperação sobre mutantes, então aquele lugar logo estaria fervilhando de funcionários do Centro de Controle entrando e saindo.
— Por que não deixar ele com os pais do Seowoon hyung?
— Não!
— De jeito nenhum!
Seowoon e Han Donhee gritaram em uníssono diante da sugestão de Kangsan.
Depois de voltar de Naraka, Seowoon só tinha ligado para a mãe para garantir que estava bem, empurrando os pensamentos sobre os pais para o fundo da mente. Ele não queria deixá-la ansiosa com a conversa sobre a destruição da Terra ou coisa assim, então tinha mentido, dizendo que tudo tinha sido resolvido.
— Minha casa ainda está à venda… Acho que vou ficar na sede por um tempo.
O apartamento que ele tinha colocado no mercado depois da briga entre Cahaya e Uhm Jigeon ainda não tinha sido vendido.
— Eu comprei uma casa.
Cahaya se meteu de repente, um sorriso travesso brincando sob seus olhos.
— Que casa? Você não tá duro, hyung?
— Yoochan-ah, este hyung é seletivamente duro.
— Uma casa? Que casa você comprou? E de onde tirou o dinheiro?
Seowoon perguntou, os olhos arregalados de surpresa.
Aquilo era novidade para ele.
— Pedi minha doação de volta.
— Ei!
— Você acreditou nisso mesmo?
Cahaya riu. Ele era sempre um cara atrevido, e ainda assim era o mesmo cara que tinha dado liberdade aos Mansaengjong.
— Então como?
— Peguei um empréstimo.
Han Donhee explodiu numa gargalhada escandalosa.
— Você é um lunático completo. Que porra de gente doa todo o dinheiro só pra depois pegar empréstimo?
— É, eu, acho?
Yoochan e Kangsan ficaram momentaneamente boquiabertos, mas logo a risada se espalhou por todo o escritório do líder da guilda. Até Seowoon soltou uma risadinha e, embora a criança não entendesse o que estava acontecendo, riu junto com eles, contagiada pelo clima.
— Quanto você pegou?
Seowoon perguntou, ainda sorrindo.
— 3,5 bilhões de wones. [2]
O sorriso desapareceu num instante.
— Eles te emprestaram… tudo isso?
— Falei que ia destruir o banco se não emprestassem.
— Você tá de brincadeira? Ninguém vai acreditar nisso.
— Hyung, na real, Mansaengjong conseguem empréstimo bem fácil. Quanto mais alto o nível, mais eles dão. Mas quase ninguém pega empréstimo.
Todos sabiam o motivo sem que Kangsan precisasse dizer em voz alta. Mansaengjong de alto escalão geralmente já tinham bastante patrimônio.
— Mesmo que você tenha uma casa pra morar, precisa ter um adulto por perto. Eu não posso estar sempre lá.
Seowoon disse, olhando para a criança, que agora amassava e alisava a estampa de bolinho na camisa. Estavam de volta à estaca zero.
— Quantos anos você acha que ele aparenta?
Cahaya perguntou, virando-se para os colegas de guilda mais novos.
— Hmm, uns seis?
Yoochan ergueu seis dedos.
— Certo. Então, vamos mandar ele pro jardim de infância.
— E quem vai levar e buscar?
— A gente se reveza.
— Jardim de infância?
Seowoon ficou seriamente incomodado com a direção inesperada. Embora a criança não tivesse mostrado nenhuma habilidade notável como Mansaengjong, os olhos heterocromáticos podiam torná-lo alvo de bullying ou suspeita. Afinal, Mansaengjong tinham cores de olhos distintas em comparação com pessoas comuns.
— Jar… dim de infância? O que é isso?
Seoha piscou, confuso.
— De jeito nenhum, nada de jardim de infância.
— Por que não?
Cahaya soou como se genuinamente não entendesse o problema.
— Com os olhos do Seoha, ele vai chamar atenção demais.
— Então põe lente de contato ou algo assim nele.
— Kangsan-ah, que tipo de lente de contato você vai fazer para uma criança usar?
Han Donhee estalou a língua em desaprovação.
— Espera! Eu tive uma ideia genial!
Yoochan bateu palmas, animado. Mas ninguém na sala realmente esperava muito dele.
— A gente pode contratar uma professora de jardim de infância pra vir em casa!
De “Hã?” para “Ah!” — as reações mudaram num instante.
— Ah! Ahhh!
Quando alguém de quem você menos espera oferece a solução perfeita, a resposta é sempre explosiva.
Até Seowoon se pegou entrando no coro de “ahs”.
— Nossa, o Kim Yoochan realmente pensou em algo.
Yoochan ergueu o punho e se elogiou.
— Um cupom de abraço grátis do Seoha pra mim!
Enquanto Yoochan abria bem os braços de empolgação, Seoha imediatamente guinchou.
— Não!
E se agarrou ainda mais forte a Seowoon, com medo de ser derrubado.
— Você ouviu ele, desculpa, Yoochan-ah.
Seowoon riu, aproveitando a boa ideia para passar a criança a Cahaya. Dessa vez, Seoha trocou facilmente, agarrando-se a Cahaya sem reclamar.
— Pais sempre sabem o que é melhor, né?
Cahaya meditou enquanto jogava Seoha brincando em direção ao teto antes de pegá-lo. A criança gargalhou de deleite, exigindo que Cahaya fizesse de novo, o que ele atendeu com prazer, jogando-o ainda mais alto dessa vez.
— Quem é o pai e quem é a mãe?
Han Donhee perguntou nervoso, assistindo o garoto ser jogado no ar.
— Cha Seowoon é o pai, e eu sou a mãe.
— Você é louco? A mãe é do tamanho da porra da Cordilheira dos Urais!
— Ei, Seoha, você sabe quão rico é o seu tio Yoochan? Muito mais rico que aquele hyung seletivamente duro ali. Pode pedir pra eu te comprar uns brinquedos. Eu esvazio a seção inteira de brinquedos do shopping pra você.
— Sei, sei, acabei de ver um peixinho de baixo escalão tentando superar um filhinho de conglomerado. Pra ser sincero, o Seowoon hyung é o mais rico aqui. Você tá tentando comprar o amor do Seoha com dinheiro?
— Pai do Seoha, nosso filho é popular assim mesmo, hein?
Cahaya jogou Seoha para cima de novo, aproveitando totalmente a risada encantada da criança.
Enquanto eles conversavam sobre a criança, Seowoon apressadamente abriu o notebook sobre a mesa. Ele rapidamente se registrou num portal de empregos e começou a redigir um anúncio de vaga.
[Procuramos professor(a) de educação infantil com certificação para lecionar a uma criança de seis anos. É um menino, bem-comportado e muito querido. Extremamente fofo.]
— Yoochan-ah, que horário as crianças costumam ficar no jardim de infância?
Seowoon pausou a escrita para perguntar a Yoochan, que tinha sido o primeiro a dar uma opinião.
— Não sei, mas não é tipo das nove às seis?
Yoochan respondeu com entusiasmo.
[Procuro alguém para lecionar das 9h às 18h, com dois dias de folga por semana que podem ser agendados a qualquer momento.]
— Yoochan-ah, e quanto ao salário?
— Hmm… Talvez uns dez milhões de wones? [3]
— Yoochan, seu merdinha. Isso é ridiculamente baixo!
Kangsan explodiu, indignado.
— Como assim?!
— Cara, ensinar criança é trabalho pesado. Tem que pagar pelo menos o dobro disso.
Seowoon pressionou o punho contra a testa.
Tanto Kangsan quanto Yoochan tinham se tornado Mansaengjong antes de terem a chance de vivenciar uma vida social normal ou de compreender o conceito de dinheiro. Sem falar que ambos vinham de famílias abastadas.
— Vamos fazer cinco milhões de wones.
Cahaya sugeriu, apertando o número 5 no teclado do notebook enquanto ainda segurava a criança. Depois digitou rapidamente o número 3.
— Garante que o contrato diga que é um compromisso de três anos e inclua os quatro seguros principais. E vai ser sob contrato como funcionário da guilda Tacheon.
— Ah, é mesmo. Aquele cara já fez pra caralho de bico.
Han Donhee se meteu, ajudando ao pegar Seoha dos braços de Seowoon. Embora Seoha ainda não tivesse se afeiçoado a Kangsan e Yoochan, demonstrava afeto sem limites por Han Donhee. Seoha se agarrou firme a Han Donhee, enquanto Kangsan e Yoochan observavam com inveja.
— Eu nunca tive um bico com os quatro seguros principais, aliás.
— Buá… hyung durão, eu tô quase chorando aqui.
Yoochan puxou um lenço e deu tapinhas sob os olhos.
— Só quem doou 35 bilhões de wones pode chamar o Cahaya de duro.
Seowoon retrucou, sentindo-se defensivo enquanto continuava a redigir o anúncio.
— Nossa, amorzinho, sua forte Cordilheira dos Urais está profundamente comovida.
Cahaya, talvez lembrando que Han Donhee tinha chamado Seowoon de “amorzinho”, arrancou o lenço de Yoochan e fingiu enxugar as próprias lágrimas. Se fosse no passado, piadas bobas assim teriam deixado uma pontada no coração de Seowoon, mas agora ele se sentia um pouco constrangido e estranhamente empolgado, o que guardou para si.
Todos vaiaram de brincadeira, mas Seowoon agiu como se nada tivesse acontecido e ignorou. Então fechou o notebook, pensando que receberiam resposta ao anúncio dentro de um ou dois dias.
Seu olhar por acaso encontrou o de Cahaya. De pé bem no fundo do grupo, o rosto de Cahaya era o único claramente visível para ele.
“O que tá passando na sua cabeça, musaranhinho pervertido?”
Foi exatamente o que aqueles lábios articularam.
Cahaya sorriu de canto, um sorriso relaxado no rosto, e o coração de Seowoon começou a acelerar, como se revelasse sua presença.
“Não, aqui não. Não na frente de todo mundo.”
Embora ninguém pudesse ter ouvido seu coração, Seowoon ainda assim empurrou a cadeira para trás com vigor e se levantou.
— Certo, praticamente resolvemos a situação do Seoha. Agora, vou falar de algo importante. Se alguém quiser dizer algo, fale depois de conseguir o direito de fala.
Seowoon reuniu os membros dispersos da guilda Tacheon e os fez sentar no sofá.
Colocou Kangsan e Yoochan de um lado do sofá voltado para a mesa central, enquanto empurrou Han Donhee e Cahaya para o outro. Seoha escorregou do sofá e foi até a cadeira da mesa do líder da guilda onde Seowoon estava sentado. Assistindo o menino girar a cadeira sozinho, Seowoon pigarreou, voltando o foco para os membros da guilda.
— De agora em diante, vamos expandir a guilda.
· ⋆ · ─ ✦ ─ · ⋆ · Continua
☾ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello