⋆。˚ ◉ Capítulo 106
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CAPÍTULO 106
Cahaya desabou de repente, perdeu o equilíbrio, e Seowoon o segurou rapidamente, abraçando-o. Não era só o rosto dele que estava encharcado; o corpo inteiro estava coberto de suor frio.
Decidido a não deixar Cahaya inconsciente cair, Seowoon invocou o cosmos para estabilizá-lo.
Com cuidado, ergueu-o e o colocou nas costas, tomando cuidado para que as pernas dele não tocassem o chão. Embora Seowoon tivesse abaixado o corpo o máximo possível, as duas pernas de Cahaya inevitavelmente se arrastavam pelo chão.
Seowoon afrouxou os cadarços dos sapatos e os usou para amarrar os pulsos de Cahaya, prendendo-os em volta do próprio pescoço. Ergueu Cahaya sobre os ombros, se apoiando enquanto se levantava.
Com medo de deixar Cahaya cair, Seowoon reuniu todas as forças nas pernas trêmulas e desceu a montanha com cuidado, passo a passo. Seu corpo inteiro estava encharcado, como se ele tivesse chorado junto. Até as costas dele estavam ficando molhadas.
Viu o tio e o menino saírem correndo da casa, assustados. O tio se aproximou para checar se Cahaya estava respirando e então suspirou aliviado. Ao subir a escada estreita de madeira, as forças de Seowoon fraquejaram, então ele teve que pedir ajuda ao tio.
— Seowoon, o Cahaya saiu da caverna?
Ao ver que Cahaya tinha desmaiado, a expressão do tio ficou mais sombria que o normal.
— Sim.
Seowoon deitou Cahaya com cuidado na cama. O menino observava preocupado atrás de Seowoon.
— Por sorte, ele não parece estar ferido.
Seowoon não tinha certeza absoluta, mas tentou dizer algo para tranquilizá-los.
— Eu fico de olho. Você devia descansar, tio.
— Não, Seowoon. Deixa que eu cuido disso.
— Eu me sentiria mais tranquilo se ficasse.
Seowoon falou com suavidade, mas com firmeza, e o tio, aparentemente cedendo, apenas foi buscar água antes de ir para a sala. Enquanto isso, Seowoon pegou uma toalha úmida e começou a limpar o rosto de Cahaya. Verificou se havia algum ferimento enquanto o limpava, mas, além da máscara que faltava, Cahaya estava do mesmo jeito de quando tinha ido embora.
O que diabos aconteceu? O que poderia ter acontecido… para fazê-lo chorar tanto a ponto de o rosto ficar completamente encharcado de lágrimas?
Depois de limpar Cahaya por completo, Seowoon se sentou na beirada da cama. A testa de Cahaya, normalmente lisa, refletia dor naquele dia. Seowoon afastou com cuidado o cabelo do rosto dele.
— Machucado?
O menino se intrometeu, se colocando na cama diante de Seowoon.
Seowoon balançou a cabeça e deu tapinhas no espaço ao lado de Cahaya. O menino entendeu imediatamente o gesto e subiu na cama. Ele tinha ficado acordado até tarde por causa da decisão de Seowoon de voltar para a Coreia. Era tarde, e até uma criança sentiria sono àquela hora.
— Você escovou os dentes?
— Sim.
— Então vamos dormir.
O menino assentiu e fechou os olhos com força, fingindo dormir. Seowoon estendeu a mão para acariciar de leve a testa dele e dar tapinhas em seu peito.
Em seguida, as pálpebras do menino relaxaram e logo sua respiração se tornou constante e tranquila.
Seowoon então moveu a mão para o peito de Cahaya. Podia sentir o coração dele batendo forte sob a palma. Exausto, Seowoon se deitou ao lado de Cahaya, soltando um suspiro de alívio.
Não tinha dormido bem durante uma semana inteira, e agora a tensão finalmente estava se dissipando, a ponto de deixá-lo impotente. Sem qualquer traço de timidez, abraçou Cahaya, apertando-o contra si para se certificar de que ele não desapareceria.
Assim como Cahaya o tinha abraçado com força quando ele tremia de frio durante a viagem escolar, e também naquela vez no túnel a noroeste, agora ele dividia o próprio calor com Cahaya.
Seowoon não percebeu de fato a aura suave e púrpura que envolvia a cama com tanto acolhimento.
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Cahaya acordou sobressaltado, tomado por uma convulsão. Seowoon, que estava dormindo profundamente, recobrou os sentidos rapidamente e foi ver como ele estava.
— Está doendo alguma coisa? Quer água?
Seowoon pegou a garrafa de água do criado-mudo. Cahaya o olhou enquanto se erguia até a metade.
Quando Seowoon abriu a tampa da garrafa, Cahaya apertou o pulso dele e o puxou para um abraço. O coração de Cahaya batia forte.
Ele se lançou com força contra o peito de Seowoon. A garrafa de água caiu e se derramou, encharcando o chão, mas Seowoon simplesmente continuou a consolá-lo.
— Está tudo bem.
Está tudo bem.
Seowoon repetiu as mesmas palavras, tentando acalmá-lo. Cahaya o abraçava com tanta força que ele mal conseguia respirar, mas a pressão, de alguma forma, lhe dava uma sensação de alívio.
— …Bebe um pouco de água primeiro.
Seowoon tentou se afastar para pegar a garrafa derramada, mas Cahaya se recusou a soltá-lo.
— Cahaya… O que diabos aconteceu…? Por que você está assim?
— Eu não consegui ir para Naraka.
A voz de Cahaya estava bastante abafada. Seowoon assentiu de leve, como se já esperasse por isso.
A cama pareceu tremer, o que fez o menino acordar e esfregar os olhos. Quando o menino viu os dois, sorriu radiante e abriu os bracinhos, tentando abraçá-los ao mesmo tempo.
A cena terna arrancou um leve sorriso do rosto de Seowoon por um instante, antes que ele sumisse.
— Primeiro, vamos lavar as mãos e depois comer alguma coisa.
Ainda que o sol já estivesse alto no céu, não havia pressa agora que ele tinha voltado são e salvo. Seowoon deu um tapinha nas costas de Cahaya, sugerindo que conversassem depois. Mesmo assim, Cahaya continuava sem soltá-lo. Parecia ansioso por algum motivo.
Seowoon continuou acariciando-o com suavidade, notando que a temperatura corporal dele estava mais baixa que o normal. Estendeu a mão e abraçou o menino, que ainda tinha dificuldade de retribuir o abraço.
Enquanto permaneciam assim por um tempo, o menino começou a se agitar, claramente incomodado. Apesar disso, Seowoon continuou acalmando Cahaya antes de chamá-lo.
— Cahaya.
— ……Sim.
— O menino também precisa comer. E você devia tomar um banho primeiro.
— Eu estou fedendo?
O tapinha de Seowoon nas costas de Cahaya ficou mais firme, quase uma bronca, como se aquele fosse mesmo o problema.
Por fim, depois de conseguir se soltar do abraço de Cahaya, Seowoon recolheu a garrafa de água que tinha caído. Por sorte, ainda havia metade da água. Seowoon entregou a garrafa a Cahaya e acariciou de leve a bochecha dele, dizendo que ele ficasse ali enquanto preparava algo para comer.
Depois de sair do quarto, Seowoon procurou o tio antes de ir para a cozinha.
Cahaya se apoiou na cabeceira da cama e bebeu a água que Seowoon lhe deu. Apesar do estado de atordoamento, seus sentidos estavam aguçados. O menino, sentado na beirada da cama, olhou para Cahaya. Cahaya entregou o resto da água ao menino.
— Cha Byeonjong.
— Sim.
Cahaya bateu na cama, chamando o menino para se aproximar. O menino engatinhou até ele de joelhos.
— Você conhece Cellus, né?
Ele falou num sussurro. O menino, que estava bebendo da garrafa de água, arregalou os olhos.
— Cha Byeonjong não gosta de Cellus. Cha Byeonjong gosta de estar aqui.
— Você não pode ir para lá de qualquer jeito. O seu planeta foi aniquilado.
O menino inclinou a cabeça, aparentemente sem compreender o significado da palavra.
— E o Ouroboros?
Mesmo quando Cahaya perguntou de novo, o menino piscou inocentemente, sem entender nada. Apenas balançou a cabeça.
Cahaya prestou atenção nos sons que vinham da cozinha antes de continuar.
— O monstro que o Seowoon… teve que enfrentar antes de você vir para cá?
O menino estremeceu de repente ao olhar para as nebulosas que pareciam dissecar tudo.
— Está tudo bem. Você pode me contar.
Cahaya acariciou de leve a lateral do rosto do menino, cujo olho tinha uma cor parecida com a dos olhos de Seowoon.
Mesmo assim, o menino apertou com firmeza os labiozinhos rechonchudos.
Conhecendo o fim daquele planeta, Cahaya decidiu infundir confiança nele, em vez de simplesmente consolar a criança.
— Cha Byeonjong, eu sou mais forte que o Seowoon, sabia? Você precisa me contar para eu poder salvar todo mundo.
O menino ergueu o olhar rapidamente, como se concordasse.
— Sim, hyung é super forte — mas foi mais um monólogo interno do que uma resposta de fato.
Então o menino apertou os punhos pequenininhos, como se tivesse tomado uma decisão, e começou a balançar a cabeça de um lado para o outro seguindo um compasso: um, dois, três, um, dois, três.
— Na colina há um tesouro muito valioso.
O menino cantou uma cantiga infantil que ele nunca tinha ouvido antes.
— Guardado por um monstro, dia e noite, com certeza. Ele engole a cabeça e a cauda do tempo, sabia? Rondando para mantê-lo seguro e livre.
Cahaya jogou a cabeça para trás com um leve gesto de irritação. Não era esse o tipo de apresentação que ele queria ver.
— O tesouro é muito valioso. Então, cuidado, pequenino, fique esperto! Se tentar pegar, atenção! O monstro vai matar todo mundo aqui.
Apesar da voz doce do menino, como a de um passarinho, Cahaya achou que não havia mais nada a ganhar e decidiu se levantar e ir para o banheiro.
— O Donhee hyung disse que não é um tesouro. Disse que o tesouro é o monstro.
Depois de terminar a canção, o menino se levantou, fingindo ser um monstro e fazendo um “raaaawr”.
Cahaya se virou bruscamente e olhou para o menino que estava de pé sobre a cama.
— O tio Donhee e o Seowoon hyung… eles todos morreram por causa do monstro da colina. O monstro da colina era mau.
O menino encarou Cahaya com seus olhos roxo e verde. No olhar dele se refletia uma mistura de cautela e de uma estranha confiança nos adultos.
— É estranho. O hyung gentil não está na colina. Só tem o hyung assustador.
— Hyung assustador?
O menino apontou para Cahaya com o dedinho miúdo e delicado.
— Hyung comeu todo o tesouro do monstro da colina. Cha Byeonjong ficou com muito medo. O Seowoon hyung mandou eu fugir. Meu corpo ficou todo destruído e machucado.
O menino tremeu, como se a lembrança fosse terrível demais para ele.
— Cha Byeonjong.
disse Cahaya, olhando para a cozinha, onde Seowoon devia estar.
— Sim.
O menino espiou por baixo do cobertor onde tentou se esconder.
— Tudo o que você acabou de dizer.
Cahaya conseguiu abrir um sorriso gentil, como de costume.
— Vamos manter segredo do Seowoon, tá?
— Aí ninguém vai morrer? Cha Byeonjong não quer dizer adeus de novo.
— Isso, ninguém vai morrer.
“Se eu não conseguir salvá-lo, é melhor eu morrer.”
Ele guardou para si a parte não dita e abriu os braços.
O menino correu até ele e o abraçou sem hesitar.
· ⋆ · ─ ✦ ─ · ⋆ · Continua
☪ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello