Capítulo 274 - Extra 48
Sugar Baby
Tendo chegado a essa conclusão, Ariel mudou de assunto naturalmente e se despediu:
— Então, Koy, nos falamos de novo depois. Mesmo quando eu estiver no Oeste, podemos conversar por telefone quando você quiser.
— Tá bom.
Depois de trocarem mais algumas palavras, relutantes em encerrar a conversa, finalmente desligaram. Koy ficou olhando para o celular por um instante e, de repente, lembrou-se de Bill. Desde que Bill e Ariel começaram a namorar oficialmente, ele sempre vinha para a Costa Leste durante a baixa temporada. Por isso, Koy tinha se encontrado algumas vezes. Já com os outros amigos, depois do casamento, mantinham contato apenas de vez em quando.
Será que eu deveria sugerir que nós também saíssemos de férias?
A ideia fez seus olhos brilharem por um instante. Mas foi só por um instante.
Não… melhor não.
Ashley passava o ano inteiro ocupado com o trabalho no escritório de advocacia. Koy não conseguia pedir algo assim. Além disso, as crianças ainda eram muito pequenas. Afastando esse pensamento, ele saiu do quarto. Queria encontrar os seus pequenos Ashleys, que certamente estariam esperando por ele.
Onde será que as crianças estão? (N/T: Podia ser: Onde estão esses capetinhas? Kkk)
Enquanto caminhava olhando em volta, Koy voltou a perceber o único defeito daquela magnífica mansão. Ela era grande… grande demais. Era bom que as crianças tivessem espaço para correr e brincar. O problema era quando ele precisava procurá-las. Nunca conseguia descobrir onde estavam. E brincar de esconde-esconde era ainda pior. Koy não conseguia encontrar nenhum deles. As crianças pareciam se divertir muito com isso, mas ele acabava exausto de tanto andar pela casa inteira procurando seus esconderijos.
Pelo menos, antes de aprenderem a andar, ele passava bastante tempo com elas no colo. Mas, depois que cresceram um pouco, passaram a desaparecer o tempo todo. Havia dias em que era até difícil vê-las. Além disso, Grayson e Stacey, por serem gêmeos, estavam quase sempre juntos.
Devem estar brincando em algum lugar de novo.
Foi exatamente quando pensou isso.
—Papai!
— Papai!
Sem que ele percebesse de onde tinham saído, as crianças apareceram de repente e abraçaram suas pernas. Assustado, Koy olhou para baixo. Logo em seguida, abriu um sorriso.
— Grayson, Stacey.
Abaixando-se, Koy pegou um filho em cada braço e beijou alternadamente a bochecha dos dois.
— Onde vocês estavam? Estavam brincando de esconde-esconde?
Em vez de responder, Grayson apenas abraçou o pescoço de Koy. Quem respondeu foi Stacey.
— A gente estava esperando para brincar com o Papai.
— Poxa, vocês podiam ter ido até o meu quarto.
Quando Koy perguntou, surpreso, Stacey e Grayson se entreolharam. Naquele instante, Koy compreendeu o significado daquele olhar. Ele já tinha ouvido dizer que alfas não suportavam o feromônio uns dos outros. Em casos mais extremos, chegavam até a sentir repulsa e náuseas. Como os dois tinham a mesma característica de Ashley, era natural que não gostassem do feromônio dele.
Então foi por isso que o Ashley borrifou seu próprio feromônio no closet.
Se as crianças reagiam com tanta aversão, era porque ele certamente havia deixado um cheiro muito forte ali. Ainda não era a idade em que a característica secundária se manifestava por completo, então, por enquanto, pareciam sentir apenas um leve desconforto…
Quando eles crescerem mais, talvez eu tenha que me preocupar com esse problema. Afinal, essas crianças já nasceram com a característica já definida. Talvez a rejeição seja ainda mais intensa…
Depois de refletir por um momento, Koy sorriu como se nada estivesse acontecendo e olhou alternadamente para os dois.
— Então… do que vamos brincar agora?
Nathaniel ainda estava na escola, e Grayson e Stacey tinham acabado de voltar. Os irmãos mais novos deviam estar tirando a soneca da tarde, então Koy podia dedicar toda a sua atenção aos dois. Como se estivessem esperando por essa pergunta, eles responderam imediatamente:
— Quero sentir o cheiro do Papai.
— O cheiro do Papai é bom.
Estavam falando do feromônio dele. Koy não sabia se tinha deixado escapar sem querer ou o que havia acontecido, mas, desde algum tempo, as crianças passaram a grudar nele de vez em quando só para sentir seu cheiro, fungavam discretamente, procurando aquele aroma. Pelo jeito, Koy estava conseguindo esconder bem o feromônio, mas, ainda assim, os dois demonstravam claramente sua insatisfação.
— Grayson, Stacey. Vocês não podem ficar cheirando o feromônio do Papai o tempo todo.
— Por quê?
— Porque…
Afinal, prometi ao Ash que o meu feromônio seria só dele. A resposta surgiu imediatamente em sua cabeça, mas Koy a engoliu e disse outra coisa:
— Ficar cheirando o feromônio de outra pessoa desse jeito é falta de educação. Mesmo que seja o Papai, não pode. Entenderam?
Ele explicou com gentileza. Os gêmeos não responderam. Apenas olharam um para o outro em silêncio. Achando a reação estranha, Koy inclinou a cabeça, quando Stacey murmurou lentamente:
— Mas… faz um tempo que tem um cheiro assustador por aqui. Quando a gente sente o cheiro do Papai, fica melhor.
Ela está falando do feromônio do Ashley?
Na mansão, os únicos feromônios que podiam ser sentidos eram os de Koy e Ashley. Todos os funcionários eram betas ou gamas, portanto não liberavam feromônios. Sem dúvida, aquilo devia ser o cheiro residual do feromônio que Ashley havia deixado.
Enquanto Koy ainda estava sem saber o que dizer, Grayson apoiou a cabeça em seu peito e falou com a voz abatida:
— Daqui pra frente a gente não faz mais isso… Mas só hoje… deixa a gente sentir o seu cheiro? A gente está com muito medo…
Ao ouvir a voz tão lamentosa do filho, Koy não conseguiu mais resistir. Abriu a boca para responder, tornou a fechá-la e soltou um breve suspiro. Só então falou:
— Então… da próxima vez, não pode mesmo, está bem?
— Tá bom!
— A gente nunca mais faz!
Os gêmeos assentiram depressa, competindo para responder primeiro. Diante de tamanha fofura, Koy não conseguiu conter o sorriso e abraçou os dois com força. Ele próprio não conseguia sentir o próprio aroma, mas, ao ver as crianças inspirarem profundamente, percebeu que elas estavam realmente aproveitando seu feromônio.
— Mas isso fica em segredo do Papa, está bem?
— Uhum, é segredo.
— A gente nunca vai contar.
Os gêmeos prometeram com toda a convicção e voltaram a encostar o nariz no ombro e no peito de Koy, inspirando profundamente várias vezes. Só então pareceram satisfeitos e relaxaram nos braços dele. Enquanto observava os dois finalmente tranquilos, Stacey, depois de soltar um longo suspiro, perguntou:
— Mas, Papai… você realmente não consegue sentir cheiro nenhum?
As crianças sofriam por causa do feromônio de Ashley, mas Koy nem sequer conseguia perceber se havia algum cheiro ou não. Aquilo parecia muito estranho para elas. Sentindo-se um pouco constrangido, Koy assentiu.
— É.
— E o gosto, você sente?
Grayson completou a pergunta ao lado. Koy assentiu novamente.
— Não é que eu não sinta absolutamente nada… Eu consigo perceber um pouquinho.
Principalmente o doce. Mesmo que fosse muito de leve, esse sabor ele ainda conseguia distinguir. Por isso, Ashley sempre mandava preparar sobremesas com todo o cuidado, especialmente para ele.
— Entendi… Então o Papai só consegue sentir o gosto doce.
— Entendi…
Grayson e Stacey comentaram alternadamente. Ao ver os dois sorrindo, Koy sorriu de volta sem pensar muito. Como se nada tivesse acontecido, os gêmeos voltaram a encostar o rosto em seu corpo e inspiraram profundamente seu cheiro. E assim passaram um bom tempo sentados no corredor, juntos.
***
— Nathaniel veio me procurar?
Ao ouvir o relatório de sua secretária, Ashley franziu a testa e perguntou de volta. Qualquer outro visitante que não fosse Koy, o desagradava muito. Ainda assim, era a primeira vez que algo assim acontecia, e ele não pôde deixar de estranhar.
Os filhos quase nunca pediam nada a Ashley ou a Koy. Na maioria das vezes, recebiam as coisas antes mesmo de precisarem pedir e possuíam em abundância até aquilo de que nem necessitavam. Se Nathaniel tinha ido até ali, então certamente havia algum assunto importante.
Se o Koy souber disso, vai acabar preocupado.
Ashley soltou um suspiro e esfregou a testa antes de dizer, com a voz carregada de irritação:
— Mande-o entrar.
— Sim, senhor.
Assim que a secretária saiu, Nathaniel entrou na sala. Agora no sexto ano, o filho mais velho já tinha ultrapassado o 1,80 metro de altura. Provavelmente acabaria ficando tão alto quanto Ashley… ou até mais. Ainda em plena fase de crescimento, seu corpo magro lembrava Ashley de forma assustadora.
E Nathaniel não era um caso isolado. Infelizmente, todos os filhos de Ashley pareciam ter sido feitos apenas com os genes dele. Um após o outro, todos se pareciam com ele. A única exceção era o caçula, o único alívio. Por isso, Ashley não tinha escolha a não ser manter certa distância dos filhos.
Na verdade, se não fosse por Koy, ele provavelmente jamais teria tentado criar qualquer vínculo com eles. Mas, naquele momento, Koy não estava ali. Nathaniel também sabia disso. Então, por que tinha feito questão de ir até o escritório sozinho?
— Obrigado por me conceder um pouco do seu tempo.
Parado diante da mesa, Nathaniel falou com uma expressão impassível. Seu jeito era tão formal que parecia um aluno falando com o diretor da escola. Então continuou:
— Sei que o senhor está ocupado, então serei breve. Quando a minha característica secundária se manifestar, basta remover os feromônios, certo? Como isso é feito?
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís