Capítulo 272 - Extra 46
Sugar Baby
— Eu te amo, Koy.
Ashley sussurrou mais uma vez aquelas palavras que parecia repetir durante toda a vida. Ainda assim, sempre que as dizia, seu peito transbordava de emoção. Sentindo o coração voltar a bater forte, ele deslizou suavemente a língua para dentro da boca de Koy.
Enquanto retribuía o beijo naturalmente, Koy estremeceu sob o corpo de Ashley. Provavelmente porque o membro que permanecia dentro de si voltara a ficar rígido e pesado.
Ashley não fez questão de explicar. Apenas começou a mover o corpo lentamente. Como aquilo era algo que já acontecia com frequência, Koy aceitou como algo natural.
Um gemido profundo escapou dos lábios de Ashley. À medida que se movia devagar, o desejo voltava a crescer dentro dele, acompanhado da vontade de chegar ao clímax outra vez. Prolongando o momento o máximo possível, ele saboreava a sensação de estar dentro de Koy.
Meu. Para sempre.
Misturando sua respiração quente à de Koy, Ashley pensou:
Nunca vou deixar você escapar. Jamais.
— Haa…
Soltando um suspiro que mais parecia um gemido junto ao ouvido de Koy, Ashley interrompeu os movimentos. Enquanto liberava novamente o sêmen que havia segurado, preenchendo mais uma vez o interior de Koy, manteve seus corpos completamente colados, abraçando-o com força, sem deixar sequer o menor espaço entre eles.
***
— Que tipo de pessoa pensa em vender uma coisa dessas?
Segurando pela ponta dos dedos a meia que havia sido jogada de qualquer jeito sobre a cama, como se estivesse lidando com algo repulsivo, Koy murmurou com o rosto completamente vermelho.
A meia-calça, feita com uma abertura justamente na região entre as pernas para deixar as nádegas e região pélvica expostas, havia sido rasgada sem piedade e já não conservava sua forma original. Observando com evidente repulsa o pedaço de tecido que ele mesmo havia usado poucas horas antes, Ashley lhe entregou um copo cheio de água e respondeu com naturalidade:
— Pessoas que sabem que existe quem compre esse tipo de coisa.
O tom despreocupado da resposta deixou Koy sem reação.
— Faz sentido…
Constrangido, ele tomou um gole de água e permaneceu em silêncio por um instante.
— O que foi?
Sentando-se naturalmente na cama ao lado de Koy, Ashley perguntou enquanto distribuía beijos em sua bochecha e em sua orelha. Sentindo cócegas por causa da respiração dele, Koy desviou o olhar encolhendo os ombros, visivelmente sem graça.
— Não… é só que…
— Hum?
Como Koy continuava hesitando, Ashley insistiu mais uma vez. Ao sentir a mão dele acariciar seu pescoço, Koy encolheu ainda mais os ombros e disse:
— É que… parece um pouco… fora do comum…
Ashley interrompeu o movimento, ainda com os lábios encostados em seu pescoço. A impressão era de que Koy estava fazendo de tudo para evitar justamente a palavra que realmente queria dizer.
— Você quer dizer “pervertido”?
— Ah!
Com a palavra de Ashley, Koy deu um pulo, como se tivesse sido atingido no peito. Os lábios que estavam sugando seu pescoço ficaram suspensos no ar, e Koy recuou apressado. Só então, diante do silêncio constrangedor, ele percebeu a própria reação exagerada. Ao compreender que havia praticamente admitido aquilo, começou a balançar as mãos freneticamente e a negar com toda a força.
— N-não, não era isso que eu queria dizer! Eu só… só achei que o seu gosto fosse um pouco… diferente. Isso! Era isso! Eu não pensei em mais nada. É verdade!
— Foi a Al quem disse isso?
Ashley interrompeu toda a explicação de Koy com uma única pergunta. Koy congelou no mesmo instante. De braços cruzados, Ashley continuou em um tom frio:
— Não existe ninguém além dela que pudesse ter te ensinado esse tipo de coisa. Não é? Seja sincero. Se contar a verdade, eu deixo passar.
Naturalmente, Ashley não disse o restante em voz alta. Neste mundo, a única pessoa de quem ele aceitava qualquer palavra ou atitude com um sorriso era Koy. Com qualquer outra pessoa, Ashley jamais seria tolerante. Mesmo que essa pessoa fosse Ariel, a melhor amiga de Koy, alguém precioso para ele.
— N-não, não foi isso! Ela não chegou a falar desse jeito! É só que… bem… a Al…
Koy murmurou estas palavras e acabou se calando.
Então isso é ainda mais grave. Quer dizer que Koy chegou sozinho a essa conclusão.
Franzindo a testa, Ashley levou a mão ao queixo e começou a acariciá-lo lentamente, mergulhado em pensamentos
Quando foi que o meu Koy ficou tão esperto assim?
É claro que a culpada era Ariel. Naturalmente, Koy também pensa por si mesmo, então não acreditava cegamente em tudo o que os outros diziam. A única pessoa cujas palavras ele absorvia sem qualquer resistência, como uma esponja, era Ashley.
Ou pelo menos era isso que eu queria dizer.
Infelizmente, porém, havia mais uma pessoa.
Ariel.
Na época do ensino médio, Ashley chegou a namorar com ela por um tempo. Como seus relacionamentos anteriores, ela acabou sendo apenas mais uma entre suas ex-namoradas. O problema veio depois. Em um momento inoportunamente delicado, Ariel acabou encontrando Koy, e os dois se tornaram melhores amigos.
Se fossem apenas bons amigos, Ashley conseguiria conter o ciúme e aceitar a situação com certa generosidade. Mas não era tão simples assim. Ariel era inteligente e, como jornalista, tinha uma grande capacidade de compreender as pessoas e enxergar através delas.
Até então, Ashley sempre havia feito tudo exatamente do jeito que queria com Koy. Às vezes, Koy ficava confuso ou achava alguma coisa estranha, mas Ashley sempre conseguia contornar a situação com naturalidade. Claro, isso também era possível graças à confiança cega que Koy depositava nele.
Ashley adorava esse lado inocente de Koy e o achava extremamente fofo, mas…
— Aliás, tem uma coisa que eu queria perguntar.
Enquanto suava frio tentando escapar da situação desconfortável, Koy apressou-se em mudar de assunto.
— Hoje as crianças entraram aqui de novo, mas saíram quase na mesma hora. A reação delas foi diferente da de ontem. O que aconteceu? O que você fez?
Depois de questionar suas dúvidas todas de uma vez, Ashley respondeu apenas com um sorriso enigmático.
— Ash, anda, fala logo.
Ao ver aquela expressão, Koy ficou ainda mais impaciente e tornou a chamá-lo, insistindo por uma resposta enquanto balançava seu braço. Sem ter como resistir, Ashley finalmente respondeu:
— Só borrifei meus feromônios no closet.
— Hã?
Koy piscou, pego completamente de surpresa. Ashley continuou, como se aquilo não tivesse importância alguma:
— Fiz isso antes de sair para o trabalho. As crianças detestaram, não foi?
Diante da pergunta, Koy desviou o olhar e respondeu de forma hesitante.
— Ah… também não foi para tanto…
Surpreso com a reação, Koy voltou a olhar para Ashley.
Ele não estava incomodado?
Koy havia ficado preocupado que Ashley pudesse se sentir magoado por causa das crianças, mas ele parecia completamente tranquilo. Ao ver a expressão confusa de Koy, Ashley explicou calmamente:
— Alfas dominantes distinguem seus próprios feromônios dos de outras pessoas. As crianças também perceberam isso instintivamente e evitaram entrar.
— Ah…
Só então Koy entendeu. Observando a expressão de compreensão surgir em seu rosto, Ashley sorriu novamente.
— Viu? Isso já resolveu o problema, não foi?
Ashley estreitou os olhos. ‘Como esperado, as crianças foram atraídas pelos feromônios de Koy e fizeram aquela bagunça.’ Ele sabia que, como ainda eram pequenas, era apenas uma sensação de bem-estar ou relaxamento. Mas mesmo que não houvesse perigo, Ashley jamais toleraria.
Sim, é instinto. Reagir aos feromônios de um ômega faz parte da natureza deles.
Ashley estreitou os olhos enquanto pensava.
Como imaginava, as crianças haviam feito toda aquela bagunça porque estavam sendo atraídas pelos feromônios de Koy. Elas ainda eram pequenas, então ele sabia que isso se limitava a fazê-las se sentirem mais à vontade ou relaxadas. Mesmo assim, por mais inofensivo que fosse, Ashley jamais permitiria aquilo.
Como ousam se aproximar do meu Koy…
Os pais precisam ensinar aos filhos o que podem e o que não podem fazer. E aquilo era, sem dúvida, algo que não deveria ser feito.
Agora eles já aprenderam.
Pensando nisso, Ashley chamou:
— Koy.
— Sim?
Olhando para o único amor de sua vida, que respondeu prontamente, Ashley sorriu.
— Acho melhor você não se encontrar com a Al com tanta frequência.
— Hã? Por quê?
Com a mudança repentina de assunto, Koy ficou confuso. Ashley então explicou calmamente:
— Bem, a Al é jornalista, então vive ocupada. E ela também precisa sair com o Bill. Não seria bom tomar tanto do tempo dela.
— Ah… tá.
Mais uma vez, Koy assentiu sem desconfiar de nada.
— Não se preocupe, eu estou tomando cuidado. Aliás, já faz dois meses que não vejo a Al.
— É mesmo?
Ashley quase deixou escapar um “Que alívio”. O melhor advogado dos Estados Unidos, que por pouco havia escapado daquela crise, puxou naturalmente Koy pela cintura. Tomando o copo que Koy segurava com as duas mãos e colocando-o na mesa de cabeceira, Ashley voltou sua atenção para ele:
— Koy, é verdade que os meus gostos não são exatamente comuns. Mas você ainda me ama mesmo assim, não é?
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís