Capítulo 270 - Extra 44
Sugar Baby
— Que fofo, Chase! O que achou? Linda, né? Quer experimentar minhas roupas também?
Stacey estava animada, mas Chase pensava diferente. Ele arrancou o prendedor de cabelo da cabeça e o jogou no chão.
— Não quero roupa de menina. Não quero.
— Hm…
Stacey deu um tapa forte na bochecha de Chase. Surpreso, Koy correu e puxou Stacey para trás, mas Grayson se meteu na discussão.
— E o que tem demais nisso? É só vestir! O Daddy também não usa!
Koy engasgou automaticamente, tossindo de forma brusca. As crianças estavam concentradas se encarando que nem lhe deram atenção. Koy olhou alternadamente para Grayson e Stacey de um lado, e Chase do outro, e tentou falar, gaguejando:
— O-o que… como assim…
Grayson então respondeu, olhando para Koy:
— Já vi antes. Tinha tipo um “telhado” aqui…
Ele fez um gesto com a mão sobre o ombro, provavelmente se referindo a um uniforme de marinheiro. Lembrando-se da noite em que usara um cropped que mal cobria o peito e uma saia tão curta que quase não escondia as nádegas, Koy sentiu a visão escurecer.
— Você viu aquilo?
Ele murmurou, atônito. Grayson assentiu naturalmente.
— Sim. A gente veio ver o Daddy, mas o Papa disse pra não entrar. Disse que ele e o Daddy estavam ocupados e que era coisa só dos dois.
Então Stacey acrescentou, com naturalidade:
— Mas, Daddy, por que o Papa bate na sua bunda?
Com isso, Koy não aguentou mais e desabou sentado no chão. Sua mente ficou completamente em branco, não consegui pensar em mais nada. Ele achava que nada poderia ser mais vergonhoso do que quando o leite tinha começado a vazar do seu peito.
Mas havia um fundo do poço, ainda mais profundo. Koy começou a sentir medo de quantas situações humilhantes ainda o aguardavam no futuro.
— E-então vocês…
Koy tentou retomar o controle da situação com dificuldade.
— Não podem brincar aqui desse jeito. Eu já disse antes, isso aqui é coisa do Daddy, não podem mexer sem permissão…
— Por que o Daddy usa roupa de mulher?
Chase interrompeu de novo, com uma expressão claramente insatisfeita. Koy piscou, completamente pego de surpresa.
— Porque… porque…
“Porque o Papa é um pervertido que gosta de vestir o Daddy com isso.”
…isso ele nunca poderia dizer, de jeito nenhum. Koy começou a suar enquanto olhava ao redor desesperado, tentando achar uma resposta.
— …roupa não tem gênero.
Foi tudo o que conseguiu dizer. Os seis olhos o encararam, como se perguntassem “o que significa isso?”. Koy respirou fundo e continuou com dificuldade:
— Homens também podem usar saia, podem usar salto alto. As pessoas devem vestir o que quiserem. Não existe isso de “isso é de menina” ou “isso é de menino”.
Será que entenderam? Ele observou nervoso. Talvez fosse difícil para eles compreenderem…
— Ah, entendi.
Quando pensamentos negativos começaram a surgir, Stacey balançou a cabeça de repente. Será que ela entendeu mesmo? Koy sentiu o rosto relaxar por um instante. Stacey olhou para ele e disse:
— Então o Daddy gosta de usar roupa de mulher.
— Não… não é isso.
Ele ficou indeciso: deveria dizer primeiro que não existe esse negócio de “roupa de homem” ou “roupa de mulher”? Ou deveria corrigir que quem gostava dessas coisas não era ele, e sim o Papa? Sem conseguir escolher, Koy levou as duas mãos à cabeça. Enquanto isso, Stacey perdeu o interesse nele e voltou sua atenção para Chase.
— Ouviu? Então você também pode usar.
— Vamos para o quarto da Stacey!
— N-não! Eu não quero!
Grayson e Stacey começaram a puxar os braços de Chase, arrastando-o para fora do closet. Koy finalmente percebendo a situação, agarrou Chase.
— Não, não podem. O Chase não quer.
Ele interrompeu os gêmeos com firmeza. Puxado para perto de Koy, Chase finalmente pareceu aliviado e fez uma careta de alívio.
— Huuu…
— Está tudo bem, Chase. Não chore.
Koy o pegou no colo e acariciou suas costas enquanto ele soluçava. Então olhou para os gêmeos, que o encaravam insatisfeitos, e disse com calma:
— Não pode obrigar os outros a fazer o que querem. Primeiro vocês precisam pensar no que a outra pessoa precisa, certo? Foi o que o Daddy disse. Ajudar os outros.
Grayson assentiu. Stacey também respondeu:
— Eu sei.
Ao ver as crianças aceitando, Koy sorriu aliviado.
— Isso. Então tá resolvido. Agora vão brincar lá fora.
Ele colocou Chase no chão, que já havia parado de chorar, e a criança correu atrás dos gêmeos, saindo do quarto. Ao ouvir os passos das crianças correndo pelo corredor, Koy finalmente suspirou aliviado e começou a arrumar as roupas espalhadas. Embora tudo o que fizesse fosse juntá-las de qualquer jeito e enfiá-las de volta no baú…
‘Preciso tomar mais cuidado…’
Desde que as crianças nasceram, aqueles “momentos especiais” tinham diminuído um pouco — mas, em compensação, Ashley tinha ficado ainda mais insistente. Só de pensar na possibilidade de as crianças aparecerem em um momento crítico, Koy sentiu um arrepio na espinha. Decidiu que apenas prometer a si mesmo não era suficiente. Ele esperaria Ashley voltar e falar com ele seriamente.
— Preciso falar com você.
Assim que viu o rosto de Ashley ao chegar em casa, Koy declarou. Ashley o observou com uma expressão incomumente rígida. Quando entraram no quarto e ficaram a sós, Ashley finalmente falou:
— Fale.
Como se estivesse esperando aquilo, ele puxou Koy para um abraço e fixou o olhar nele. Koy respirou fundo uma vez antes de começar:
— As crianças entraram no closet.
Ashley não o interrompeu nem pediu explicações; apenas franziu as sobrancelhas, como quem perguntasse “e daí?”. Koy inspirou e expirou de novo, como se estivesse reunindo coragem, e finalmente confessou:
— Elas viram aquilo…
Sua voz ficou séria, quase solene, enquanto ele finalmente especificava o “objeto” da frase.
— As roupas… daquele tipo.
Ashley não disse nada. Até o momento, ele apenas escutava com uma expressão séria e atenta, então inclinou a cabeça para o lado. Koy, ansioso, esperava, e Ashley, com um rosto igualmente sério, abriu a boca:
— Pelo que me lembro, você também gostava.
— Quem?!
Koy explodiu, arregalando os olhos.
— Isso não é hora de brincar!
Ashley continuou, ignorando a indignação dele.
— Pense bem. Não tem como isso ser bom para a educação das crianças. Hoje elas ficaram mexendo em… nas minhas roupas e coisas assim. Como ainda são pequenas, talvez não entendam agora, mas quando crescerem e começarem a entender esse tipo de coisa…
Só de imaginar, Koy sentiu vontade de gritar. O rosto dele ficou vermelho, intenso como uma ameixa madura. Ashley observou aquilo e então perguntou, de repente:
— E por que as crianças entraram ali?
Koy piscou, pego de surpresa. Ele tentou se lembrar.
— Elas vieram por curiosidade, porque acharam minhas roupas interessantes… E disseram que já tinham visto aquela, aquela… a roupa de marinheiro que eu vesti outro dia…
A voz de Koy foi se enfraquecendo aos poucos por causa da vergonha. Ele não conseguiu terminar a frase e acabou fechando a boca. Diante daquela reação, Ashley deu um leve sorriso.
— É, isso aconteceu mesmo.
— Então a partir de agora precisamos tomar cuidado…
Assim que ouviu isso, Koy respondeu imediatamente. Mas Ashley, ainda com tranquilidade, beijou seus lábios. Os lábios que tocaram suavemente roçaram a pele e se afastaram. Ashley, ainda abraçando Koy, encostou a testa na dele.
— Tem uma solução.
A voz suave fez Koy sentir um certo alívio. Era estranho — Ashley não tinha feito nada concreto, mas aquela confiança implícita já deixava Koy mais tranquilo.
— Então… o que você vai fazer?
‘Será que ele vai dizer para não fazermos mais isso dentro da mansão?’
Isso também não seria ruim. De vez em quando, ir a um hotel para passar um tempo sozinhos seria uma boa ideia.
‘Assim, eu poderia me concentrar muito mais do que agora…’
Enquanto pensava nisso, meio envergonhado e até um pouco animado, Ashley sorriu.
— A partir de agora, não deixe as crianças entrarem no quarto.
— …
Koy congelou com o sorriso ainda no rosto. Ele apenas piscou os olhos, olhando para cima, enquanto Ashley simplesmente sorria de volta.
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís