Capítulo 166

⚝ Capítulo 166
Apenas o som da nossa respiração desregulada ecoava nos meus ouvidos. O rosto surpreso de Asgyle estava nitidamente visível na minha mente, mesmo que eu não pudesse enxergar. Eu dissera coisas que não deveria. Percebi isso imediatamente, mas não consegui me conter.
— More aqui comigo. — Desta vez, insisti com mais firmeza, colocando mais força nas palavras. — Somos só nós dois aqui. Temos o oásis e as árvores frutíferas, então tudo é possível. Eu posso fazer tapeçarias e, se as vendermos, conseguiremos nos sustentar. Nós não precisamos ser ricos, certo? Você gosta de mim, e nós dois viveríamos aqui… Sim?
— Yohan.
— Se for assim, eu esquecerei o Camar também.
Segurei os ombros dele, que estavam ao alcance das minhas mãos, e me apartei dele desesperadamente.
Aquela era a única coisa que eu realmente queria na vida. Viver sozinho com esse homem. Eu não queria mais nada. Se ele dissesse que aceitava, eu largaria tudo para trás para ficar com ele.
— Yohan.
Asgyle, que havia permanecido em silêncio por um longo tempo, finalmente abriu a boca com a voz misturada a um suspiro:
— Como estão os seus olhos?
— Isso não importa — respondi de imediato. Não haveria problema se eu ficasse cego para sempre, desde que este homem estivesse ao meu lado.
Asgyle calou-se novamente. Pareceu uma eternidade, mas eu esperei.
“Você está abalado? Deve ser por isso que não consegue responder de imediato, não é? Por favor, diga que sim…”
— …Por que logo agora? — ele murmurou, quase num monólogo interior. E então, Asgyle soltou um suspiro completamente desolado. — Eu adoraria isso, Yohan.
Antes que eu pudesse ouvir o que vinha a seguir, tentei apressadamente calar a boca dele. Mas, antes mesmo que minhas mãos tateassem seu rosto para encontrá-la, Asgyle disse:
— Se eu desistir de tudo agora, muitas pessoas que me seguem perderão a vida. Eu não posso abandoná-las.
— E eu? — As palavras saíram antes do esperado, seguidas por uma voz embargada pelo choro. — Eu posso ser descartado? Tudo bem se o senhor me deixar para trás?
— Yohan.
Quando finalmente caí no choro, Asgyle me abraçou na mesma hora. Havia um tom de amargura nele, mas eu não conseguia conter minhas lágrimas. Apesar de ser rejeitado e de reconhecer a realidade tantas vezes, eu ainda não havia desistido. Asgyle é o Príncipe Herdeiro; ele é um homem que não pode simplesmente morrer por mim. O Camar, que vivia apenas por mim, já havia desaparecido há muito tempo e, embora eu tivesse percebido isso em várias ocasiões, ainda assim não conseguia desapegar. Nem até agora, nunca. Talvez eu jamais tenha desistido do Camar.
— Yohan — Asgyle continuou a falar enquanto me abraçava em meio aos meus soluços. — Do que você está falando? Você se tornou o meu esposo, então por que eu abandonaria você?
Ele me confortou chamando meu nome repetidas vezes.
— Eu não vou deixar você. …Só não sei se você me deixará.
— Eu também não. — Neguei apressadamente. Senti que aquela era a minha última chance. Tinha que ser agora ou nunca. Apesar do meu coração desesperado, a resposta que veio foi diferente do que eu esperava.
— Mas a história será outra se o seu Camar voltar. Afinal, eu sou apenas uma cópia.
Insisti com firmeza diante daquela voz amargurada que ecoou:
— O senhor disse que agiria como o Camar.
Pude sentir Asgyle hesitar, mas continuei falando sem hesitação:
— Se fosse o Camar, ele teria aceitado imediatamente. Disso eu não duvido.
As lágrimas voltaram a escorrer e continuei a chorar e a soluçar.
— Yohan — Asgyle disse enquanto beijava meu rosto banhado de lágrimas. — A culpa é minha. Você tem razão, se eu fosse o Camar, deveria ter dito que aceitava.
Ele suspirou e me apertou fortemente contra o peito.
— …Eu também quero fazer isso. Se eu pudesse ir para qualquer lugar sozinho com você…
A voz de Asgyle sumiu, mas eu conseguia compreender mesmo sem ouvir o restante. Naquele momento do passado, você chegou a desafiar até mesmo Deus por mim.
“Eu me lembro bem.”
Mas agora, você não abriria mão de nada por mim.
— Foi aqui que eu conheci o Camar — confessei baixinho. Asgyle parou. Continuei falando: — Na primeira vez em que nos vimos, nós nos apaixonamos. E prometemos que morreríamos juntos.
— Yohan.
Ele abriu a boca para falar, mas eu não o interrompi.
— Então, acho que eu estava errado. …O senhor não é o Camar. — Pedi desculpas em tom baixo. — Me perdoe por ser teimoso sem necessidade.
— Yohan.
Asgyle chamou meu nome de novo e me abraçou.
— Tudo isso vai acabar logo. Espere só mais um pouco, tudo terá terminado enquanto você descansa após a cirurgia. Depois disso, você poderá ir para onde quiser.
Ele fez uma pausa.
— Por isso… — Ele falou com mais seriedade do que em qualquer outra ocasião em que o ouvi. — Não se esqueça do que acabei de dizer. Você prometeu esquecer o Camar e ser meu.
Asgyle me beijou e selou sua promessa:
— Quando tudo acabar, vá para onde seu coração desejar.
Abri a boca, mas a resposta demorou a sair. Demorou mais um pouco.
— …Obrigado.
Era difícil emitir qualquer som porque sentia minha garganta travada, mas isso não importava. Asgyle pressionou seus lábios contra os meus novamente, como se estivesse satisfeito com a resposta, e eu fechei os olhos. Apenas saber disso já era o bastante para mim.
“Ele não hesitou em responder nem por um segundo, não é?”
Fiquei pensando nisso. Se existia mesmo que o menor desejo de ir comigo, isso já me bastava.
— Ah…
Lembrei-me vagamente de ouvi-lo soltar um suspiro profundo enquanto se movia.
“Não teria sido porque você queria apenas me esquecer?”
Eu não posso ser de ajuda nenhuma para você, e não há nada que eu possa fazer por você a não ser estar ao seu lado.
O amor já havia terminado há muito tempo, mas eu ainda continuava parado no mesmo lugar, incapaz de me mover. Agora, havia chegado a hora de eu partir também.
— Eu gosto de você — Asgyle confessou entre os beijos. — Gostei de você desde a primeira vez que o vi.
— …Foi quando o guarda-costas me atropelou?
Relembrando vagamente as memórias assustadoras daquele dia, ouvi Asgyle soltar uma risada curta.
— Não. — Ele beijou minha testa e acrescentou: — Muito antes disso.
Como se meus pensamentos estivessem estampados em minha expressão, Asgyle murmurou com a voz amarga:
— Você provavelmente não se lembra.
— …Então, quando foi?
Quando perguntei novamente, ele respondeu em tom de provocação:
— Não estou com vontade de falar sobre isso.
Asgyle, que selava meus lábios a cada murmúrio que escapava espontaneamente de mim, acrescentou:
— Dentre todas as flores do mundo, você só guardou na cabeça a lembrança da flor que eu lhe dei.
Ele parecia ainda mais misterioso. Mas ele não parecia inclinado a falar mais nada, a menos que eu me lembrasse dele por conta própria.
— Ah…
Um suspiro excitado escapou de Asgyle, que lentamente entrava e saía de mim, acelerando o ritmo de forma gradual. Logo percebi que ele ia ejacular dentro de mim. E eu aceitei aquilo de bom grado.
***
Uma claridade difusa tremulava sob minha visão. Eu não sabia quanto tempo havia se passado. Nós nos beijávamos de tempos em tempos, nos abraçávamos e ríamos às vezes. Em alguns momentos, Asgyle distribuía beijos ou pequenas mordidas pelo meu corpo.
— Talvez um dia eu devore você inteiro.
Ele apertou meu ombro novamente e, logo em seguida, soltou-me para me abraçar com força, soltando um suspiro. Eu tinha pensamentos parecidos, então não o culpei por isso. Apenas me lembrei de que seria melhor ele me devorar quando eu ganhasse um pouco mais de peso.
Havia se passado muito tempo desde que finalmente conseguimos nos separar. Asgyle só se retirou de dentro de mim depois que eu estava completamente exausto e incapaz de reagir.
— Uh…
Um gemido escapou do meu ventre quando senti como se meu interior estivesse desabando.
Asgyle, que havia ficado em silêncio por um momento, totalmente esgotado, abriu a boca:
— Eu deveria ter segurado um pouco mais.
Enquanto ele resmungava, percebi que ele estava olhando para a minha virilha. Pude sentir algo escorrendo, mas quando me dei conta de que era o sêmen que preenchia meu ventre, senti uma vergonha terrível.
— O senhor também exagerou… Ainda tem tanto líquido aqui dentro…
Assim que sussurrei a verdade em voz baixa, uma mão grande tocou meu ventre. Estremeci de surpresa, e ele acariciou minha barriga de forma gentil, dizendo com um sorriso suave:
— Sim, acho que sim.
Meu rosto esquentou, mas eu não tinha forças para esconder meu corpo ou ao menos cobrir o rosto. Asgyle beijou meus olhos que estavam fortemente fechados e se levantou sem hesitação.
— O que você quer comer? Nós não comemos nada desde ontem.
O que ele disse era verdade, mas eu não sentia fome nenhuma. Asgyle percebeu o sinal de que eu não queria levantar e, após um tempo para se recompor, ele pegou delicadamente a minha mão e a colocou sobre o ventre que estivera acariciando. Ao sentir meu estômago mais estufado do que o normal, meu corpo inteiro parecia prestes a queimar.
“Será que vou mesmo engravidar? Se houver um menino aqui dentro…”
Pensei vagamente no que estava por vir e balancei a cabeça. Ainda havia tempo.
Por enquanto, eu deveria focar apenas na felicidade do agora.
…Porque nunca mais haveria outra oportunidade como esta.
Quando Asgyle retornou depois de um tempo, eu ainda estava deitado na mesma posição. Seguindo minhas instruções, ele pegou os ingredientes deixados por seus subordinados, cozinhou o arroz, regou com azeite de oliva e sal, fritou-o e movimentou-se pela cozinha à sua maneira.
— Tem certeza de que não quer ajuda? O senhor nunca fez nada parecido antes.
Quando perguntei em tom penalizado, Asgyle respondeu com indiferença:
— Quando eu estudava na Inglaterra, costumava preparar coisas simples para comer. Basicamente pão e ovos.
Ainda assim, talvez por não estar habituado a uma cozinha tão antiga, ele ocasionalmente soltava alguns xingamentos ou exclamava frustrado. De qualquer forma, Asgyle cumpriu sua missão e eu comi alegremente o prato que ele preparou.
Depois de comer, eu quis lavar o meu corpo, mas Asgyle objetou:
— Você deveria ficar de repouso por hoje.
— No entanto…
Hesitei porque estava suado e me lembrei de que não lavava o rosto desde o dia anterior, mas de repente ouvi o som de Asgyle se afastando. Depois de um tempo, ele voltou e falou:
— Eu limpo você.
Asgyle, que havia me avisado com antecedência, começou a passar uma toalha úmida pelos meus braços. Mesmo tendo tomado a iniciativa, ele interrompeu o movimento quando me sobressaltei com a sensação fria.
— Está frio demais? Tudo bem?
— Tudo bem, tudo bem. Só… Fiquei surpreso.
Diante das minhas palavras, Asgyle moveu a mão lentamente. Como se estivesse esperando que eu me acostumasse. Ele limpou cada uma das articulações dos meus dedos, esfregou meu braço e higienizou minuciosamente meu pescoço, minhas costas e meu peito. Segurei o fôlego diante daquela situação inacreditável e apenas pisquei.
Mas o que foi ainda mais surpreendente aconteceu a seguir. Ele limpou minhas coxas e depois desceu as mãos até os meus pés.
— …!
Enquanto eu encolhia as pernas e prendia a respiração, Asgyle perguntou imediatamente:
— Está com cócegas?
É claro que ele estava certo, mas o que me surpreendeu foi o fato de ele estar limpando os pés de outra pessoa. Meus olhos se arregalaram diante daquele fato inacreditável, e Asgyle riu como se compreendesse o meu espanto de imediato.
— Pois é, até ontem eu jamais imaginaria que chegaria o dia em que eu lavaria os pés de alguém.
E não parou por aí. Pisquei constrangido quando, de repente, Asgyle depositou um beijo no peito do meu pé. Ele sussurrou para mim, que estava tão chocado que havia esquecido até de respirar:
— …Por que existem tantas cicatrizes em um pé tão pequeno?
Eu não tinha o que responder diante daquela voz carregada de melancolia. Apenas tentando decidir o que fazer, senti-o segurar meu pé com uma das mãos e começar a limpá-lo minuciosamente com a toalha na outra. Sempre que ele fazia cócegas nos meus dedos, eu acabava rindo, mas, ao mesmo tempo, era um toque tão calmo e delicado que transmitia uma sensação de reverência. Por um instante, o único som no quarto era o dele ocasionalmente molhando a toalha com a água trazida do oásis. Prendi a respiração, sentindo o calor de sua mão grande.
Finalmente, ele limpou o último dedo e ergueu meus pés com ambas as mãos.
Esperei por um momento sem sentir nenhum movimento, até que lábios macios tocaram o peito do meu pé. Por algum motivo, meu coração doeu e fechei os olhos. Não havia vento soprando. Era como se nós dois tivéssemos sido deixados completamente sozinhos neste mundo.
***
— Já que o senhor me pediu, agora quero que me conte.
Conforme a noite caía, abri a boca entre os beijos. Asgyle, que estava me abraçando novamente e acariciando meu corpo por inteiro, parou a mão. Isso aconteceu antes mesmo que o fluido que ele acabara de derramar em meu interior esfriasse.
— Por que Sua Majestade, o Rei, odeia tanto o senhor…?
Ele ficou em silêncio por um bom tempo. Nem sequer me tocava. Esperei por ele no mais absoluto silêncio, que não demonstrava a menor reação, como se estivesse congelado. E só depois de sentir que muito tempo havia se passado, Asgyle abriu a boca. Com a voz tensa.
— Quem me deu à luz…
Depois de respirar fundo, ele confessou:
— …Era um ômega.
A voz de Asgyle tremeu ligeiramente.
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↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Jør&Faby