Capítulo 04
Capítulo 04.1
Quando abri os olhos, vi o teto pairando diretamente acima de mim. Foi então que percebi que havia desabado no chão.
Mas isso era tudo. Eu não conseguia sequer suportar a ideia de pensar em qualquer outra coisa. Tudo o que eu podia fazer era deitar ali, inspirando e expirando. Na periferia embaçada da minha visão, eu conseguia ver vultos refletidos ao meu redor. Aglomerados confusos de corpos.
O caos.
Pessoas se esfregando, gemendo e gritando de prazer, uma completa e profana sem-vergonhice. Vários alfas cercavam um único ômega enquanto o fodiam e enfiavam seus paus por todo o corpo dele. Algumas garotas se amontoavam ao redor de outro alfa, lambendo-o e beijando-o por inteiro. Alguns alfas e ômegas estavam emaranhados, massageando e chupando os paus uns dos outros, batendo-se uns contra os outros.
Tudo. Todas aquelas cenas estavam em exibição flagrante. Finalmente, compreendi o verdadeiro propósito daquela festa.
Uma orgia de alfas dominantes.
Aquele era um lugar onde eles podiam liberar livremente seus feromônios e se corromper até atingirem o fundo do poço.
Através dos meus olhos turvos, vi um homem bebendo direto de uma garrafa de champanhe. Ele era um dos alfas dominantes convidados e estava completamente nu, assim como todos os outros. Em cima, ele engolia o champanhe; embaixo, segurava um punhado do cabelo de um ômega, alimentando-o com seu pau. O ômega parecia completamente dominado, totalmente chapado de feromônios.
O que restava da minha mente consciente sentiu ânsia de vômito diante daquela cena. O que aquele alfa estava fazendo o ômega engolir? Só de imaginar já era uma tortura. O pomo de adão do ômega subia e descia, sugando com força, engolindo a ereção de seu alfa. Eu não consegui suportar mais e fechei os olhos em uma tentativa fútil de afastá-los. Era tudo o que eu podia fazer, mas mudou muito pouco a minha situação.
No entanto, as coisas pioraram. Por entre as pálpebras pesadas, vi o alfa que estava bebendo champanhe virar a cabeça. Ele tinha me notado. Então, ele disse algo. Ou talvez não tenha dito? Tudo o que eu conseguia fazer era piscar lentamente. Tudo parecia confuso e a única coisa de que eu tinha certeza era que a situação estava ficando sombria.
Reuni todas as minhas forças para me apoiar. Ele estava caminhando em minha direção agora, mas não tinha pressa, e com razão. Quem me visse agora não veria necessidade de pressa.
Incapaz de ficar de pé, arrastei-me desajeitadamente sentado no chão. Eu precisava voltar para o elevador. Estiquei o braço para trás e tateei a parede, tentando desesperadamente apertar o botão de que precisava para me tirar dali, mas fui capturado pelo olhar daquele homem e, consequentemente, roubado de qualquer movimento.
Eu estava sufocando com os feromônios dos alfas dominantes. Mesmo em meio à névoa, porém, dava para entender por que todos escolheram a piscina do subsolo como o ponto principal. Era uma área grande, mas fechada, de modo que os feromônios que eles borrifavam por ali ficavam confinados, livres para enlouquecer seus ômegas. Inúmeros ômegas podiam ser vistos rastejando pelo chão e se esfregando em todos os lugares, bêbados com o aroma poderoso que os cercava. Se eu não tivesse tomado meus remédios com antecedência, teria terminado da mesma forma.
Eu não podia relaxar. De alguma forma, conseguia manter um controle tênue sobre a minha sanidade, mas não sabia quando ela falharia. Meu limite estava se aproximando rapidamente e todos os meus instintos me alertavam sobre esse fato antes que o meu lado lógico pudesse acompanhar.
Percebendo tarde demais que minha consciência estava escapando, hipnotizado como estava pelo olhar do alfa, assustei-me. Não era hora de ficar divagando daquele jeito. Eu tinha que acordar! Agitando as mãos de forma frenética e desordenada — sobrecarregadas pelo cansaço do meu corpo —, localizei o botão de chamada do elevador mais uma vez, sentindo a textura dele na ponta dos dedos. Apliquei força e, felizmente, ele cedeu. A princípio, pensei ter sentido as vibrações leves que indicavam que o elevador estava funcionando, mas enquanto eu lutava para conseguir fazer ao menos isso, o alfa já havia se aproximado.
Sem tirar os olhos dele, apoiei-me na parede e me levantei. Eu sabia que ele me alcançaria no momento em que eu desviasse o olhar e, como uma presa deixada aos pés de seu predador, mantive meu foco nele e me endireitei.
Ele estendeu a mão para mim. Em seguida, agarrou meu ombro, e um calafrio percorreu meu corpo. Meus olhos pesados se abriram com a sensação e arquejei, arfando, lutando para controlar minha respiração rápida. Ele estreitou os olhos, inspecionando-me.
– Secretário do Keith, certo? – perguntou ele. Sua voz ecoou em meus ouvidos como se tivéssemos sido jogados em uma caverna cavernosa. Meus tímpanos deviam estar falhando; esforcei-me para fingir uma compostura inabalável.
– Sim – respondi. – Deseja alguma coisa? – Minha voz parecia distante, como se não fosse real. Estranho, pensei. Irreal. Tentei o meu melhor para manter um sorriso.
Em vez de me responder, ele baixou a cabeça, enterrando o nariz no meu pescoço. Pude ouvir quando ele inspirou, sua pele fria roçando na minha e enviando arrepios pela minha espinha. Quando ele falou em seguida, foi um sussurro no meu ouvido. – Você é um ômega, não é?
Ele apertou o aperto em meu ombro e eu desabei no chão. Percebi o baque da minha queda, mas ele ecoou distante, desconectado de mim como a dor que eu deveria ter sentido. Quando pisquei turvo e olhei para cima, dei de cara com a ereção exposta dele.
Então, a voz de outro homem ressoou.
– O que você está fazendo aí? – perguntou ele. Mais um convidado dominante nu. Meu Deus, isso não era bom. Eles estavam se reunindo ao meu redor agora, um após o outro. Nada bom. Nada bom.
– Então é verdade. O secretário do Keith é mesmo um ômega – proclamou alguém em tom de deboche. Outra voz interveio: – Ele é o que estava parado na entrada mais cedo. Esse é o cara dos boatos?
– Aquele desgraçado do Keith. Ele devia estar mentindo quando dizia que não transava com homens, sendo ômega ou não.
Eles riram abafado.
– Com certeza – continuou um alfa. – Olhe para a cara desse filho da puta. Tem cara de vadia escrita por toda parte.
Um sobressalto percorreu meu corpo. Meus medos estavam prestes a se tornar realidade, mas os homens continuavam a tagarelar entre si, observando-me tentar escapar inutilmente.
– Ele realmente me deixou meio excitado quando o vi lá na entrada.
– Se ele está aqui, então ele quer um pouco.
– Será que tem problema? – perguntou alguém, sendo o primeiro a demonstrar um indício do que poderia ser preocupação. – Ele não é o buraquinho particular do Keith ou algo assim?
Uma alegação de desdém seguiu-se logo depois.
– O Keith trouxe uma garota com ele esta noite – disse. – Ele sempre veio com aquela ladainha de não transar com homens, não é? Ele não pode falar porra nenhuma para nós.
Senti-me escorregar cada vez mais, minha força de vontade fraquejando à medida que os feromônios e o medo rastejavam em seu lugar. Escapar era o único pensamento na minha mente. Eu tinha que pensar em algo. Ainda no chão, comecei a rastejar. Por que o elevador ainda não havia chegado? Mesmo que chegasse, eu seria capaz de fugir?
Será que eu conseguiria resistir aos feromônios deles até o fim?
Continuei tentando rastejar para longe, mas assim que aquela ponta de dúvida surgiu no canto da minha mente, alguém me agarrou pelo colarinho e me arremessou pelo quarto. Eu não consegui sequer gritar. O ar foi arrancado dos meus pulmões quando bati contra a parede, desabando de volta no chão.
Tossi por reflexo, engasgando violentamente. Meu corpo inteiro entrou em convulsão. Diante de mim, alguém zombou.
– Onde você pensa que vai? – disse ele. – Seja um bom menino e espere. Eu vou decidir quem vai ser o primeiro.
– Você está brincando, certo? – alguém objetou imediatamente. – Nós vamos revezar nele? O que o resto de nós deve fazer enquanto espera?
– Qual é, não dá para todo mundo foder ele ao mesmo tempo.
– Por que não? – um dos alfas riu. – Eu já fiz um ômega aguentar três de nós de uma vez só antes.
– Uau.
– Isso é possível? Eu já tentei dois, mas…
Enquanto começavam a murmurar entre si, surpresos, o cara que havia falado se autoafirmou com orgulho mais uma vez.
– Ei, se dá para enfiar um braço ali – disse ele –, por que não três paus?
– Isso é meio nojento. Parabéns para esse ômega que aguentou vocês. Respeito.
– Você quem diz. Mas ele está morto agora.
Diante disso, todos caíram na gargalhada, como se aquela notícia fosse a piada mais engraçada do mundo. Meu Deus, eles eram insanos. Cada um deles. Seus cérebros deviam estar fodidos pelos próprios feromônios, porque, de outra forma, como podiam sentir prazer em participar de uma conversa como aquela? Eles eram descontraídos demais, como se estivessem falando sobre o clima ou algo assim.
– De qualquer forma – continuou um deles –, ele é o secretário do Keith. Matá-lo seria um problema, então tentem ter moderação. Que tal tentarmos colocar dois na bunda dele e um na boca?
– Nada mal.
Uma voz impaciente cortou o bate-papo descontraído.
– O que é isso, uma porra de uma reunião da ONU? Não me importa se vocês vão revezar; eu vou começar.
A essa altura, tudo o que eu havia conseguido fazer foi ficar de pé. Assisti aterrorizado enquanto um homem nu caminhava em minha direção, a conversa deles flutuando de forma vertiginosa pela minha cabeça. Tinha sido horrível o suficiente para que eu descobrisse novas reservas de força que não sabia que tinha. Apesar de falarem em “moderação”, eu sabia que morreria se não fizesse nada, e mesmo que não morresse, chegaria brutalmente perto disso. Eu não queria terminar daquele jeito.
– Opa, onde você vai? – alguém gritou, com um tom divertido, porém sinistro, na voz. Ele estava zombando de mim enquanto eu tropeçava pateticamente em direção a uma fuga. Risadas ecoaram da multidão, mas ninguém fez nada para me parar, optando, em vez disso, por assobiar e me provocar. – Cuidado, você vai cair.
– O que está esperando, Ken? – Ken devia ser o cara que vinha atrás de mim. – Vai fundo.
– Fuja. Vamos! Vá! Corra!
As zombarias e os aplausos bagunçaram a minha cabeça. Eu era simplesmente uma fonte de diversão para eles, mas estava desesperado. Então, olhei para o lado por acaso e presenciei outro grupo de alfas espancando seu ômega até deixá-lo ensanguentado enquanto se forçavam sobre ele. O terror disparou através de mim em ondas vívidas.
Quando finalmente cheguei ao elevador, estiquei o braço o mais longe que pude, esmurrando o botão de chamada. A exibição dos números mudando acima das portas me dizia que ele chegaria logo, então eu só precisava aguentar mais um pouco. Só mais um pouco…
Então, dei um grito — alguém de repente me puxou pelos cabelos, jogando-me no chão. Ele puxou meu paletó para baixo e rasgou minha camisa, o som nítido e estridente. Não tive um segundo para me cobrir ou resistir; uma multidão de mãos se estendeu para mim de uma vez, prendendo meus braços e cobrindo minha boca. Usei minhas pernas para me debater com todas as minhas forças, mas meus esforços foram inúteis. Eles me empurraram de todas as direções e me prenderam no chão.
Cobriram minha boca com tanta força que eu não conseguia sequer gemer. Em vez disso, fui forçado a inspirar o ar com dificuldade pelo nariz. Cada vez que eu inspirava, o aroma sufocante de seus feromônios invadia meu corpo, cru e sem filtros.
Bastava isso? Apenas me pressionando para baixo e me banhando com seu coquetel pessoal de substâncias químicas, perdi toda a esperança de revidar. O pouco de clareza que eu havia conseguido manter evaporou, minha visão turvou. Meu corpo cedeu, os músculos dos membros falharam e, logo em seguida, eles não precisavam mais me segurar.
Deitado ali com os membros caídos sem vida ao meu redor, olhei vagamente para os homens que me cercavam. Alguém tirou minhas calças. Eu estava nu. A percepção me atingiu apenas de forma vaga.
Senti tanto frio.
Então, alguém me puxou para cima pelo cabelo novamente. Percebi a sensação de tensão do meu couro cabeludo esticando, mas todo o resto estava ficando rapidamente dormente. Ele me posicionou de quatro como um cachorro e trouxe algo — o seu pau — até a minha boca. Só percebi o que era depois que ele tocou meus lábios e tentei desviar o rosto após o gosto amargo e nojento que ele deixou na ponta da minha língua. Como ele estava com o punho fechado no meu cabelo, porém, tudo o que consegui fazer foi balançar a cabeça fracamente com os lábios bem fechados.
– Filho da puta – praguejou o homem. Ken, provavelmente. Não conseguindo se forçar para dentro da minha boca, ele me deu um tapa na cara, sem remorso. A ardência fez com que um flash de clareza retornasse a mim.
Ele empurrou o membro para a frente com força suficiente para que eu não tivesse escolha a não ser abrir a boca. Imediatamente, ele entrou com tudo, atingindo o fundo da minha garganta.
– Mm—mmph!
Uma onda violenta de náusea percorreu meu corpo, mas eu não conseguia expelir nada. Tentei cuspi-lo ou empurrá-lo, mas meus esforços só serviram para estimulá-lo ainda mais, e ele soltou um gemido profundo.
Atrás de mim, alguém agarrou minha cintura, fazendo-me sobressaltar. Assustado, por reflexo, mordi com força e afundei meus dentes na carne de Ken.
– Ngh! Agh!
Um grito pavoroso ecoou pelo subsolo. A atmosfera se transformou de repente. As pessoas começaram a entrar em pânico e a xingar, uma confusão se formando ao nosso redor.
Meus instintos se acenderam; aquela era a minha chance. Mordi com ainda mais força e me recusei a soltar. Um calor passou por meus lábios e escorreu pelo meu queixo.
Não parecia sêmen.
– Pare! Pare com isso, Yeonwoo! – alguém gritou, correndo para me puxar. – Eu disse para parar! Você vai arrancar fora — puta que pariu! Ken!
Quando finalmente conseguiram fazer com que eu o soltasse, Ken estava inconsciente, com toda a sua metade do pau encharcada de vermelho de sangue.
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↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Jør