₊ Capítulo 44.2
𓂃˖˳·₊˚.𔓎 Capítulo 44.2: A Vista Dentro da Moldura ⋆⁺₊
Tan Zaozao e Lin Qiushi ambos sorriram sem graça diante disso. Eles simplesmente não tinham a mesma mentalidade de Ruan Nanzhu. Junto com aquelas criaturas infernais, eles tinham que se precaver de companheiros de equipe que poderiam traí-los a qualquer momento. Momentos como esses eram honestamente desagradáveis, se não absolutamente horríveis; na verdade, a maioria das pessoas nem conseguiria achar alegria naquela situação, muito menos rir do que haviam acabado de sofrer.
A pintura de Yang Meishu havia sido encontrada, mas ninguém imaginaria que aquela pintura distorcida era a bela jovem de antes.
Três mortes haviam sido confirmadas naquele momento: Xiao Su, Yang Jie e Yang Meishu. Ninguém sabia quantos mais morreriam antes de encontrarem a chave.
A senhora ainda estava pintando, mas agora ela tinha dois rostos novos para acrescentar à sua própria versão inacabada de A Última Ceia.
— Tu, sobre a ponte, admiras a paisagem; de cima, outro olhar te toma por imagem. A lua clara adorna a tua janela em cheio, enquanto tu adornas o sonho alheio. — Ruan Nanzhu segurava o bilhete que originalmente pertencia a Yang Meishu. — Nós nos tornamos parte da paisagem que estávamos admirando, e a observadora que nos contempla do alto é a senhora. O que eu não entendo é porque a dica de Yang Meishu é mais detalhada que a nossa…
Ruan Nanzhu franziu as sobrancelhas, parecendo ter algumas reservas sobre aquele assunto.
— Quem sabe. — Tan Zaozao respondeu. — Será que a natureza das portas em que ela entrou é relativamente mais alta em nível?
Ninguém sabia do que a declaração de Tan Zaozao lembrou Ruan Nanzhu, mas ele permaneceu em silêncio por um bom tempo, antes de finalmente proferir:
— Pode ser que a maneira como ela deixou esses mundos de porta tenha sido bastante… peculiar.
— O que você quer dizer? — Tan Zaozao ficou perplexa. — Existem outros métodos para deixar esses mundos de porta?
— Quem sabe — respondeu Ruan Nanzhu.
Era razoável dizer que, uma vez identificadas as condições de morte, eles naturalmente evitariam quaisquer riscos até encontrarem a chave. Infelizmente, as coisas não eram tão simples assim. No terceiro dia após a morte de Yang Meishu, Lin Qiushi se deparou com o infortúnio, mais uma vez.
Ele tinha acabado de jantar e saiu da área para usar o banheiro no fim do corredor. Mas, ao sair do banheiro, sentiu que algo estava errado.
Havia algo inexplicavelmente estranho no corredor familiar diante de seus olhos.
Ele não conseguia explicar exatamente em palavras, nem conseguia identificar aquela estranha fonte de incongruência. Não havia nada particularmente anormal na vista diante de Lin Qiushi, mas uma suspeita assombrosa continuava cutucando o fundo de sua mente, alertando-o de que algo estava errado com o corredor.
Seus passos hesitantes revelavam seus pensamentos conflitantes sobre avançar ou não.
O corredor estava longo como sempre. O brilho fraco das lamparinas a óleo tremeluzia na escuridão. Centenas de quadros emoldurados pendiam de ambas as paredes daquele corredor sem fim, mas ele não conseguia distinguir suas imagens.
Lin Qiushi ouviu o tamborilar suave da chuva ecoando do lavabo atrás dele, o ritmo constante de seus pingos dando origem a uma sensação de inquietação e angústia.
Lin Qiushi deu alguns passos tateantes à frente e parou completamente no meio do corredor.
O tapete sob ele era macio. As paredes ao seu redor eram lisas. As molduras estavam molhadas…
Espere um segundo, as molduras estavam molhadas? Lin Qiushi congelou por uma fração de segundo, antes de girar abruptamente para dar outra olhada nas paredes. Contas de água haviam começado a escorrer das pinturas penduradas nas paredes; as gotas pesadas fluíam como riachos rasos, escorrendo pelas paredes e encharcando gradualmente o tapete macio.
Antes que percebesse, uma figura escura emergiu das profundezas do corredor sombrio. O formato da figura era familiar demais. Mesmo tendo apenas uma visão das costas da outra, Lin Qiushi reconheceu claramente que era a senhora daquele castelo — A Mulher da Chuva.
— Lin Qiushi. — A voz gentil de Ruan Nanzhu o chamou, como o sussurro suave da brisa.
Lin Qiushi virou a cabeça bruscamente, tentando seguir aquele sussurro tênue, apenas para ver a pintura na parede à sua direita se deformar num retrato de Xiao Su; mesmo como pintura, a garota estava adorável como sempre. Ela chamou Lin Qiushi com um sorriso radiante:
— Yu Linlin.
Arrepios penetrantes percorreram a espinha de Lin Qiushi.
— Yu Linlin. Venha se juntar a mim. — O retrato de Xiao Su arrulhou. — Estou solitária. É tão entediante ficar aqui sozinha.
Enquanto dizia isso, seus braços se estenderam de dentro da pintura numa tentativa de capturar Lin Qiushi.
Assustado com a visão, Lin Qiushi recuou alguns passos por reflexo.
No entanto, os braços de Xiao Su eram como serpentes retorcidas, crescendo cada vez mais e deslizando tortos em direção a Lin Qiushi.
Lin Qiushi se virou para correr de volta ao lavabo, mas inúmeros braços contorcidos logo se estenderam dos retratos ao redor, enrolando-se em seu corpo e envolvendo seus pés, amarrando-o lentamente.
— Ruan Nanzhu… — Lin Qiushi desejava desesperadamente se libertar de suas garras tenazes, mas o corredor era estreito demais, deixando-o com pouquíssimo espaço para manobrar. Suas pernas foram capturadas pelas coisas nas pinturas, e ele foi arrastado à força para fora do banheiro.
Em algum momento, a mulher de preto veio parar diante de Lin Qiushi.
Ela olhou para Lin Qiushi com olhos frios, sua figura imponente lançando uma sombra agourenta sobre o corpo caído de Lin Qiushi.
Lin Qiushi lutou para erguer a cabeça e encontrou o olhar vazio da mulher.
A mulher não falou. Ela simplesmente pairou sobre Lin Qiushi, encarando sem piscar o outro com seus olhos negros e sinistros. Ela então se inclinou para a frente, aproximando-se ainda mais do outro até estarem a um fino sopro de distância um do outro. Lin Qiushi podia sentir o cheiro acre de tinta pairando em seu corpo.
Lin Qiushi estava paralisado no lugar, como um sapo vulnerável na presença de uma serpente venenosa.
A mulher estendeu lentamente uma mão esquelética e agarrou o pulso de Lin Qiushi, erguendo-o facilmente no ar. Sua força era ultrajante. Alguém como Lin Qiushi, que tinha 180 centímetros de altura, não passava de uma galinha indefesa pronta para o abate. Lin Qiushi estava absolutamente impotente contra suas garras; era como se o aperto firme em volta de seu pulso estivesse drenando sua força.
Pegando-o casualmente como se pega um objeto caído, a mulher então subiu pisando duro até o topo do castelo.
Reunindo todo o seu poder, Lin Qiushi começou a lutar contra ela, mas em vão. Diante da força monstruosa da mulher, Lin Qiushi era como um menino fraco de seis anos, simplesmente incapaz de resistir. Ele foi arrastado escada acima pela mulher, e levado em direção ao topo do prédio.
Eu vai morrer! Eu vai morrer! Era a primeira vez em muito tempo que Lin Qiushi sentia vividamente a iminência da morte. Uma premonição agourenta o dominou, apunhalando violentamente suas entranhas e devorando sua mente. Ele simplesmente sabia que estava se aproximando gradualmente da soleira da Morte. E no momento em que chegassem ao topo daquele castelo, estaria acabado para ele! Ele morreria!
— Foda-se!!! — Cuspindo uma sequência de obscenidades vulgares, Lin Qiushi agarrou firmemente o corrimão perto da escada. Ele não conseguia entender como havia sido subitamente puxado para o mundo da pintura. Segundo as palavras de Ruan Nanzhu, desde que sua figura não fosse capturada na moldura, ele deveria ficar bem… a menos que… houvesse outras molduras que eles não tivessem encontrado?
O corrimão estava escorregadio de água, e o aperto de Lin Qiushi estava fraquejando. A mulher nem piscou diante de sua luta implacável pela sobrevivência. Usando a mesma expressão inexpressiva no rosto, ela puxou com mais força, exercendo maior pressão contra sua resistência fútil.
Não conseguindo mais aguentar contra ela, o aperto de Lin Qiushi escorregou, e a mulher continuou a arrastá-lo escada acima, como se nada tivesse acontecido.
Parece que acabou. Lin Qiushi sorriu amargamente em seu coração.
No entanto, justo quando havia se resignado ao seu destino desgraçado, Lin Qiushi registrou o ruído agudo de vidro quebrando. Logo em seguida, a vista diante dele começou a se despedaçar e fragmentar em pedacinhos, o ar se distorcendo e a imagem da mulher também se embaçando.
— Lin Qiushi… — A voz de Tan Zaozao gritou desesperadamente por ele. — Volte para a gente…
— Lin Qiushi! — Ruan Nanzhu também gritava seu nome.
Lin Qiushi lutou para abrir os olhos, mas era como se seus olhos estivessem colados; ele simplesmente não conseguia.
Por fim, o som nítido de vidro estilhaçando ficou mais claro, cada vez mais distinto. Uma luz brilhante atravessou a pele fina de suas pálpebras, perfurando suas retinas. Com grande dificuldade, Lin Qiushi conseguiu abrir os olhos, apenas para ser recebido pela visão de uma Tan Zaozao assustada e de um Ruan Nanzhu de cenho franzido.
— O que aconteceu comigo? — Lin Qiushi gemeu com voz rouca.
— Você quase morreu… — A voz de Tan Zaozao tremia de medo. — Se o Ruan Nanzhu não tivesse percebido a tempo…
Lin Qiushi ergueu levemente a cabeça, apenas para se encontrar deitado no chão do banheiro, cacos de um espelho quebrado espalhados ao seu lado.
— Ela parece ter me capturado dentro do mundo da pintura. — Atordoado, Lin Qiushi ainda não conseguia compreender a situação. — Mas eu pensei que não houvesse mais molduras?
Yang Meishu morreu, então não deveria haver mais molduras, e ainda assim isso aconteceu com ele…
— Como é que uma pintora não teria mais molduras? As molduras que Yang Meishu usou foram, em última instância, fornecidas por ela. — Ruan Nanzhu respondeu impotente. — Eu pensei que isso fosse senso comum…
Lin Qiushi: …
Você tem razão, isso é senso comum. Desculpe por isso. É bastante difícil para alguém com o QI dele sobreviver nesses mundos de porta.
Tan Zaozao chorava baixinho ao seu lado.
— Eu não culpo você, porém. — Ruan Nanzhu o tranquilizou. — Quem esperaria que fosse arranjado de forma tão engenhosa.
Ele apontou para o espelho quebrado à sua frente.
— Dê uma olhada.
Quando ergueu a cabeça, Lin Qiushi viu uma moldura preta meticulosamente escondida sob o espelho estilhaçado. O espelho acabou sendo um vidro de dupla face, então qualquer um que olhasse no espelho seria, inevitavelmente, emoldurado pelo objeto.
O rosto de Lin Qiushi se contorceu numa careta:
— É só este, ou todos os espelhos…
Ruan Nanzhu deu de ombros:
— Este é o castelo dela. O que você acha?
Lin Qiushi:
— Então Yang Meishu praticamente desperdiçou o tempo dela fazendo mais do que o necessário…
Ruan Nanzhu:
— Não foi só Yang Meishu que desperdiçou o tempo dela com ações tão supérfluas; até eu desperdicei.
Ele então perguntou:
— Então, o que você fez lá dentro? Como você entrou na pintura?
Lin Qiushi:
— Eu só caminhei pelo corredor um pouco…
Ruan Nanzhu:
— Fique parado e não saia do lugar da próxima vez que algo assim acontecer.
Lin Qiushi enterrou a cabeça nas mãos e soltou um suspiro profundo. Ele honestamente sentia que tentar evitar perigos tão inevitáveis era fútil. De repente, se lembrou de algo:
— Como você descobriu onde eu estava? Como eu consegui ser resgatado mesmo depois de ficar preso dentro da moldura?
Ruan Nanzhu não respondeu imediatamente às suas perguntas. Ele simplesmente estendeu a mão e beliscou afetuosamente o lóbulo da orelha de Lin Qiushi:
— Destino.
A compreensão atingiu Lin Qiushi. Só então lhe ocorreu que o brinco de rubi que Ruan Nanzhu lhe dera desempenhara um papel enorme naquilo.
— O que a gente faz agora? — Tan Zaozao estava perdida. — Considerando que pode haver molduras atrás de cada espelho, isso não significaria que todos nós seremos alvos e acabaremos mortos por ela?
Ruan Nanzhu balançou a cabeça:
— Isso é improvável. Esta não é uma porta avançada, então as condições para matar humanos são bastante limitadas e estritas. Ela não pode nos reunir todos e nos massacrar como bem entender.
Ele apontou:
— Vocês não notaram que toda vez que ela arrastou alguém para uma pintura, ela esperou um certo período de tempo antes de arrastar outra pessoa para dentro?
Tan Zaozao:
— Então…?
Ruan Nanzhu:
— Então, nós deveríamos tentar tirar a chave nesse meio-tempo.
Tan Zaozao estreitou os olhos desconfiada para Ruan Nanzhu:
— O que você quer dizer com tirar a chave?
Ruan Nanzhu:
— Pense bem. E se eu aproveitasse o tempo em que ela está incapacitada, completamente incapaz de matar pessoas, e queimasse todas as pinturas dela…
Ao ouvir o chamado plano de Ruan Nanzhu, os rostos de Tan Zaozao e Lin Qiushi escureceram, seus traços se contorcendo numa expressão feia.
Horrorizada, Tan Zaozao aconselhou:
— Ruan Nanzhu, eu sei que você é imprudente, mas não procure a morte mergulhando de cabeça no perigo assim, está bem! Você está literalmente brincando com fogo, sabia!
Ruan Nanzhu:
— Ah, eu só estou brincando.
Total descrença e dúvida varreram os rostos de Tan Zaozao e Lin Qiushi diante disso. O tom de Ruan Nanzhu estava longe do de alguém que estava meramente brincando; ele definitivamente não estava de brincadeira.
╋━ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna, Othello&Yuki