₊ Capítulo 06
𓂃˖˳·₊˚.𔓎 Capítulo 6: Entrando no Templo
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A noite estava escura e profunda. Carregando tochas acesas nas mãos, as pessoas marchavam através do frio cortante e dos ventos tempestuosos.
A nevasca pesada havia parado fazia um tempo, mas os ventos severos ainda sopravam com ferocidade. O chão sob os pés de Lin Qiushi rangia a cada passo que ele dava. Ele usava roupas grossas e puxou o gorro com força para baixo, cobrindo as orelhas e as bochechas. Suas costas estavam levemente curvadas para a frente, e uma jovem encantadora estava agarrada a elas.
Não houve conversa fiada durante a jornada. A atmosfera estava solene e sombria.
Quando o templo que o carpinteiro mencionara surgiu diante dos olhos de todos, alguém finalmente quebrou aquele silêncio despótico.
— É este o templo? — Zhang Zishuang abriu a boca. — Este templo parece… terrivelmente grotesco.
De fato, na luz fraca da noite, aquele templo parecia mesmo bastante esquisito. À primeira vista, parecia muito antiquado, mas, se alguém olhasse mais de perto, descobriria que aquele templo era bastante requintado. A escultura em relevo nos pilares da entrada não se parecia com nada que as pessoas já tivessem visto.
Lin Qiushi colocou Ruan Baijie no chão com cuidado e ergueu sua tocha acesa para estudar os detalhes intrincados da escultura em relevo nos pilares. Ele encontrou uma representação das Dezoito Camadas do Inferno esculpida no relevo. Não importava se alguém contemplasse os demônios malevolentes ou talvez as almas miseráveis e sofredoras, tudo naquelas colunas parecia tão vívido e realista.
— Este pilar é extraordinariamente belo. — Ruan Baijie elogiou de repente.
— É bem magnífico. — Lin Qiushi concordou.
Aquela escultura em relevo certamente não parecia ser uma criação daquela aldeia de montanha atrasada e miserável. Uma obra de arte tão elegante só poderia ser considerada uma obra-prima gloriosa.
Se não fosse pelo fato de ter coisas mais importantes em mãos nas quais se concentrar naquele momento, talvez Lin Qiushi tivesse tirado um bom tempo para avaliar e apreciar tal obra de arte.
— Quem vai primeiro? — Xiong Qi perguntou.
Ele perguntou quem queria ir primeiro, mas ninguém se adiantou nem respondeu. Uma coisa daquelas era honestamente perigosa demais. Se entrar no templo desencadeasse uma das condições para a morte, a primeira pessoa a entrar não seria uma vítima sacrificial?
— Por que a gente tem que entrar sozinho? — Ruan Baijie contestou. — E se aquele velho estiver nos enganando?
Xiong Qi respondeu:
— Mas dar ouvidos a ele ainda é muito melhor do que ir contra o conselho dele.
Ruan Baijie:
— Isso não é necessariamente verdade. — Ela virou a cabeça para encarar Lin Qiushi. — Qiushi, eu estou com tanto medo. Vamos entrar juntos, só nós dois.
Ao ouvir seu pedido, Lin Qiushi hesitou um pouco.
— Mas e se duas pessoas entrando no templo ao mesmo tempo desencadear alguma condição?
Ruan Baijie declarou:
— Atualmente, nós não temos respostas para tudo. Mas eu prefiro fazer essa aposta. Afinal, ninguém realmente sabe o que vai acontecer quando uma pessoa entra sozinha. — Depois de terminar de dizer isso, ela observou o templo à frente, envolto pela escuridão. — De todo modo… o que entra pode ser uma pessoa, mas não podemos ter certeza de que o que sair será humano, pode ser outra coisa.
Suas palavras fizeram arrepios penetrantes descerem pela espinha de todos; a pele de todos se arrepiou, e Lin Qiushi não foi exceção. Ele ergueu as mãos e esfregou vigorosamente os braços. Encarando a expressão dela, ele finalmente cerrou os dentes:
— Está bem.
Xiong Qi franziu as sobrancelhas.
— Vocês não entendem o que estão fazendo? Se duas pessoas…
Ele aparentemente queria persuadir os dois, mas foi interrompido por Ruan Baijie:
— E se uma pessoa entrar sozinha? Quem pode dizer o que vai acontecer nesse caso?
Aquilo era certamente verdade. Xiong Qi não teve escolha a não ser calar a boca diante desse fato.
— Não é da nossa conta como vocês organizam a ordem. — A voz de Ruan Baijie era suave. — O dia está frio. Qiushi, vamos nós na frente. Assim que acabar, podemos voltar cedo para casa e ir dormir.
A menção do sono lembrou a todos da noite terrível que estava por vir. Se continuassem a se demorar naquele lugar por mais tempo, provavelmente desperdiçariam a noite inteira ali, e o que quer que ocorresse naquele momento seria completamente incontrolável.
— Vamos. — Ruan Baijie enganchou o braço no de Qiushi, seu corpo inteiro colado ao lado dele.
Lin Qiushi já havia se acostumado com a natureza grudenta de Ruan Baijie. Ele mordeu o próprio lábio e então deu um aceno rápido de cabeça.
Em seguida, os dois indivíduos avançaram e entraram no templo diante deles.
Os outros encararam suas costas e mergulharam em um momento de silêncio.
A porta de madeira do templo estava entreaberta, e o interior do templo estava escuro como breu; eles não conseguiam ver nada. Ruan Baijie estendeu a mão e empurrou levemente a porta à sua frente.
A porta se abriu com um rangido, e o ar pressurizado lá dentro os atingiu no rosto, assaltando todos os seus sentidos.
Lin Qiushi farejou o ar e detectou uma fragrância tênue. Aquele aroma era tão vago e fraco, mas era assombrosamente desarmônico com aquele ambiente.
Usando a luz fraca das chamas de sua tocha, Lin Qiushi estudou as decorações do templo.
O templo não era grande, e sua estrutura era bastante simples. Instalados bem no centro do templo havia um altar de incenso e uma estátua de uma divindade; uma enorme caixa de méritos ficava ao lado desses objetos. Parecia haver algo inscrito na caixa de méritos, mas, como ele estava longe demais, Lin Qiushi não conseguia distinguir aquelas gravações.
— Vamos. — Ruan Baijie proferiu.
Os dois continuaram a avançar e seguiram em direção à almofada de junco diante da divindade.
A estátua era uma figura de Buda. Embora Lin Qiushi não reconhecesse aquele Bodhisattva, sua aparência era benevolente; emanava um ar de altruísmo e carregava a impressão de alguém que libertaria todas as criaturas vivas do sofrimento, alguém que ofereceria salvação aos seres sencientes.
A expressão de Ruan Baijie estava incondicionalmente tranquila e serena. Ela se ajoelhou sobre a almofada de junco e se curvou, prestando seus mais profundos respeitos à estátua de Buda.
Lin Qiushi ficou ao lado dela e prendeu a respiração.
Aquele estado de quietude se manteve por um tempo. Nada aconteceu. A estátua de Buda estava tão misericordiosa e graciosa como antes. Seus olhos semicerrados contemplavam serenamente seus fiéis em silêncio. Além dos ventos uivantes lá fora, o templo plácido proporcionava às pessoas uma paz de espírito.
Lin Qiushi acabou relaxando os nervos.
— Está tudo bem. — Ruan Baijie se levantou e sacudiu a poeira dos joelhos. — Venha.
Lin Qiushi assentiu, entregou a tocha a Ruan Baijie e então se ajoelhou sobre a almofada de junco para começar a cultuar. Lin Qiushi não sabia que pensamentos passaram pela cabeça de Ruan Baijie enquanto ela rezava, mas, de todo modo, ele mesmo foi muito piedoso ao prestar seus respeitos; rezou solenemente por refúgio ao deus diante de si.
— Bem. — Ele não se moveu muito, e ainda assim aqueles leves movimentos pareceram drenar toda a força de seu corpo. Vendo que nada aconteceu depois de terminar de rezar, Lin Qiushi soltou um profundo suspiro de alívio.
— Vamos. — Ruan Baijie se virou. — Nós deveríamos sair.
E assim, as duas pessoas saíram lentamente do templo.
Quando as pessoas que estavam do lado de fora viram que os dois estavam ilesos e intactos, todos exibiram uma expressão de choque.
— Não aconteceu nada? — Xiong Qi questionou.
Lin Qiushi balançou a cabeça.
— Nada.
Embora ninguém tenha dito nada, as expressões nos rostos de todos estavam terrivelmente estranhas; alguns deles até arrastaram os pés em inquietação e agitação.
— Por que a gente não vai em duplas? — Xiong Qi sugeriu. — Já que os outros dois estão bem…
— Você tem certeza de que nada aconteceu com eles? — Um dos membros do grupo observou Ruan Baijie e Lin Qiushi com vigilância. — Momentos atrás, ela mesma disse que aqueles que entram podem não ser necessariamente o que pensamos quando saem. Como podemos ter certeza de que os dois ainda são humanos?
Lin Qiushi, o homem cuja identidade estava sendo suspeitada, abriu a boca numa tentativa de se explicar, mas Ruan Baijie simplesmente acenou com a mão, impedindo-o de falar. Ela cuspiu com apatia:
— Nós não vamos aconselhar vocês nem persuadi-los a fazer nada. Façam todos como quiserem.
— Xiong gege, eu também estou com medo. — Xiao Ke choramingou. — A gente também pode entrar junto?
Xiong Qi pareceu bastante hesitante.
Aqueles que não tinham grande coragem começaram a procurar parceiros, enquanto os obstinados se recusavam teimosamente a ir contra as palavras do velho carpinteiro.
— Vocês escolham por vocês mesmos o que querem fazer. — Por fim, Xiong Qi tomou sua decisão. — Xiao Ke, nós vamos entrar juntos.
Agradavelmente surpresa, Xiao Ke balançou a cabeça para cima e para baixo com energia.
De acordo com a ordem que haviam decidido de antemão, o segundo a entrar no templo foi um homem sozinho. Ele entrou no templo por conta própria e saiu um tempo depois. Não pareceu ter encontrado nenhum acidente durante todo o tempo. Só que, quando saiu, tinha uma expressão dúbia no rosto. Parecia querer dizer alguma coisa.
No entanto, ele não conseguiu expressar seus pensamentos a tempo e, então, o terceiro grupo já havia entrado no templo.
— O que vocês dois viram no templo? — Em sussurros abafados, o homem que havia entrado no templo sozinho sondou Lin Qiushi em busca de respostas.
— Nós não vimos nada. — Lin Qiushi respondeu. — Só uma estátua de uma divindade e uma almofada de junco.
— Você não achou aquela estátua um pouco estranha? — O homem resmungou. — Eu nunca vi um deus daqueles em toda a minha vida.
Lin Qiushi piscou os olhos rapidamente, desconcertado com suas palavras. Ele simplesmente não conseguia entender o que o homem estava tentando transmitir.
O homem então baixou ainda mais a voz.
— Não me diga que você também viu? A aparência daquele deus era realmente esquisita demais…
Ainda incapaz de compreender o que o homem estava dizendo, Lin Qiushi balançou a cabeça rapidamente, mas logo em seguida parou. Enquanto remoía aquilo por um instante, uma suspeita tênue e arrepiante fez cócegas no fundo de sua mente, enchendo-o gradualmente de uma sensação de pavor.
— Você… que tipo de deus você viu exatamente?
— Era uma mulher. — Assim que essa frase saiu de sua boca, o pequeno sorriso no rosto de Lin Qiushi desapareceu instantaneamente. O homem ainda estava descrevendo seu relato em voz baixa e não notou a expressão contorcida de Lin Qiushi. Ainda sem ter percebido que havia algo terrivelmente errado com o outro, ele continuou: — Era um Bodhisattva, e ao mesmo tempo não era um Bodhisattva de jeito nenhum, pelo menos não parecia ser um. Ela olhava para mim lá de cima com um sorriso enorme no rosto. E a coisa que ela segurava firmemente não se parecia com nenhum artefato sagrado que um deus deveria estar segurando nas mãos, era mais como…
Bastante indiferente, Lin Qiushi questionou sem entusiasmo:
— Era mais como o quê?
— Era mais como… um machado usado para cortar árvores. — Ao murmurar isso, o homem virou levemente a cabeça e lançou um olhar para o templo. — Depois que eu terminei de rezar, ela pareceu ter se movido…
Nesse ponto, ele finalmente olhou de volta para Lin Qiushi e achou a expressão dele bastante feia, porém indiferente.
— E vocês? Vocês também viram isso?
— Não. — Embora fosse além de cruel, Lin Qiushi contou francamente a verdade ao homem. — A estátua de Buda que nós vimos era completamente diferente da que você viu.
— Diferente como?? — A cor do rosto do homem mudou instantaneamente ao ouvir aquilo. Ele exigiu com urgência: — Que tipo de deus vocês viram??
— O Bodhisattva que nós vimos… — Lin Qiushi revelou: — era masculino.
O rosto do homem ficou branco como um lençol. Tomado de terror, ele virou lentamente a cabeça e ficou boquiaberto diante do templo. Seus olhos estavam repletos de puro horror e desespero. Tremores sacudiam seu corpo, e sussurros confusos escapavam de sua boca. Ele negou veementemente:
— Não, impossível, é impossível, não pode ser. Como isso é possível? Vocês dois definitivamente têm algum problema. São vocês, tem que ser vocês…
Depois de dizer isso, ele moveu os olhos em alerta e observou os arredores com cautela, como se temesse que as palavras que havia proferido pudessem ter sido ouvidas por outros.
O terceiro grupo a entrar foi Xiong Qi e Xiao Ke. Quando os dois saíram, suas expressões também estavam bem calmas. Parecia que nada de estranho havia acontecido com eles.
O quarto grupo foi o próximo da fila… depois o quinto… Havia tanto homens quanto mulheres nesses grupos; alguns grupos tinham apenas uma pessoa, enquanto outros eram compostos por duas. Não demorou muito para que o perspicaz Lin Qiushi captasse rapidamente o padrão. Se uma pessoa entrava sozinha, ela sempre voltava uma expressão sombria e abismal.
Quando a última pessoa saiu, todos finalmente perceberam que havia um padrão — aqueles que entraram sozinhos acabaram vendo uma imagem de uma divindade completamente diferente da vista por aqueles que entraram em duplas.
Lin Qiushi e os outros que entraram em pares viram a imagem de um Bodhisattva magnânimo. Mas os indivíduos que entraram sem nenhum parceiro viram apenas uma mulher. Uma mulher assustadora sorrindo de forma mórbida e carregando um machado volumoso nas mãos.
— Com certeza, são eles que devem estar errados, tem que ser. Nós claramente seguimos o conselho do carpinteiro… — Ao descobrir isso, um dos membros desmoronou, sua mente começou a entrar em colapso. Ele divagou sem parar: — Não é um engano. Nós não poderíamos ter cometido um engano. O deus é obviamente aquela mulher… sim, não pode ser nada além daquela mulher…
Lin Qiushi só pôde consolá-los:
— Essas coisas ainda não foram confirmadas, vocês não precisam ficar tão nervosos.
Contudo, na realidade, todos sabiam claramente no fundo de seus corações que uma mulher jamais poderia ser a imagem de uma divindade em um templo; afinal, que templo consagraria uma coisa dessas?
— É, ainda não foi confirmado. — Ruan Baijie deu uma risadinha feliz. Ela ergueu graciosamente o braço e enrolou uma mecha do cabelo, depois riu baixinho: — Além disso, muita gente entrou no templo junto. Mesmo que a gente morra, pelo menos não vai morrer sozinho.
— Você pode parar de rir? — Xiao Ke interveio de forma grosseira ao lado.
— Por que eu deveria parar de rir? — Ruan Baijie retrucou friamente. — É melhor morrer com um sorriso do que morrer chorando até secar os olhos.
Assim que ela terminou de dizer isso, alguém exclamou:
— Pessoal, rápido, olhem para os pilares!!!
Lin Qiushi ouviu aquelas palavras e ergueu os olhos para dar uma olhada, apenas para inesperadamente descobrir que a escultura em relevo nos pilares estava lentamente começando a se distorcer e se deformar.
╋━ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna, Othello&Yuki